Direto do Forno · Música

Faten Kanaan – The North Wind (Single)

Como é bom ser guiado por uma tag no Bandcamp e a música ser exatamente aquilo que se buscava. Faten Kanaan é uma compositora estadunidense que mescla elementos eletrônicos com música clássica, ambient e outros derivados, criando um atmosférico através de melodias que se repetem e levam o ouvinte a um pleno estado de contemplação.

Seu single mais recente chama-se “The North Wind”, que além da faixa-título, também traz a canção “Night Tide/Anteros”, que é ainda mais interessante. Ambas a canções estarão no próximo disco da artista, A Mythology of Circles, que sai do forno da Fire Records em 13 de novembro.

Se eu soubesse da existência dessa mulher há algumas semanas atrás, certamente ela estaria na postagem abaixo de dicas ambient.

Agora é esperar a chegada do álbum e torcer para que seja brilhante por completo, assim como essas duas canções.

Garimpo · Música

Algumas Dicas Ambient

Fazer música é uma árdua tarefa, que exige concentração, dedicação, intuição, conhecimento e bastante criatividade. Trabalhar em cima de algo que irá mexer com emoções de outras pessoas com o uso de melodias e palavras já é difícil, imagina uma composição instrumental.

Assim é a música ambient, repleta de ecos, efeitos, ornamentos vocais, sequências repetitivas e tudo mais o que o artista quiser implementar em sua música, porém, em sua maioria, sem palavras cantadas.

Gosto muito de ouvir discos nesse estilo em momentos de leitura ou reflexão. Ao fumar um cigarro e sentar na área externa da casa, por exemplo, ou durante uma madrugada silenciosa. E por ser uma vertente musical tão rica e repleta de compositores inventivos, tornou-se uma das minhas favoritas.

Abaixo estão três discos ambient que garimpei recentemente e que muito me agradaram. Se o EP Kill, do John Bence, possui uma abordagem mais voltada para o gótico e com um clima mais sombrio, o Apartment Loops Vol. 1 do italiano Bruno Bavota é de uma sensação mais sublime, como se o ouvinte flutuasse nas nuvens.

Por fim, trago o disco de estreia do Ghost Lode, chamado Lenten Distance. Esse é o projeto solo de Matt Weed, guitarrista da banda Rosetta. Seu debut é composto por seis belas e melancólicas peças acústicas com um ar de space rock. Creio que se o espaço tivesse som, seria algo do tipo.

Espero que o leitor faça bom proveito.

 

Crônicas · Língua Presa · Música

Hoje Dancei Ouvindo Ride

Something Else, do The Brian Jonestown Massacre, foi um dos vários álbuns que ouvi hoje durante o dia. E no Spotify é o seguinte: quando um disco acaba, começa a tocar aquilo que o programa chama de rádio, que é um compilado aleatório de músicas que se parecem com o que acabou de ser reproduzido. É uma ferramenta interessante para descobrir bandas e artistas novos.

A rádio do Something Else tinha, em sua maioria, artistas de música psicodélica, como o Spiritualized e o Oh Sees. Só que teve uma em específico que quando começou a tocar, não acreditei. Meus braços arrepiaram-se por inteiro e pensei que havia entrado em uma máquina do tempo. “Dreams Burn Down”, do Ride.

Quando o shoegaze entrou na minha vida, eu estava naqueles momentos de personalidade vulnerável, ainda sendo moldado sob as próprias influências. Nowhere, do Ride, foi um dos grandes discos que abriram as portas para que eu adentrasse nesse universo de guitarras dissonantes, etéreas e barulhentas.

Voltando ao tempo presente, era final de tarde e estava encerrando o expediente (home office) quando “Dreams Burn Down” começou a tocar. Peguei um cigarro, acendi e coloquei o volume da caixa de som quase no máximo, fazendo com que a bateria SENSACIONAL do início da música quase trincasse a janela da sala. No quintal, meus dois cachorros ouviram o barulho da porta sendo aberta e vieram ver o que eu estava fazendo. A música, que eu não ouvia há uns bons anos, levou-me a dançar com eles durante todo o seu decorrer. Para minha surpresa, até a letra eu ainda sabia cantar.

Quase chorei em certo momento. Foi como se ela tivesse se transformado em correntes de ar e entrado em meu organismo, tomando conta de minhas emoções.

Foi como expurgar parte de demônios que ainda vivem dentro de mim.

Direto do Forno · Música

Mais Alguns Singles

Mudando um pouco o formato para sair da mesmice, deixo abaixo alguns singles recentes que valem a pena o leitor conferir.

O Ruby Haunt, que já falei sobre aqui no blog algumas vezes, está com um disco saindo do forno e há alguns dias soltou o terceiro single desse projeto, “Curtain Call”. A canção segue a mesma ambientação nostálgica e melancólica das anteriores, do jeito que eu gosto.

Também com um terceiro single disponível, a parceria entre Mike Patton e Jean-Claude Vannier tem o suficiente para ser um dos trabalhos mais interessantes do ano. Versáteis e altamente criativos, a peça da vez é “Browning”. O álbum completo será lançado no dia 13 do próximo mês.

Por último, uma banda que ganhou status de cult nos últimos anos aqui na internet, a Cigarettes After Sex pode soar bem deprê no começo da audição, mas aos poucos o clima de intensa tristeza é absorvido e torna-se apreço. Etérea, calma e bem produzido, o som da banda remete ao Ruby Haunt, o que é um baita de um elogio.

“Heavenly” é a primeira amostra de Cry, o próximo trabalho do conjunto e que ganhará vida em 25 de outubro.

 

Há quem diga que não se fazem mais músicas boas como antigamente. Eu digo que é preguiça de procurar.