Direto do Forno · Música

Wilco – Love Is Everywhere [Beware] (Single)

É difícil segurar a empolgação quando uma banda ou artista que gosto bastante divulga um novo trabalho, mas quando o nome faz parte de sua lista de “favoritos”, é impossível não aguardar algo grandioso.

O Wilco faz parte da minha vida há anos e sua música é trilha sonora de momentos de suma importância para mim. Por isso, descobrir que eles estão com um disco pronto para sair do forno ainda esse ano foi motivo de pura euforia por aqui.

“Love Is Everywhere (Beware)” é o primeiro single de Ode To Joy, o décimo primeiro álbum do conjunto liderado por Jeff Tweedy, que chega à Terra por completo no dia 04 de outubro. O selo responsável pelo lançamento pertence à própria banda e se chama dBpm Records.

O Wilco vem de dois discos que não causaram tanto alarde (Star Wars, de 2015, e Schmilco, de 2016) , mas que expandiram ainda mais o som da banda para além das fronteiras do folk/alt.country, e parece que assim eles permanecem: em busca de novos horizontes sonoros.

Direto do Forno · Música

Jeff Tweedy – Family Ghost (Single)

Vulnerável. Assim descrevo Jeff Tweedy em seus últimos trabalhos. Em Warm, disco lançado ano passado, ele não poupou versos que expunham seus fantasmas internos. Pouco menos de cinco meses depois, Warmer chegará às lojas como forma de complemento do seu antecessor, afinal, suas dez canções foram gravadas, ao que parece, nas mesmas sessões.

“Family Ghost”, seu primeiro fragmento liberado ao público, mantém o poder da vulnerabilidade do artista. Nesse caso, a desilusão. Ele tinha muita coisa guardada em si.

Nos primeiros acordes do violão, percebi lapsos do Being There, disco-duplo do Wilco lançado em 1996. Mas Tweedy não é mais aquele cara de duas décadas atrás. Está mais maduro, confiante e ácido. Na mesma safra de Nick Cave, Chino Moreno e Anton Newcombe (como mencionei aqui): o passar dos anos o fez muito bem.

Warmer será lançado por completo em 13 de abril, no Record Store Day, pela dBpm Records.

Direto do Forno · Música

O novo do Jeff Tweedy: Warm

Jeff Tweedy resolveu voltar às suas raízes em “Warm”, seu segundo disco solo, mas o primeiro totalmente autoral. Aqui, as onze canções foram feitas especialmente para o disco. Vale frisar que “Together At Last”, o antecessor, contou somente com releituras de antigos projetos.

É um disco recheado de melodias pop e cravado no folk rock e no chamado alternative country, referências de Tweedy que vêm de sua antiga banda, o Uncle Tupelo. “Warm” possui um tom mais pessoal e intimista, com passagens acústicas e vocais mais sussurrados. Em alguns pontos, como no single “Some Birds”, as guitarras assumem o protagonismo em arpejos e solos, mas nada que ultrapasse a barreira da serenidade.

Mas tal serenidade é percebida apenas no instrumental do disco. Afinal, as letras de Tweedy são observações do artista a respeito de momentos delicados de sua vida, como o período de reabilitação (“Bombs Above”), um aviso ao seu filho sobre seu problema com drogas (“Don’t Forget”), sua dúvida sobre a empatia, palavra que ficou tão famosa nos últimos anos (“I Know What It’s Like), e vida após a morte (“How Will I Find You?”).

Mesmo mantendo as atividades com o Wilco e depois de se aventurar em um projeto com seu filho, Jeff Tweedy tem pique para iniciar uma carreira solo que, ao meu ver, poderia ter sido tomada antes. O artista sempre demonstrou ter habilidade com as palavras e com o violão/guitarra. Era questão de tempo seu talento necessitar novos horizontes.

1. Bombs Above
2. Some Birds
3. Don’t Forget
4. How Hard It Is For a Desert to Die
5. Let’s Go Rain
6. From Far Away
7. I Know What It’s Like
8. Having Been Is No Way To Be
9. The Red Brick
10. Warm (When The Sun Has Died)
11. How Will I Find You?

Direto do Forno · Música

Jeff Tweedy – Some Birds

Jeff Tweedy, principal cabeça-pensante do Wilco (uma das minhas bandas favoritas de sempre), já está com um novo trabalho solo marcado. O sucessor do ótimo “Together At Last” chega no dia 30 de novembro e se chamará “Warm”.

