Direto do Forno · Música

O novo do The Smashing Pumpkins: Shiny and Oh So Bright Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun.

Ouvi o novo disco dos Pumpkins sem pretensão alguma, e essa ausência de expectativa tornou a audição mais leve e permitiu-me concluir: “Shiny and Oh So Bright Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun.” é um disco muito bom.

Os dois singles, “Silvery Sometimes (Ghosts)” e “Solara”, são os principais fragmentos do velho Smashing Pumpkins. O primeiro, já na transição que começou no “Adore” (1998), e o segundo ainda na velha fórmula mais raivosa e pesada que ouvimos no “Mellon Collie…” (1995). Teclados são os fios condutores de canções como “Knights of Malta”, “Travels” e “Alienation”, influências claras dos anos oitenta.

“Oceania” (2012) e “Monuments to an Elegy” (2014) foram bons discos, mas irregulares. “Shiny and Oh So Bright…” parece mais maduro, com um caminho a ser direcionado. E não, não creio que as entradas de James Iha e Jimmy Chamberlin sejam responsáveis por isso. A presença deles acrescenta muita qualidade para o trabalho, mas penso que o próprio Corgan é quem está mais decidido sobre os rumos que o grupo tomará daqui em diante.

Li um artigo no Monkeybuzz questionando se a banda ainda é relevante para a música. Faz sentido pensar que não, com toda a mudança no cenário musical, principalmente se for levado em conta o auge do grupo, na longínqua década de 90 com a atualidade, em meio a hiatos, novas formações, tensões entre ex-membros e mudanças na sonoridade. O “consumidor” (que palavra feia) de música mudou, o jeito de ouvi-la também. Billy Corgan parece ter entendido isso nesse novo disco. Pelo jeito, somente as viúvas/viúvos do “Siamese Dream” ainda não. Só lamento por eles.

1. Knights Of Malta
2. Silvery Sometimes (Ghosts)
3. Travels
4. Solara
5. Alienation
6. Marchin’ On
7. With Sympathy
8. Seek And You Shall Destroy

Crônicas · Música

Johnny Cash e Seus Discípulos

Certa vez, Trent Reznor, cérebro por trás do Nine Inch Nails, disse em uma entrevista qual foi sua reação ao ouvir a versão de Johnny Cash para seu hino definitivo, “Hurt”: foi como “ver alguém beijando sua namorada” e que a canção não mais o pertencia. Apesar de ainda preferir a original, mais melancólica e mais caótica, é inegável que Cash acrescentou uma carga emocional ainda mais forte à canção, muito devido à sua saúde fragilizada na época.

Citei “Hurt” por ser, talvez, a música mais conhecida atualmente na voz de Johnny Cash. Além da canção já citada, Cash gostava de se aventurar em regravações de grandes clássicos de outros artistas, sempre colocando a sua marca: a voz potente e grave acompanhada por seu fiel violão.

“The needle tears a hole.
The old familiar sting
Try to kill it all away,
But I remember everything.
What have I become?
My sweetest friend,
Everyone I know
Goes away in the end.”

Confira abaixo outras canções que ganharam uma versão interessante do man in black. Algumas mantém a estrutura original e ganham força com a potência vocal de Cash, enquanto outras foram desconstruídas e recriadas pelo artista.

Meu maior destaque é “The Mercy Seat”, uma das canções mais marcantes da extensa discografia de Nick Cave e seus Bad Seeds. A música é um épico alucinante de sete minutos, onde o personagem central questiona o duro destino na qual ele terá de enfrentar: a cadeira elétrica, também vista como um trono da misericórdia perante deus. Cash mantém o mesmo clima sombrio da original, agora substituindo todo o caos sonoro por um violão acompanhado de um órgão e um piano.

“Rusty Cage”, escrita por Chris Cornell, também ganha uma regravação interessante, onde o peso do Soundgarden é trocado por um ritmo mais voltado à country music.

“Did I disappoint you?
Or leave a bad taste in your mouth?
You act like you never had love
And you want me to go without.”

“And the mercy seat is waiting,
And I think my head is burning,
And in a way I’m yearning
To be done with all this measuring of truth.
An eye for an eye,
A tooth for a tooth,
And anyway I told the truth,
And I’m not afraid to die.”

“Reach out and touch faith
Your own personal Jesus.
Someone to hear your prayers,
Someone who cares…”

“You wired me awake
And hit me with a hand of broken nails.
You tied my lead and pulled my chain
To watch my blood begin to boil
But I’m gonna break, I’m gonna break my
I’m gonna break my rusty cage and run!”

Todas foram lançadas nos discos da série American Recordings.