Direto do Forno · Música

Vertical Scratchers – Song of Earth (Single)

Tenho uma admiração imensa por power duos. Os exemplos, porém, são escassos, e por esse motivo, sempre que conheço algum novo, o interesse é instantâneo.

O Vertical Scratchers é Christian Beaulieu na bateria e John Schmersal em todo o restante. Ligados à Merge Records, o duo tem somente um único disco lançado até o momento. “Daughter of Everything” chegou em 2014, com quinze canções (curtas, em sua maioria) que mesclam melodias pop com um quê de garage rock. É um som bem gostoso de ouvir, não tão lo-fi como o Guided By Voices, por exemplo, mas também não tão industrializado, digamos assim.

Após quase meia década, a espera por um novo trabalho parece estar terminando. “Song of Earth” é o nome do novo single da dupla, também disponibilizado pela Merge Records. A estética permanece, porém, agora o fator rock de garagem assumiu uma maior parte da canção, com distorções, solos e a bateria bem firme.

Não há informação sobre um novo disco até o momento, mas, mesmo que por nossa parte, a espera é livre.

 

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Current Affairs

A sensação é de estar num ambiente tonalizado em preto e branco, gélido e movimentado. A música é tão crua em qualquer aspecto que sentir-se só em meio à multidão não é algo incomum. As batidas secas da bateria contribuem para tal sentimento de solidão. Joan, sem sobrenome, declama seus versos com emoção, trazendo vida àquele lugar.

Música é assim, inexplicável. Certas melodias, estilos, artistas ou batidas transportam-nos a lugares que nunca vimos na vida, nem sequer sabemos se existem ou não. Esse é o exercício que ela traz à nossa imaginação, levando-nos a construir cenários e personagens que fazem sentido nem que seja somente para nós mesmos.

Esse é o caso do Current Affairs, banda escocesa de Glasgow que cria um som post-punk direto da fonte. Não é, por exemplo, o Joy Division do “Unknown Pleasures”, já ciente de como queria ser, mas aquele que ainda polia e lapidava o seu som, como no EP “An Ideal For Living”, um ano antes do seu clássico. A guitarra alterna momentos de peso com outros mais eufóricos, como se ela possuísse um aspecto cortante e elétrico, girando e dançando em volta dos seus irmãos baixo e bateria, que mantém uma linha mais direta e coesa em quase todas as canções.

Vamos aos registros oficiais: um EP de 2017, intitulado “Object”, mais dois singles, ambos datados do final do ano passado: “Cheap Cuts/Let Her” e “Breeding Feeling/Draw The Line”. Não chega a dez o número total de canções lançadas pelo conjunto. Mas a avaliar sua ainda pequena discografia, o Current Affairs possui uma riqueza musical tamanha que, ao meu ver, os torna preparados para um disco cheio e mais encorpado.

Abaixo, em ordem cronológica, o EP e os dois singles para você ouvir à vontade e de graça.

 

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Garimpo: No Idea

Procure no Youtube pelo canal “Vinyl Collector” e surpreenda-se. Dois garotos aparentemente na casa dos 15 anos tocando NA ÍNTEGRA discos como “In Utero” (1993) e “Nevermind” (1991), clássicos absolutos dos anos noventa. Em postagens mais recentes, eles até contam com a participação de um baixista, mas quem toca o projeto mesmo são os dois. Seus nomes são Carl Giannelli e Ethan Williams, e a banda chama-se No Idea.

Se falarmos em lançamentos OFICIAIS, até o momento em que vos escrevo, são apenas dois EP’s, mas o suficiente para apresentar a versatilidade deles.

O primeiro é intitulado “Your Peril”, e deu o ar das graças em 8 de julho de 2017. Apresentado pela própria banda como “ideal para fãs do Queens of the Stone Age/Kyuss, Electric Wizard, Sleep…”, é justamente esse tipo de som que você encontrará. Das quatro canções, três são instrumentais, mas todo o EP é recheado de riffs pesados e uma bateria monstruosa. Ambos os integrantes revezam nos instrumentos, ou seja, Carl e Ethan são multi-instrumentistas, o que garante mais um ponto para eles.

