Direto do Forno · Música

Slift – 2016: Spacetrip For Everyone (EP)

Um compilado muito interessante saiu pelo selo francês Six Tonnes de Chair Records no final de maio. Para quem gosta de música viajante, é um prato cheio.

O Slift é um conjunto de Toulouse, na França, que produz um som space-psych-garage altamente recomendado. Enquanto a bateria e o baixo dão andamento às canções, as guitarras tratam de elevar o ouvinte a outra dimensão com muitos efeitos, repetições e barulhos que parecem ecoar direto de um planeta distante.

2016: Spacetrip For Everyone é um EP com três demos gravadas em 2016 e que nunca foram lançadas antes. Com todas passando dos cinco minutos de duração e como o próprio nome diz, é uma viagem intergalática.

É colocar para tocar e decolar.

Direto do Forno · Música

O novo do The Brian Jonestown Massacre: The Brian Jonestown Massacre

Anton Newcombe é um desses artistas da mesma safra de Nick Cave e Chino Moreno, que produzem discos cada vez melhores à medida que envelhecem. The Brian Jonestown Massacre, o novo disco e auto-intitulado, é o décimo oitavo da banda, e mostra Anton e sua trupe em plena forma criativa.

São nove canções que bebem na mais lisérgica fonte dos anos sessenta, lideradas por um batalhão de guitarras repetitivas e cruas e a preguiçosa voz do vocalista arrastando os versos. Mas um detalhe à parte: a bateria é o ponto alto desse disco.

“Tombes Oubliées” lembra canções como “Nº13 Baby” (Pixies) e “Desire Lines” (Deerhunter), cujo final repetitivo torna-se uma hipnose sonora e deixa o ouvinte em transe.

“We Never Had A Chance” e “To Sad To Tell You” são leves, arrastadas e melancólicas, fazendo dessa dobradinha a melhor parte de todo o álbum. Uma tristeza psicodélica que faz o ouvinte sentir toda a dor do narrador.

O disco ganhou vida em 15 de março desse ano, pela A Recordings, gravadora de Anton Newcombe. Tem duração de trinta e oito minutos e prova que a mente de seu idealizador é uma verdadeira fábrica de canções.

  1. Drained
  2. Tombes Oubliées
  3. My Mind Is Filled with Stuff
  4. Cannot Be Saved
  5. A Word
  6. We Never Had a Chance
  7. To Sad to Tell You
  8. Remember Me This
  9. What Can I Say
Direto do Forno · Música

Holy Motors – Two Days Passed/Beast In Black (Demos)

Anton Newcombe, líder do The Brian Jonestown Massacre, mantém contato direto com os fãs através de sua conta no Youtube, postando canções e discos de sua banda e de artistas parceiros. Interessante notar que ele coloca o aviso “work in progress” (trabalho em andamento), para sabermos que trata-se de um material não-oficial e que ainda precisa ser lapidado.

A parceria mais recente é com a Holy Motors, banda da Estônia que, segundo o próprio Newcombe, foi à Berlim (cidade onde ele reside) gravar um EP com sua produção. Conhecemos, até o momento, duas demos de canções dessa parceria: “Two Days Passed” e “Beast In Black”.

O resultado é um som etéreo recheado com guitarras atmosféricas que parecem ter sido criadas lá no início dos anos noventa, quando iniciou-se o que conhecemos por shoegaze.

Direto do Forno · Música

Jeremy Walch – Jolly Birds (Single)

Músicas como “Jolly Birds” fazem do selo belga Luik Records um dos mais legais que conheci desde que iniciei o Numa Sexta.

Jeremy Walch é mais uma das figuras que movimentam as atividades da gravadora e tem um álbum saindo do forno dia 19 do próximo mês, intitulado Scarlet.

Levada por guitarras levemente psicodélicas, a melodia pop agradável e dançante do single “Jolly Birds contagia o ouvinte. E como o próprio artista afirma, é tudo feito em casa.

Direto do Forno · Música

The Well – Raven (Single)

Vem de Austin, capital texana e uma das maiores cidades dos states, o The Well, power trio de peso e que está prestes a tirar do forno mais um disco de estúdio.

“Death and Consolation” é o título do trabalho e a distribuição fica encarregada pela RidingEasy Records, selo especializado em música pesada, nas mais distintas vertentes do rock’n’roll. Para adiantar, o single “Raven”, segunda faixa do disco, foi disponibilizado para audição.

Se por um lado os riffs remetem ao stoner metal, a ambientação sonora do grupo lembra o Black Rebel Motorcycle Club, como um complemento onde voz e guitarra parecem ecoar em um psicodélico espectro noturno.

O trabalho chega por completo em 26 de abril desse ano.

Garimpo · Música

Garimpo: All Them Witches (Ao Vivo na KEXP – 01/02/2019)

Via KEXP, tradicional rádio norte-americana, fevereiro deu as caras em 2019 sob uma trilha sonora misteriosa e contagiante. O convidado na data foi o All Them Witches que, agora como um trio, apresentou algumas canções de “ATW”, disco mais recente do grupo, lançado no último ano.

