Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #00: O Futebol Cearense em 2018

Estava esperando o início da temporada 2019 para dar o pontapé inicial na coluna “Não Ao Futebol Moderno” aqui no blog, onde pretendo discorrer sobre o futebol brasileiro na sua mais pura essência, longe da modernização que ele sofreu nos últimos anos.

Porém, faço aqui uma espécie de abertura não-oficial (um protótipo) da coluna para falar sobre os feitos do futebol cearense em 2018 que, creio eu, seja motivo de muito orgulho para o estado e que deixaram-me encantados. Afinal, eles abocanharam nada menos do que DOIS TÍTULOS NACIONAIS nesse ano, um feito gigante para uma terra que possui times de muita tradição, mas que, no campo, o cenário foi muito duro nas últimas temporadas.

O primeiro dos dois títulos foi do Ferroviário, que sagrou-se campeão nacional da Série D, vencendo o Treze-PB na final. O Ferrão, como é conhecido, estava na fila há 23 anos sem um título sequer, e quebrou a sequência incômoda logo com um campeonato a nível nacional. Perdeu em Campina Grande-PB por 1×0 e sapecou 3×0 na volta, em Fortaleza-CE.

Considerado por muitos como a terceira força do estado, o clube agora busca ascender ainda mais em âmbito nacional, já que disputará a terceira divisão no próximo ano. Seria importante também quebrar o jejum de títulos estaduais, já que o último, conforme dito acima, foi vencido há mais de duas décadas.


Fonte: Site oficial do Ferroviário Atlético Clube

Um dos rivais do Ferroviário, o Fortaleza também levantou um caneco nacional esse ano, só que ainda mais expressivo. O time comandado por Rogério Ceni sagrou-se CAMPEÃO BRASILEIRO DA SÉRIE B em pleno centenário, o primeiro título do clube na competição, após ser vice por duas oportunidades. Também marca o debut de títulos de Rogério em sua nova função.

Com uma campanha irretocável, o clube se manteve no topo praticamente por toda o campeonato, e martelou o título ao vencer o Avaí-SC, lá na Ressacada, por 0x1, com um gol no último lance da partida. E essa foi uma das forças do Fortaleza na série B: as partidas fora de casa. O time foi um ótimo visitante, vide a partida contra o Guarani-SP em Campinas, vencida pelos cearenses por 2×3, após estarem perdendo por 2×0.

A expectativa agora, não só dos torcedores, mas também dos jornalistas e das pessoas que acompanham o futebol nacional, é saber se a equipe terá forças o suficiente para uma boa campanha na primeira divisão nacional no ano que vem.


Fonte: O Povo Online

Além dos feitos extraordinários das duas equipes que compõem o tradicional Clássico das Cores, devemos também prestigiar o Ceará, que, aparentemente, tem plenas condições de permanecer na série A do ano que vem. Assim, teremos mais um grande clássico movimentando o Campeonato Brasileiro.

Fica também a torcida para que o CSA-AL consiga o seu acesso no próximo final de semana, quando visita o já rebaixado Juventude-RS lá em Caxias e depende apenas de si para carimbar a sua promoção à Série A de 2019. Convenhamos que, após passar quase o campeonato por completo no G4, ficar de fora seria uma grande tragédia.

Portanto, viva o futebol nordestino e que cada vez mais clubes de outros estados possam arrancar do eixo Rio-São Paulo as frentes do cenário futebolístico brasileiro.

Não ao futebol moderno!

Crônicas

Fortaleza

Preciso ser honesto: isso é mais que um texto. É uma ferida aberta, escancarada e que ainda não cicatrizou. Vai demorar ainda. Porém, não é um lamento. Neste exato momento que o escrevo, faz nove dias que perdi minha mãe. Ela faleceu em um acidente de ônibus bem aqui ao lado, no Tocantins. Não há palavras para explicar a situação ou o que sinto. Nem precisa. Só que é preciso colocar tudo para fora, expurgar todo o sentimento ruim para ajudar a colocar tudo de volta no lugar. Tudo.

Não busco mais aqueles “e se?”, nem justificativas. Tampouco culpados. É melhor lembrar os momentos que passamos. A minha infância, as mudanças de cidade (foram várias), o retorno a Minas Gerais, o falecimento do meu pai e como nos tornamos ainda mais próximos, a mudança de rumos na vida e os vários reencontros. Tem muita história e sempre dá para tirar uma lição. Sempre.

Habitualmente, a música fez parte de toda essa trajetória. Não ouvíamos as mesmas coisas, mas hora ou outra havia algo em comum, como o Oasis. Ela acabou gostando, pois eu ouvia sem parar todos os dias durante a adolescência. Ao lado do Nirvana, era minha banda favorita. Uma música em especial ficou marcada: “Rockin’ Chair”. Ela adorava o refrão, mesmo sem entender uma única palavra. Realmente, a energia da música é contagiante e, nesse caso, entendê-la acaba sendo desnecessário. Depois do acontecimento, não consegui mais ouvi-la, acho que por medo da dor vir muito forte e eu não saber como reagir. Mas uma hora vou ter que encarar. A vida continua.

Lembro que um de seus maiores sonhos (se não o maior) era conhecer Fortaleza, capital cearense. Nunca soube o motivo e nem ela mesma sabia explicar tal vontade, mas tinha e em algum dia se tornaria real. Talvez essa tenha sido a dor maior: os planos que permaneceram somente no papel. Mas, pensando bem, o sonho de conhecer a cidade acabou se tornando realidade. De certa forma, ela foi não só a minha, mas a Fortaleza de muita gente.