Direto do Forno · Música

O Novo do Brant Bjork: Brant Bjork

Lobão falou uma coisa interessante em sua entrevista mais recente no Roda Viva, da TV Cultura: disse que o rock está em seu melhor momento, e vertentes como o stoner e o post-rock estão a todo vapor. Se for parar para analisar, faz todo o sentido, principalmente se levarmos em conta somente o stoner rock. Quase toda semana um disco é lançado, seja de uma banda iniciante ou alguma já na estrada há tempos. E por incrível e exagerado que possa parecer, a maior parte desses novos trabalhos é de qualidade.

Se tem um cara que contribui e muito para manter essa cena ativa, é Brant Bjork, considerado um dos padrinhos do estilo e um dos artistas mais prolíficos que conheço. Bjork não descansa, tá sempre produzindo e lançando álbuns, e pouco mais de um ano após seu último lançamento, Jacoozzi, ele tira da cartola mais um disco, que dessa vez, leva seu nome.

Toda vez que paro para pensar sobre o termo stoner rock, vem à mente uma infinidade de riffs pesados e lentos, que parecem anunciar um desastre natural, mas com Brant Bjork a coisa é diferente. Ele eleva o termo para algo mais sutil, ritmado e dançante, ou seja, ele transforma aquilo que ajudou a criar em algo novo, como uma busca constante em se renovar.

Com um recheio de rock do deserto mesclado com o funk à la Funkadelic e algumas boas pitadas de jazz, Brant Bjork possui oito faixas ao todo, sendo a última um achado acústico que fecha o disco da mesma forma que começou: com tranquilidade. Em nenhum instante o álbum acelera ou aumenta de tom e a experiência em ouvi-lo é melhor se for feita em um momento de silêncio.

1. Jungle In The Sound
2. Mary (You’re Such A Lady)
3. Jesus Was A Bluesman
4. Cleaning Out The Ashtray
5. Duke Of Dynamite
6. Shitkickin’ Now
7. Stardust & Diamond Eyes
8. Been So Long

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All Them Witches – Saturnine & Iron Jaw (Single)

É intrigante como o All Them Witches passeia por várias vertentes musicas em uma só canção. Em um disco então, é uma salada completa, e das boas. É só ouvir o último lançamento do grupo, ATW, cujas impressões pessoais registrei aqui.

Agora vem o seu sucessor, Nothing As The Ideal, com lançamento previsto para o início de setembro via New West Records.

A canção que inicia esse novo trabalho já está disponível para o público, e é sobre ela o que disse no início desse texto. Com quase sete minutos e com um riff poderoso, ela navega entre o rock psicodélico e o stoner, e tem uma característica interessante e presente em várias outras músicas da banda: ela dá uma quebrada no tempo, de repente, até que volta subindo o tom até explodir de novo.

Se o trio mantiver a regularidade, acho que vem mais pedrada por aí.

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A estreia do Ryte

Para quem gosta de música pesada, esse álbum é um deleite.

O Ryte é um quarteto norte-americano que bebe direto das profundas fontes do stoner e seus derivados. O disco de estreia leva o nome da banda e é composto por quatro canções somente, chegando perto dos quarenta minutos de duração.

São músicas longas e instrumentais em sua maior parte. Para ser mais exato, são raros os momentos em que os vocais aparecem. Aliando duas guitarras afiadas, um baixo certeiro e uma bateria incansável, o disco flerta com o rock psicodélico, o heavy metal mais clássico e o doom metal, provando que a escola fundada pelo Black Sabbath rende frutos primorosos até os dias atuais.

RYTE foi lançado em 17 de janeiro desse ano pela Heavy Psych Sounds Records.

1. Raging Mammoth
2. Shaking Pyramid
3. Monolith
4. Invaders

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Brant Bjork – Jungle In The Sound (Single)

Pouco mais de um ano após o lançamento de seu último de inéditas, Brant Bjork, uma das figuras máximas do rock do deserto, deixa engatilhado mais um trabalho.

Auto-intitulado, o novo disco ganha luz em 10 de abril desse ano, mais uma vez pelo ótimo selo Heavy Psych Sound Records, uma das casas mais influentes do stoner rock mundial. O primeiro aperitivo é “Jungle In The Sound”, contendo a já conhecida mistura de riffs pesados com o gracejo do funk rock. É como consta no release do disco, só de ouvir a canção, já dá pra saber de quem é, mesmo sem informação alguma a respeito.

Sobre seu último álbum, Mankind Woman, escrevi sobre ele aqui. Uma boa hora para revisitá-lo.

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O Primeiro Disco do FLOWERS: Doom City

É triste admitir, mas a atividade ouvir música no atual mundo tecnológico mudou. As plataformas de streaming facilitaram o acesso, mas a forma como essas empresas enxergam a quarta arte é desanimadora. Ouvintes agora são consumidores, e a ideia de discos/álbuns, conceituais ou não, parece esvair-se lentamente.

