Garimpo · Música

Garimpo: Stone Temple Pilots – Dancing Days (Led Zeppelin Cover, Ao Vivo no Howard Stern Show 1996)

Em 1995, vários artistas foram reunidos em uma compilação-tributo ao Led Zeppelin, intitulada “Encomium”. Nessa leva, uma das homenagens acabou sobressaindo-se, fazendo certo sucesso nas rádios e alcançando boas posições nas paradas: “Dancing Days”.

Lançada de forma original no clássico “Houses of the Holy”, de 1973, a canção ganhou nova cara pelo talento do Stone Temple Pilots, que acrescentou um quê de apatia à canção, porém, de forma criativa e elegante.

Devido ao seu sucesso, a banda participou do Howard Stern Show em 1996, com uma apresentação acústica da mesma, em um ritmo um pouco mais lento. Em plena forma, destaco aqui o vocal de Scott Weiland. Um deleite para os fãs.

Música

O Feitiço Contra O Feiticeiro

Seguindo a mesma ideia dos textos anteriores, finalizo hoje a “trilogia dos covers”, que começou com o belo “Scream With Me”, onde David Pajo regrava canções do Misfits em formato acústico, e continuou com alguns covers muito interessantes do Johnny Cash em seus álbuns da série American Recordings.

Agora, para fechar com chave de ouro, montei uma lista (mais uma): dessa vez, com regravações que ficaram tão boas ou até melhores do que as versões originais.

Sem mais delongas, vamos logo ao que realmente interessa: as músicas!

Confira abaixo e ouça sem moderação:

Dancing Days
Original: Led Zeppelin (1973)
Cover: Stone Temple Pilots (1995)

https://www.youtube.com/watch?v=JHM40KrbA_k

https://www.youtube.com/watch?v=IusEhJXlCOA

Mrs. Robinson
Original: Simon & Garfunkel (1968)
Cover: The Lemonheads (1992)

https://www.youtube.com/watch?v=9C1BCAgu2I8

https://www.youtube.com/watch?v=zvMFm5nKeUc

Here She Comes Now
Original: The Velvet Underground (1968)
Cover: Nirvana (1991)

https://www.youtube.com/watch?v=–cSzOAx99w

https://www.youtube.com/watch?v=zTKYaSZUgLU

Dead Souls
Original: Joy Division (1981)
Cover: Nine Inch Nails (1994)

https://www.youtube.com/watch?v=MhEm4S-4v_U

https://www.youtube.com/watch?v=sDHqywS6un0

War Pigs
Original: Black Sabbath (1970)
Cover: Faith No More (1989)

https://www.youtube.com/watch?v=K3b6SGoN6dA

https://www.youtube.com/watch?v=w4oZXfrf18Y

Smothered In Hugs
Original: Guided By Voices (1994)
Cover: Local H (1996)

https://www.youtube.com/watch?v=kMHt-OuyOlE

https://www.youtube.com/watch?v=PO4LNUuoW5U

Heroes
Original: David Bowie (1977)
Cover: The Wallflowers (1998)

https://www.youtube.com/watch?v=jBuwC4VJi50

https://www.youtube.com/watch?v=O18bslNM9mE

She Said, She Said
Original: The Beatles (1966)
Cover: The Black Keys (2002)

https://www.youtube.com/watch?v=SMXP7nNzG3A

https://www.youtube.com/watch?v=PaMkh31wppE

Where Did You Sleep Last Night?
Original: Leadbelly (1940)
Cover: Mark Lanegan (1990)

https://www.youtube.com/watch?v=PsfcUZBMSSg

https://www.youtube.com/watch?v=4eujkWXfSl0

Lake of Fire
Original: Meat Puppets (1984)
Cover: Nirvana (1994)

https://www.youtube.com/watch?v=9jPglNrZhkA

https://www.youtube.com/watch?v=Y_jxjqkNVzI

Venus In Furs
Original: The Velvet Underground & Nico (1967)
Cover: Dave Navarro (2001)

https://www.youtube.com/watch?v=iLQzaLr1enE

https://www.youtube.com/watch?v=K26Ersrc8L0

You Can’t Put Your Arms Around A Memory
Original: Johnny Thunders (1978)
Cover: Guns ‘N’ Roses (1993)

https://www.youtube.com/watch?v=TknY89kECq0

https://www.youtube.com/watch?v=L3XkHMD27tU

Pretty Woman
Original: Roy Orbison (1965)
Cover: Van Halen (1982)

https://www.youtube.com/watch?v=ssXAkg0bV6o

https://www.youtube.com/watch?v=t9t9kxm-s6Y

Da Lama Ao Caos
Original: Chico Science & Nação Zumbi (1994)
Cover: Sepultura (2015)

https://www.youtube.com/watch?v=35FNubkuxwg

https://www.youtube.com/watch?v=j44wrohm3ac

E para finalizar, o feitiço virou contra o feiticeiro:

Ring of Fire
Original: Johnny Cash (1963)
Cover: Social Distortion (1990)

https://www.youtube.com/watch?v=It7107ELQvY

https://www.youtube.com/watch?v=2BaksqH2YXQ
Ate a próxima!

Crônicas · Música

‘In My Time of Dying’ – O Epitáfio de Chris Cornell

Um breve resumo da carreira deste grande artista que nos deixou.

