Direto do Forno · Música

Tess Parks & Anton Newcombe – French Monday Afternoon (Vídeo)

Um pessoal reunido num quarto com bastante bebida, cigarros, cabelos bagunçados, pandeiros, velas e um clima bem picante. Assim é o vídeo de “French Monday Afternoon”, canção presente no segundo disco que Tess Parks e Anton Newcombe lançaram em conjunto.

Rodado inteiro em preto e branco e dirigido pela própria artista canadense junto com o fotógrafo Ruari Meehan, a película é a terceira parceria entre os dois só nesse álbum, já que ambos também assinaram a direção dos vídeos de “Right On” e “Please Never Die” (veja-os aqui). Sobre o vídeo em questão, é um retrato fiel da viagem sonora provocada pela obra de dois grandes artistas da cena psicodélica atual.

A colaboração entre Tess Parks e Anton Newcombe rendeu, até o momento, o melhor disco de 2018. Escrevi sobre ele aqui.

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O novo do All Them Witches: ATW

Oito músicas. Quase uma hora de duração. “ATW”, o novo disco do All Them Witches, é repleto de referências musicais e transfere o ouvinte a um lugar desconhecido e obscuro. Foi assim que me senti quando coloquei os fones de ouvido e apertei o play para ouvi-lo em mais uma corrida diária.

Diversidade é uma palavra que define bem o disco. Ora em um tom melancólico, ora em um tom mais pungente, as canções transitam entre o stoner, o garage rock, psicodelismo e até space rock, tudo com uma pitada marcante de blues. “Harvest Feast”, com quase onze minutos, é a música que melhor engloba toda essa salada musical, sendo metade instrumental, cheia de repetições e mudanças de velocidade.

“Fishbelly 86 Onions”, canção que inicia o álbum, tem uma pegada bem garageira, um rock ‘n’ roll cru que lembra bastante o Jon Spencer Blues Explosion. “1st vs. 2nd” é outra que adota a mesma linha, sendo as duas mais “pesadas” do trabalho.

A melancolia bluesy de “Half-Tongue” emociona, amaciando o caminho para a arrepiante  e misteriosa “Diamond”, a melhor do álbum. Por sinal, ela ganhou um videoclipe igualmente sombrio.

O desfecho com “Rob’s Dream” eleva ainda mais o patamar viajante de “ATW”. A bateria conduz os versos calmos de Charles Michael Parks Jr. durante quase toda a sua duração, até que nos últimos dois minutos as guitarras crescem e tudo se transforma em um caos sonoro, um tsunami arrasando com a calmaria de um dia normal.

Ao final de “ATW”, percebi que não havia saído do lugar. Tudo não passava de um sonho.

1. Fishbelly 86 Onions
2. Workhorse
3. 1st vs. 2nd
4. Half-Tongue
5. Diamond
6. Harvest Feast
7. HJTC
8. Rob’s Dream

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A nova colaboração entre Tess Parks & Anton Newcombe

Duas figuras da cena psicodélica estão trabalhando juntas em um disco auto-intitulado que chega nas lojas bem no dia das crianças aqui no Brasil (ou dia de Nossa Senhora, tanto faz).

Pegue as viagens sonoras de Anton Newcombe e acrescente a voz angelical e preguiçosa de Tess Parks. O resultado, até o momento, é muito interessante. O disco sairá pela A Recordings, selo criado pelo próprio Newcombe para lançar seus discos com o Brian Jonestown Massacre.

Parece ser um dos trabalhos mais legais do ano.

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Lançamentos de Peso

Conforme prometido no texto de ontem, aqui estão alguns lançamentos recentes e futuros que separei para os leitores conhecerem. Talvez com exceção do Joe Strummer, são bandas que não costumam figurar nas grandes mídias, mas que fazem um som digno de se apreciar com o volume bem alto.

1 – Red Fang – Listen To The Sirens (Tubeway Army Cover)

A banda estadunidense de heavy metal/stoner rock disponibilizou no final de agosto um cover de “Listen To The Sirens”, originalmente lançada pelo Tubeway Army, grupo punk/new wave liderado por Gary Numan. As versões até se assemelham, com diferença apenas na sonoridade mais pesada que o Red Fang adotou, trocando os sintetizadores por riffs mais agressivos. Ouça e compare ao seu gosto.

2 – Melvins & Al Cisneros – Sabbath Bloody Sabbath (Black Sabbath Cover)

O Melvins é um dos nomes mais fortes quando o assunto é música pesada e, ao meu ver, o grupo ideal para executar uma canção do Black Sabbath à sua maneira, sem perder a pegada da original. Para esse trabalho, eles tiveram a companhia de Al Cisneros, baixista e vocalista do Sleep, outra banda porrada, e gravaram uma versão de “Sabbath Bloody Sabbath”, canção essa que, para mim, é uma das melhores da banda na fase Ozzy.

Aqui, eles desaceleram e aumentam o grave dos riffs, tornando o som ainda mais denso e pesado do que o habitual.

Não há informações (até o momento) de que esse cover fará parte de algum disco da banda e/ou coletânea.

3 – Stoned Jesus – Pilgrims

“Pilgrims” é o nome do novo disco do Stoned Jesus, trio ucraniano de stoner metal e que foi lançado no dia da nossa independência. Canções longas e pesadas com muita psicodelia, típico do chamado desert rock.

É bem difícil encontrar informações sobre a banda em português, mas dá para ouvir o som dos caras tanto no Youtube quanto na página deles no BandCamp. Vale muito a pena.

4 – All Them Witches – ATW

O novo do trabalho do All Them Witches será intitulado “ATW” e sai no dia 28 de setembro. Também como um trio, a banda faz um som pesado de primeira linha. Até o momento, duas faixas estão disponíveis para audição: “Fishbelly 86 Onions” e “Diamond”, ambas passando dos seis minutos de duração e com muita pitada de blues e stoner, uma verdadeira viagem sonora.

*Atualização:

A banda lançou um videoclipe bem sombrio para “Diamond”, canção que fará parte do próximo disco intitulado “ATW”. Nesse trabalho, música e vídeo se completam em um tom macabro onde, ao que parece, o personagem está possuído por alguma força das trevas.

5 – Joe Strummer – Joe Strummer 001

Tenho escutado bastante o trabalho do Joe Strummer pós-The Clash, e me surpreendi com a notícia de que um disco póstumo chamado “Joe Strummer 001” está para sair também no dia 28 (mesmo dia do lançamento de ATW). Será repleto de materiais raros e inéditos da carreira do artista, atravessando toda a sua carreira, até mesmo antes do The Clash.

“London Is Burning”, até o momento, é a única faixa liberada para o público e mostra todo o talento de Strummer como compositor e visionário, já que a canção soa bem atual em relação aos acontecimentos recentes não só na Inglaterra, mas em todo o planeta.