Garimpo · Música

Garimpo: Nirvana – Drain You (Ao Vivo Numa TV Francesa, 1994)

A insônia tem marcado presença em boa parte de minhas noites nessa “quarentena” (aqui o vírus AINDA não chegou), e para quem conseguiu se atrasar para o trabalho até em home office, acordar cedo por três dias seguidos é um feito a ser comemorado. Tive tempo até de fazer meu café e degustá-lo sem pressa.

Na última noite, deixei uma playlist engatilhada no computador. Pensei: assim que levantar, ligo o PC e coloco essas músicas para tocar, me ajudarão a tirar a preguiça. Foi dito e feito.

Boa parte dessa playlist (que, nesse momento, ainda está sendo executada) é formada por músicas do Nirvana. Sem alguma dúvida, Nirvana foi a banda que mais ouvi na minha adolescência, e sempre que posso, revisito minhas canções favoritas.

A minha favorita de todas é o tema do texto. Essa versão de “Drain You”, tocada em uma TV na França meses antes do suicídio do Kurt, já é bem conhecida e considerada por muita gente, e por mim, inclusive, como a sua melhor. E ela tem uma história curiosa: no final, a guitarra do Cobain estraga, e ele, puto da vida, a arremessa no chão. Com mais raiva ainda, ele solta o famoso grito, que na versão de estúdio é arrepiante, mas que ao vivo ele quase nunca fazia.

Veja como é curioso sua postura ao cantar sem sua guitarra. No mínimo, estranho. E Dave Grohl, claro, mais uma vez destruindo na bateria.

Crônicas · Língua Presa · Música

A Música Que Explodiu Minha Cabeça

Eu costumava passar madrugadas acordado no computador quando era adolescente, nos bons tempos do Orkut, MSN e jogatinas em excesso. Foi o período em que conheci boa parte das bandas que me acompanham até hoje e nunca me esqueço do dia em que caí no território “grunge” e minha cabeça explodiu ao ouvir “Nearly Lost You”, do Screaming Trees.

Aquela guitarra e bateria combinadas no começo me pegaram desprevenido por volta das 3h da madrugada em uma daquelas noites e não havia uma única alma conhecida acordada naquela hora para que eu pudesse compartilhar minha descoberta.

Estava tão animado com aquele som novo aos meus ouvidos que fui escavando cada vez mais internet afora, e quando finalmente o sono bateu, já era de manhã. Dali em diante veio o Pearl Jam, Smashing Pumpkins, algumas bandas mais desconhecidas como o Love Battery, e tantas outras que fazem parte do meu cotidiano até os dias atuais.

Bons tempos.

Direto do Forno · Música

Stone Temple Pilots – Fare Thee Well (Single)

Grande parte dos fãs do Stone Temple Pilots torceram o nariz quando a banda decidiu se manter na ativa após a morte de Scott Weiland. É inegável que o ex-vocalista era o grande chamariz do quarteto, com uma potência vocal extraordinária, mas a vida continua e seus companheiros ainda tinham muita lenha a queimar.

Tanto que a banda acaba de anunciar Perdida, o seu sétimo disco completo (o segundo com o novo vocalista Jeff Gutt) para fevereiro do próximo ano. E segundo os integrantes, é um trabalho todo acústico.

Ouça abaixo “Fare Thee Well”, o primeiro aperitivo dessa nova faceta do Stone Temple Pilots.

 

Direto do Forno · Música

Kim Normal – Piece By Piece (Single)

Não foi apenas a mudança de nome que a Kim Normal encontrou para seguir adiante os seu caminho. Ex-No Idea (leia sobre aqui), os antigos parceiros Carl Giannelli e Ethan Williams têm agora a companhia do baixista Conor McCarthy e, na formação de um power trio, a possibilidade de um trabalho melhor elaborado.

Porém, os amantes de um som mais sujo e caseiro podem se decepcionar.

“Piece By Piece” é o primeiro single de On Your Own Wave, LP de estreia do grupo, ainda sem data oficial de lançamento.

Direto do Forno · Música

Helms Alee – Interachnid (Single)

Sem enrolação, “Interachnid” começa certeiro e assim se mantém até o último dos três minutos e vinte e cinco segundos de sua duração. Enquanto o peso da guitarra e baixo distorcidos conduzem a canção, a bateria dança ao fundo do seu próprio jeito.

Esse é o primeiro single de Noctiluca, o novo disco do Helms Alee que está marcado para o dia 26 de abril deste ano, via Sargent House, quase três anos após seu antecessor.

Mais um power trio com referências noventistas que vão do grunge ao stoner rock para ficarmos de olho.

Garimpo · Música

Garimpo: No Idea

Procure no Youtube pelo canal “Vinyl Collector” e surpreenda-se. Dois garotos aparentemente na casa dos 15 anos tocando NA ÍNTEGRA discos como “In Utero” (1993) e “Nevermind” (1991), clássicos absolutos dos anos noventa. Em postagens mais recentes, eles até contam com a participação de um baixista, mas quem toca o projeto mesmo são os dois. Seus nomes são Carl Giannelli e Ethan Williams, e a banda chama-se No Idea.

Se falarmos em lançamentos OFICIAIS, até o momento em que vos escrevo, são apenas dois EP’s, mas o suficiente para apresentar a versatilidade deles.

