Garimpo · Música

Garimpo: 29 anos de “Doolittle”

Coincidência ou não, a seção Indico de hoje é novamente para comemorar o aniversário de mais um clássico dos Pixies. Se há quase 1 mês atrás comemoramos os 30 anos do “Surfer Rosa”, hoje, dia 17 de abril de 2018, seu sucessor “Doolittle” comemora 29 anos de lançamento.

Mantendo a mesma ideia surrealista do “Surfer Rosa”, porém, com uma sonoridade um pouco mais acessível ao grande público, “Doolittle” foi um passo adiante dado pelo Pixies para que eles atingissem o posto de banda referência à geração do final dos anos 80/início dos anos 90.

Do início arrasador com “Debaser” e “Tame”, passando pelas queridinhas “Here Comes Your Man” e “La La Love You”, a viagem sonora em “No. 13 Baby” e o final estrondoso de “Gouge Away”, não é por acaso que o álbum está sempre nas listas de mais importantes de todos os tempos.

Na minha opinião, eles ainda conseguiriam ir mais além com “Bossanova”, em 1990, mas isso é assunto para outro aniversário.

Garimpo · Música

Garimpo: Linhas de Desejo

Em toda a (rica) discografia do Deerhunter, “Halcyon Digest”, lançado em 2010, é o seu trabalho mais interessante. Seja nas canções mais “alegres” ou naquelas de teor mais melancólico, o tornado de emoções que permeia em todo o trabalho somado à versatilidade musical de seus membros, tornam o disco um marco artístico/musical do século XXI.

Em “Desires Lines”, sexta música do disco, talvez seja possível compreender melhor. Aparentemente “para cima” em seu início, a canção encontra na sua metade uma viagem sonora capaz de nos transportar aos mais diversos níveis da nossa imaginação. Como um usuário do Youtube descreve em um comentário de um dos vídeos abaixo:

“É o mais próximo que já tive de uma experiência religiosa”.

Faz todo sentido.

Crônicas · Música

1 Minuto

Humberto Gessinger já dizia: ‘Só acredito no que pode ser dito em 3 minutos.” Mas, em alguns momentos, 60 segundos já são o suficiente. No caso de “Good Morning, Captain”, seu desfecho aterrorizante de um único minuto é o bastante para colocar o “Spiderland”, derradeiro disco do Slint, na posição de melhores álbuns de todos os tempos.

Nos seus 7 minutos e 38 segundos de duração, a canção se arrasta nos versos declamados/sussurrados do vocalista Brian McMahan, que narram uma história típica de um filme de M. Night Shyamalan, acompanhados por um instrumental preciso e seco. No minuto final, os instrumentos ganham um peso ainda mais potente e o personagem, desesperado, esbraveja a frase “I miss you”, até se perder em berros assustadores, como se estivesse afundando em um oceano sem fim.

Ouvir essa canção será uma das melhores experiências de sua vida.