Garimpo · Música

Garimpo: Thom Yorke Ao Vivo na BBC Radio 6

Uma das minhas tarefas mais árduas (mentalmente falando) que tenho enfrentado é o combate ao postergamento/procrastinação de atividades. Portanto, quero deixar bem claro que o texto sobre a trilha sonora que Thom York criou para “Suspiria” está sendo adiado por um motivo simples: o filme ainda é inédito no Brasil.

Confesso que estou ansioso para escrever minhas percepções em relação ao disco, mas julgo não fazer sentido tal texto sem ter visto a película de Luca Guadagnino, um remake de um clássico do terror lançado originalmente em 1977 por Dario Argento. Assisti ontem a obra original e fiquei estupefato. Por ora, também não darei ênfase para ela, mas adianto: é um filme brilhante.

A fim de, ao menos, dar um esclarecimento ao leitor de que o texto sairá SIM e em breve, e uma acalmada em mim mesmo, trago esse aperitivo: uma apresentação de Thom na inglesa BBC Radio 6, uma das estações digitais de rádio da BBC. Para mim, como um grande fã do cara, é difícil explicar a apresentação sem alguns exageros, mas se tem uma palavra para defini-la seria emocionante.

Do cenário penumbroso ao semblante melancólico característico de Thom Yorke, toda a áurea das apresentações colaboram para a boa experiência do ouvinte/espectador. Ouvi-las no disco nos transmite suspense e sufocação. Ao vivo, é completamente o inverso.

Direto do Forno · Música

Thom Yorke – Unmade

Thom Yorke e um piano é a perfeita combinação para um momento de total relaxamento e reflexão sobre a vida.

Assim é “Unmade”, faixa que acaba de sair do forno de seu tão falado (principalmente por aqui, nota-se) novo trabalho, o primeiro à frente da trilha sonora de um filme.

A cada novidade, percebe-se que a trilha de “Suspiria” vai muito além do que um simples acompanhamento do filme, mas, sim, um disco solo, autoral e poético, altamente comovente, como tudo que esse rapaz fez em sua carreira.

“Unmade” é um ponto ainda maior em sua trajetória. Se as anteriores causavam apreensão no ouvinte, essa os leva ao equilíbrio.

Direto do Forno · Música

Thom Yorke – Hands Off the Antarctic (Greenpeace)

É, parece que o velho Thom está gostando desse lance de criar trilhas sonoras. Não bastasse estar ocupado o suficiente produzindo a trilha de “Suspiria” (ao que tudo indica, será brilhante), o líder do Radiohead lançou uma faixa especial em parceria com o Greenpeace, em apoio à proteção da região da Antártida.

O  vídeo por si só já seria belíssimo, com imagens em preto e branco e em alta definição de geleiras, céus nublados, aves e animais marinhos e o oceano, com toda a sua exuberância.

Claro que saber que Thom Yorke é o idealizador por trás da canção ajuda a divulgá-la e eleva-a a um patamar ainda maior, mas por ser instrumental, tenho certeza que não causaria tanto impacto caso fosse criada por um artista de menor expressão. Mesmo assim, é uma música magnífica, com batidas eletrônicas pulsantes e sons etéreos que aumentam ainda mais a beleza do vídeo.

Mais um ponto positivo pro cara.

Direto do Forno · Música

Thom Yorke – Open Again

Toda a maestria que Thom Yorke está colocando nesse novo projeto me traz um único questionamento: será que “Suspiria” será um filme à altura de sua trilha sonora?

Fantasmagoricamente bela, “Open Again”, a quarta canção liberada, traz o artista cantando versos curtos e poéticos, enquanto os instrumentos e ondas sonoras fazem seu trabalho ao fundo.

O álbum completo sai daqui uma semana, pela XL Recordings. O filme chega aos cinemas na mesma data.

Direto do Forno · Música

Thom Yorke – Volk

É, teremos Thom Yorke duas vezes na mesma página sim, porque já saiu mais uma música da trilha sonora de “Suspiria”, novo filme de Luca Guadagnino.

“Volk” é inteiramente instrumental e é a mais assustadora até agora. Trilha típica de cenas agonizantes e que garantem boas doses de suspense e sustos nos espectadores.

O frontman do Radiohead está se saindo bem em sua nova função.

Direto do Forno · Música

Thom Yorke – Has Ended

“Has Ended” é a segunda faixa liberada por Thom Yorke e que fará parte da trilha sonora de “Suspiria”, novo filme de Luca Guadagnino, que já falei aqui.

Ao contrário da anterior, “Has Ended” possui um aspecto mais eletrônico e que provoca certo suspense no ouvinte, enquanto o vídeo consiste em imagens e formas geométricas em movimento se desfazendo, dando uma estranheza e aumentando ainda mais o mistério que ronda não só a trilha sonora, mas o filme em si.

