Direto do Forno · Garimpo · Música

Spotlights – All I Need (Radiohead Cover)

Poucos dias após lançar o ótimo EP We Are All Atomic (falei sobre ele aqui), o Spotlights soltou em sua conta no Bandcamp uma versão de “All I Need”, uma das canções mais arrasadoras do Radiohead.

Segundo os integrantes da banda, esse é o primeiro de vários covers que serão lançados nas próximas semanas com a proposta de pague o quanto puder.

Vale a pena conferir, pois essa versão do Spotlights ficou interessante. Aguardemos os próximos.

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O Novo do Spotlights: We Are All Atomic EP

Seguindo a mesma proposta de misturar elementos das mais variadas escolas e juntá-las em um só núcleo, o Spotlights lançou no final do último mês We Are All Atomic, um EP curto, com pouco mais de vinte e quatro minutos, mas que mantém a criatividade de Love & Decay, o trabalho anterior.

Formado por quatro canções (I, II, III e IV), We Are All Atomic parece dividido ao meio. As duas primeiras peças se complementam, e as duas últimas, idem.

Bebendo do post-rock, “I”, com quase oito minutos, inicia o álbum feito uma trilha sonora pós-apocalíptica, com uma guitarra atmosférica dando um tom sombrio e contínuo que permanecem até a sua metade. A partir daí, a canção muda a chave ganha um aspecto mais violento, com distorções de peso e percussão entrando e conduzindo o restante até “II”, marcada por bateria e baixo cadenciados e guitarras pesadas.

Pode-se dizer o mesmo da outra metade do disco, o que muda apenas é a ordem de duração das músicas. “III” é o pedaço que introduz o ambiente de distopia, cuja repetição é estendida até a última fatia, “IV”, mais pesada e caótica e que, ao final, a guitarra age como uma sirene e, à exaustão, repete-se até o final.

Como em boa parte das bandas do universo shoegaze, as vozes, quase inaudíveis, são apenas um complemento em toda a estrutura, e não a força principal.

Por pegar referências em várias fontes, uni-las e criar uma música não original, mas particular, faz da Spotlights uma das minhas principais recomendações para quem gosta de um som pesado, hipnótico e melancólico.

We Are All Atomic foi lançado oficialmente em 27 de março, dessa vez pela Blues Funeral Recordings.


1. Part I
2. Part II
3. Part III
4. Part IV

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Garimpo: Malcontet – Rest In Noise

Para deixar nossos dias de distanciamento social injetados com boa música, esse garimpo é daqueles que merecem ser ouvidos com o volume alto. O Malcontent faz um noise rock de qualidade, colocando muito do shoegaze e do pós-punk num liquidificador e criando um som moderno, pesado e barulhento, no bom sentido.

Rest In Noise é um álbum ao vivo lançado há quatro dias em sua página no Bandcamp, referente a um show realizado na cidade de Porto, em Portugal, em dezembro de 2018.

O áudio está impecável, limpo e bem editado, mostrando toda a força da banda quando sobe em um palco.

À efeito de créditos, o Malcontent foi a segunda banda portuguesa de noise rock que conheci no Floga-se. A outra é o The Melancholic Youth of Jesus, que já escrevi sobre aqui algumas vezes.

Começar o dia com Rest In Noise ecoando pela casa é como recompor o gás para o restante da rotina. Caiu por aqui em um momento essencial.

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Algumas Preciosidades da Shore Dive Records

Instalado em Brighton, na Inglaterra, o selo Shore Dive Records tem sido um dos meus garimpos mais explorados nas últimas semanas. Mais orientado para o noise rock/shoegaze, o catálogo da gravadora é vasto e diverso, capaz de agradar o fã de música barulhenta até aquele que curte um som mais atmosférico.

O novo EP do Last Victorian Death Squad, por exemplo, é um caos sonoro do início ao fim, recheado de feedbacks e emoção.

Já a estreia do Nossiennes, um EP curto com apenas três faixas, traz uma boa fusão entre o Slowdive e o My Bloody Valentine, com as guitarras em eco fazendo um belo trabalho.

Também é daqui que saiu um dos meus discos preferidos de 2019, o EP The Creation, do Superdrone. Até hoje”Freedom” é presença constante em minhas audições diárias.

Caro leitor, não fique apenas nessas indicações e vasculhe-se os mais profundos arredores do universo shoegaze da Shore Dive Records. É uma surpresa melhor que a outra, e claro, um caminho sem volta.

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Garimpo: Hall of Noises – The Melancholic Youth of Jesus

Carlos Santos, o mentor do Melancholic Youth of Jesus, acaba de disponibilizar de forma oficial o debut do projeto, Hall of Noises, lançado em 1992, em sua página no Bandcamp.

São seis canções com o melhor do noise rock/shoegaze, recheado de guitarras dissonantes, microfonias, feedbacks, enfim, os mais variados ruídos que dão todo o charme do trabalho.

Em junho desse ano, Santos e sua gangue soltaram dois ótimos EP’s fiéis às suas raízes. Escrevi sobre eles aqui.

Entre em transe com Hall of Noises no player abaixo.

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Garimpo: Soda Stereo – Dynamo (Ao Vivo no Fax En Concierto, 1992)

Há quem diga que nenhuma banda supera o Soda Stereo no gosto popular argentino. Nem mesmo os Beatles. Para nossos vizinhos, o trio liderado por Gustavo Cerati é uma espécie de deus musical.

