Direto do Forno · Música

Tombstones In Their Eyes – Sleep Forever (Demo)

Acho válido quando artistas soltam versões demo de suas canções para o público, pois mostra um pouco de seus processos criativos e estados de vulnerabilidade que, em algumas ocasiões, a polidez de um disco de estúdio não deixa às mostras.

O grupo Tombstones In Their Eyes está preparando um material nesse formato, intitulado Demos Vol.1, contendo doze canções do catálogo da banda antes de serem trabalhadas de forma “profissional”.

“Sleep Forever” é o primeiro aperitivo desse trabalho, e recomendo para quem gosta de um bom shoegaze. Confira abaixo as versões demo e a de estúdio.

Direto do Forno · Música

CASTLEBEAT – TI​-​83 (Single)

CASTLEBEAT é o pseudônimo usado por Josh Hwang para distribuir suas músicas internet afora, e além disso, o cara também gerencia o selo Spirit Goth, voltado para a produção de canções lo-fi com as mais variadas influências.

A mais recente obra de sua discografia é a canção “TI-83”, disponibilizada como single no início desse mês. Misturando elementos do lo-fi hip hop, chillout e até o shoegaze, com a voz calma e quase sussurrada envolta em texturas sonoras e batidas repetitivas, é daquelas canções que caem muito bem numa madrugada solitária e melancólica.

Outra música do projeto que recomendo sempre que posso é “80’s High School”, lançada em janeiro desse ano e que aparece bastante em minhas audições diárias. Você a encontra na página do Bandcamp do CASTLEBEAT ou no Youtube.

Garimpo · Música

Garimpo: New Ghost

O New Ghost é um conjunto britânico que lançou há algumas semanas seu mais novo EP, Future Is Dead, pela sempre primorosa Shore Dive Records.

São três músicas interessantes, uma mescla de guitarras distorcidas com sons eletrônicos e uma bateria muito bem construída, algo que soa moderno e nostálgico ao mesmo tempo.

Para quem é fã de shoegaze e seus derivados, é uma boa pedida.

 

Crônicas · Língua Presa · Música

Hoje Dancei Ouvindo Ride

Something Else, do The Brian Jonestown Massacre, foi um dos vários álbuns que ouvi hoje durante o dia. E no Spotify é o seguinte: quando um disco acaba, começa a tocar aquilo que o programa chama de rádio, que é um compilado aleatório de músicas que se parecem com o que acabou de ser reproduzido. É uma ferramenta interessante para descobrir bandas e artistas novos.

A rádio do Something Else tinha, em sua maioria, artistas de música psicodélica, como o Spiritualized e o Oh Sees. Só que teve uma em específico que quando começou a tocar, não acreditei. Meus braços arrepiaram-se por inteiro e pensei que havia entrado em uma máquina do tempo. “Dreams Burn Down”, do Ride.

Quando o shoegaze entrou na minha vida, eu estava naqueles momentos de personalidade vulnerável, ainda sendo moldado sob as próprias influências. Nowhere, do Ride, foi um dos grandes discos que abriram as portas para que eu adentrasse nesse universo de guitarras dissonantes, etéreas e barulhentas.

Voltando ao tempo presente, era final de tarde e estava encerrando o expediente (home office) quando “Dreams Burn Down” começou a tocar. Peguei um cigarro, acendi e coloquei o volume da caixa de som quase no máximo, fazendo com que a bateria SENSACIONAL do início da música quase trincasse a janela da sala. No quintal, meus dois cachorros ouviram o barulho da porta sendo aberta e vieram ver o que eu estava fazendo. A música, que eu não ouvia há uns bons anos, levou-me a dançar com eles durante todo o seu decorrer. Para minha surpresa, até a letra eu ainda sabia cantar.

Quase chorei em certo momento. Foi como se ela tivesse se transformado em correntes de ar e entrado em meu organismo, tomando conta de minhas emoções.

Foi como expurgar parte de demônios que ainda vivem dentro de mim.

Direto do Forno · Música

O Novo do Korto: EP

Se me falassem que o trio francês Korto viesse direto dos anos noventa, eu acreditaria fácil, fácil. A guitarra frenética e psicodélica remete a bandas como Truly (que também era um trio) e o Hazel, com o vocal distante, como se ecoasse de algum lugar além da música, e a bateria que permanece ativa à exaustão, como se não cansasse.

EP, simples assim, é o nome do disquinho com quatro canções somente, todas psicodélicas, bebendo do krautrock, space rock e do indie noventista, cujas guitarras dão o poder que as músicas merecem e o baixo pulsa como um coração desgovernado, tudum tudum tudum tudum, sem medo de que infarte a qualquer momento. Enquanto a cozinha dá o andamento agitado das músicas, a guitarra faz seu trabalho à parte, indo e voltando em arpejos, solos e passagens atmosféricas.

Por ser um trio, meu apreço fica ainda maior, são três cabeças apenas fazendo um barulho que muita banda pena para fazer, e com mais integrantes.

O trabalho saiu pelo selo Six Tonnes De Chair Records, também francês. Se o leitor me perguntasse qual música ouvir, eu diria: todas.


