Direto do Forno · Música

Kyle Craft – 2 Ugly 4 NY (Single)

No primeiro riff de “2 Ugly 4 NY” nota-se a referência. A Nova York setentista que foi palco de um dos maiores movimentos musicais ganha uma nova cara com Kyle Craft, acompanhado de uma guitarra crua que percorre a canção junto com seu vocal, que passeia entre o agudo e o rasgado.

O single ganhou um videoclipe onde o artista passeia por vários lugares fantasiado de morte, ou seja, até o visual tem influência de artistas que balançaram a cidade por um tempo, como o New York Dolls e Lou Reed.

Seu disco está marcado para julho deste ano, mais precisamente no dia 12, pela Sub Pop, e será chamado Showboat Honey.

Não se preocupe, Kyle Craft, os Dolls também eram considerados “feios para NY” perante os conservadores, mas, se não fosse eles, talvez você nem tocaria essa música hoje.

Direto do Forno · Música

The Raconteurs – Hey Gyp [Dig The Slowness] (Donovan Cover)

Enquanto Help Us Stranger, o próximo disco do The Raconteurs, não dá as caras, vamos o degustando aos poucos com as três canções já lançadas de forma oficial. A última delas, para ser mais exato, foi disponibilizada hoje e trata-se de um cover.

Jack White e seus parceiros de banda fizeram uma ótima releitura de “Hey Gyp (Dig The Slowness)”, do Donovan, e colocarei ambas abaixo para você fazer seu comparativo. Mas já adianto: o ideal é manter as duas nas suas audições, porque são bastante contagiantes.

Se a original, lá de 1965, embala o ouvinte com seu violão imparável, os Raconteurs agradam por trazer uma explosão de guitarras blues em cima da melodia matriz.

Somente em 21 de junho conheceremos o disco cheio. Ouça “Sunday Driver” e “Now That You’re Gone”, os dois singles anteriores, aqui.

Garimpo · Música

Garimpo: Bobkat’65

Vem da região das Astúrias (ou melhor, do Principado das Astúrias), na Espanha, o trio Bobkat’65, um dos queridinhos da Get Hip Recordings. Composto pela guitarrista e vocalista Ana, a baixista e também vocalista Paula e Diego na bateria, o grupo resgata a alma do garage rock dos anos sessenta e do protopunk no início dos anos setenta. O próprio nome da banda é uma homenagem ao modelo de guitarra Bobkat, famoso naquela época.

Sabe aquele tipo de música que o Tarantino gosta de usar em seus filmes? Pois é, o Bobkat’65 cairia bem em uma de suas películas. As canções são rápidas, geralmente o vocal é dividido entre Ana e Paula e o instrumental é seco, demonstrando a crueza na produção dos trabalhos do trio.

O único disco completo que a banda lançou até hoje chama-se This Lonely Road, lançado em 2017. Outros lançamentos oficiais são o single Gwani/Time, de 2016, e um mais recente, Four Times A Fool​/​Pain Everynight, lançado em dezembro do ano passado. Todos são distribuídos pela Get Hip Recordings e já ecoam pela Europa, promovendo a banda em festivais que ultrapassam as fronteiras de seu país natal.

A maior graça do Bobkat’65 é provar que excessos não são necessários para se fazer música boa. Ouvir todos os trabalhos do trio espanhol em sequência garante bons minutos de diversão.

Direto do Forno · Música

The Black Keys – Lo/Hi (Single)

Após uma pausa de duas semanas por motivos de trabalho/feriado, retorno com o blog com uma pancada inesperada: o novo single do The Black Keys, o primeiro lançamento do duo em cinco anos.

Com o som cada vez mais bem trabalhado e se afastando da crueza dos primeiros álbuns, “Lo/Hi” até brinca com o lo-fi no nome, mas tem na sua fonte o rock dos anos setenta mesclado levemente com o R&B.

Pegue o último disco, “Turn Blue”, lá de 2014, e exclua os excessos psicodélicos. O que se percebe em três minutos de canção é um rock’n’roll de qualidade e amadurecido, que faz falta nos dias de hoje.

Ainda não há nenhuma informação a respeito de um novo disco.

