Direto do Forno · Música

King Buzzo – Science In Modern America (Single)

Parece não ter fim a criatividade do King Buzzo, um dos líderes do Melvins. Porém, agora a proposta é diferente. Ele deixa de lado o tremor de suas guitarras e assume um formato mais acústico em Gift of Sacrifice, seu segundo disco solo. O anterior, This Machine Kills Artists, é de 2014 e segue a mesma proposta. A distribuição de ambos é pela Ipecac Recordings.

Para esse novo trabalho, Buzzo contará com a ajuda de um antigo conhecido da época do Fantômas: Trevor Dunn, que também é integrante do Mr. Bungle.

Um primeiro aperitivo de Gift of Sacrifice já está disponível para audição e chama-se “Science In Modern America”. Apesar do nome “acústico” rodear as informações do disco, a canção soa tão aterrorizante quanto uma pedrada dos Melvins.

O álbum completo sai em maio, no dia 15.

Garimpo · Música

Tricky + Goldfrapp + Smashing Pumpkins

Tricky sempre foi certeiro na escolha de suas parcerias musicais. Sua lista é grande: tem a longeva dupla com Martina Topley-Bird, PJ Harvey, Björk e até os caras do Red Hot Chili Peppers. Caberia mais algumas linhas para citar as colaborações com artistas menos conhecidos, e não que elas também não sejam importantes, mas não quero estender o texto.

Em 1995, saiu Maxinquaye, o mais aclamado disco do cara, um daqueles álbuns capaz de mudar a vida de alguém. A música “Pumpkin” (minha favorita) é tão sexy quanto nebulosa, e tem participação de uma então desconhecida Alisson Goldfrapp, que brilha em seus versos de forma magistral.

Interessante é que a canção possui um sample de “Suffer”, dos Smashing Pumpkins, aí a referência em seu título. A peça é uma amostra da imensa criatividade de Tricky na hora de desenvolver as suas músicas.

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #10: Exageros da Imprensa

Sabemos que a mídia tem um papel cada vez mais forte na formação de opinião das pessoas em geral, e na imprensa esportiva não é diferente. O uso de títulos sensacionalistas para assuntos tão rasos são cada vez mais frequentes, o que diminui (e muito) a qualidade das notícias.

E não é só isso.

Tem sempre um jogador queridinho que é elogiado mesmo com atuações pífias, o clube do momento (PSG, Manchester City, etc) sempre colocado como grande potência mundial, mas que tradição mesmo é quase nenhuma, as famosas carimbadas de “sábios”  comentaristas donos da verdade (alguém lembra de colocarem o Palmeiras como o campeão nacional já no início do Brasileirão?) e muitas outras observações equivocadas.

A que chamou minha atenção nos últimos meses é a falácia do “golaço” de letra ou de calcanhar, que ganha manchetes em todo Brasil sempre que acontece tal episódio. Com o gol do Nenê ontem no FlaxFlu então, as proporções foram ainda maiores.

Reduziram a expressão golaço para qualquer gol nesse estilo que citei. O do clássico de ontem, por exemplo, a bola foi mascada e chorando até o fundo do gol, e a imprensa tratou o feito como um digno candidato ao Prêmio Puskas.

Convenhamos, golaço de letra ou de calcanhar foi o que Suárez fez contra o Mallorca, por exemplo, ou alguns que Ibrahimovic marcou em passagens pelo PSG e LA Galaxy, e não qualquer empurrada para o fundo da rede com o goleiro já batido ou até com o gol vazio.

Se transformarmos o golaço, aquele momento em que deixa qualquer amante do futebol boquiaberto, para gols tão simples e feios plasticamente, será mais um brilho prestes a ser apagado nesse esporte tão admirado em todo o planeta.

Direto do Forno · Música

A estreia do Ryte

Para quem gosta de música pesada, esse álbum é um deleite.

O Ryte é um quarteto norte-americano que bebe direto das profundas fontes do stoner e seus derivados. O disco de estreia leva o nome da banda e é composto por quatro canções somente, chegando perto dos quarenta minutos de duração.

São músicas longas e instrumentais em sua maior parte. Para ser mais exato, são raros os momentos em que os vocais aparecem. Aliando duas guitarras afiadas, um baixo certeiro e uma bateria incansável, o disco flerta com o rock psicodélico, o heavy metal mais clássico e o doom metal, provando que a escola fundada pelo Black Sabbath rende frutos primorosos até os dias atuais.

RYTE foi lançado em 17 de janeiro desse ano pela Heavy Psych Sounds Records.

1. Raging Mammoth
2. Shaking Pyramid
3. Monolith
4. Invaders

Crônicas · Língua Presa · Música

Factótum

Factótum, por definição gramatical, é o indivíduo cuja função é ocupar-se de todos os afazeres de outrem. No português ainda mais claro, é o famoso faz-tudo, o Severino. O mesmo Severino que Gláuber Rocha disse ser a imagem do povo brasileiro, e que Makalister sampleou de forma brilhante.

Factótum também é o título do segundo romance do Bukowski, publicado em 1975. Entre bebedeiras, relacionamentos desastrosos e empregos dos mais variados tipos, o livro nos apresenta o submundo das cidades grandes, aquele em que os cartões-postais fazem questão de ignorar. Aqui, o personagem principal não deixa de ser um Severino, e mostra que não há glamour algum nas suas misérias.

