Direto do Forno · Música

A estreia do Ryte

Para quem gosta de música pesada, esse álbum é um deleite.

O Ryte é um quarteto norte-americano que bebe direto das profundas fontes do stoner e seus derivados. O disco de estreia leva o nome da banda e é composto por quatro canções somente, chegando perto dos quarenta minutos de duração.

São músicas longas e instrumentais em sua maior parte. Para ser mais exato, são raros os momentos em que os vocais aparecem. Aliando duas guitarras afiadas, um baixo certeiro e uma bateria incansável, o disco flerta com o rock psicodélico, o heavy metal mais clássico e o doom metal, provando que a escola fundada pelo Black Sabbath rende frutos primorosos até os dias atuais.

RYTE foi lançado em 17 de janeiro desse ano pela Heavy Psych Sounds Records.

1. Raging Mammoth
2. Shaking Pyramid
3. Monolith
4. Invaders

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O Primeiro Disco do FLOWERS: Doom City

É triste admitir, mas a atividade ouvir música no atual mundo tecnológico mudou. As plataformas de streaming facilitaram o acesso, mas a forma como essas empresas enxergam a quarta arte é desanimadora. Ouvintes agora são consumidores, e a ideia de discos/álbuns, conceituais ou não, parece esvair-se lentamente.

Afinal, as playlists estão aí para isso. Na dúvida do que ouvir (para não dizer preguiça), é mais fácil selecionar o aleatório e pronto, o próprio serviço escolhe o que você vai ouvir. Ganha-se tempo, mas perde-se inovação, ideia, e o melhor: o prazer em selecionar o que escutar.

Doom City, o primeiro disco do FLOWERS, vai na contramão dessa realidade. Criado em cima de um conceito, é um trabalho para ser ouvido por completo, em sequência, sem interrupções. Aqui, som, imagem e ideia se entrelaçam em um único projeto, levando o ouvinte a passear por um mundo distópico, arrasado e, provavelmente, sem esperança alguma, não muito diferente do que a nossa realidade.

São sete faixas regadas com muitos riffs de guitarra e uma bateria que mais parece um esmagar de ossos de tão pesada. Por se tratar de uma dupla, tal feito torna-se ainda mais instigante.

Se em dado momento de “Chemical Burn”, por exemplo, o ouvinte se distrair, em poucos segundos a canção o trás de volta ao seu universo, pois a troca de tempos é uma constante. Em um instante, predomina a referência ao doom metal, com um andamento mais denso, consistente. Na mesma canção, porém, as colegas resolvem quebrar a barreira e acelerar o ritmo, intensificando a sensação de angústia em distorções características do rock desértico à la Kyuss e a bateria, claro, ainda mais ameaçadora.

Essas mudanças no tempo das músicas, tal qual as mudanças climáticas que o nosso planeta sofre de forma tão drástica nos últimos anos, faz com que as canções mais longas como “Doom City Prologue”, “Flammable High” e a já citada acima sejam as melhores do álbum.

Doom City saiu no dia 10 de setembro desse ano, pela Luik Records. Mais um ponto positivo para o selo belga.

1. Doom City Prologue
2. Flat Tired Chuck
3. Hot Dog Cigarette
4. Chemical Burn
5. Cedar’s Theme
6. Flammable High
7. Island View

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Spotlights – Mountains Are Forever (Vídeo)

Em abril deste ano, o Spotlights lançou o excelente Love & Decay, seu mais recente disco de estúdio, pela Ipecac Recordings.

Há duas semanas, o trio lançou um videoclipe para uma das canções do álbum, “Moutains Are Forever”.

Com cores relativamente gélidas, o vídeo capta alguns movimentos aleatórios entre paisagens naturais e figuras esfumaçadas, dando um tom sombrio ao trabalho.

Escrevi aqui minhas impressões sobre Love & Decay.

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FLOWERS – Flat Tired Chuck (Single)

Após apresentar artistas como Lenny Pistol, Jeremy Walch e o Endless Dive, trago mais uma novidade do selo belga Luik Records, um dos meus favoritos da atualidade. Trata-se do FLOWERS.

