Direto do Forno · Música

Thurston Moore – Cantaloupe (Single)

A primeira coisa que veio à minha mente quando ouvi os primeiros segundos de “Cantaloupe”, do Thurston Moore, foi a lembrança de alguns hits noventistas do Sonic Youth, principalmente “Sugar Kane”.

“Ah, mas é óbvio, Moore era um dos integrantes da banda”, você pode pensar, mas mesmo assim, foi inevitável.

Fato é que a guitarra desse camarada é irresistível e “Cantaloupe” é uma canção potente, agressiva e cool na medida certa. Ela é mais um single de By The Fire, o próximo disco solo do Thurston Moore, que sai no dia 25 de setembro desse ano.

Garimpo · Língua Presa · Música

Redescobrindo o Suede

Meu primeiro contato com o Suede foi numa apresentação dos caras no programa do Jools Holland, em 1994, época do então recém-lançado Dog Man Star. Isso tem muitos anos, como também fazia muitos anos que eu não ouvia a banda de novo. Sem motivo algum, havia criado em minha cabeça uma espécie de bloqueio em relação ao Suede.

Bom, nas últimas semanas, estava navegando internet afora e deparei-me com uma postagem do Scream & Yell sobre a banda. Aquele post despertou uma curiosidade em redescobrir o Suede para, enfim, ter uma opinião bem formada em relação ao grupo. O resultado dessa redescoberta é que já faz umas duas semanas (ou mais) que o disco que inicia meus dias é o Dog Man Star.

Melancólico, o álbum possui doze canções ao todo e NENHUMA É DISPENSÁVEL. A hipnótica “Introducing The Band”, quase um mantra, é o abre-alas para um conjunto de músicas cujas referências abrangem o glam rock feito pelo David Bowie no início dos anos setenta, como “The Power” e “New Generation”, odes à ícones do cinema, como “Heroine” (Marilyn Monroe) e “Daddy’s Speeding” (James Dean), baladas bastante emotivas, vide “The 2 of Us” e “Black Or Blue” e até música clássica, no desfecho em “Still Life”.

“We Are The Pigs” e “The Wild Ones” foram os principais singles do disco e são suas melhores canções, flertando o rock’n’roll com um forte apelo pop. “The Asphalt World” é a mais experimental, com pouco mais de nove minutos de duração. Ela vem em sequência das duas baladas e possui uma longa passagem instrumental, quase que lisérgica, renovando o tom do disco às alturas até a última canção.

A banda em si é muito afiada, as linhas de guitarra são algo que se o ouvinte escutar com atenção, verá que são muito acima da média, mas o que me pegou em cheio foi a voz do Brett Anderson e sua figura elegante, bem vestida, como se ele estivesse acima de tudo o que está acontecendo durante as músicas.

A versão de luxo de Dog Man Star possui algumas demos e canções extras e também vale a pena dar uma conferida.

É um disco para dar play e colocar no repeat, pois a cada audição, detalhes e mais detalhes antes despercebidos começam a ficar claros e só engrandecem ainda mais a produção. Como disse acima, faz semanas que ele abre minhas audições diárias e, sem exageros, ele é capaz de tornar os dias um pouco menos pesados. Afinal, essa é uma das maiores belezas da música, não?

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Garimpo: Black Taffy – Sad Day

Em meio a uma variedade de lives um tanto quanto questionáveis, alguns artistas seguem outra direção para continuar apresentando ao público o seu trabalho, principalmente no meio independente.

Escrevi sobre o Spotlights e o plano para lançar covers semanalmente e o Malcontent disponibilizando o áudio de uma apresentação ao vivo. Agora é a vez do Black Taffy e seu Sad Day.

Também oriundo de uma performance ao vivo, o disco é divido em dois lados, cada qual com seu setlist. A música do Black Taffy surfa na onda do trip hop, com um ar melancólico, relaxante e assombroso, o que a torna encantadora.

Para uma madrugada chuvosa, o que é o caso aqui no oeste baiano, é a indicação ideal.

Detalhe: os lançamentos citados são todos no formato pague o quanto quiser. Se não quiser pagar, é só fazer o download de forma gratuita.

Lado A:
1. nothing can come between us
2. turn my back on you
3. lovers rock
4. flow
5. siempre hay esperanza
6. haunt me

Lado B:
1. mermaid
2. king of sorrow
3. by your side
4. war of the hearts
5. hang on to your love

Garimpo · Música

Terrapin

Faixa de abertura de The Madcap Laughs, a obra-prima de Syd Barrett lançada em 1970, “Terrapin” é uma das maiores criações do músico em sua carreira solo. Em tempos de quarentena, Syd tem sido uma de minhas melhores companhias e sua voz ecoa pelas paredes da casa há alguns dias, e tenho ouvido “Terrapin” exaustivamente.

Por ter formato acústico, quis aprender a tocá-la. Não é tão difícil, apesar de possuir algumas sequências de acordes não muito convencionais em alguns trechos. Por isso Syd Barrett está no hall dos grandes artistas da história, por fugir do convencional, experimentar, ousar em suas criações.

Ao pesquisar tutoriais e tablaturas, deparei-me com duas surpresas. A primeira, um cover de David Gilmour presente em seu DVD In Concert, lançado em 2002. A segunda, uma estranha versão dos Smashing Pumpkins, de 1992, cantada por James Iha.

Vale conferir pela curiosidade, mas nada substitui a crueza e a beleza da original.