Direto do Forno · Música

Do Forno: Thom Yorke – Suspirium

A mídia em peso já deve ter falado ou estar falando sobre o novo lançamento de Thom Yorke, porém, como sou um grande admirador dele e do Radiohead, vou entrar na onda e colocar aqui embaixo o link de “Suspirium”, disponibilizado ontem para audição.

Trata-se de um novo projeto do frontman do Radiohead, o seu primeiro à frente de uma trilha sonora para um filme. “Suspiria”, lançado originalmente em 1977 e dirigido por Dario Argento, ganhará um remake por  Luca Guadagnino, diretor de “Me Chame Pelo Seu Nome” (um dos melhores filmes que vi esse ano).

A música em questão, “Suspirium”, é uma balada bem gostosa de ouvir, levada por um piano e alguns instrumentos de sopro ao fundo, acompanhando os doces versos de Thom durante o seu decorrer.

Crônicas · Música

Cadê As Guitarras, Radiohead?

‘OK Computer’, o mais conhecido e aclamado trabalho do Radiohead, completou 20 anos em 2017. Uma versão expandida chamada ‘OKNOTOK’ foi lançada, e claro, a mídia ficou a todo vapor. E não por menos, já que o álbum é considerado um dos melhores de todos os tempos.

E é aproveitando o hype (merecido) que surgiu nos últimos meses que resolvi fazer esse texto. Fiquei pensando o que se passa na cabeça de um artista ao atingir o tal “ápice” de sua criatividade. O correto seria manter a fórmula ou partir para um novo começo? No caso do Radiohead, a escolha foi a segunda opção.

‘Kid A’ chegou em 2000, 3 anos após o ‘OK Computer’, e novamente causou uma reviravolta na cultura pop mundial, com uma sonoridade totalmente nova. A idéia inicial da banda era fazer algo inverso ao que fora apresentado anteriormente, buscando fórmulas não-comerciais e não-convencionais tanto para a criação das músicas quanto para a divulgação do trabalho. A maior reviravolta, digamos assim, foi a ausência quase total de guitarras e/ou violões, que foram deixados de lado e deram lugar aos sintetizadores, baterias e ruídos eletrônicos, jazz, influências de krautrock e até música clássica. Para completar, não foi lançado nenhum single ou videoclipe para promover o disco. Mesmo com toda essa “aversão ao sucesso”, ‘Kid A’ vendeu milhões de cópias e foi muito bem recebido pela crítica.

“I slipped away,
I slipped on a little white lie.
We’ve got heads on sticks,
You’ve got ventriloquists staring at the shadows
At the edge of my bed.”

Saber mesclar em doses certas momentos de caos e estranheza com tranqüilidade e doçura foi peça fundamental para manter o equilíbrio e a qualidade do álbum. A dobradinha “The National Anthem/How To Disappear Completely”, por exemplo, leva o ouvinte de um total delírio sonoro a um espaço completo de paz e tristeza. Enquanto a primeira é levada por um baixo e bateria constantes que encontram um solo de instrumentos de sopro alucinados no final, a segunda diminui o clima e um violão acompanha os lamentos de Thom Yorke sobre a vida e a si mesmo.

Em seqüência, a bela faixa instrumental “Treefingers” mantém o clima de calmaria, como uma hipnose sonora. Porém, ao final, dá lugar a uma pancada de guitarras em “Optimistic” que, ironicamente (uma das poucas acompanhadas por guitarra/violão), considero a melhor do álbum. A estranha “Idioteque”, construída em cima de batidas eletrônicas indecifráveis e com uma letra igualmente enigmática, é outro ponto forte que se encontra no andamento do disco.

“Flies are buzzing round my head,
Vultures circling the dead,
Picking up every last crumb.
The big fish eat the little ones,
The big fish eat the little ones,
Not my problem, give me some.
You can try the best you can.
You can try the best you can?
The best you can is good enough.”

“Who’s in a bunker?
Who’s in a bunker?
Women and children first,
And the children first,
And the children…
(…)
Who’s in a bunker?
Who’s in a bunker?
I have seen too much,
I haven’t seen enough,
You haven’t seen it…”

Dos primeiros sons de “Everything In It’s Right Place” até o belo desfecho em “Motion Picture Soundtrack”, o Radiohead entrega um trabalho que serviria como base para suas experimentações futuras, que ficariam ainda mais claras em “Amnesiac” (2001) e que ganhariam uma encorpada ainda mais interessante em “In Rainbows” (2007).

Com o passar dos anos, o Radiohead foi adotando uma identidade de inovação a cada registro lançado, surpreendendo os ouvintes e conquistando cada vez mais fãs ao redor do planeta. Todo o entusiasmo em cima desses caras não é em vão.

*O Radiohead possui uma proteção f#d!d@ sobre suas músicas, por isso foi muito difícil encontrar as canções originais no Youtube. Mas nas plataformas digitais estão todas disponíveis.