Direto do Forno · Música

O Novo do Our Transient Lives: Daily Loss EP

O nome Daily Loss, título do novo EP do Our Transient Lives, em português seria algo como “perda diária”. Tendo como base um poema visto na biblioteca pública de Indianápolis, Jared Rosdeutscher criou essa peça carregada de melancolia. Todos os dias perdemos alguma coisa, desde objetos banais até pessoas ou a si mesmo.

É um tipo de música que eu indicaria para os fãs de música ambient sem titubear, mas é bom cuidar com a tristeza que a cerca. Vai além da hipnose. Os pianos ao fundo de “First the Hour, Then the Day” explicitam isso. “Small the Daily Loss Appears” é como um sopro interminável e aos poucos cada elemento ao redor vai aparecendo, desde o baixo até ecos de guitarra, mas que vão embora em poucos instantes.

O encerramento com “Yet It Soon Amounts to Years” trouxe à minha mente “Wallace”, a minha música favorita da trilha sonora do Blade Runner 2049. Ouça as duas e perceba a semelhança.

Daily Loss é o primeiro trabalho que ouço desse projeto e gostei da forma como Jared monta suas peças, sabendo encaixar todos os detalhes nos momentos certos. Se ele traz a palavra “perda” em seu título, afirmo que tempo é algo que não foi perdido durante a audição desse EP.

Como é doce (e traiçoeira) a beleza da melancolia.

Esse é o poema citado no início do texto:

“Time by minutes slips away
First the hour, then the day
Small the daily loss appears
Yet it soon amounts to years”
-Ronald Tierney

1.Time By Minutes Slips Away
2. First the Hour, Then the Day
3. Small the Daily Loss Appears

4. Yet It Soon Amounts to Years

Garimpo · Música

Algumas Dicas Ambient

Fazer música é uma árdua tarefa, que exige concentração, dedicação, intuição, conhecimento e bastante criatividade. Trabalhar em cima de algo que irá mexer com emoções de outras pessoas com o uso de melodias e palavras já é difícil, imagina uma composição instrumental.

Assim é a música ambient, repleta de ecos, efeitos, ornamentos vocais, sequências repetitivas e tudo mais o que o artista quiser implementar em sua música, porém, em sua maioria, sem palavras cantadas.

Gosto muito de ouvir discos nesse estilo em momentos de leitura ou reflexão. Ao fumar um cigarro e sentar na área externa da casa, por exemplo, ou durante uma madrugada silenciosa. E por ser uma vertente musical tão rica e repleta de compositores inventivos, tornou-se uma das minhas favoritas.

Abaixo estão três discos ambient que garimpei recentemente e que muito me agradaram. Se o EP Kill, do John Bence, possui uma abordagem mais voltada para o gótico e com um clima mais sombrio, o Apartment Loops Vol. 1 do italiano Bruno Bavota é de uma sensação mais sublime, como se o ouvinte flutuasse nas nuvens.

Por fim, trago o disco de estreia do Ghost Lode, chamado Lenten Distance. Esse é o projeto solo de Matt Weed, guitarrista da banda Rosetta. Seu debut é composto por seis belas e melancólicas peças acústicas com um ar de space rock. Creio que se o espaço tivesse som, seria algo do tipo.

Espero que o leitor faça bom proveito.