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Tricky + Goldfrapp + Smashing Pumpkins

Tricky sempre foi certeiro na escolha de suas parcerias musicais. Sua lista é grande: tem a longeva dupla com Martina Topley-Bird, PJ Harvey, Björk e até os caras do Red Hot Chili Peppers. Caberia mais algumas linhas para citar as colaborações com artistas menos conhecidos, e não que elas também não sejam importantes, mas não quero estender o texto.

Em 1995, saiu Maxinquaye, o mais aclamado disco do cara, um daqueles álbuns capaz de mudar a vida de alguém. A música “Pumpkin” (minha favorita) é tão sexy quanto nebulosa, e tem participação de uma então desconhecida Alisson Goldfrapp, que brilha em seus versos de forma magistral.

Interessante é que a canção possui um sample de “Suffer”, dos Smashing Pumpkins, aí a referência em seu título. A peça é uma amostra da imensa criatividade de Tricky na hora de desenvolver as suas músicas.

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+2 do Swans

Na sexta-feira da próxima semana chega ao mundo leaving meaning, o décimo-quinto álbum de estúdio do Swans, uma das bandas mais devastadoras (emocionalmente falando) que descobri esse ano.

Até o exato momento, conhecemos somente dois pedaços do disco: “It’s Coming It’s Real” e “The Hanging Man”, ambas com um ar fantasmagórico e angustiante. Destaco o jogo percussivo da segunda, bem interessante mesmo.

Michael Gira segue certeiro em sua trajetória.

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B3

Já faz um bom tempo que o Placebo não lança algo relevante em sua discografia. Da estreia em 1996 até Sleeping With Ghosts (2003), foram quatro ótimos álbuns, incluindo o clássico e insuperável Without You I’m Nothing (1998). Porém, desde então, nada mais relevante saiu do forno do projeto de Brian Molko e Stefan Olsdal (mais algum baterista).

Nesse tempo, foram três discos medianos, dois EP’s, um álbum de covers e registros ao vivo. Considerando apenas esse material instável e bem abaixo da média, retiro um curto trabalho solto em 2012 e que merece uma atenção diferenciada: o EP B3.

São apenas cinco faixas (uma dela é um cover) e que resgatam o brilho tanto instrumental quanto lirista da banda. Molko abre o seu coração e expõe suas angústias como poucos artistas o fazem, vide canções como “The Extra” e a faixa-título, essa última no famoso esquema de versos calmos e refrão mais vibrante.

 

 

Mas o grande destaque do EP é “I Know Where You Live”, que em seu último minuto ganha uma explosão de cordas distorcidas e uma bateria muito forte, em um space rock capaz de levar o ouvinte para fora de si durante a audição.

Não vejo notícias da banda há algum tempo, e mesmo sem a confirmação, parece que os caras estão dando um tempo. Que esse tempo sirva para que Molko coloque as ideias de forma organizada (ou não) e que um novo trabalho saia em breve. Até o Tool já saiu da fila…

 

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Complemento: Iggy Pop – Sonali (Single)

Engraçado, poucos minutos após o compilado de singles do último post, eis que Iggy Pop resolve nos presentear com mais um aperitivo do seu próximo álbum: “Sonali”.

Curioso é que “Sonali” é o terceiro single do futuro disco e é a melhor canção liberada até agora.

Mais curioso ainda é que Free (o disco) apresenta uma faceta mais experimental do mestre. Mais um para entrar naquela lista de artistas que ficaram ainda melhores com o passar dos anos.

No dia 6 de setembro confirmaremos a expectativa. Ou não.

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Mais Alguns Singles

Mudando um pouco o formato para sair da mesmice, deixo abaixo alguns singles recentes que valem a pena o leitor conferir.

O Ruby Haunt, que já falei sobre aqui no blog algumas vezes, está com um disco saindo do forno e há alguns dias soltou o terceiro single desse projeto, “Curtain Call”. A canção segue a mesma ambientação nostálgica e melancólica das anteriores, do jeito que eu gosto.

Também com um terceiro single disponível, a parceria entre Mike Patton e Jean-Claude Vannier tem o suficiente para ser um dos trabalhos mais interessantes do ano. Versáteis e altamente criativos, a peça da vez é “Browning”. O álbum completo será lançado no dia 13 do próximo mês.

Por último, uma banda que ganhou status de cult nos últimos anos aqui na internet, a Cigarettes After Sex pode soar bem deprê no começo da audição, mas aos poucos o clima de intensa tristeza é absorvido e torna-se apreço. Etérea, calma e bem produzido, o som da banda remete ao Ruby Haunt, o que é um baita de um elogio.

“Heavenly” é a primeira amostra de Cry, o próximo trabalho do conjunto e que ganhará vida em 25 de outubro.

 

Há quem diga que não se fazem mais músicas boas como antigamente. Eu digo que é preguiça de procurar.

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Garimpo: The Brian Jonestown Massacre Ao Vivo em Londres (2018, Cardinal Sessions)

Em outubro de 2018, Anton Newcombe e sua gangue fizeram um show espetacular no O2 Kentish Town, em Londres. Para registrar a apresentação, a equipa da Cardinal Sessions acompanhou a banda, gravou, editou e postou por completo no Youtube as duas horas de pura catarse musical que aquele palco presenciou.

Totalmente em preto e branco e captando a essência do trabalho do The Brian Jonestown Massacre, é um registro daqueles que se tornam marcantes com o passar do tempo.