Garimpo · Música

Garimpo: Algel Olsen (Ao Vivo na NPR Music)

As árvores balançam ao fundo e dá até para ouvir o vento passando por entre os galhos. O sol brilha tímido e é quase possível sentir o cheiro de ar fresco.

É com esse visual ao fundo que a Angel Olsen gravou sua participação no Tiny Desk Concert, uma série de apresentações que acontecem no canal da NPR Music.

Há poucos dias escrevi aqui sobre o Whole New Mess, disco mais recente dela, e um pouco da sensação que esse trabalho causa. Só que ao vivo, suas músicas soam ainda mais aconchegantes.

O setlist é curto. São três músicas desse disco: a faixa-título, “What It Is (What It Is)” e “Waving, Smiling”. Ela também toca “Iota”, canção do álbum de 2014, Burn Your Fire for No Witness.

Curioso é que essa curta apresentação combina com a atual situação climática de onde moro: dia nublado, sol cabisbaixo e temperatura agradável.

Língua Presa · Música · Traduções

Amity

(Tradução livre de um trecho do texto “Song of the Day #1,885: ‘Amity’ – Elliott Smith“.)

Elliott: É uma canção realmente desprotegida – Escrevi a letra em alguns minutos e não a mudei. Gosto de como ela soa, embora não seja uma canção especialmente profunda.

Repórter: Não, de jeito nenhum, eu amo a sensação dela. Estava a dançando em meu porão como Uma Thurman em “Pulp Fiction”.

Elliott: (risos) É que, não sei… Apenas uma grande canção de rock. É bem simples. Não é tanto sobre as palavras em si, mas mais como a coisa toda soa. Alguns amigos disseram que ela parece uma tentativa de conseguir algo romântico com alguém, e não era essa a intenção. Era para ser “você é realmente uma ótima companhia e gosto muito de você por isso, mas estou muito, muito deprimido”, mas não sei se ela parece com isso. Quando digo “pronto para ir”, era para indicar que estava cansado de viver.

Repórter: An? Tipo, pronto para ir embora desse mundo?

Elliott: É, desculpe por tornar a música triste para você agora. (Ambos riem)

Repórter: Tudo bem, vou continuar ouvindo. Eu também pensei que existiam elementos românticos nessa música. Fiquei pensando se a palavra “amity” era uma brincadeira com a palavra francesa “amite” (amizade).

Elliott: Na verdade, é uma pessoa que conheço.

Repórter: Minha parte favorita é quando você canta “’cause you laugh and talk/and ’cause you make my world rock!” (porque você ri e conversa/e faz eu me sentir muito bem). É uma quebra no estilo que você costuma escrever. Gostei do aspecto despreocupado disso. Lembro de pensar em como a maioria dos compositores não usariam essas palavras e as descartariam. Se mais alguém escrevesse aquilo, eu teria pensado “que babaca!”.

Elliott: Sim. (risos) É isso.

Repórter: Mas você é inteligente e suas letras são tão boas, que senti que você foi se soltando de propósito e se divertindo com a canção.

Elliott: Foi bem simples. Eu estava dizendo “realmente gosto de você e é muito bom sair com alguém que é feliz e fácil de lidar, mas eu não me sinto assim e não posso ficar com você.”

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Angel Olsen – Whole New Mess

Gravado no final de 2018 no corredor de uma capela, para que a voz ganhasse efeitos mais naturais, Whole New Mess é o quinto disco da Angel Olsen, lançado pela Jagjaguwar no dia 28 de agosto. Ele é traz as canções do disco anterior, o elogiado All Mirrors, de 2019, mas em um formato mais intimista.

As músicas foram escritas em um período difícil para a artista, onde ela passava por um término de relacionamento. Por isso a roupagem delicada e melancólica, mas sem parecer meloso.

Em certos momentos, Whole New Mess lembrou o Nebraska (1982), do Bruce Springsteen, devido à abordagem simples e crua das canções.

É um disco que tenho ouvido do início ao fim por várias vezes durante o dia e sem enjoar.