Música · Quarta Parede

Carros Assassinos

Foi numa madrugada de segunda para terça, se não me engano, quando estava zapeando pela SKY, sem sono, e dei a sorte de pegar o Crash – Estranhos Prazeres (1996), do David Cronenberg, logo em seu início, ainda nas apresentações de elenco e equipe técnica. Sem dúvida alguma, é o filme mais bizarro que já assisti até hoje.

Cenas de sexo. Carros. Acidentes de carro. Cenas de pessoas fazendo sexo em carros acidentados. É basicamente isso. Não é um filme ruim, a experiência em assisti-lo foi interessante. A trilha sonora dá um ar de mistério ao filme, os personagens são charmosos e enigmáticos e tem algo nas cores dele que mexeu comigo, mas a história em si e o modo em que ela é contada é um pouco sem pé nem cabeça.

Alguns dias depois, lembrei que o Radiohead tem duas canções que se assemelham a um dos temas do filme: acidentes de carro. São elas “Airbag” (uma das minhas favoritas de toda a discografia deles) e “Killer Cars”, um b-side do The Bends, época que a banda ainda usava umas guitarrinhas distorcidas.

Quarta Parede

+2 Filmes: Tom Cruise em 1999

A virada do século foi bem produtiva para Tom Cruise. Com dois papéis marcantes no ano de 1999 (recebendo até uma indicação ao Oscar), para mim, foi a prova definitiva de que ele era mais do que apenas um rostinho bonito em Hollywood.

Em “Magnólia”, meu filme favorito de Paul Thomas Anderson, Cruise interpreta Frank T. J. Mackey, uma espécie de guru do sexo e que dá palestras para homens sobre como conquistar uma mulher e fazê-la sair com eles. Com uma postura um tanto quanto machista (sem ideologia, apenas veja o filme), o personagem de Tom Cruise esconde por trás da máscara de “homem bem resolvido” um cara emocionalmente frágil, ainda mais quando é confrontado com fantasmas de seu passado. Veja como Cruise encarna de forma brilhante seu personagem na platéia e depois em seu momento mais vulnerável. É magnífica e emocionante sua interpretação.

Outra película em que o ator desempenha seu papel com maestria é em “De Olhos Bem Fechados”, a última dirigida por Stanley Kubrick, que morreu dias após a finalização do filme.

Ambientado numa Nova York em plena época de natal, Cruise é o médico Bill Harford, que fica atordoado ao ouvir da esposa que ela fantasiou um caso com outro homem. Perdido em seus pensamentos, Harford sai pela cidade encontrando os mais variados tipos de pessoas, até se meter em uma seita secreta com orgias e pessoas misteriosas. O personagem de Cruise é de um cinismo notável e possui um “quê” de superioridade sobre as outras personagens. Por ser bem sucedido, usa de seu dinheiro para conseguir o que quer, mesmo em situações constrangedoras. Confira abaixo algumas cenas, mas cuidado, pois podem ter spoilers.

Aqui nesse texto, eu não quis prolongar muito sobre os filmes em si, apenas nas atuações do ator. Porém, afirmo que são longas que tocam nas feridas mais sensíveis do ser humano, como suas relações afetivas, suas interações com outras pessoas e como cada um, em seu particular, age em prol de si mesmo nas mais diversas situações. São filmes que escancaram de forma brilhante nossos maiores medos e fraquezas.

Se você vê Tom Cruise atualmente focando sua carreira em filmes de ação “mais do mesmo”, não se engane. Apesar do rosto ainda bonito mesmo depois de anos, ele só anda escolhendo seus papéis na sua zona de conforto, pois talento ele tem de sobra.