Direto do Forno · Música

O Primeiro Disco do FLOWERS: Doom City

É triste admitir, mas a atividade ouvir música no atual mundo tecnológico mudou. As plataformas de streaming facilitaram o acesso, mas a forma como essas empresas enxergam a quarta arte é desanimadora. Ouvintes agora são consumidores, e a ideia de discos/álbuns, conceituais ou não, parece esvair-se lentamente.

Afinal, as playlists estão aí para isso. Na dúvida do que ouvir (para não dizer preguiça), é mais fácil selecionar o aleatório e pronto, o próprio serviço escolhe o que você vai ouvir. Ganha-se tempo, mas perde-se inovação, ideia, e o melhor: o prazer em selecionar o que escutar.

Doom City, o primeiro disco do FLOWERS, vai na contramão dessa realidade. Criado em cima de um conceito, é um trabalho para ser ouvido por completo, em sequência, sem interrupções. Aqui, som, imagem e ideia se entrelaçam em um único projeto, levando o ouvinte a passear por um mundo distópico, arrasado e, provavelmente, sem esperança alguma, não muito diferente do que a nossa realidade.

São sete faixas regadas com muitos riffs de guitarra e uma bateria que mais parece um esmagar de ossos de tão pesada. Por se tratar de uma dupla, tal feito torna-se ainda mais instigante.

Se em dado momento de “Chemical Burn”, por exemplo, o ouvinte se distrair, em poucos segundos a canção o trás de volta ao seu universo, pois a troca de tempos é uma constante. Em um instante, predomina a referência ao doom metal, com um andamento mais denso, consistente. Na mesma canção, porém, as colegas resolvem quebrar a barreira e acelerar o ritmo, intensificando a sensação de angústia em distorções características do rock desértico à la Kyuss e a bateria, claro, ainda mais ameaçadora.

Essas mudanças no tempo das músicas, tal qual as mudanças climáticas que o nosso planeta sofre de forma tão drástica nos últimos anos, faz com que as canções mais longas como “Doom City Prologue”, “Flammable High” e a já citada acima sejam as melhores do álbum.

Doom City saiu no dia 10 de setembro desse ano, pela Luik Records. Mais um ponto positivo para o selo belga.

1. Doom City Prologue
2. Flat Tired Chuck
3. Hot Dog Cigarette
4. Chemical Burn
5. Cedar’s Theme
6. Flammable High
7. Island View

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FLOWERS – Flat Tired Chuck (Single)

Após apresentar artistas como Lenny Pistol, Jeremy Walch e o Endless Dive, trago mais uma novidade do selo belga Luik Records, um dos meus favoritos da atualidade. Trata-se do FLOWERS.

O projeto é idealizado por duas mulheres: Roos Pollmann (Juanita), que comanda as canções com um vocal rasgado e raivoso e guitarras de peso que passeiam pelos riffs sujos do stoner aos viajantes do space rock , e Judith van Oostrum (Juju), cuja bateria se destaca pela precisão e peso na medida certa.

Pouco mais de um ano após soltarem um interessante EP de estreia, o duo se prepara para lançar seu primeiro disco cheio, intitulado DOOM CITY. Segundo release oficial,

“Doom City é um álbum conceitual sobre um decadente, abandonado e isolado local industrial em um deserto vazio e sem recursos. Cada canção é sobre um aspecto dessa cidade; um líder político cantando para os habitantes, uma briga em uma fábrica, a visão geral da cidade, a vista da ilha (e o narrador) pensando sobre a cidade, etc. A cidade é uma metáfora para o patriarcado e o sistema de gênero binário – é insustentável, é desafiador sobreviver, é preciso se decompor para dar lugar a um novo modo de vida.”

Ouça abaixo “Flat Tired Chuck”, primeiro single do disco, programado para ser lançado no dia 10 de setembro desse ano.