Crônicas · Música

Humanos

(Meu mais recente texto para o blog da Immagine. Link aqui.)

Foi na casa de um antigo amigo, Thiago “Bola”, que ouvi o Gorillaz pela primeira vez. Fiquei encantado ao ver uma “banda de desenho” tocando uma música tão interessante. Era “Feel Good Inc.”. Pelos meus cálculos, que não estão muito certeiros, era 2005… Acho que está certo, pois um ano depois foi a primeira vez que vim para LEM e lembro perfeitamente de uma coletânea lançada pela Som Livre, chamada Top Hits TVZ 2, em que uma das bandas que passavam na propaganda era justamente o Gorillaz, com “Kids With Guns”, o que, mais tarde, eu achei estranho, pois o trecho do vídeo que passou no anúncio não era dessa  música.

Esse foi o ponto de partida para eu ir atrás de mais músicas da banda, pesquisar sua história, seus criadores e tudo mais. Encantou-me o fato de que um de seus criadores era Damon Albarn, vocalista e líder do Blur (já falei sobre eles aqui e aqui), uma das minhas bandas favoritas. Nessa época em que os conheci, o segundo disco deles, Demon Days, havia sido lançado e estava fazendo bastante sucesso. Canções como “El Mañana” e “O Green World” estiveram presentes em várias das minhas playlists, além das duas citadas acima. “Dare” foi outra que ouvi bastante.

Alguns anos se passaram e, novamente sem querer, descobri que eles haviam lançado mais um trabalho, e que me carimbou oficialmente como admirador da banda: “Plastic Beach”. Recheado de participações especiais, como os gigantes do rap Snoop Dog, Mos Def e De La Soul, até ícones como Lou Reed, esse disco me pegou em cheio. A primeira que ouvi foi “On Melancholy Hill”, cujo videoclipe é muito legal. O que falar então de “Stylo”, que tem até Bruce Willis perseguindo a banda no meio do deserto? É uma música melhor que a outra.

Depois de “Plastic Beach”, saíram mais três: “The Fall”, de 2010; “Humanz”, de 2017; e “The NowNow”, desse ano. Os dois mais recentes, inclusive, estão baixados no meu Spotify há umas três semanas (ou mais), mas não os ouvi ainda. Tenho uma “coisa” com lançamentos, não consigo ouvi-los quando ainda estão recentes. Tenho medo, creio eu, de me decepcionar. Ainda mais nesse caso, onde tenho como base o “Plastic Beach”, cujo nível é altíssimo.

Deixo abaixo duas músicas de cada disco (dos que ouvi) para vocês apreciarem. E sobre o meu amigo que cito no início do texto, não nos vemos e nem nos falamos há anos. Coisa de humanos.

Direto do Forno · Música

Dark Knights: Metal – Trilha Sonora

Descobri por acaso que a DC Comics está lançando, aos poucos, músicas que servirão como trilha sonora para a série de QUADRINHOS Dark Knights: Metal.

Confesso que é a primeira vez que vejo uma trilha sonora ser lançadas para histórias em quadrinhos, e achei a ideia muito legal, ainda mais que as canções contam com nomes de peso nas suas execuções, como Chino Moreno, líder do Deftones, e Brann Dailor, do Mastodon.

Até o momento, três músicas foram disponibilizadas e deixo os links abaixo para audição. As duas primeiras são MUITO BOAS, mas a terceira me soou bastante genérica.

Há rumores de que um possível álbum possa ser lançado com o restante das canções, mas nada confirmado ainda. Só nos resta aguardar.

 

Crônicas · Música

Êxtase

Não me lembro a data certa, mas sei que era uma sexta à noite, por volta das 23 horas. Estávamos voltando para casa, eu e Denise, ouvindo um daqueles programas flashback no rádio. Começou a tocar uma canção desconhecida. Estávamos em silêncio, e o rádio, bem baixo. Mesmo assim, deu para ouvir os primeiros segundos da música e me pareceu bem interessante. Eu conhecia aquela voz. Aumentei o volume para identificar e saquei na hora: era Guilherme Arantes. Meu pai era muito fã dele.

Aumentei um pouco mais para ouvi-la melhor. Os versos agora estavam mais claros. Era uma canção de amor. Muito bonita, por sinal. Bem escrita, frases e rimas bem construídas, uma sonoridade diferente do que costumo ouvir. Parece que foi feita especialmente para aquele momento.

Gravei um dos versos na memória para procurar seu nome na internet quando chegasse em casa. Era “eu nem sonhava te amar desse jeito”, que se repetia várias vezes ao final da música. Só reforçou ainda mais o sentimento de que a canção foi feita realmente para a situação em que estávamos passando ali, naquele trajeto. Descobri seu nome. “Êxtase”.