Em plena forma e sem muita enrolação, a apresentação contou com quatro músicas somente, mas o suficiente para prender o ouvinte e deixá-lo atordoado. Um dos aspectos mais interessantes sobre o All Them Witches é misturar o rock’n’roll com texturas mais sombrias, passeando pelo garage rock, o blues e o stoner, mas sem prender-se totalmente a uma dessas vertentes.

Do tracklist, somente a faixa que encerra o programa, “Blood And Sand/Milk And Endless Waters”, não faz parte do disco “ATW”.

Sobre o trabalho mais recente da banda, escrevi sobre ele aqui.

Direto do Forno · Música

O “novo” do Nebula: Demos & Outtakes 98​-​02

A apóstrofe no título tem um motivo: o lançamento é de hoje, cravado em 25/01, mas o material que ele traz não é tão novo assim. São sobras de estúdio e demos que nunca haviam sido lançadas anteriormente pelo Nebula, figura fundamental para o rock do deserto.

“Demos & Outtakes 98-02” é composto por dez canções, sendo cinco inéditas. Uma delas é “Whalefinger”, a primeira canção escrita pelo guitarrista da banda, Eddie Glass, quando ele ainda participava de outro conjunto. À exceção de “To The Center”, faixa com forte influência psicodélica dos anos sessenta/setenta, a maior parte do tracklist é composto de canções rápidas e pesadas, com muito fuzz e distorção.

Algumas já conhecidas, como “Smokin’ Woman” e “Sun Creature” (ambas do EP “Sun Creature”, de 1998), vêm em versão demo, com uma roupagem mais crua e pesada, sendo um deleite para quem gosta de ouvir uma banda em seu estado mais natural possível. “Nervous Breakdown”, cover do Black Flag e que encerra o disco em uma versão ao vivo, é interessante por mostrar algumas das referências que contribuem para a sonoridade da banda.

Esse compilado é ideal não somente para os fãs do conjunto, mas também uma porta de entrada interessante para quem o deseja conhecer melhor. Agradeço a Heavy Psych Sounds Records por esse resgate.

1. Stagnant Pool
2. Whalefinger
3. Humbucker
4. Smokin’ Woman
5. Sun Creature
6. You Got It
7. To The Center 
8. Synthetic Dream
9. How Does It Feel To Feel
10. Nervous Breakdown (Black Flag Cover Ao Vivo)

Direto do Forno · Música

Tess Parks & Anton Newcombe – French Monday Afternoon (Vídeo)

Um pessoal reunido num quarto com bastante bebida, cigarros, cabelos bagunçados, pandeiros, velas e um clima bem picante. Assim é o vídeo de “French Monday Afternoon”, canção presente no segundo disco que Tess Parks e Anton Newcombe lançaram em conjunto.

Rodado inteiro em preto e branco e dirigido pela própria artista canadense junto com o fotógrafo Ruari Meehan, a película é a terceira parceria entre os dois só nesse álbum, já que ambos também assinaram a direção dos vídeos de “Right On” e “Please Never Die” (veja-os aqui). Sobre o vídeo em questão, é um retrato fiel da viagem sonora provocada pela obra de dois grandes artistas da cena psicodélica atual.

A colaboração entre Tess Parks e Anton Newcombe rendeu, até o momento, o melhor disco de 2018. Escrevi sobre ele aqui.

Direto do Forno · Música

O novo do All Them Witches: ATW

Oito músicas. Quase uma hora de duração. “ATW”, o novo disco do All Them Witches, é repleto de referências musicais e transfere o ouvinte a um lugar desconhecido e obscuro. Foi assim que me senti quando coloquei os fones de ouvido e apertei o play para ouvi-lo em mais uma corrida diária.

Diversidade é uma palavra que define bem o disco. Ora em um tom melancólico, ora em um tom mais pungente, as canções transitam entre o stoner, o garage rock, psicodelismo e até space rock, tudo com uma pitada marcante de blues. “Harvest Feast”, com quase onze minutos, é a música que melhor engloba toda essa salada musical, sendo metade instrumental, cheia de repetições e mudanças de velocidade.

“Fishbelly 86 Onions”, canção que inicia o álbum, tem uma pegada bem garageira, um rock ‘n’ roll cru que lembra bastante o Jon Spencer Blues Explosion. “1st vs. 2nd” é outra que adota a mesma linha, sendo as duas mais “pesadas” do trabalho.

A melancolia bluesy de “Half-Tongue” emociona, amaciando o caminho para a arrepiante  e misteriosa “Diamond”, a melhor do álbum. Por sinal, ela ganhou um videoclipe igualmente sombrio.

O desfecho com “Rob’s Dream” eleva ainda mais o patamar viajante de “ATW”. A bateria conduz os versos calmos de Charles Michael Parks Jr. durante quase toda a sua duração, até que nos últimos dois minutos as guitarras crescem e tudo se transforma em um caos sonoro, um tsunami arrasando com a calmaria de um dia normal.

Ao final de “ATW”, percebi que não havia saído do lugar. Tudo não passava de um sonho.

1. Fishbelly 86 Onions
2. Workhorse
3. 1st vs. 2nd
4. Half-Tongue
5. Diamond
6. Harvest Feast
7. HJTC
8. Rob’s Dream