O projeto é idealizado por duas mulheres: Roos Pollmann (Juanita), que comanda as canções com um vocal rasgado e raivoso e guitarras de peso que passeiam pelos riffs sujos do stoner aos viajantes do space rock , e Judith van Oostrum (Juju), cuja bateria se destaca pela precisão e peso na medida certa.

Pouco mais de um ano após soltarem um interessante EP de estreia, o duo se prepara para lançar seu primeiro disco cheio, intitulado DOOM CITY. Segundo release oficial,

“Doom City é um álbum conceitual sobre um decadente, abandonado e isolado local industrial em um deserto vazio e sem recursos. Cada canção é sobre um aspecto dessa cidade; um líder político cantando para os habitantes, uma briga em uma fábrica, a visão geral da cidade, a vista da ilha (e o narrador) pensando sobre a cidade, etc. A cidade é uma metáfora para o patriarcado e o sistema de gênero binário – é insustentável, é desafiador sobreviver, é preciso se decompor para dar lugar a um novo modo de vida.”

Ouça abaixo “Flat Tired Chuck”, primeiro single do disco, programado para ser lançado no dia 10 de setembro desse ano.

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O Novo do Spotlights: Love & Decay

Junte a arte visual com o som da banda e a sensação é de navegar entre uma chuva de meteoros em pleno espaço sideral. Assim é Love & Decay, novo trabalho do Spotlights que chegou à Terra em 26 de abril desse ano pela Ipecac Recordings, gravadora do Mr. Mike Patton.

Mesmo que seja possível perceber as mais diversas influências no disco, como o shoegaze, o post-rock, o space rock, o stoner metal e até o doom metal, a predominância característica e que fica marcada é o peso. Em resumo, é um disco muito pesado, e devido às variedades que o compõem, torna-se, também, um trabalho emotivo.

Boa parte das canções tem a mesma proposta, iniciando com muita força e, em seguida, deixando a experimentação tomar conta, transformando a carga cheia em um espaço de flutuação.

“Far From Falling”, com mais de sete minutos, engata uma viagem espacial a partir de sua metade, com riffs repetitivos, guitarras solando ao fundo e a bateria constante que parece explodir a qualquer momento. E explode, quando a distorção engrandece e eleva ainda mais o estado psicodélico-espacial da canção.

Outros pontos altos do disco são os dois singles lançados anteriormente, “The Particle Noise” e “The Age of Decay”, que mesclam momentos sutis e hipnóticos com agressividade.  “Xerox”, a mais curta do álbum e cujo videoclipe você confere abaixo, destoa um pouco das demais, pois mantém a intensidade do começo ao fim. “The Beauty of Forgetting”, com quase onze minutos, finaliza com maestria e causa certa perplexidade, daquelas em que a pessoa fica estática, olhando para o nada, absorvendo tudo o que ouviu.

As edições em CD e vinil ainda contam com uma faixa extra, chamada “Sleepwalker”.

Tendo em vista tamanha riqueza de influências e detalhes de Love & Decay, saber que tudo isso é feito por um power trio catapulta ainda mais seu brilhantismo. Nada é feito com preenchimentos chatos ou megalomaníacos. A mistura entre o peso e a emoção podem atingir até ouvintes não-habituados com o estilo, apesar de que, à primeira audição, pode causar estranhamento.

Para fãs desse tipo de som, como eu, é um prato cheio.

1. Continue The Capsize
2. The Particle Noise
3. Far From Falling
4. Until The Bleeding Stops
5. Xerox
6. The Age of Decay
7. Mountains Are Forever
8. The Beauty of Forgetting

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Stoned Jesus – Occult (Single)

Uma pancada de dez minutos foi a escolhida como single de “First Communion”, novo EP do Stoned Jesus que será lançado poucos meses após “Pilgrims”, o LP mais recente do grupo.

O sludge metal e o stoner são as fontes de onde o trio ucraniano tirou “Occult”, a primeira das quatro faixas que farão parte do novo trabalho. Alternando entre momentos lentos e densos com uma breve e pesada agilidade, é como se o Stoned Jesus tivesse lapidado uma faixa do Melvins e tornado-a ainda mais barulhenta.

Uma produção de primeira que adianta mais um petardo sonoro que sairá pela Napalm Records, no comecinho do próximo ano: 4 de janeiro.