Em resumo, não importa se o Severino é brasileiro ou americano, as dificuldades (que vão muito além da falta de interesse, como o personagem do livro) são quase as mesmas.

Trocando a chave, se eu pudesse dizer um faz-tudo na música… Bem, esse, ao contrário do já discorrido, seria alguém recheado de glamour. Quem mais foi capaz de transitar entre a soul music, a música eletrônica, o krautrock, o glam, o funk, o folk e o jazz de forma tão brilhante quanto David Bowie? É possível citar ao menos um disco dele em cada um desses estilos cujo nível é o mais alto possível. Além disso, é notória a sua influência em campos que ultrapassam as barreiras musicais, como a moda, por exemplo.

Um verdadeiro Factótum.

Direto do Forno · Música

Brant Bjork – Jungle In The Sound (Single)

Pouco mais de um ano após o lançamento de seu último de inéditas, Brant Bjork, uma das figuras máximas do rock do deserto, deixa engatilhado mais um trabalho.

Auto-intitulado, o novo disco ganha luz em 10 de abril desse ano, mais uma vez pelo ótimo selo Heavy Psych Sound Records, uma das casas mais influentes do stoner rock mundial. O primeiro aperitivo é “Jungle In The Sound”, contendo a já conhecida mistura de riffs pesados com o gracejo do funk rock. É como consta no release do disco, só de ouvir a canção, já dá pra saber de quem é, mesmo sem informação alguma a respeito.

Sobre seu último álbum, Mankind Woman, escrevi sobre ele aqui. Uma boa hora para revisitá-lo.

Direto do Forno · Música

Emancipator – Labyrinth (Single)

Contrariando o sentido mais conhecido de um labirinto, a música do Emancipator não deixa o ouvinte perdido e nem tem a intenção de desorientá-lo. Seus versos em forma de batidas orientam, acalmam, trazem respiro a quem os ouve. E emociona.

A sensação é de voar entre os pingos da chuva, ver o mundo inteiro do alto, sem interferência urbana alguma. No labirinto do Emancipator não há buzinas, vozes altas, fumaça, pressa, ansiedade, não há qualquer resquício dessa vida moderna que nos aprisiona.

“Labyrinth” é o primeiro fragmento de Mountains of Memory, o novo disco do artista, que sairá do forno em 20 de abril, pela Loci Records.

Para quem acompanhou seu último trabalho, o EP colaborativo com o 9 Theory (leia sobre aqui), é possível ter uma noção do que virá nesse novo disco.

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Lou Karsh – Against The Flames EP

Admirável e importante a iniciativa do Lou Karsh, artista australiano que vê seu país enfrentar um verdadeiro apocalipse ambiental, com danos enormes e irreparáveis.

Para levantar fundos e ajudar ao combate dos incêndios na Austrália, o rapaz soltou um EP com quatro ótimas músicas intitulado Against The Flames, e destinará toda a renda das vendas para o combate ao desastre.

Inserido na vertente eletrônica, Lou Karsh mescla várias vertentes do estilo em seu trabalho, variando entre trechos dançantes e batidas pesadas com passagens ambient, às vezes em uma mesma canção.

Vale conferir não só pela causa, mas também pela qualidade do som.

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #09: “Supercopa” da Espanha

Supercopas são disputadas, no geral, entre os campeões dos dois torneios mais importantes de um país: a Liga e a Copa. Se ampliarmos para uma disputa continental, seria a disputa entre o campeão da Champions League/Libertadores contra o vencedor da Liga Europa/Sul-Americana.

Essa competição tornou-se tradicional em vários países mundo afora. Vale taça, grana e rende jogos bons para assistir. Na Inglaterra, por exemplo, é a partida que inaugura a temporada. Nesse ano, o Brasil também terá a sua Supercopa, reformada após vinte e oito anos de ausência do calendário.

Porém, com a ganância humana cada vez mais sem limites, dirigentes conseguiram estragar um torneio tão simples. Entenda:

Na última temporada, o Barcelona faturou o Campeonato Espanhol, enquanto o Valência levou a Copa do Rei. A lógica seria um embate entre as duas equipes para decidirem a Supercopa da Espanha.

Só que a federação espanhola resolveu mudar as regras da competição, transformando a partida única em um quadrangular, inserindo os dois times mais bem colocados na Liga Espanhola (fora o campeão, óbvio, e o possível campeão da Copa) para participarem. Resultado: Real Madrid e seu rival Atlético de Madrid fizeram a final do torneio, eliminando, respectivamente, Valencia e Barcelona.

O curioso é que as duas equipes da capital espanhola não ganharam NENHUM troféu na última temporada, e mesmo assim foram habilitadas a disputarem a taça. Além da mudança no formato, ainda organizaram o torneio para ser disputado na ARÁBIA SAUDITA, país com tradição zero no esporte e bastante contestado por irregularidades referentes aos direitos humanos. Só que os árabes nadam em petróleo e isso gera bastante dinheiro, né. É só juntar os pontos.

Tento não admitir, mas fica cada vez mais difícil não aceitar que esse esporte tão amado chamado futebol está tomado pelo dinheiro quase que por completo.

Só nos resta resistir!