Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #13: Grande Otero e a Imprensa

Tá quase fechado o negócio entre o Galo e o Corinthians envolvendo o meio-campista venezuelano Otero, que ficou sem espaço no clube mineiro após a chegada do Sampaoli.

A imprensa está a todo vapor com tal transação, com muitos jornalistas afirmando como o Corinthians está fazendo um excelente negócio e que o Otero vai chegar pra ser titular. Calma, pessoal, ele não é tudo isso.

Eu sou atleticano e vejo os jogos, e afirmo: Otero não é tudo isso que aparece nos highlights. Nem de longe.

Ele bate falta bem? Sim, demais, é um exímio cobrador, mas são dez cobranças para um gol, praticamente. Mais nada. Não dribla, não cria uma jogada. Ele tem raça, vontade, corre demais durante o jogo, mas não é o suficiente para esse endeusamento todo.

Para mim, as opiniões desses “especialistas” só provam o quanto esses caras são mal informados e se baseiam em vídeos de “melhores momentos” para justificar seus argumentos.

Deixa o Otero chegar lá e vocês verão. A corneta vai soar sem parar nas primeiras partidas em que o encanto desaparecer.

Língua Presa · Música · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #12: Bring It On Down

Futebol e música andam de mãos dadas tem um bom tempo. Canções de torcida, hinos, músicas na cultura pop (tem aquela do Skank, tem a do Fio Maravilha, etc.), enfim, o que não faltam são exemplos de como essas duas paixões se unem.

Tem um caso que gosto bastante, que é o fanatismo dos irmãos Gallagher pelo Manchester City. Pode-se dizer que ali são torcedores raiz mesmo, daqueles que apoiam o clube em qualquer momento e que odeiam com todas as forças o maior rival.

Tava assistindo hoje Manchester City x Real Madrid pela Champions League e como os jogos estão ocorrendo de portões fechados, dá pra ouvir quase tudo que se fala em campo. Durante o intervalo da partida, deu pra ouvir que nos alto-falantes do Etihad Stadium tava tocando “Bring It On Down”, uma das músicas mais rock’n’roll do Oasis, presente no Definitely Maybe, de 1994.

Não dá pra afirmar que isso afetou em algo, mas o City venceu por 2×1 e avançou de fase. E para mim, é um dos candidatos mais fortes ao título, apesar de não gostar nem um pouco dele e da outra modinha chamada PSG, também um forte candidato.

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #11: Garrincha no Vox Populi

Considero-me um cara ainda jovem, com vinte e sete anos recém completados. Comecei a acompanhar futebol para valer, com lembranças, torcida e tudo mais, em 2006, ano em que o Atlético Mineiro disputou a Série B. O que era para ser motivo de vergonha para muitos, foi a comprovação de uma lealdade e a firmação daquilo que acredito ser atleticano. E tenho certeza que muitos sentem o mesmo.

De 2006 pra cá, vi times encantadores. Vi o Barcelona de 2009, que ganhou TUDO que disputou, a Espanha bi-campeã européia e campeã mundial, o Galo de 13/14, enfim, são alguns exemplos. Tiveram muitos outros, claro. Sem falar no privilégio em presenciar o auge de dois dos maiores jogadores de todos os tempos, Messi e Cristiano Ronaldo.

Apesar de ser novo, minha alma pertence a épocas passadas. Tenho uma paixão inexplicável pelas décadas que não vivi, principalmente quando o assunto é futebol. Entro em devaneios quando imagino aquele futebol cascudo, truncado, times tão bem falados ainda nos dias atuais, como o Flamengo do Zico, o Atlético de Reinaldo, a Seleção Brasileira de 1970, Santos e Botafogo dos anos sessenta, e por aí vai. E um dos meus personagens favoritos desse tempo é o Garrincha, pelas jogadas inovadoras para a época. Os cortes secos, muitas vezes repetitivos, mas que os marcadores sempre caíam. E claro, sua estrela em duas Copas do Mundo.

Vi há poucos dias uma entrevista do Mané no programa Vox Populi, na TV Cultura, de 1978, salvo engano. A qualidade é de um nível que não se vê em entrevistas de jogadores nos dias atuais. Garrincha responde questionamentos variados, que vão de sua carreira a assuntos mais delicados, como situação financeira, vícios e separações. E o melhor de tudo, com exceção de uma ou outra pergunta que ele rodeia, o cara não nega a chance de resposta.

Pegue qualquer jogador brasileiro de hoje e imagine uma entrevista com ele. Os assuntos provavelmente seriam bens materiais, mulheres, idiotices de rede social e só ladeira abaixo. E as respostas? Bem, se houvesse alguma, todas passariam pelo exame do assessor antes. Uma lástima. Chega a dar tristeza perceber como nosso nível caiu tanto, dentro e fora do campo.

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #02: Masoquismo

No final de semana retrasado, assisti um jogaço da Bundesliga: Hertha Berlim 2×3 Borussia Dortmund. Fora de casa, os auri-negros venceram de virada e com um gol nos acréscimos, depois de tanto martelar o adversário. O jogo foi ótimo porque foi movimentado, com duas equipes bem armadas, que sabiam trocar passes e buscavam o gol a todo instante. Venceu a melhor.

Alguns dias antes, no final de fevereiro, assisti cerca de quinze minutos de Boavista x Madureira, transmitido pelo Sportv para TODO O BRASIL, pelo desastroso Campeonato Carioca. Meus olhos chegaram a doer, de tão ruim que foi a experiência. Os times não conseguiam trocar mais do que três passes até darem algum chutão para frente, sem falar na péssima pontaria dos jogadores. Ainda assim, a cada equipe conseguiu fazer um gol cada. Não vi nenhum deles.

Outra partida que acompanhei por alguns minutos foi Atibaia x Portuguesa, pela Série A2 do Paulistão, também com transmissão NACIONAL pelo canal global. Com chuva, esse jogo foi ainda pior. E olha que São Paulo tem, ao meu ver, o melhor futebol do interior. Ficou 1×2 para a Lusa, que consegue se afundar cada vez mais, ano após ano.

Sei que é engraçado admitir isso, mas mesmo com todas as críticas, gosto dos Estaduais. Sinto falta deles quando chega nessa época do nosso calendário futebolístico, onde a maioria dos campeonatos já estão nas fases finais. É divertido ver esses jogos com técnica zero, zagueiros truncados, atacantes que se acham craques e gramados terríveis. Lembra dos jogos que eu ia no Mamudão, em Governador Valadares-MG, acompanhar os jogos do Democrata pelo Campeonato Mineiro. É nessas partidas que temos o tio da pipoca, da batata seca, do torcedor do rádio de pilha e mais um monte desses clássicos personagens que fazem o futebol ser tão apaixonante.

Prefiro pagar vintão num ingresso para assistir Democrata x Ipatinga (clássico do leste mineiro que já vi debaixo de uma forte chuva e que perdemos em casa por 1×4) do que acompanhar um clássico inglês sentado, como se estivesse num teatro.

Gostar dos Estaduais é gostar de sofrer. Só pode ser masoquismo.