1. Mob
2. No Shit
3. Dottt
4. Tempor 

Direto do Forno · Garimpo · Música

Spotlights – All I Need (Radiohead Cover)

Poucos dias após lançar o ótimo EP We Are All Atomic (falei sobre ele aqui), o Spotlights soltou em sua conta no Bandcamp uma versão de “All I Need”, uma das canções mais arrasadoras do Radiohead.

Segundo os integrantes da banda, esse é o primeiro de vários covers que serão lançados nas próximas semanas com a proposta de pague o quanto puder.

Vale a pena conferir, pois essa versão do Spotlights ficou interessante. Aguardemos os próximos.

Direto do Forno · Música

O Novo do Spotlights: We Are All Atomic EP

Seguindo a mesma proposta de misturar elementos das mais variadas escolas e juntá-las em um só núcleo, o Spotlights lançou no final do último mês We Are All Atomic, um EP curto, com pouco mais de vinte e quatro minutos, mas que mantém a criatividade de Love & Decay, o trabalho anterior.

Formado por quatro canções (I, II, III e IV), We Are All Atomic parece dividido ao meio. As duas primeiras peças se complementam, e as duas últimas, idem.

Bebendo do post-rock, “I”, com quase oito minutos, inicia o álbum feito uma trilha sonora pós-apocalíptica, com uma guitarra atmosférica dando um tom sombrio e contínuo que permanecem até a sua metade. A partir daí, a canção muda a chave ganha um aspecto mais violento, com distorções de peso e percussão entrando e conduzindo o restante até “II”, marcada por bateria e baixo cadenciados e guitarras pesadas.

Pode-se dizer o mesmo da outra metade do disco, o que muda apenas é a ordem de duração das músicas. “III” é o pedaço que introduz o ambiente de distopia, cuja repetição é estendida até a última fatia, “IV”, mais pesada e caótica e que, ao final, a guitarra age como uma sirene e, à exaustão, repete-se até o final.

Como em boa parte das bandas do universo shoegaze, as vozes, quase inaudíveis, são apenas um complemento em toda a estrutura, e não a força principal.

Por pegar referências em várias fontes, uni-las e criar uma música não original, mas particular, faz da Spotlights uma das minhas principais recomendações para quem gosta de um som pesado, hipnótico e melancólico.

We Are All Atomic foi lançado oficialmente em 27 de março, dessa vez pela Blues Funeral Recordings.


1. Part I
2. Part II
3. Part III
4. Part IV

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Malcontet – Rest In Noise

Para deixar nossos dias de distanciamento social injetados com boa música, esse garimpo é daqueles que merecem ser ouvidos com o volume alto. O Malcontent faz um noise rock de qualidade, colocando muito do shoegaze e do pós-punk num liquidificador e criando um som moderno, pesado e barulhento, no bom sentido.

Rest In Noise é um álbum ao vivo lançado há quatro dias em sua página no Bandcamp, referente a um show realizado na cidade de Porto, em Portugal, em dezembro de 2018.

O áudio está impecável, limpo e bem editado, mostrando toda a força da banda quando sobe em um palco.

À efeito de créditos, o Malcontent foi a segunda banda portuguesa de noise rock que conheci no Floga-se. A outra é o The Melancholic Youth of Jesus, que já escrevi sobre aqui algumas vezes.

Começar o dia com Rest In Noise ecoando pela casa é como recompor o gás para o restante da rotina. Caiu por aqui em um momento essencial.

Garimpo · Música

Algumas Preciosidades da Shore Dive Records

Instalado em Brighton, na Inglaterra, o selo Shore Dive Records tem sido um dos meus garimpos mais explorados nas últimas semanas. Mais orientado para o noise rock/shoegaze, o catálogo da gravadora é vasto e diverso, capaz de agradar o fã de música barulhenta até aquele que curte um som mais atmosférico.

O novo EP do Last Victorian Death Squad, por exemplo, é um caos sonoro do início ao fim, recheado de feedbacks e emoção.

Já a estreia do Nossiennes, um EP curto com apenas três faixas, traz uma boa fusão entre o Slowdive e o My Bloody Valentine, com as guitarras em eco fazendo um belo trabalho.

Também é daqui que saiu um dos meus discos preferidos de 2019, o EP The Creation, do Superdrone. Até hoje”Freedom” é presença constante em minhas audições diárias.

Caro leitor, não fique apenas nessas indicações e vasculhe-se os mais profundos arredores do universo shoegaze da Shore Dive Records. É uma surpresa melhor que a outra, e claro, um caminho sem volta.

Garimpo · Música

Garimpo: Hall of Noises – The Melancholic Youth of Jesus

Carlos Santos, o mentor do Melancholic Youth of Jesus, acaba de disponibilizar de forma oficial o debut do projeto, Hall of Noises, lançado em 1992, em sua página no Bandcamp.

São seis canções com o melhor do noise rock/shoegaze, recheado de guitarras dissonantes, microfonias, feedbacks, enfim, os mais variados ruídos que dão todo o charme do trabalho.

Em junho desse ano, Santos e sua gangue soltaram dois ótimos EP’s fiéis às suas raízes. Escrevi sobre eles aqui.

Entre em transe com Hall of Noises no player abaixo.