Direto do Forno · Música

O Novo do Our Transient Lives: Daily Loss EP

O nome Daily Loss, título do novo EP do Our Transient Lives, em português seria algo como “perda diária”. Tendo como base um poema visto na biblioteca pública de Indianápolis, Jared Rosdeutscher criou essa peça carregada de melancolia. Todos os dias perdemos alguma coisa, desde objetos banais até pessoas ou a si mesmo.

É um tipo de música que eu indicaria para os fãs de música ambient sem titubear, mas é bom cuidar com a tristeza que a cerca. Vai além da hipnose. Os pianos ao fundo de “First the Hour, Then the Day” explicitam isso. “Small the Daily Loss Appears” é como um sopro interminável e aos poucos cada elemento ao redor vai aparecendo, desde o baixo até ecos de guitarra, mas que vão embora em poucos instantes.

O encerramento com “Yet It Soon Amounts to Years” trouxe à minha mente “Wallace”, a minha música favorita da trilha sonora do Blade Runner 2049. Ouça as duas e perceba a semelhança.

Daily Loss é o primeiro trabalho que ouço desse projeto e gostei da forma como Jared monta suas peças, sabendo encaixar todos os detalhes nos momentos certos. Se ele traz a palavra “perda” em seu título, afirmo que tempo é algo que não foi perdido durante a audição desse EP.

Como é doce (e traiçoeira) a beleza da melancolia.

Esse é o poema citado no início do texto:

“Time by minutes slips away
First the hour, then the day
Small the daily loss appears
Yet it soon amounts to years”
-Ronald Tierney

1.Time By Minutes Slips Away
2. First the Hour, Then the Day
3. Small the Daily Loss Appears

4. Yet It Soon Amounts to Years

Direto do Forno · Música

Bruno Bavota – Saette (Trilha Sonora do filme L’Abbraccio)

Escrevi sobre o compositor italiano Bruno Bavota há algumas semanas, indicando seu recente Apartment Loops como uma dica de música ambient, estilo de som que tenho ouvido bastante.

A peça de hoje é diferente, mais voltada para a música clássica. “Saette” é uma emocionante canção criada para fazer parte da trilha sonora do documentário L’Abbraccio, que conta a história do assassinato do juiz Antonino Saetta e seu filho, Stefano, pela Cosa Nostra, máfia que atua na região da Sicília.

Segundo o release oficial, pai e filho foram encontrados mortos em um carro e ainda com os braços agarrados um ao outro, como um gesto de amor fraterno entre ambos. Esse detalhe foi a inspiração de Bavota para a criação de “Saette”.

O selo responsável pelo lançamento e distribuição da música é o Temporary Residence Ltd.

Direto do Forno · Música

Azymuth – As Curvas da Estrada de Santos/Zé e Paraná (Demos)

Parece não ter fim o baú de relíquias do Azymuth, e após o belo compilado Demos (1973​-​75) Volumes 1&2 lançado ano passado pela Far Out Recordings, o selo foi atrás de mais material caseiro do conjunto carioca.

O resultado dessa nova busca é o compacto As Curvas da Estrada de Santos/Zé e Paraná, sendo a primeira uma versão instrumental de uma canção da Jovem Guarda, enquanto a segunda é um samba-jazz hipnótico com um baixo que rouba a cena em seus minutos finais.

Agora, curioso mesmo é ver mais comentários de gringos do que brasileiros nos dois vídeos abaixo. Como custamos a dar o devido valor aos nossos artistas, hein?

Direto do Forno · Música

Faten Kanaan – The North Wind (Single)

Como é bom ser guiado por uma tag no Bandcamp e a música ser exatamente aquilo que se buscava. Faten Kanaan é uma compositora estadunidense que mescla elementos eletrônicos com música clássica, ambient e outros derivados, criando um atmosférico através de melodias que se repetem e levam o ouvinte a um pleno estado de contemplação.

