Garimpo · Música

Garimpo: Inches to Infinity

Tem um canal no Youtube que eu adoro, chamado Worldhaspostrock. É um dos maiores e melhores acervos de post-rock na plataforma, com vários discos e playlists para ouvir, sem falar que o canal ficou tão grande que algumas bandas lançam seus trabalhos em primeira mão direto por ele.

Tento ouvir o máximo que posso, principalmente as novas postagens, mas não tem como, é muito material. Mas teve um em específico que atingiu o meu emocional em cheio, um projeto chamado Inches to Infinity, e a canção de nome “These Bones Have Life”.

Na página deles no Bandcamp, a descrição é perfeita:

“Pintando quadros com música, algumas vezes sem palavras.”

São nove canções ao todo, todas no esquema pague o quanto quiser. E as artes visuais são maravilhosas, um aspecto fundamental que engrandece a experiência de ouvir.

Deixo abaixo aquela que citei acima e que me deu arrepios, “These Bones Have Life”.

Direto do Forno · Música

All Them Witches – Saturnine & Iron Jaw (Single)

É intrigante como o All Them Witches passeia por várias vertentes musicas em uma só canção. Em um disco então, é uma salada completa, e das boas. É só ouvir o último lançamento do grupo, ATW, cujas impressões pessoais registrei aqui.

Agora vem o seu sucessor, Nothing As The Ideal, com lançamento previsto para o início de setembro via New West Records.

A canção que inicia esse novo trabalho já está disponível para o público, e é sobre ela o que disse no início desse texto. Com quase sete minutos e com um riff poderoso, ela navega entre o rock psicodélico e o stoner, e tem uma característica interessante e presente em várias outras músicas da banda: ela dá uma quebrada no tempo, de repente, até que volta subindo o tom até explodir de novo.

Se o trio mantiver a regularidade, acho que vem mais pedrada por aí.

Direto do Forno · Música

O Novo do Korto: EP

Se me falassem que o trio francês Korto viesse direto dos anos noventa, eu acreditaria fácil, fácil. A guitarra frenética e psicodélica remete a bandas como Truly (que também era um trio) e o Hazel, com o vocal distante, como se ecoasse de algum lugar além da música, e a bateria que permanece ativa à exaustão, como se não cansasse.

EP, simples assim, é o nome do disquinho com quatro canções somente, todas psicodélicas, bebendo do krautrock, space rock e do indie noventista, cujas guitarras dão o poder que as músicas merecem e o baixo pulsa como um coração desgovernado, tudum tudum tudum tudum, sem medo de que infarte a qualquer momento. Enquanto a cozinha dá o andamento agitado das músicas, a guitarra faz seu trabalho à parte, indo e voltando em arpejos, solos e passagens atmosféricas.

Por ser um trio, meu apreço fica ainda maior, são três cabeças apenas fazendo um barulho que muita banda pena para fazer, e com mais integrantes.

O trabalho saiu pelo selo Six Tonnes De Chair Records, também francês. Se o leitor me perguntasse qual música ouvir, eu diria: todas.


1. Mob
2. No Shit
3. Dottt
4. Tempor 

Direto do Forno · Música

Tool – Fear Inoculum (Single)

Caro leitor, aconteceu. A internet parou, os planetas pararam, a humanidade parou. O que muitos acharam que nunca mais aconteceria, finalmente saiu da imaginação e faz parte da nossa realidade: o Tool irá lançar sim um novo disco esse ano, no dia 30 de agosto, e hoje já podemos ouvir o seu primeiro single.

O novo trabalho já tem nome: Fear Inoculum, e a faixa-título foi liberada para audição. São dez minutos de viagem ao inconsciente, como toda a obra do grupo.

É difícil falar sobre o Tool sem deixar a emoção de lado, pois é a minha banda favorita. É música que transcende a experiência do sentir. Ao finalizar a audição, fiquei estático olhando para o computador de tanta emoção.

Mal posso esperar pelo disco completo, porém, paciência. Ao menos, ainda bem, já sabemos que ele chegará.

Direto do Forno · Música

Spotlights – Mountains Are Forever (Vídeo)

Em abril deste ano, o Spotlights lançou o excelente Love & Decay, seu mais recente disco de estúdio, pela Ipecac Recordings.

Há duas semanas, o trio lançou um videoclipe para uma das canções do álbum, “Moutains Are Forever”.

Com cores relativamente gélidas, o vídeo capta alguns movimentos aleatórios entre paisagens naturais e figuras esfumaçadas, dando um tom sombrio ao trabalho.

Escrevi aqui minhas impressões sobre Love & Decay.

Direto do Forno · Música

FLOWERS – Flat Tired Chuck (Single)

Após apresentar artistas como Lenny Pistol, Jeremy Walch e o Endless Dive, trago mais uma novidade do selo belga Luik Records, um dos meus favoritos da atualidade. Trata-se do FLOWERS.

O projeto é idealizado por duas mulheres: Roos Pollmann (Juanita), que comanda as canções com um vocal rasgado e raivoso e guitarras de peso que passeiam pelos riffs sujos do stoner aos viajantes do space rock , e Judith van Oostrum (Juju), cuja bateria se destaca pela precisão e peso na medida certa.