Em “Fungus”, o segundo EP lançado seis meses após seu antecessor, o trabalho é melhor resolvido. Carl Giannelli executa as cordas e canta, e Ethan Williams é o responsável pela bateria.

Também com apenas quatro canções, a sonoridade é muito diferente de “Your Peril”. Agora, temos guitarras menos pesadas, porém, com distorções mais sujas, remetendo às bandas da era de ouro do grunge . Além disso, todas as músicas possuem letras, sendo esse o ponto em que eles ainda podem desenvolver melhor. A julgar pelos vídeos do canal deles no Youtube, a influência do Nirvana e do Green Day (lá dos primórdios) é nítida.

Ver uma banda como o No Idea surgindo, tomando forma e aumentando, mesmo que aos poucos, seu reconhecimento é gratificante. Por serem ainda jovens, o talento deles só tende a ser desenvolvido, e espero ouvir um disco cheio em breve. Em resumo, são dois caras se divertindo fazendo música, buscando uma identidade própria e construindo sua base de admiradores.

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Hank Wood and the Hammerheads – HEADS (Single)

Ali no título está single, mas como a própria banda o denomina, “HEADS” é um “2-Song Cassingle“, ou seja, um trabalho de duas canções que terá seu formato físico em fita cassete, resgatando o modo que ouvia-se música algumas décadas atrás.

“You Could Have It” e “I’d Rather Be With Me” são as músicas que compõem esse pequeno projeto, mas que causam um belo estrago (no bom sentido) ao ouvinte. Se juntá-las, são quase cinco minutos de porrada sonora influenciada pelo punk rock e pelo rock de garagem meio The Stooges, com guitarras cortantes e velozes e um vocal bem raivoso.

Seu lançamento foi no início do ano, em 4 de janeiro. Apenas enquanto escrevo esse texto, “HEADS” está sendo repetido pela quarta vez.

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Rema-Rema – Rema-Rema (Single)

Após passar quase quarenta anos no mais extremo limbo da música alternativa, a banda Rema-Rema retorna do obscuro para o catálogo da 4AD com o lançamento de seu único disco completo, “Fond Reflections”, trabalho esse que, segundo o próprio selo, é o “debut que nunca existiu”. Explico.

Formada por membros do The Models e da Siouxsie and The Banshees, o Rema-Rema estava naquele meio do post-punk no início dos anos oitenta, fazendo canções claustrofóbicas, secas e com muito experimentalismo. Em seu curto período de atividade, lançaram somente um EP em 1980, intitulado “Wheel in the Roses”. Inclusive, é um dos primeiros trabalhos lançados pela 4AD. Ouça “The Feedback Song” para ter uma noção de sua sonoridade:

Perto de completar quatro décadas do lançamento de “Wheel in the Roses”, Gary Asquith, um dos membros do conjunto, em parceria com o engenheiro de som Takatsuna Mukai, reviraram arquivos e fitas cassetes com canções da banda e trabalharam nelas para montar “Fond Reflections” da forma mais fiel possível quanto ele seria lançado na época.

Todo esse material resultou em um disco duplo, que sairá do forno em primeiro de março desse ano. A gravadora já disponibilizou “Rema-Rema”, faixa que leva o nome da banda. Um belo resgate da 4AD no que diz respeito à música alternativa.

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Guided By Voices – The Rally Boys (Single)

Chego a soar repetitivo, mas a fórmula do novo single do Guided By Voices é a mesma. A canção mal começa e as guitarras já estão correndo, com Pollard soltando os seus versos com a voz enérgica, apesar de já mostrar o seu envelhecimento. A duração segue o padrão: menos de dois minutos.