Ao que parece, será um trabalho de inéditas e não de versões acústicas de seu imenso catálogo, como foi em “Together At Last”, que revisitou canções desde o Wilco até projetos mais desconhecidos, como o Golden Smog e o Loose Fur.

O single “Some Birds” saiu junto ao anúncio do disco e e seu vídeo traz uma característica notável: o humor do artista.

Jeff Tweedy coloca um humor bastante peculiar em sua arte. Seja no videoclipe bem-humorado de “Low Key”, música lançada em seu outro projeto solo, “Tweedy”, ou na capa de “Shmilco”, o último disco de estúdio lançado com o Wilco, que possui uma arte do cartunista Joan Cornellà, conhecido pelo teor forte de humor negro em seu trabalho.

Em “Some Birds”, enquanto a música é executada ao fundo, observamos Tweedy em um salão de beleza, tendo seus cabelos cortados em meio a caras e bocas do artista dublando a canção, e no espelho, algo como sua imaginação, uma versão mais ousada de si mesmo, tocando guitarra e cantando. Bem, ao menos assim eu entendi.

Crônicas · Música

Contexto histórico?

(Meu primeiro texto que foi ao ar no blog da Immagine, no dia 3 de julho de 2017. Link aqui.)

Olá pessoal, estou iniciando hoje o meu espaço particular aqui no site e procurarei trazer, basicamente, textos sobre música. Não, não pretendo ser nenhum crítico chato ou avaliador de discos, bandas ou shows, apenas irei apresentar e comentar álbuns que fizeram ou fazem parte da minha vida, com curiosidades e informações. Uma vez ou outra posso trazer algo sobre cultura “pop” em geral, mas meu foco maior será na área musical.

Para iniciar esse projeto, quero desconstruir algo que percebo com muita regularidade em blogs pela internet: a necessidade que alguns especialistas no assunto têm em explicar analiticamente o seu gosto por algum trabalho. Por exemplo, é muito difícil ver alguma postagem em que o autor coloca o “The Velvet Underground and Nico”, um dos álbuns mais importantes da história da música, no topo de sua lista de melhores discos simplesmente pelo fato dele ter sido realmente o melhor disco que essa pessoa já ouviu, sem precisar explicar a sua importância histórica. Sempre percebo uma necessidade de justificar essa opinião com um contexto ou alguma referência histórica, alguma explicação técnica que, muitas vezes, é apresentada sem sentido. Será que é necessário apreciar o “The Piper at the Gates of Down”, o “Thriller” ou o “Beggar’s Banquet” simplesmente pela importância que eles tiveram na história da música, sem considerar o que essas músicas transmitem ao ouvinte? Qual o problema em dizer que tal trabalho é o melhor que você já apreciou apenas pelo fato de ter sido o que mais te fez sentir emoções boas ou o que mudou o seu modo de enxergar o mundo? Absolutamente nenhum.

Posso estar sendo chato, criando polêmica sem necessidade ou falando besteiras, mas gostaria de exemplificar a minha ideia com minha indicação de hoje. Há 15 anos, o Wilco, uma de minhas bandas preferidas, lançava aquele que considero, até o momento, o melhor disco do novo milênio e um dos mais marcantes da minha vida: Yankee Hotel Foxtrot.

Não me aprofundo em detalhes técnicos, pois não sou nenhum especialista, mas como bom apreciador, percebo que YHC tem uma ótima produção, com arranjos que fogem do convencional (certa mescla de experimentalismo com um forte apelo pop) e uma banda que estava no auge de seu entrosamento. Mas o que realmente mexeu comigo foram as emoções passadas pelas músicas e como eu reagi e absorvi as suas mensagens. As letras de Jeff Tweedy possuem uma carga emocional muito forte, com versos simples, porém belíssimos, que ficam ainda mais nítidos quando são cantados por sua voz arrastada e melancólica. Suas letras se encaixam perfeitamente em momentos que passei, em ótimas memórias que guardo comigo, ou seja, é a trilha sonora de uma fase muito importante da minha vida. E isso já basta para que eu o julgue com tamanha importância.

Anos depois de lançado, é inegável que o disco já possui o seu contexto histórico, a sua importância no cenário musical, o impacto que seu lançamento conturbado causou e contribuiu para chegarmos nesse novo modelo de distribuição de músicas, além da influência que artistas novos tiveram… E isso é muito importante. Mas o que quero passar nesse texto de hoje é que, assim como toda forma de arte, a emoção é o alcance principal que o artista almeja, e não há problema nenhum em reconhecermos isso. Até a próxima!

Ouça-o na íntegra:

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