Seu single mais recente chama-se “The North Wind”, que além da faixa-título, também traz a canção “Night Tide/Anteros”, que é ainda mais interessante. Ambas a canções estarão no próximo disco da artista, A Mythology of Circles, que sai do forno da Fire Records em 13 de novembro.

Se eu soubesse da existência dessa mulher há algumas semanas atrás, certamente ela estaria na postagem abaixo de dicas ambient.

Agora é esperar a chegada do álbum e torcer para que seja brilhante por completo, assim como essas duas canções.

Garimpo · Música

Algumas Dicas Ambient

Fazer música é uma árdua tarefa, que exige concentração, dedicação, intuição, conhecimento e bastante criatividade. Trabalhar em cima de algo que irá mexer com emoções de outras pessoas com o uso de melodias e palavras já é difícil, imagina uma composição instrumental.

Assim é a música ambient, repleta de ecos, efeitos, ornamentos vocais, sequências repetitivas e tudo mais o que o artista quiser implementar em sua música, porém, em sua maioria, sem palavras cantadas.

Gosto muito de ouvir discos nesse estilo em momentos de leitura ou reflexão. Ao fumar um cigarro e sentar na área externa da casa, por exemplo, ou durante uma madrugada silenciosa. E por ser uma vertente musical tão rica e repleta de compositores inventivos, tornou-se uma das minhas favoritas.

Abaixo estão três discos ambient que garimpei recentemente e que muito me agradaram. Se o EP Kill, do John Bence, possui uma abordagem mais voltada para o gótico e com um clima mais sombrio, o Apartment Loops Vol. 1 do italiano Bruno Bavota é de uma sensação mais sublime, como se o ouvinte flutuasse nas nuvens.

Por fim, trago o disco de estreia do Ghost Lode, chamado Lenten Distance. Esse é o projeto solo de Matt Weed, guitarrista da banda Rosetta. Seu debut é composto por seis belas e melancólicas peças acústicas com um ar de space rock. Creio que se o espaço tivesse som, seria algo do tipo.

Espero que o leitor faça bom proveito.

 

Garimpo · Música

Garimpo: Inches to Infinity

Tem um canal no Youtube que eu adoro, chamado Worldhaspostrock. É um dos maiores e melhores acervos de post-rock na plataforma, com vários discos e playlists para ouvir, sem falar que o canal ficou tão grande que algumas bandas lançam seus trabalhos em primeira mão direto por ele.

Tento ouvir o máximo que posso, principalmente as novas postagens, mas não tem como, é muito material. Mas teve um em específico que atingiu o meu emocional em cheio, um projeto chamado Inches to Infinity, e a canção de nome “These Bones Have Life”.

Na página deles no Bandcamp, a descrição é perfeita:

“Pintando quadros com música, algumas vezes sem palavras.”

São nove canções ao todo, todas no esquema pague o quanto quiser. E as artes visuais são maravilhosas, um aspecto fundamental que engrandece a experiência de ouvir.

Deixo abaixo aquela que citei acima e que me deu arrepios, “These Bones Have Life”.

Direto do Forno · Música

Mais Uma Do Azymuth: Castelo (Version 1) (Demo)

Escrevi aqui sobre a caixa de raridades que o Azymuth lançará no fim deste mês pela Far Out Recordings, e para salivar um pouco mais a boca dos adoradores do conjunto, mais uma pérola foi disponibilizada.

Trata-se da demo de “Castelo”, faixa que terá duas versões na coletânea. A disponível é intitulada “Version 1”. Em cada momento da música um instrumento rouba a cena, mas a melhor delas é o baixo cadenciado, que mais parece um torpedo dançante.

É de um swing marcante que só a música brasileira sabe fazer.

Direto do Forno · Música

Azymuth – Juntos Mais Uma Vez (Demo)

Advindos de uma época frutífera da música brasileira, o grupo carioca Azymuth prepara um material digno de colecionador para o próximo mês: um compilado de demos gravadas no período em que a banda engatinhava seu primeiro álbum, lá no início dos anos setenta.

