Direto do Forno · Música

Cub Scout Bowling Pins – Heaven Beats Iowa (Single)

Duvido que exista alguém tão prolífico em questões artísticas quando Robert Pollard. Não bastasse os vários discos que ele lançou com o Guided By Voices em 2020, o cara também já anunciou mais um projeto paralelo e também soltou o primeiro single dessa empreitada: conheça o Cub Scout Bowling Pins com a canção “Heaven Beats Iowa”, que também levará o nome do primeiro EP do projeto.

Soa como Guided By Voices? Soa. É algo inovador? Não. Mas não importa, é muito bom ver esse camarada na ativa após décadas de carreira e ainda parecendo uma fábrica de canções.

O Cub Scout Bowling Pins lançará seu primeiro EP em 22 de janeiro desse ano.

Direto do Forno · Música

Zombierella – Nuclear Bitch (Single)

Até quando sai do Messer Chups para brincar em suas músicas próprias, Zombierella não foge muito de suas características. O sotaque gélido vindo da Rússia e o dançante ritmo dos anos sessenta continua, dessa vez com alguns incrementos eletrônicos.

Com esse misto, ela lança “Nuclear Bitch”, single que também parecer ser um alter-ego, juntamente com um lado B, nomeado “The Incident On A Nuclear Station”. Sendo bem sincero, não me empolgou muito.

Sua última empreitada solo havia sido em 2018, sob a alcunha de Zombierella’s Tentative Reels.

Direto do Forno · Música

Wax Chattels – No Ties (Single)

A Wax Chattels é uma banda da Nova Zelândia que prepara o lançamento de seu segundo disco de estúdio, Clot, para o final de setembro desse ano, através do selo Captured Tracks.

A banda faz um post-punk agitado e raivoso, bem resumido em “No Ties”, o primeiro single desse novo trabalho. São dois minutos de porrada, o tipo de música que não rodeia e vai direto ao ponto, na mira certa onde quer chegar.

Por ser um trio, o charme vai um pouco além, pois para fazer um petardo desse com apenas uma guitarra, baixo e bateria, é porque seus integrantes são competentes.

 

Direto do Forno · Música

O novo do Iggy Pop: Free

A parceria com Josh Homme parece ter feito bem para a mente de Iggy Pop. Passados três anos desde Post Pop Depression, eis que chega ao mundo Free, seu décimo oitavo disco em carreira solo, com uma banda renovada e um estilo diferente.

As guitarras foram deixadas de lado e metais tornaram-se os fios condutores do álbum, uma semelhança com Blackstar, do David Bowie, que o ouvinte mais atento notará com facilidade. Além disso, o ar melancólico e meio noir traz uma faceta de Iggy que contrasta com sua figura selvagem e raivosa.

Após a abertura com a faixa-título, onde o artista escancara seu desejo de liberdade com um instrumental quase ambient, a trinca dançante happy-sad “Loves Missing”, “Sonali” e “James Bond” vem logo em seguida como o ponto mais alto do disco, sendo a última, talvez, uma das melhores canções de toda sua carreira.

Na segunda metade, o disco entra em uma espiral depressiva. A exagerada “Dirty Sanchez” não é tão atrativa, mas “Glow In The Dark” compensa em sequência. Para os fãs de poesia, “We Are The People”, com letra do Lou Reed, “Do Not Go Gentle Into That Good Night” (um poema de Dylan Thomas) e “The Dawn” são três peças de spoken word que finalizam o álbum de forma primorosa.

Com uma carreira de cinco décadas, Iggy Pop não precisa mais da aprovação de ninguém e pode fazer o que bem entender com sua música. Ele é livre, e tal liberdade nos brindou com um disco de alto nível. Como eu disse há alguns meses, que esse não seja o seu epitáfio, como Blackstar foi para seu amigo Bowie.

1. Free
2. Loves Missing
3. Sonali
4. James Bond
5. Dirty Sanchez
6. Glow in the Dark
7. Page
8. We Are the People
9. Do Not Go Gentle Into That Good Night
10. The Dawn

 

Garimpo · Música

Ex:Re, Ex Hex e FEELS

Três discos de grupos da atualidade (e liderados por mulheres) para ficar de olho.

O Ex:Re, projeto da Elena Tonra (Daughter) é mais melancólico, enquanto o Ex Hex e o FEELS são mais sujos.

