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Joe Pesci em “Goodfellas”: “Funny how?”

“Goodfellas” (“Os Bons Companheiros” no Brasil) é um dos filmes mais aclamados de Martin Scorsese. Lançado em 1990, apresenta Ray Liotta em sua melhor forma como o protagonista da película e Robert De Niro dispensa comentários, mas é Joe Pesci que rouba a cena com uma atuação espetacular.

Apesar de não ser meu filme favorito do diretor (nem o segundo, nem o terceiro), a cena em que o personagem de Pesci, Tommy DeVito, finge estar irritado com um comentário feito por Henry, personagem de Ray Liotta, é uma das mais hilárias que já vi. Tensa e engraçada ao mesmo tempo. Filmes de comédia, cuja natureza é justamente fazer o espectador rir, não atingem tal feito como o “funny how” de Joe Pesci. Confira abaixo e assista o filme, pois não irá se arrepender.

 

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+1 Filme: Boneco de Neve

Nem Michael Fassbender conseguiu salvar a bomba que é o filme “Boneco de Neve”, baseado no ótimo livro do norueguês Jon Nesbo.

A obra impressa, que é narrada em terceira pessoa e alterna capítulos passados no presente e alguns flashbacks, conta a história de Harry Hole, um dos melhores (se não o melhor) detetives da polícia norueguesa e único do país a capturar um serial killer (isso na Austrália, se a memória não estiver falha) e Katrine Bratt, sua nova parceira de investigação, na busca ao chamado “Boneco de Neve”, suspeito de ser o primeiro serial killer a atuar na Noruega.

O livro surpreende com uma exuberante riqueza em detalhes, personagens muito bem desenvolvidos e momentos de pura tensão, enquanto o filme peca ao conduzir a história de forma rasa e simplória, deixando de lado o suspense (praticamente inexistente) e adotando uma forma mais direta em desenrolar os acontecimentos.

“Boneco de Neve” foi a terceira aventura que fiz no campo da literatura policial e, por coincidência, todas foram adaptadas ao cinema. Porém, ao contrário de “Boneco de Neve”, as outras duas histórias foram muito bem contadas na sétima arte.

Uma delas é “O Colecionador de Ossos”, onde acompanhamos Lincoln Rhyme, um brilhante investigador cuja carreira é interrompida após um acidente que o deixa tetraplégico. Porém, com a mente ainda funcionando, ele utiliza todo o seu conhecimento e percepção na busca pelo assassino que está assustando a população com métodos não-convencionais para levar suas vítimas à morte, tendo como base a Nova York do início do século 20. O filme baseado no livro tem a presença de Denzel Washington e Angelina Jolie nos papéis principais e é muito bom.

A outra é nada menos que “O Silêncio dos Inocentes”, um clássico absoluto do cinema. Aqui temos Clarice Starling, uma ainda novata do FBI que, a partir de conversas com o psiquiatra/psicopata Dr. Hannibal Lecter, investiga pistas para encontrar Buffalo Bill, um serial killer que esfola mulheres e as despeja em rios por vários estados diferentes. A atuação magistral de Anthony Hopkins como Lecter tornou o vilão um ícone da cultura pop.

É certo assumir certa injustiça ao exigir que um filme de duas horas consiga extrair por completo um tijolo de 418 páginas, mas o diretor Tomas Alfredson poderia, sim, ter contado a história de forma mais fiel e intensa quanto o livro, assim como os diretores de “O Colecionador de Ossos” e “O Silêncio dos Inocentes” fizeram. Decorrer uma investigação de modo tão raso e monótono foi como derreter o próprio boneco antes mesmo que ele tivesse alguma forma.

Os três livros eu encontrei na Americanas de LEM e todos com um ótimo preço, numa época em que a loja não estava infestada de livros de auto-ajuda e “biografias” de youtubers. Já os filmes, digamos que utilizei formas “alternativas” para assisti-los.