O disco duplo intitulado Demos (1973-75) Volumes 1&2 resgata dezesseis canções gravadas em sessões caseiras, ou seja, que não foram trabalhadas em estúdio. Como aperitivo, você pode ouvir a faixa “Juntos Mais Uma Vez”, a única disponível até então para audição. Trata-se de um samba jazz instrumental que escancara o talento de altíssimo nível dos integrantes do trio.

Não vem ao caso o fato do Azymuth ser mais reconhecido no exterior do que em seu país natal, afinal, é comum aqui no Brasil enaltecer o estrangeiro e desvalorizar o que é conterrâneo.

A Far Out Recordings é a gravadora encarregada pela distribuição do disco, que chega por completo no último dia de maio deste ano.

Direto do Forno · Música

O novo do Kev Brown: “.”

Fazem exatas duas semanas que falei sobre o produtor e rapper norte-americano Kev Brown pela primeira vez aqui no blog. O havia conhecido há poucos dias e “Fill In The Blank” era, até então, seu trabalho mais recente. Porém, 2019 mal deu as caras e o rapaz já lançou “.” (sim, um ponto), o sucessor do disco em questão.

O próprio artista trata seu novo LP como “untitled“, ou seja, sem título. Essa falta de um nome oficial transmite a ideia de um trabalho feito às pressas, e ao ouvi-lo, isso fica ainda mais claro. As dez canções que compõem “.” parecem inacabadas, como demos ainda em estado de lapidação. Nesse ponto, lembremos de “Nearly God”, disco que Tricky lançou em 1996 e que ele mesmo afirmou ser um compilado de músicas inconclusas. O resultado tanto de “.” quanto de “Nearly God” se assemelham: tal rusticidade torna-os mais orgânicos, ou seja, mais natural, sem rodeios e/ou efeitos desnecessários.

Apesar de alguns cortes vocais surgirem durante o disco, como “oh yeah, alright, you got it“, as dez faixas que compõem o novo trabalho sem nome de Kev Brown são inteiramente instrumentais. As batidas são secas e repetitivas, variando entre diversos estilos. O interessante é que toda essa salada sonora é montada em trechos curtos, pois poucas canções superam os dois minutos de duração.

Se no álbum anterior, Kev focou mais em seu talento com as rimas, aqui em “.” ele mostra todo o seu potencial criativo e inventivo como produtor. Uma boa maneia de iniciar o ano.

 

1. introduction
2. hello
3. skirmish
4. distortion of sound
5. a spectrum of tactics
6. jammin’ on the one
7. friends since the 80’s
8. boogaloo feels
9. a theme for the optimistic
10. the end credits (work)

Direto do Forno · Música

Outside – Trent Reznor & Atticus Ross (Bird Box OST)

Bird Box (2018), o tão falado novo filme da Netflix, está sendo metralhado por “críticos” (o que eles fazem mesmo?) e fãs nos mais diversos portais e redes sociais. Em contrapartida, é o filme original da plataforma mais assistido até o momento, com mais de 45 milhões de visualizações somente em sua primeira semana (segundo dados da própria Netflix).

Após a virada do ano, todos ficaram sabendo que Trent Reznor (Nine Inch Nails) e seu fiel parceiro Atticus Ross são os responsáveis pela trilha sonora da película. Trilha essa que, ao meu ver, é um dos pontos altos da obra.

“Outside” é a única canção lançada de forma oficial até então. São quase treze minutos de suspense e agonia, com um piano marcando o tempo lentamente enquanto barulhos eletrônicos, ecos e ressonâncias de música clássica atordoam o ouvinte ao fundo.

Ainda esse mês a trilha completa chega às plataformas digitais, mais precisamente, no dia 29.

Sobre o filme, eu gostei. Nada que vá mudar o mundo ou vai levar o espectador a refletir sobre, mas é um bom entretenimento. Porém, fica a dica sobre todo esse auê que tomou conta da internet: não acredite nos críticos. Tire a conclusão da obra por si mesmo (a).