São discos que funcionam em qualquer momento, seja no trajeto para o trabalho ou no conforto do seu sofá. Ou da cama, se preferir.

O repeat é garantido.

Ex:Re – Ex:Re

Ex Hex – It’s Real

FEELS – Post Earth

 

 

Direto do Forno · Música

Slift – 2016: Spacetrip For Everyone (EP)

Um compilado muito interessante saiu pelo selo francês Six Tonnes de Chair Records no final de maio. Para quem gosta de música viajante, é um prato cheio.

O Slift é um conjunto de Toulouse, na França, que produz um som space-psych-garage altamente recomendado. Enquanto a bateria e o baixo dão andamento às canções, as guitarras tratam de elevar o ouvinte a outra dimensão com muitos efeitos, repetições e barulhos que parecem ecoar direto de um planeta distante.

2016: Spacetrip For Everyone é um EP com três demos gravadas em 2016 e que nunca foram lançadas antes. Com todas passando dos cinco minutos de duração e como o próprio nome diz, é uma viagem intergalática.

É colocar para tocar e decolar.

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Kyle Craft – 2 Ugly 4 NY (Single)

No primeiro riff de “2 Ugly 4 NY” nota-se a referência. A Nova York setentista que foi palco de um dos maiores movimentos musicais ganha uma nova cara com Kyle Craft, acompanhado de uma guitarra crua que percorre a canção junto com seu vocal, que passeia entre o agudo e o rasgado.

O single ganhou um videoclipe onde o artista passeia por vários lugares fantasiado de morte, ou seja, até o visual tem influência de artistas que balançaram a cidade por um tempo, como o New York Dolls e Lou Reed.

Seu disco está marcado para julho deste ano, mais precisamente no dia 12, pela Sub Pop, e será chamado Showboat Honey.

Não se preocupe, Kyle Craft, os Dolls também eram considerados “feios para NY” perante os conservadores, mas, se não fosse eles, talvez você nem tocaria essa música hoje.

Direto do Forno · Música

The Raconteurs – Hey Gyp [Dig The Slowness] (Donovan Cover)

Enquanto Help Us Stranger, o próximo disco do The Raconteurs, não dá as caras, vamos o degustando aos poucos com as três canções já lançadas de forma oficial. A última delas, para ser mais exato, foi disponibilizada hoje e trata-se de um cover.

Jack White e seus parceiros de banda fizeram uma ótima releitura de “Hey Gyp (Dig The Slowness)”, do Donovan, e colocarei ambas abaixo para você fazer seu comparativo. Mas já adianto: o ideal é manter as duas nas suas audições, porque são bastante contagiantes.

Se a original, lá de 1965, embala o ouvinte com seu violão imparável, os Raconteurs agradam por trazer uma explosão de guitarras blues em cima da melodia matriz.

Somente em 21 de junho conheceremos o disco cheio. Ouça “Sunday Driver” e “Now That You’re Gone”, os dois singles anteriores, aqui.

Garimpo · Música

Garimpo: Bobkat’65

Vem da região das Astúrias (ou melhor, do Principado das Astúrias), na Espanha, o trio Bobkat’65, um dos queridinhos da Get Hip Recordings. Composto pela guitarrista e vocalista Ana, a baixista e também vocalista Paula e Diego na bateria, o grupo resgata a alma do garage rock dos anos sessenta e do protopunk no início dos anos setenta. O próprio nome da banda é uma homenagem ao modelo de guitarra Bobkat, famoso naquela época.

Sabe aquele tipo de música que o Tarantino gosta de usar em seus filmes? Pois é, o Bobkat’65 cairia bem em uma de suas películas. As canções são rápidas, geralmente o vocal é dividido entre Ana e Paula e o instrumental é seco, demonstrando a crueza na produção dos trabalhos do trio.

O único disco completo que a banda lançou até hoje chama-se This Lonely Road, lançado em 2017. Outros lançamentos oficiais são o single Gwani/Time, de 2016, e um mais recente, Four Times A Fool​/​Pain Everynight, lançado em dezembro do ano passado. Todos são distribuídos pela Get Hip Recordings e já ecoam pela Europa, promovendo a banda em festivais que ultrapassam as fronteiras de seu país natal.

A maior graça do Bobkat’65 é provar que excessos não são necessários para se fazer música boa. Ouvir todos os trabalhos do trio espanhol em sequência garante bons minutos de diversão.