Ir do centro até nossa casa leva cerca de dez minutos. Se não me falha a memória, foram dez minutos de silêncio. A canção, que tem pouco mais de cinco de duração, levou a metade do tempo. O restante foi tomado pelo êxtase.

Êxtase esse que nunca mais passou. Nunca mais esqueci aquela música, e nunca me esquecerei daquele momento.

Crônicas · Música

27 anos de “Spiderland”

No dia 27 de março de 1991 era lançado “Spiderland”, segundo e último disco de estúdio do Slint. Fundamental para a construção daquilo que conhecemos atualmente como post-rock (e seus derivados), “Spiderland” foi mais um trabalho que ficou ofuscado com o estrondoso sucesso do “Nevermind”. Porém, com o passar dos anos, sua influência foi se tornando cada vez maior até atingir a mística cult por parte dos fãs e da crítica. Atualmente, não temo em dizer que o álbum já é considerado um clássico moderno.

Com quase 40 minutos de duração e distribuído em 6 faixas, o ouvinte se depara com um ambiente claustrofóbico e que, em partes, torna-se absurdamente barulhento. Os vocais, que alternam entre sussurros, declamações e gritos, são os fatores que mais chamam atenção. Mesmo com um instrumental extremamente preciso, como se todos os acordes e riffs fossem milimetricamente criados, a voz de Brian McMahan não se deixa levar e ali, à deriva, conta a história de cada canção. Nas primeiras audições, confesso que fiquei incomodado com esse detalhe, até conseguir perceber a beleza nesse aspecto proposital e que torna o disco tão marcante.

Não é nenhum exagero dizer que certas explosões sonoras causam sustos e desespero, vide o final épico de “Good Morning, Captain”, canção que encerra o trabalho. Até o momento de mais “tranquilidade” do disco, em “Don, Aman”, é capaz de trazer um desconforto graças a sua atmosfera cinzenta, digna de um filme de terror.

Como já disse antes, “Spiderland” pode trazer doses de desconforto a um ouvinte iniciante, mas não desista na primeira audição. Com o passar do tempo, fica mais fácil compreender e enxergar a beleza melancólica que esse trabalho icônico oferece. Mesmo 27 anos depois de seu lançamento, “Spiderland” permanece tão atual quanto aqueles que ele influenciou.

Crônicas

Olhos Iguais Aos Seus

(Texto que escrevi para o blog da Immagine no dia 18 de abril de 2007. Link aqui.)

A vida moderna está cada vez mais estressante. Horários, limites, metas e outros inúmeros fatores mascaram a nossa liberdade e pela falta de tempo, não pensamos nisso. Deixamos passar vários detalhes despercebidos, cegos pela correria do cotidiano e, de certa forma, nos tornamos apenas mais um na multidão, como Humberto Gessinger canta em “Olhos Iguais Aos Seus”, canção lançada em 1990 no clássico disco O Papa É Pop:

“Você olha ao seu redor e acha melhor parar de olhar. São olhos iguais aos seus, iguais ao céu ao seu redor.”

 

O olhar pode ser considerado uma voz para o silêncio, uma forma de se comunicar quando palavras não são o bastante. Tem olhares que nos engrandecem, enquanto outros nos derrubam. Alguns são questionadores, e outros só aumentam as dúvidas. Um certo olhar pode mudar a rota da viagem, o rumo de um planejamento, uma intenção a mais ou até a falta dela. Um olhar apaixonado salva o dia de alguém, enquanto um olhar de tristeza procura alguém que o faça.

A percepção do stress na vida moderna é bem clara no trânsito. Precisamos correr para chegar logo em casa, para não nos atrasarmos no trabalho, para passar naquele sinal ou, simplesmente, ser mais rápido do que aquele carro logo à frente, No caminho, lombadas, placas, nervosismo, freia, acelera, freia novamente, engarrafamentos, cruzamentos, etc.

Certo dia (já estressado) peguei a marginal ao lado da BR e transitava rumo à minha casa quando um olhar veio bem na minha direção, como uma flecha. E aquele olhar me pegou de jeito. Nesse instante, o detalhe não passou despercebido. Não dessa vez. Não sei se era um pedido de ajuda ou apenas cansaço. Jamais saberei. Aquele olhar, durante alguns segundos, serviu para me mostrar que, na maioria das vezes, reclamamos de barriga cheia.

Garimpo · Música

Garimpo: Primeira do ano!

Ano novo, promessas antigas. Sempre que passamos pela transição do 31 de dezembro para o dia 1 de janeiro, prometemos a nós mesmos inúmeras mudanças que no fundo, bem lá no fundo, sabemos que são meras ilusões se não decidirmos colocá-las em prática o mais rápido possível. Eu fiz as minhas, admito, mas uma delas já estou colocando em prática… Ou pelo menos tentando. E você?