Garimpo · Música

Garimpo: Nirvana – Drain You (Ao Vivo Numa TV Francesa, 1994)

A insônia tem marcado presença em boa parte de minhas noites nessa “quarentena” (aqui o vírus AINDA não chegou), e para quem conseguiu se atrasar para o trabalho até em home office, acordar cedo por três dias seguidos é um feito a ser comemorado. Tive tempo até de fazer meu café e degustá-lo sem pressa.

Na última noite, deixei uma playlist engatilhada no computador. Pensei: assim que levantar, ligo o PC e coloco essas músicas para tocar, me ajudarão a tirar a preguiça. Foi dito e feito.

Boa parte dessa playlist (que, nesse momento, ainda está sendo executada) é formada por músicas do Nirvana. Sem alguma dúvida, Nirvana foi a banda que mais ouvi na minha adolescência, e sempre que posso, revisito minhas canções favoritas.

A minha favorita de todas é o tema do texto. Essa versão de “Drain You”, tocada em uma TV na França meses antes do suicídio do Kurt, já é bem conhecida e considerada por muita gente, e por mim, inclusive, como a sua melhor. E ela tem uma história curiosa: no final, a guitarra do Cobain estraga, e ele, puto da vida, a arremessa no chão. Com mais raiva ainda, ele solta o famoso grito, que na versão de estúdio é arrepiante, mas que ao vivo ele quase nunca fazia.

Veja como é curioso sua postura ao cantar sem sua guitarra. No mínimo, estranho. E Dave Grohl, claro, mais uma vez destruindo na bateria.

Crônicas · Língua Presa · Música

Dor

Aproveitando o gancho que o canal oficial do Nick Cave me deu ao subir no Youtube uma performance incrível de “Magneto”, vou finalizar esse rascunho que está há meses parado aqui no meus arquivos. Chama-se “Dor”.

Dor porque é através dela que, creio eu, os artistas tiram o melhor de seus talentos. Certa vez (isso tem anos), ao comentar com minha esposa que não conseguia escrever ou tocar quando estava triste, ela me deu esse soco na consciência:

-Bem, então você nunca irá gravar o seu melhor disco.

Posso citar Kurt Cobain, Elliott Smith, Damon Albarn e tantos outros que extraíram o pior de seus eus para criar obras incríveis, mas foi a perda de Nick Cave que me instigou a escrever esse texto.

Em julho de 2016, um de seus filhos, Arthur, então com 15 anos, caiu de um penhasco na Inglaterra e veio a óbito. Cave não concedeu nenhuma entrevista a respeito do ocorrido durante os dias de luto. Pelo contrário, respondeu todas suas perguntas em forma de música ao lançar Skeleton Tree no mesmo ano. E mesmo sem mencionar o acidente de forma direta nas letras, as referências são claras.

“Magneto” é a canção mais cortante do disco, daquelas em que o artista deixa seu coração totalmente exposto à quem quiser ver. Porém, toda a obra funciona como um cicatrizador para a ferida que dificilmente se fechará por completo.

Charles Bukowski escreveu em um poema sobre o que é ser um escritor, e para ele, as palavras devem sair até de suas entranhas, quase explodindo o seu interior. É como uma lava cutucando a borda de um vulcão, suplicando para encontrar a luz do dia.

Alguns músicos são verdadeiros escritores antes de serem, propriamente, músicos. Nick Cave é um deles. E meu favorito.

Música

Os Covers do Nirvana

Kurt Cobain era um rapaz autêntico. Não tinha medo e nem vergonha de expressar o que sentia ou pensava, seja nas suas músicas ou em entrevistas. Também nunca escondeu as suas referências e influências que o ajudaram a se tornar o brilhante artista que foi. Rola até na internet uma lista manuscrita com seus 50 discos favoritos de sempre (aqui).

Sua admiração por esses artistas prediletos refletia em seu próprio trabalho, não somente nas canções do Nirvana, mas nos covers que eles faziam de músicas bem interessantes. O irônico disso é que, não fosse por essas homenagens, talvez várias dessas músicas/bandas/artistas ficariam no limbo do mercado fonográfico, pois, em sua maioria, eram habitantes do sub-mundo da indústria.

Selecionei algumas para apresentar aos que desconhecem essas pérolas, mesmo que, hoje em dia, com o avanço da internet, encontrá-las por aí tenha ficado cada vez mais fácil.

Caso você goste de alguma, não hesite em ir atrás do trabalho dos artistas originais, pois valem tanto a pena (em alguns casos, até mais) quanto o próprio Nirvana.