Admito que conheço bem pouco do trabalho completo da banda, mas tem um disco que guardo com muito carinho nas minhas audições. Dynamo, de 1992, é, sem dúvidas, completamente à frente de seu tempo. Brincando com os ecos do shoegaze que borbulhavam na Europa naquela época + efeitos eletrônicos + muita dissonância nos acordes, é como se o disco tivesse sido lançado na última década. Ou ano passado. Sem exagero. Costumo chamá-lo de “Loveless latino”.

Um dos shows da turnê de lançamento do Dynamo foi em um programa de TV, uma espécie de talk show local chamado Fax En Concierto, onde nove das doze músicas foram executadas ao vivo. O áudio é ótimo e a banda, meus amigos, impecável, assim como a platéia. Sem celulares, tablets ou eletrônicos, apenas pessoas se divertindo e aproveitando o momento.

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Dois EP’s do The Melancholic Youth of Jesus

Julgo importante colocar aqui que descobri o The Melancholic Youth of Jesus por uma entrevista do Carlos Sérgio, idealizador do projeto, concedida ao Floga-Se, talvez o site musical que mais acompanho há anos.

Pense no Jesus and Mary Chain (fase Psychocandy) saindo de Portugal. Só que muito, muito mais obscuro.

Recentemente, a extensa discografia do conjunto ganhou alguns integrantes: dois EP’s com três canções cada, cujo lançamento de um foi ontem, 10/06, e outro hoje.

Social Suicide é mais sombrio e hermético, como um espaço vazio e escuro. Gloominati, em contraste, soa etéreo. É como se ambos se completassem.

A dualidade e capacidade de renovação em um espaço de tempo curto são encantadoras.

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O Novo do Spotlights: Love & Decay

Junte a arte visual com o som da banda e a sensação é de navegar entre uma chuva de meteoros em pleno espaço sideral. Assim é Love & Decay, novo trabalho do Spotlights que chegou à Terra em 26 de abril desse ano pela Ipecac Recordings, gravadora do Mr. Mike Patton.

Mesmo que seja possível perceber as mais diversas influências no disco, como o shoegaze, o post-rock, o space rock, o stoner metal e até o doom metal, a predominância característica e que fica marcada é o peso. Em resumo, é um disco muito pesado, e devido às variedades que o compõem, torna-se, também, um trabalho emotivo.

Boa parte das canções tem a mesma proposta, iniciando com muita força e, em seguida, deixando a experimentação tomar conta, transformando a carga cheia em um espaço de flutuação.

“Far From Falling”, com mais de sete minutos, engata uma viagem espacial a partir de sua metade, com riffs repetitivos, guitarras solando ao fundo e a bateria constante que parece explodir a qualquer momento. E explode, quando a distorção engrandece e eleva ainda mais o estado psicodélico-espacial da canção.

Outros pontos altos do disco são os dois singles lançados anteriormente, “The Particle Noise” e “The Age of Decay”, que mesclam momentos sutis e hipnóticos com agressividade.  “Xerox”, a mais curta do álbum e cujo videoclipe você confere abaixo, destoa um pouco das demais, pois mantém a intensidade do começo ao fim. “The Beauty of Forgetting”, com quase onze minutos, finaliza com maestria e causa certa perplexidade, daquelas em que a pessoa fica estática, olhando para o nada, absorvendo tudo o que ouviu.

As edições em CD e vinil ainda contam com uma faixa extra, chamada “Sleepwalker”.

Tendo em vista tamanha riqueza de influências e detalhes de Love & Decay, saber que tudo isso é feito por um power trio catapulta ainda mais seu brilhantismo. Nada é feito com preenchimentos chatos ou megalomaníacos. A mistura entre o peso e a emoção podem atingir até ouvintes não-habituados com o estilo, apesar de que, à primeira audição, pode causar estranhamento.

Para fãs desse tipo de som, como eu, é um prato cheio.

1. Continue The Capsize
2. The Particle Noise
3. Far From Falling
4. Until The Bleeding Stops
5. Xerox
6. The Age of Decay
7. Mountains Are Forever
8. The Beauty of Forgetting

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Garimpo: Devilish Dear – Appalish EP

Foram três anos sem nenhum trabalho do Devilish Dear até a chegada do curto EP Appalish, pela midsummer madness, no início de abril.

São três canções ao todo. A inicial, “Glass React”, é a melhor e estará no segundo disco do conjunto brasileiro, ainda sem nome ou data de lançamento.

Para quem gosta de experimentação, com muita guitarra e efeitos eletrônicos, vale a audição. Dá para garantir o EP por apenas UMA LIBRA (pouco mais de 5 reais). Uma pechincha perto da qualidade do disco.

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Holy Motors – Two Days Passed/Beast In Black (Demos)

Anton Newcombe, líder do The Brian Jonestown Massacre, mantém contato direto com os fãs através de sua conta no Youtube, postando canções e discos de sua banda e de artistas parceiros. Interessante notar que ele coloca o aviso “work in progress” (trabalho em andamento), para sabermos que trata-se de um material não-oficial e que ainda precisa ser lapidado.

A parceria mais recente é com a Holy Motors, banda da Estônia que, segundo o próprio Newcombe, foi à Berlim (cidade onde ele reside) gravar um EP com sua produção. Conhecemos, até o momento, duas demos de canções dessa parceria: “Two Days Passed” e “Beast In Black”.

O resultado é um som etéreo recheado com guitarras atmosféricas que parecem ter sido criadas lá no início dos anos noventa, quando iniciou-se o que conhecemos por shoegaze.