Garimpo · Música

Garimpo: All Them Witches (Ao Vivo na KEXP – 01/02/2019)

Via KEXP, tradicional rádio norte-americana, fevereiro deu as caras em 2019 sob uma trilha sonora misteriosa e contagiante. O convidado na data foi o All Them Witches que, agora como um trio, apresentou algumas canções de “ATW”, disco mais recente do grupo, lançado no último ano.

Em plena forma e sem muita enrolação, a apresentação contou com quatro músicas somente, mas o suficiente para prender o ouvinte e deixá-lo atordoado. Um dos aspectos mais interessantes sobre o All Them Witches é misturar o rock’n’roll com texturas mais sombrias, passeando pelo garage rock, o blues e o stoner, mas sem prender-se totalmente a uma dessas vertentes.

Do tracklist, somente a faixa que encerra o programa, “Blood And Sand/Milk And Endless Waters”, não faz parte do disco “ATW”.

Sobre o trabalho mais recente da banda, escrevi sobre ele aqui.

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Vertical Scratchers – Song of Earth (Single)

Tenho uma admiração imensa por power duos. Os exemplos, porém, são escassos, e por esse motivo, sempre que conheço algum novo, o interesse é instantâneo.

O Vertical Scratchers é Christian Beaulieu na bateria e John Schmersal em todo o restante. Ligados à Merge Records, o duo tem somente um único disco lançado até o momento. “Daughter of Everything” chegou em 2014, com quinze canções (curtas, em sua maioria) que mesclam melodias pop com um quê de garage rock. É um som bem gostoso de ouvir, não tão lo-fi como o Guided By Voices, por exemplo, mas também não tão industrializado, digamos assim.

Após quase meia década, a espera por um novo trabalho parece estar terminando. “Song of Earth” é o nome do novo single da dupla, também disponibilizado pela Merge Records. A estética permanece, porém, agora o fator rock de garagem assumiu uma maior parte da canção, com distorções, solos e a bateria bem firme.

Não há informação sobre um novo disco até o momento, mas, mesmo que por nossa parte, a espera é livre.

 

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Bloodshot Bill – Take Me For a Ride (Single)

Após anos integrando o catálogo da Norton Records, Bloodshot Bill mudou de ares. Agora ele faz parte da Goner Records, e é por lá que “Come Get Your Love Right Now”, seu disco mais recente, sairá do forno em 15 de fevereiro, com o melhor do rockabilly e do surf rock.

Para o novo trabalho, ele soltou um único single até agora, “Take Me For a Ride”, um rock’n’roll de garagem seco e certeiro, com pouco mais de dois minutos de pura animação.

Se você não o conhece, veja essa apresentação do artista canadense na KEXP há pouco mais de um ano, e cuidado para não viciar.

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Cosmic Cave – Ex Hex (Single)

Três mulheres. Guitarra, baixo e bateria. É assim, simples e certeiro, que a Ex Hex mantém suas atividades, agora com um novo disco chegando em março de 2019 pela Merge Records, quase cinco anos após “Rips” (2014).

“It’s Real” é o título do trabalho, e contará com dez canções. A escolhida como primeiro single, “Cosmic Cave”, é dançante, animada e imparável. São três minutos cravados do mais puro rock’n’roll de garagem.

O nome do disco deve ser uma brincadeira com o ouvinte: sim, é real o que você está ouvindo. Difícil mesmo é sair do transe causado por essa primeira e ótima fatia do álbum. Só lamento pela capa: poderia ter sido melhor. Bem melhor.

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Hank Wood and the Hammerheads – HEADS (Single)

Ali no título está single, mas como a própria banda o denomina, “HEADS” é um “2-Song Cassingle“, ou seja, um trabalho de duas canções que terá seu formato físico em fita cassete, resgatando o modo que ouvia-se música algumas décadas atrás.

“You Could Have It” e “I’d Rather Be With Me” são as músicas que compõem esse pequeno projeto, mas que causam um belo estrago (no bom sentido) ao ouvinte. Se juntá-las, são quase cinco minutos de porrada sonora influenciada pelo punk rock e pelo rock de garagem meio The Stooges, com guitarras cortantes e velozes e um vocal bem raivoso.

Seu lançamento foi no início do ano, em 4 de janeiro. Apenas enquanto escrevo esse texto, “HEADS” está sendo repetido pela quarta vez.