Língua Presa · Música · Traduções

Amity

(Tradução livre de um trecho do texto “Song of the Day #1,885: ‘Amity’ – Elliott Smith“.)

Elliott: É uma canção realmente desprotegida – Escrevi a letra em alguns minutos e não a mudei. Gosto de como ela soa, embora não seja uma canção especialmente profunda.

Repórter: Não, de jeito nenhum, eu amo a sensação dela. Estava a dançando em meu porão como Uma Thurman em “Pulp Fiction”.

Elliott: (risos) É que, não sei… Apenas uma grande canção de rock. É bem simples. Não é tanto sobre as palavras em si, mas mais como a coisa toda soa. Alguns amigos disseram que ela parece uma tentativa de conseguir algo romântico com alguém, e não era essa a intenção. Era para ser “você é realmente uma ótima companhia e gosto muito de você por isso, mas estou muito, muito deprimido”, mas não sei se ela parece com isso. Quando digo “pronto para ir”, era para indicar que estava cansado de viver.

Repórter: An? Tipo, pronto para ir embora desse mundo?

Elliott: É, desculpe por tornar a música triste para você agora. (Ambos riem)

Repórter: Tudo bem, vou continuar ouvindo. Eu também pensei que existiam elementos românticos nessa música. Fiquei pensando se a palavra “amity” era uma brincadeira com a palavra francesa “amite” (amizade).

Elliott: Na verdade, é uma pessoa que conheço.

Repórter: Minha parte favorita é quando você canta “’cause you laugh and talk/and ’cause you make my world rock!” (porque você ri e conversa/e faz eu me sentir muito bem). É uma quebra no estilo que você costuma escrever. Gostei do aspecto despreocupado disso. Lembro de pensar em como a maioria dos compositores não usariam essas palavras e as descartariam. Se mais alguém escrevesse aquilo, eu teria pensado “que babaca!”.

Elliott: Sim. (risos) É isso.

Repórter: Mas você é inteligente e suas letras são tão boas, que senti que você foi se soltando de propósito e se divertindo com a canção.

Elliott: Foi bem simples. Eu estava dizendo “realmente gosto de você e é muito bom sair com alguém que é feliz e fácil de lidar, mas eu não me sinto assim e não posso ficar com você.”

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Angel Olsen – Whole New Mess

Gravado no final de 2018 no corredor de uma capela, para que a voz ganhasse efeitos mais naturais, Whole New Mess é o quinto disco da Angel Olsen, lançado pela Jagjaguwar no dia 28 de agosto. Ele é traz as canções do disco anterior, o elogiado All Mirrors, de 2019, mas em um formato mais intimista.

As músicas foram escritas em um período difícil para a artista, onde ela passava por um término de relacionamento. Por isso a roupagem delicada e melancólica, mas sem parecer meloso.

Em certos momentos, Whole New Mess lembrou o Nebraska (1982), do Bruce Springsteen, devido à abordagem simples e crua das canções.

É um disco que tenho ouvido do início ao fim por várias vezes durante o dia e sem enjoar.

Direto do Forno · Música

CASTLEBEAT – TI​-​83 (Single)

CASTLEBEAT é o pseudônimo usado por Josh Hwang para distribuir suas músicas internet afora, e além disso, o cara também gerencia o selo Spirit Goth, voltado para a produção de canções lo-fi com as mais variadas influências.

A mais recente obra de sua discografia é a canção “TI-83”, disponibilizada como single no início desse mês. Misturando elementos do lo-fi hip hop, chillout e até o shoegaze, com a voz calma e quase sussurrada envolta em texturas sonoras e batidas repetitivas, é daquelas canções que caem muito bem numa madrugada solitária e melancólica.

Outra música do projeto que recomendo sempre que posso é “80’s High School”, lançada em janeiro desse ano e que aparece bastante em minhas audições diárias. Você a encontra na página do Bandcamp do CASTLEBEAT ou no Youtube.

Direto do Forno · Música

Rapidinha

Isso que dá procrastinar o dia todo e adiar textos que estão abertos há dias como rascunho. O Ruby Haunt soltou mais um single hoje, o segundo do Tiebraker, o próximo disco deles. Fiquei sabendo poucas horas após escrever sobre “Avalon”, o primeiro single do álbum, e que é o meu texto mais recente.

Sem mais delongas, fica aqui para você ouvir “Carrie” logo abaixo, tão bela quanto “Avalon”.

 

Direto do Forno · Música

Ruby Haunt – Avalon (Single)

A melancolia é o carro-chefe na música do Ruby Haunt, mas não aquela que toca na ferida e parte o coração, mas sim a melancolia que traz saudade, que mexe na nossa nostalgia, nas lembranças de momentos felizes e tudo mais. Por isso o grupo estadunidense é um dos meus favoritos da atualidade.