Quando o ouvinte pensa que virá uma segunda parte, uma estrofe a mais ou até um solo, ela é encerrada. Assim, direto ao ponto, é “The Rally Boys”, mais um anúncio de “Zeppelin Over China”, o disco completo que chega no início de fevereiro.

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The Raconteurs – Sunday Driver/Now That You’re Gone (Single)

A mídia em peso já falou sobre a volta do The Raconteurs na última semana, após um longo período em hiato. O último disco do grupo, “Consolers of the Lonely”, foi lançado em 2008.

Sempre julguei o The Raconteurs como o projeto mais acessível de Jack White, mais até do que o White Stripes. Mesclando rock de garagem com blues, o conjunto faz um som bastante acessível até para quem não se enturma muito nesse meio. Para esse retorno triunfal (bastante esperado), a banda disponibilizou duas músicas de uma só vez.

O single é formado por “Sunday Driver” no lado A e “Now That You’re Gone”, lado B. Ambas as canções ganharam videoclipes muito bem produzidos. A primeira é um rock’n’roll bem cru liderado por Jack White, recheado de guitarras bem sujas.

Já sua companheira de disco é mais voltada para o blues rock, com pitadas de R&B, e o mais interessante: Brendan Benson é o responsável pelos vocais. Apesar do tom mais lento e possuindo os teclados como carro-chefe, percebe-se ao fundo o teor garageiro nos riffs e solos distorcidos de White.

Como eu disse acima: um retorno triunfal.

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John Garcia And The Band Of Gold – My Everything (Single)

Os primeiros segundos de “My Everything” acusam: é o single mais pesado do debut do John Garcia And The Band Of Gold até então.

A canção mal começa e o ouvinte é atingido por um petardo de riffs graves e uma bateria insana que se movimentam junto à voz grandiosa de Garcia. Com o lançamento do disco cada vez mais perto, talvez esse seja seu último “pedaço” a ser disponibilizado de forma antecipada.

Ao todo, a tracklist é formada por 11 músicas. Os três singles já liberados são de alto nível, algo que deixa o ouvinte (este que vos escreve) cada vez mais animado para ouvir o trabalho por completo. Ouça aqui e aqui os singles anteriores, e abaixo o mais recente, “My Everything”.

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+2 EP’s do Guided By Voices

Falei aqui sobre a curiosa produção de “Warp and Woof”, disco do Guided By Voices que dará as caras em abril do próximo ano.

Para adiantar parte desse LP (e aumentando ainda mais a curiosidade dos fãs), Robert Pollard soltou os EP’s “100 Dougs” e “Wine Cork Stonehenge”, ambos no dia 7 desse mês. Os dois trabalhos possuem seis canções cada, e todas elas farão parte de “Warp and Woof”.

O Guided By Voices vem fazendo o mesmo tipo de som há mais de três décadas, mas com a destreza de poucos. Por isso, eles nunca soam enjoativos ou repetitivos. É o encontro perfeito entre o lo-fi com o pop: canções curtas, produção baixa e bastante energia.

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Garimpo: Kev Brown – Fill In The Blank (Disco)

Kev Brown é um produtor e rapper dos Estados Unidos que soltou no mês passado seu trabalho mais recente, “Fill In The Blank”. São 20 faixas que transitam entre vinhetas instrumentais e rimas precisas, sendo que poucas delas passam dos dois minutos de duração.

Ao perceber uma clara referência do lo-fi hip hop, torna-se interessante ouvir alguns beats com teor mais melancólico contrastando com o vocal mais grave de Brown.

Apesar de ser uma figura presente do rap há vários anos, Kev Brown é um artista de poucos lançamentos oficiais. Porém, em 2018, o cara resolveu colocar a mão na massa e ampliar em cheio a sua discografia. “Fill In The Blank” é o seu terceiro disco cheio lançado esse ano.

Um dos produtores/rappers mais interessantes que conheci nos últimos meses.