(O link do texto no blog da Immagine está aqui.)

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Pai e Filho

(Meu mais recente texto para o blog da Immagine. Link aqui.)

Filmes de super-heróis estão cada vez mais presentes nas salas de cinema. Desde histórias que contam suas origens, a inserção deles em meio à sociedade, até as super-alianças com outros heróis combatendo forças megalomaníacas que ameaçam acabar com o planeta. Tem espaço para tudo. Só o Homem-Aranha, meu preferido da Marvel, está em três “universos” diferentes. O Batman, meu favorito de todos, idem. Mas eu gostaria mesmo é de falar sobre David Dunn, o herói “humano” de “Corpo Fechado”.

Digo “humano” porque é assim que ele nos é apresentado. Em “Corpo Fechado”, David é o único sobrevivente de um trágico acidente de trem. Além disso, ele passa ileso pelo acontecimento, sem um arranhão sequer. A partir daí, com a “ajuda” de seu futuro arquiinimigo, Mr. Glass, ele começa a descobrir e entender seus poderes sobrenaturais e o tamanho da responsabilidade que isso o traz. Só que antes de todo esse desdobramento, o protagonista da história nos é apresentado como um ser humano comum. Um homem cujo casamento está por um fio e está triste a todo tempo. Seu semblante é de derrota na maior parte das cenas. Sua postura, cabisbaixa, como se um peso habitasse seus ombros.

Diante desse fator humano/social, o que muito me chamou atenção foi o seu relacionamento com Joseph, seu filho, o que parece ser seu único conforto. E que não deixa de ser um conforto também para o menino, já que ele vive em meio à tensão do relacionamento dos pais. No primeiro encontro entre David (acompanhado pelo garoto) e Mr. Glass, por exemplo, onde a teoria de que ele seria um super-herói é apresentada, Joseph fica maravilhado com a possiblidade. Tanto que o menino leva a sério as explicações de Mr. Glass, enquanto David se mantém totalmente desacreditado (por enquanto).

Uma cena mais adiante reforça esse encantamento do garoto pelo pai: a cena dos exercícios.

David acaba de chegar do trabalho e é recebido pelo filho, que abandona os amigos para acompanhar o pai nos seus exercícios de rotina. O garoto é o responsável por colocar os pesos na barra para que ele possa levantar. Diante da possibilidade de ser realmente um super-herói, David pede a Joseph que ele coloque mais peso. Ele consegue levantar, e pede para que o menino coloque mais. A situação se repete mais algumas vezes, até o espanto de ambos: sem mais pesos para serem acrescentados à barra, eles improvisam algumas latas de tinta amarradas na mesma. Cerca de 250 quilos. E David as levanta, enquanto sua descrença começa a se desfazer.

A partir daí, não cabe a mim desenrolar todos os acontecimentos, mas considerando somente a relação entre pai e filho, preciso citar esse momento: a descoberta do garoto.

Após David realizar a sua primeira investida como um super-herói de verdade, a notícia de seu feito corre pela cidade feito vento. Os jornais a estampam em suas páginas. Em pleno café da manhã, David mostra uma dessas páginas ao filho, que, muito emocionado, não contém as lágrimas. David pede para que ele não reaja e o garoto obedece. Porém, não havia mais volta: a partir de agora, David Dunn era realmente um super-herói e tinha uma responsabilidade.

Mas vejo por outro ponto: desde o início do filme, Joseph já o via como tal, desde quando ele era aquele homem cabisbaixo e entristecido. Assim como, creio eu, a maioria dos filhos consideram os seus pais. Como heróis.

“Corpo Fechado” foi lançado na virada do milênio, em 2000. Foi escrito, dirigido e produzido por M. Night Shyamalan, sucedendo “O Sexto Sentido”. Ele faz parte de uma trilogia composta por “Fragmentado”, lançado em 2016 e “Glass”, cujo lançamento está marcado para o próximo ano.