Pouco mais de um ano após soltarem um interessante EP de estreia, o duo se prepara para lançar seu primeiro disco cheio, intitulado DOOM CITY. Segundo release oficial,

“Doom City é um álbum conceitual sobre um decadente, abandonado e isolado local industrial em um deserto vazio e sem recursos. Cada canção é sobre um aspecto dessa cidade; um líder político cantando para os habitantes, uma briga em uma fábrica, a visão geral da cidade, a vista da ilha (e o narrador) pensando sobre a cidade, etc. A cidade é uma metáfora para o patriarcado e o sistema de gênero binário – é insustentável, é desafiador sobreviver, é preciso se decompor para dar lugar a um novo modo de vida.”

Ouça abaixo “Flat Tired Chuck”, primeiro single do disco, programado para ser lançado no dia 10 de setembro desse ano.

Direto do Forno · Música

O Novo do Spotlights: Love & Decay

Junte a arte visual com o som da banda e a sensação é de navegar entre uma chuva de meteoros em pleno espaço sideral. Assim é Love & Decay, novo trabalho do Spotlights que chegou à Terra em 26 de abril desse ano pela Ipecac Recordings, gravadora do Mr. Mike Patton.

Mesmo que seja possível perceber as mais diversas influências no disco, como o shoegaze, o post-rock, o space rock, o stoner metal e até o doom metal, a predominância característica e que fica marcada é o peso. Em resumo, é um disco muito pesado, e devido às variedades que o compõem, torna-se, também, um trabalho emotivo.

Boa parte das canções tem a mesma proposta, iniciando com muita força e, em seguida, deixando a experimentação tomar conta, transformando a carga cheia em um espaço de flutuação.

“Far From Falling”, com mais de sete minutos, engata uma viagem espacial a partir de sua metade, com riffs repetitivos, guitarras solando ao fundo e a bateria constante que parece explodir a qualquer momento. E explode, quando a distorção engrandece e eleva ainda mais o estado psicodélico-espacial da canção.

Outros pontos altos do disco são os dois singles lançados anteriormente, “The Particle Noise” e “The Age of Decay”, que mesclam momentos sutis e hipnóticos com agressividade.  “Xerox”, a mais curta do álbum e cujo videoclipe você confere abaixo, destoa um pouco das demais, pois mantém a intensidade do começo ao fim. “The Beauty of Forgetting”, com quase onze minutos, finaliza com maestria e causa certa perplexidade, daquelas em que a pessoa fica estática, olhando para o nada, absorvendo tudo o que ouviu.

As edições em CD e vinil ainda contam com uma faixa extra, chamada “Sleepwalker”.

Tendo em vista tamanha riqueza de influências e detalhes de Love & Decay, saber que tudo isso é feito por um power trio catapulta ainda mais seu brilhantismo. Nada é feito com preenchimentos chatos ou megalomaníacos. A mistura entre o peso e a emoção podem atingir até ouvintes não-habituados com o estilo, apesar de que, à primeira audição, pode causar estranhamento.

Para fãs desse tipo de som, como eu, é um prato cheio.

1. Continue The Capsize
2. The Particle Noise
3. Far From Falling
4. Until The Bleeding Stops
5. Xerox
6. The Age of Decay
7. Mountains Are Forever
8. The Beauty of Forgetting

Direto do Forno · Música

Slift – 2016: Spacetrip For Everyone (EP)

Um compilado muito interessante saiu pelo selo francês Six Tonnes de Chair Records no final de maio. Para quem gosta de música viajante, é um prato cheio.

O Slift é um conjunto de Toulouse, na França, que produz um som space-psych-garage altamente recomendado. Enquanto a bateria e o baixo dão andamento às canções, as guitarras tratam de elevar o ouvinte a outra dimensão com muitos efeitos, repetições e barulhos que parecem ecoar direto de um planeta distante.

2016: Spacetrip For Everyone é um EP com três demos gravadas em 2016 e que nunca foram lançadas antes. Com todas passando dos cinco minutos de duração e como o próprio nome diz, é uma viagem intergalática.

É colocar para tocar e decolar.

Direto do Forno · Música

Thom Yorke – Hands Off the Antarctic (Greenpeace)

É, parece que o velho Thom está gostando desse lance de criar trilhas sonoras. Não bastasse estar ocupado o suficiente produzindo a trilha de “Suspiria” (ao que tudo indica, será brilhante), o líder do Radiohead lançou uma faixa especial em parceria com o Greenpeace, em apoio à proteção da região da Antártida.

O  vídeo por si só já seria belíssimo, com imagens em preto e branco e em alta definição de geleiras, céus nublados, aves e animais marinhos e o oceano, com toda a sua exuberância.

Claro que saber que Thom Yorke é o idealizador por trás da canção ajuda a divulgá-la e eleva-a a um patamar ainda maior, mas por ser instrumental, tenho certeza que não causaria tanto impacto caso fosse criada por um artista de menor expressão. Mesmo assim, é uma música magnífica, com batidas eletrônicas pulsantes e sons etéreos que aumentam ainda mais a beleza do vídeo.

Mais um ponto positivo pro cara.