Com um disco inédito saindo do forno daqui a exatas duas semanas (se chamará Tiebreaker), a banda soltou “Avalon”, seu primeiro single, há também exatas duas semanas atrás.

É uma música longa, com seis minutos e meio de duração, em formato acústico quase por completo. Somente no finalzinho dela que violão e teclados se encontram com a bateria e tudo termina bem. Uma ótima música no estilo que chamo happy-sad que nos põe para refletir e pensar na vida e nas suas adversidades.

Direto do Forno · Música

Guided By Voices – Haircut Sphinx (Single)

Já vi texto de gente virando a cara, já vi gente que se empolga às alturas (faço parte desse grupo), mas fato é que a cada novo lançamento do Guided By Voices, o universo da música direciona sua atenção à gangue de Robert Pollard, ainda mais agora que os caras estão prestes a lançar o seu TRIGÉSIMO disco.

Mirrored Aztec chega no final de agosto, no dia 25, e já conta com um single disponível: “Haircut Sphinx”, um rockzinho dançante com pouco mais de dois minutos que você encontra aos montes no catálogo do grupo. Além disso, a capa do disco é uma das mais bonitas que a banda já teve.

Confira abaixo.

Direto do Forno · Música

Lenny Pistol – (Still Losing) The Control (Single)

O vídeo de “(Still Losing) The Control)”, single mais recente do Lenny Pistol, é uma viagem. O filtro de VHS somado à colagens e cores púrpuras são ótimos complementos à música, levada por uma guitarrinha psicodélica e a voz preguiçosa e charmosa de Lenny. A letra parece narrar um sonho ou, melhor ainda, um passeio lisérgico.

Lenny Pistol é um dos artistas que mais gostei de conhecer nos últimos anos. Original, ele usa suas referências para passear entre o pop e o indie, sem parecer “comercial” (não gosto desse termo, mas ok) demais, e nem tão underground assim. Escrevi sobre o EP de estreia dele aqui.

Se vem um disco novo em breve, ainda não foi anunciado. Mas “(Still Losing) The Control)” seria o anúncio ideal para isso.

Direto do Forno · Garimpo · Música

Car Seat Headrest – There Must Be More Than Blood (Acústico)

Saiu mês passado o novo disco do Will Toledo e seu Car Seat Headrest, Making a Door Less Open, pela Matador. Apesar de ser um bom disco, a canção que mais gostei não está presente nele. Ou melhor, não a versão que me cativou.

Foi postada somente no Youtube a versão acústica de “There Must Be More Than Blood”, a penúltima e mais longa faixa do álbum, com mais de sete minutos. Sua repaginada acústica vai só até os seis, e é curiosa a vestimenta que Will Toledo usa em seu vídeo. A máscara de estação nuclear deu um efeito à sua voz, meio que abafando-a, o que aumentou mais ainda seu tom melancólico.

Devo ter reproduzido o vídeo mais de cem vezes até o momento, e digo isso sem exagero. Uma pena que “There Must Be More Than Blood” acústica não saiu em outra plataforma.

Pelo que vi, alguns fãs mandaram mensagens no Instagram do cara e no próprio vídeo pedindo para que ele a solte no Bandcamp, pelo menos. Tomara que o faça.

Língua Presa · Música

25 Anos de Alien Lanes

Não fosse pela minha eterna procrastinação, esse texto sairia na data exata do acontecimento. Mas não o fiz, então paciência, vai assim mesmo.

No mês de abril, de forma mais precisa no dia 04, um dos maiores clássicos do rock independente completou 25 anos: Alien Lanes, do Guided By Voices.

Reza a lenda que o contrato dos caras com a Matador Records foi de cem mil dólares para produzir o disco, mas que ele custou ao todo apenas dez pratas (com exceção das cervejas).

O resultado foi um trabalho de vinte e oito faixas e apenas quarenta e um minutos de duração. Apenas seis canções passam os dois minutos de duração, e muitas mal atingem o primeiro minuto. Aqui, o Guided By Voices explorou bem as gravações em quatro canais e mesclou vários estilos entre uma canção e outra.

Apesar do meu favorito ainda ser seu antecessor, Bee Thousand, de 1994, muito mais por memória afetiva (lembrança de um tempo em que o disco foi muito importante para mim), considero o Alien Lanes a porta de entrada principal para quem quiser conhecer a banda. Além do mais, aqui estão algumas de suas melhores músicas, como “Watch Me Jumpstart”, “Motor Away”, “My Valuable Hunting Knife” e, claro, “Game of Pricks”.

O bom do Guided By Voices é que não dá para sentir falta dos caras, pois a cada ano eles lançam uma porrada de discos novos, e para comemorar o vigésimo-quinto aniversário do Alien Lanes, a Matador preparou alguns materiais inéditos. Corre no site ou no Instagram deles e confira, ao mesmo tempo que você pode ouvir abaixo as canções que selecionei do disco.