Direto do Forno · Música

O novo do Alice in Chains: Rainier Fog

Seria constatar o óbvio afirmar que a sonoridade da banda pode ser divida entre “Antes de Layne Staley” e “Depois de Layne Staley”. A chegada de William DuVall não trouxe somente um exímio vocalista para assumir tal posto, mas também um ótimo guitarrista, que junto a Jerry Cantrell, agregou um peso extra para o som já característico da banda.

“Rainier Fog” é um trabalho homogêneo: se mantém bastante pesado durante todo o seu decorrer. Até mesmo nas canções com um teor mais melancólico, como “Fly” e “Maybe”, os riffs poderosos de Cantrell marcam presença. Aqui, o trabalho vocal entre DuVall e Cantrell está perfeito, como se, enfim, tivesse atingido o ápice do entrosamento.

O ponto forte fica na tríade inicial com “The One You Know”, “Rainier Fog” e “Red Giant”, que abrem os disco de forma primorosa e garantem que o ouvinte não se satisfaça enquanto não terminar de ouvir todo o restante. E no final, a bela “All I Am”, com pouco mais de sete minutos, dá os últimos tons do álbum de forma bem comovente.

É como se “Rainier Fog” trafegasse quase por completo sob uma tempestade furiosa, e terminasse debaixo de uma garoa tranquilizante.

Quando “Black Gives Way To Blue” (2009) foi anunciado, muita gente (ou a maioria?) torceu o nariz. Era inimaginável ver o Alice in Chains sem a presença de Layne. Mas Jerry Cantrell e sua trupe seguiram em frente, deram mais um passo com “The Devil Put Dinosaurs Here” (2013), e agora, com “Rainier Fog” (2018), cravaram de vez a nova formação como uma banda autêntica, com uma identidade própria e que tem muita lenha ainda a queimar.

Garimpo · Música

Garimpo #02

Considero Layne Staley um dos artistas mais honestos que já habitaram esse planeta. Sem problemas em assumir abertamente seu vício com drogas, usava isso para escrever canções maravilhosas, que expressavam abertamente como era a sua mente sombria, depressiva e como ele necessitava desses aditivos para tornar sua vida mais leve. Uma pena que tudo terminou de forma trágica, mesmo que esperada.

Layne é um dos meus melhores amigos em dias turbulentos, pois suas palavras, muitas vezes, traduzem muito do que eu sinto e/ou penso. A minha sorte é que essa droga chamada “música” me fortalece ainda mais, ao contrário do que aconteceu com ele.

“Could she love me again or will she hate me?
Probably not, I know why, can’t explain me.”

“Wake up young man, it’s time to wake up,
Your love affair has got to go for ten long years…”