Garimpo · Música

Garimpo: 2 Covers do Radiohead por John Frusciante

John Frusciante sofre de um sério problema chamado fãs xiitas. Sim, aqueles que endeusam seus artistas preferidos, tratam tudo que eles fazem como algo genial, acima da média e que jamais aceitam críticas sobre o endeusado.

Desconsiderando isso, é inegável que o cara é talentoso e possui uma discografia solo muito rica, principalmente os discos “To Record Only Water For Ten Days” (2001) e “Shadows Collide With People” (2004), que trazem o ex-guitarrista dos Chili Peppers em uma fase menos experimental, com canções mais fáceis de serem digeridas pelo grande público.

Creio que seja do período entre esses dois discos os dois vídeos abaixo. Munido apenas por um violão, impressiona a emoção que Frusciante insere nas suas versões de “Lucky” e “You And Whose Army?”, duas das melhores canções presentes na extensa discografia do Radiohead.

Experimente e tente não se emocionar.

Direto do Forno · Música

Thom Yorke – Volk

É, teremos Thom Yorke duas vezes na mesma página sim, porque já saiu mais uma música da trilha sonora de “Suspiria”, novo filme de Luca Guadagnino.

“Volk” é inteiramente instrumental e é a mais assustadora até agora. Trilha típica de cenas agonizantes e que garantem boas doses de suspense e sustos nos espectadores.

O frontman do Radiohead está se saindo bem em sua nova função.

Direto do Forno · Música

Thom Yorke – Has Ended

“Has Ended” é a segunda faixa liberada por Thom Yorke e que fará parte da trilha sonora de “Suspiria”, novo filme de Luca Guadagnino, que já falei aqui.

Ao contrário da anterior, “Has Ended” possui um aspecto mais eletrônico e que provoca certo suspense no ouvinte, enquanto o vídeo consiste em imagens e formas geométricas em movimento se desfazendo, dando uma estranheza e aumentando ainda mais o mistério que ronda não só a trilha sonora, mas o filme em si.

Direto do Forno · Música

Do Forno: Thom Yorke – Suspirium

A mídia em peso já deve ter falado ou estar falando sobre o novo lançamento de Thom Yorke, porém, como sou um grande admirador dele e do Radiohead, vou entrar na onda e colocar aqui embaixo o link de “Suspirium”, disponibilizado ontem para audição.

Trata-se de um novo projeto do frontman do Radiohead, o seu primeiro à frente de uma trilha sonora para um filme. “Suspiria”, lançado originalmente em 1977 e dirigido por Dario Argento, ganhará um remake por  Luca Guadagnino, diretor de “Me Chame Pelo Seu Nome” (um dos melhores filmes que vi esse ano).

A música em questão, “Suspirium”, é uma balada bem gostosa de ouvir, levada por um piano e alguns instrumentos de sopro ao fundo, acompanhando os doces versos de Thom durante o seu decorrer.

Crônicas · Música

Cadê As Guitarras, Radiohead?

‘OK Computer’, o mais conhecido e aclamado trabalho do Radiohead, completou 20 anos em 2017. Uma versão expandida chamada ‘OKNOTOK’ foi lançada, e claro, a mídia ficou a todo vapor. E não por menos, já que o álbum é considerado um dos melhores de todos os tempos.

E é aproveitando o hype (merecido) que surgiu nos últimos meses que resolvi fazer esse texto. Fiquei pensando o que se passa na cabeça de um artista ao atingir o tal “ápice” de sua criatividade. O correto seria manter a fórmula ou partir para um novo começo? No caso do Radiohead, a escolha foi a segunda opção.

‘Kid A’ chegou em 2000, 3 anos após o ‘OK Computer’, e novamente causou uma reviravolta na cultura pop mundial, com uma sonoridade totalmente nova. A idéia inicial da banda era fazer algo inverso ao que fora apresentado anteriormente, buscando fórmulas não-comerciais e não-convencionais tanto para a criação das músicas quanto para a divulgação do trabalho. A maior reviravolta, digamos assim, foi a ausência quase total de guitarras e/ou violões, que foram deixados de lado e deram lugar aos sintetizadores, baterias e ruídos eletrônicos, jazz, influências de krautrock e até música clássica. Para completar, não foi lançado nenhum single ou videoclipe para promover o disco. Mesmo com toda essa “aversão ao sucesso”, ‘Kid A’ vendeu milhões de cópias e foi muito bem recebido pela crítica.

“I slipped away,
I slipped on a little white lie.
We’ve got heads on sticks,
You’ve got ventriloquists staring at the shadows
At the edge of my bed.”

Saber mesclar em doses certas momentos de caos e estranheza com tranqüilidade e doçura foi peça fundamental para manter o equilíbrio e a qualidade do álbum. A dobradinha “The National Anthem/How To Disappear Completely”, por exemplo, leva o ouvinte de um total delírio sonoro a um espaço completo de paz e tristeza. Enquanto a primeira é levada por um baixo e bateria constantes que encontram um solo de instrumentos de sopro alucinados no final, a segunda diminui o clima e um violão acompanha os lamentos de Thom Yorke sobre a vida e a si mesmo.

Em seqüência, a bela faixa instrumental “Treefingers” mantém o clima de calmaria, como uma hipnose sonora. Porém, ao final, dá lugar a uma pancada de guitarras em “Optimistic” que, ironicamente (uma das poucas acompanhadas por guitarra/violão), considero a melhor do álbum. A estranha “Idioteque”, construída em cima de batidas eletrônicas indecifráveis e com uma letra igualmente enigmática, é outro ponto forte que se encontra no andamento do disco.

“Flies are buzzing round my head,
Vultures circling the dead,
Picking up every last crumb.
The big fish eat the little ones,
The big fish eat the little ones,
Not my problem, give me some.
You can try the best you can.
You can try the best you can?
The best you can is good enough.”

“Who’s in a bunker?
Who’s in a bunker?
Women and children first,
And the children first,
And the children…
(…)
Who’s in a bunker?
Who’s in a bunker?
I have seen too much,
I haven’t seen enough,
You haven’t seen it…”

Dos primeiros sons de “Everything In It’s Right Place” até o belo desfecho em “Motion Picture Soundtrack”, o Radiohead entrega um trabalho que serviria como base para suas experimentações futuras, que ficariam ainda mais claras em “Amnesiac” (2001) e que ganhariam uma encorpada ainda mais interessante em “In Rainbows” (2007).

Com o passar dos anos, o Radiohead foi adotando uma identidade de inovação a cada registro lançado, surpreendendo os ouvintes e conquistando cada vez mais fãs ao redor do planeta. Todo o entusiasmo em cima desses caras não é em vão.

*O Radiohead possui uma proteção f#d!d@ sobre suas músicas, por isso foi muito difícil encontrar as canções originais no Youtube. Mas nas plataformas digitais estão todas disponíveis.