O primeiro é intitulado “Your Peril”, e deu o ar das graças em 8 de julho de 2017. Apresentado pela própria banda como “ideal para fãs do Queens of the Stone Age/Kyuss, Electric Wizard, Sleep…”, é justamente esse tipo de som que você encontrará. Das quatro canções, três são instrumentais, mas todo o EP é recheado de riffs pesados e uma bateria monstruosa. Ambos os integrantes revezam nos instrumentos, ou seja, Carl e Ethan são multi-instrumentistas, o que garante mais um ponto para eles.

Em “Fungus”, o segundo EP lançado seis meses após seu antecessor, o trabalho é melhor resolvido. Carl Giannelli executa as cordas e canta, e Ethan Williams é o responsável pela bateria.

Também com apenas quatro canções, a sonoridade é muito diferente de “Your Peril”. Agora, temos guitarras menos pesadas, porém, com distorções mais sujas, remetendo às bandas da era de ouro do grunge . Além disso, todas as músicas possuem letras, sendo esse o ponto em que eles ainda podem desenvolver melhor. A julgar pelos vídeos do canal deles no Youtube, a influência do Nirvana e do Green Day (lá dos primórdios) é nítida.

Ver uma banda como o No Idea surgindo, tomando forma e aumentando, mesmo que aos poucos, seu reconhecimento é gratificante. Por serem ainda jovens, o talento deles só tende a ser desenvolvido, e espero ouvir um disco cheio em breve. Em resumo, são dois caras se divertindo fazendo música, buscando uma identidade própria e construindo sua base de admiradores.

Direto do Forno · Música

+2 do Green River

Considerada por muitos como a primeira banda “grunge” (odeio esse termo) antes mesmo deste tornar-se um “movimento”, o Green River durou pouco, mas o suficiente para garantir o respeito merecido. Além, claro, de ter sido o embrião de duas bandas fundamentas da cena de Seattle: o Pearl Jam e o Mudhoney.

Para janeiro do ano que se aproxima, a Sub Pop preparou um material de considerável agrado tanto para os saudosistas, quanto para quem deseja conhecer melhor o som que se fazia no final dos anos 80/início dos anos 90.

“Dry As A Bone”, o segundo EP lançado pelo grupo em 1987, e “Rehab Doll”, único disco cheio que os caras soltaram em 1988, ganharão versões de luxo com material inédito, resgatando a história desse grupo que deu início ao último grande momento do rock ‘n’ roll na história da música.

A Sub Pop disponibilizou até o momento apenas duas canções (oficialmente falando): as já conhecidas pelos fãs “Forever Means” e “This Town”, que apresentam bem o que pode-se esperar desse material que vai chegar: muita sujeira e muito barulho.

Direto do Forno · Música

O novo do Alice in Chains: Rainier Fog

Seria constatar o óbvio afirmar que a sonoridade da banda pode ser divida entre “Antes de Layne Staley” e “Depois de Layne Staley”. A chegada de William DuVall não trouxe somente um exímio vocalista para assumir tal posto, mas também um ótimo guitarrista, que junto a Jerry Cantrell, agregou um peso extra para o som já característico da banda.

“Rainier Fog” é um trabalho homogêneo: se mantém bastante pesado durante todo o seu decorrer. Até mesmo nas canções com um teor mais melancólico, como “Fly” e “Maybe”, os riffs poderosos de Cantrell marcam presença. Aqui, o trabalho vocal entre DuVall e Cantrell está perfeito, como se, enfim, tivesse atingido o ápice do entrosamento.

O ponto forte fica na tríade inicial com “The One You Know”, “Rainier Fog” e “Red Giant”, que abrem os disco de forma primorosa e garantem que o ouvinte não se satisfaça enquanto não terminar de ouvir todo o restante. E no final, a bela “All I Am”, com pouco mais de sete minutos, dá os últimos tons do álbum de forma bem comovente.

É como se “Rainier Fog” trafegasse quase por completo sob uma tempestade furiosa, e terminasse debaixo de uma garoa tranquilizante.

Quando “Black Gives Way To Blue” (2009) foi anunciado, muita gente (ou a maioria?) torceu o nariz. Era inimaginável ver o Alice in Chains sem a presença de Layne. Mas Jerry Cantrell e sua trupe seguiram em frente, deram mais um passo com “The Devil Put Dinosaurs Here” (2013), e agora, com “Rainier Fog” (2018), cravaram de vez a nova formação como uma banda autêntica, com uma identidade própria e que tem muita lenha ainda a queimar.

Garimpo · Música

Garimpo: Tonystark

Não, não estou falando do Homem-de-Ferro, mas sim de uma das bandas mais obscuras que conheço.

Lá nos anos 90, época em que o rock alternativo estourou e várias bandas decidiram sair de suas garagens, algumas deram certo, outras deram sorte, mas a maioria não chegou ao estrelato. Digo maioria porque, como é explicado no documentário “Hype!”, de 1996, graças ao sucesso do Nirvana, muita gente quis pegar carona e achou que era possível ser um rockstar. Porém, não era assim tão simples, e muitos desses garageiros caíram no limbo da música, até mesmo no underground.

O Tonystark foi uma dessas bandas que não duraram muito tempo e quase não há informações na rede. Graças ao Allmusic, que possui uma curta biografia do grupo, podemos ter uma leve noção de sua formação e por onde ele tocou.

Com um som bem cru, influenciado pelo punk e pelo rock alternativo característico dos anos 90, a banda lançou somente um EP com cinco músicas, chamado “High Tech Low Life”, em 1998.

Vale a pena dar uma conferida.