Soundgarden, Temple of the Dog, Audioslave, carreira solo, trilhas sonoras, colaborações com vários artistas, entre outros. É difícil dimensionar o tamanho da carreira de Chris Cornell depois de passar por tantos caminhos diferentes, desde o heavy metal até a música pop, sempre com a voz forte e pungente, mergulhada nas mais diversas emoções. Mais difícil ainda é compreender o que o levou a tirar a própria vida, mesmo com uma carreira de enorme sucesso.

Ativo desde os primórdios da cena musical de Seattle, antes mesmo do chamado “movimento Grunge” estourar, Cornell sempre foi marcado pelo talento vocal que possuía, transitando entre gritos raivosos e momentos mais tranquilos. Era como um mar agitado que se rebelava contra as rochas e depois se acalmava para ouvir o som das aves. Além disso, Chris mostrou ser um exímio compositor, com uma habilidade acima da média para escrever músicas que se equilibravam entre a agonia de ser inimigo da própria mente e a possibilidade de poder confrontar não somente a si mesmo, mas a vida difícil que nos espera.

Tudo começou no Soundgarden, banda que ajudou a fundar em 1984 e que teve participação importante para disseminar o famoso “som de Seattle” ao mundo inteiro. Apesar de ser uma das pioneiras do movimento, o Soundgarden se destoa um pouco de todo o conglomerado de bandas que surgiriam depois, com a mistura de riffs pesados do heavy metal e a agressividade do punk rock, somada à voz única de Cornell, sempre carregada de emoção, seja ela raiva ou melancolia.

Com 6 álbuns de estúdio lançados ao todo, o Soundgarden atingiu o ápice comercial e criativo em 1994, com o lançamento do clássico “Superunknown”, um dos trabalhos mais importantes dos anos 90, mantendo o peso presente nos álbuns anteriores, porém acrescentando novas formas, com melodias mais calmas e reflexivas. A banda entrou em hiato no ano de 1997, retomando as atividades em 2010. Materiais para um sétimo disco já estavam sendo gravados.

Após o hiato com o Soundgarden e alguns anos em carreira solo, Cornell foi convidado por ex-integrantes do Rage Against The Machine a se juntarem e formarem uma banda, que mais tarde seria conhecida como Audioslave.

A química entre os integrantes foi quase instantânea, e a soma entre o instrumental pesado do RATM com a voz de Cornell foi certeira. Juntos, lançaram 3 discos, e a banda é considerada uma das maiores da última década. Canções como “Like a Stone” e Be Yourself” são clássicos dos anos 2000, mas não se engane: as verdadeiras pérolas do Audioslave são suas canções menos conhecidas.

Em todo esse tempo, Chris Cornell ainda teve tempo para sua carreira solo e o ótimo projeto Temple of the Dog, criado em homenagem a seu amigo Andrew Wood, ex-vocalista da banda Mother Love Bone, que morreu por overdose de heroína.

Sobre o Temple of the Dog, somente um disco foi lançado, em 1991. A sonoridade é mais limpa, mais voltada ao rock clássico dos anos 70, com destaque à voz de Cornell em canções como “Say Hello To Heaven” e “Four Walled World”. Em “Hunger Strike”, temos a participação de um iniciante Eddie Vedder que, mais tarde, formaria o Pearl Jam com os integrantes restantes do Mother Love Bone. Nessa época, a cena de Seattle começava a se encorpar ainda mais.

Em carreira solo, Cornell trafegou em sua linha de conforto por um tempo, com “Euphoria Mourning” (1999) e “Carry On” (2007) e também ultrapassou suas barreiras ao lançar um álbum de música pop, o “Scream” (2009) onde guitarras pesadas foram trocadas por batidas eletrônicas. Apesar de não gostar tanto, acho válida a intenção de um artista em experimentar novas sonoridades em seu trabalho, sem ficar preso a um rótulo.

Seus dois últimos lançamentos mostram uma nova faceta do cantor, um lado mais tranquilo, sereno… pelo menos aparentemente. “Songbook”, de 2011 é inteiramente acústico e atravessa todas as fases de sua carreira, com canções do Soundgarden, Audioslave e alguns covers. “Higher Truth”, seu último lançamento, continua na mesma linha mais equilibrada, mesclando canções folk com guitarras distorcidas.

Chris Cornell se enforcou no dia 18 de maio desse ano, aos 52 anos, deixando a esposa e três filhos. Como dito anteriormente, já estava gravando com companheiros de banda um novo material para mais um disco com o Soundgarden e uma volta com o Audioslave também era cogitada, pois os membros se reuniram esse ano para uma curta apresentação e em algumas entrevistas, não descartavam uma possível retomada nas atividades.

Tive o prazer de ver esse gênio da música ao vivo com o Soundgarden, em 2013, em um dos momentos mais marcantes da minha vida. Desde a morte de Lou Reed, também em 2013, eu não sentia tanto a morte de um artista quanto a de Chris Cornell, uma das minhas maiores inspirações.

**BÔNUS**

“In My Time of Dying”, a canção que dá título ao texto, não foi citada em vão. Algo como “em meu tempo de morrer”, o épico de 11 minutos está presente do clássico “Physical Graffiti”, sexto álbum de estúdio lançado pelo Led Zeppelin. Porém, a (infeliz) coincidência é o fato de Chris Cornell ter cantado trechos da música justamente na última canção tocada ao vivo com o Soundgarden, poucas horas antes de falecer. Fica aqui a homenagem.

*Texto feito para o blog da Immagine, que foi ao ar no dia 17 de agosto de 2017. Link aqui.