Afinal, as playlists estão aí para isso. Na dúvida do que ouvir (para não dizer preguiça), é mais fácil selecionar o aleatório e pronto, o próprio serviço escolhe o que você vai ouvir. Ganha-se tempo, mas perde-se inovação, ideia, e o melhor: o prazer em selecionar o que escutar.

Doom City, o primeiro disco do FLOWERS, vai na contramão dessa realidade. Criado em cima de um conceito, é um trabalho para ser ouvido por completo, em sequência, sem interrupções. Aqui, som, imagem e ideia se entrelaçam em um único projeto, levando o ouvinte a passear por um mundo distópico, arrasado e, provavelmente, sem esperança alguma, não muito diferente do que a nossa realidade.

São sete faixas regadas com muitos riffs de guitarra e uma bateria que mais parece um esmagar de ossos de tão pesada. Por se tratar de uma dupla, tal feito torna-se ainda mais instigante.

Se em dado momento de “Chemical Burn”, por exemplo, o ouvinte se distrair, em poucos segundos a canção o trás de volta ao seu universo, pois a troca de tempos é uma constante. Em um instante, predomina a referência ao doom metal, com um andamento mais denso, consistente. Na mesma canção, porém, as colegas resolvem quebrar a barreira e acelerar o ritmo, intensificando a sensação de angústia em distorções características do rock desértico à la Kyuss e a bateria, claro, ainda mais ameaçadora.

Essas mudanças no tempo das músicas, tal qual as mudanças climáticas que o nosso planeta sofre de forma tão drástica nos últimos anos, faz com que as canções mais longas como “Doom City Prologue”, “Flammable High” e a já citada acima sejam as melhores do álbum.

Doom City saiu no dia 10 de setembro desse ano, pela Luik Records. Mais um ponto positivo para o selo belga.

1. Doom City Prologue
2. Flat Tired Chuck
3. Hot Dog Cigarette
4. Chemical Burn
5. Cedar’s Theme
6. Flammable High
7. Island View

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All Them Witches – 1×1 (Single)

Agora como um trio, o All Them Witches já está preparando o sucessor do ótimo ATW, lançado ano passado e que ficou por muitos dias nas minhas playlists diárias.

Não há nada confirmado de forma oficial, mas podemos esperar algo em breve, pois no último dia de outubro a banda soltou um single de repente, intitulado “1×1”, via New West Records.

Um rock do deserto feito sob medida, com altos riffs de guitarra, toques psicodélicos e uma bateria arrasadora. Confira abaixo.

 

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Nebula – Witching Hour (Single)

Um dos maiores nomes do rock do deserto está de volta com um novo trabalho em 2019. Estou falando do Nebula.

Com o apoio da Heavy Psych Sounds Records, a banda prepara o sucessor de Heavy Psych, seu último disco lançado (na verdade, um EP), há uma década. Falei no início do ano sobre Demos & Outtakes 98-02, mas como o próprio título diz, é um compilado de gravações e sobras de estúdio (leia aqui).

O futuro álbum, tão aguardado pelo fãs do estilo, será chamado de Holy Shit, com data marcada para sete de junho de 2019. Ouça abaixo “Witching Hour”, primeira canção liberada para audição e tenha um gostinho do que está por vir.

Peso e distorção não faltarão.

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Brant Bjork – Guerrilla Funk (Single)

Durou quase uma década o intervalo entre a gravação e o lançamento de “Jacoozzi”, disco que Brant Bjork gravou e deixou engavetado todo esse tempo, até ser resgatado da poeira para o ouvido de seus apreciadores.

Conforme o release do selo que lançará o disco, o Heavy Psych Sounds Records, em 2010 Bjork adentrou num estúdio na região de Joshua Tree, Califórnia, e durante quatro dias gravou algumas jams sessions por conta própria. Desse improviso, saíram oito canções que o artista empacotou e as batizou como “Jacoozzi”, deixando-as numa prateleira, sem a intenção de lançá-las oficialmente.

Sentindo-se livre de qualquer tipo de pressão, Bjork afirma que tal experiência o relembrou dos tempos de “Jalamanta” seu álbum solo de estreia que chegou às lojas em 1999. “Guerrilla Funk”, o primeiro pedaço desse misterioso disco que nos é apresentado, tem sim suas semelhanças com o debut do músico.

A peça de sete minutos e meio é puro improviso funk, um experimento que peca um pouco, ao meu ver, pelo excesso. Mas pelo fato de ser uma criação com total liberdade artística por parte de Brant Bjork, executando o que ele sentia ali na hora de seus improvisos, sem se prender a estéticas ou regras, torna o resultado o tanto quanto favorável.

“Jacoozzi” chega por completo no dia 05 de abril deste ano. No final de 2018, o padrinho do stoner rock lançou “Mankind Woman”, seu mais recente disco de estúdio, e escrevi sobre o mesmo aqui.

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O “novo” do Nebula: Demos & Outtakes 98​-​02

A apóstrofe no título tem um motivo: o lançamento é de hoje, cravado em 25/01, mas o material que ele traz não é tão novo assim. São sobras de estúdio e demos que nunca haviam sido lançadas anteriormente pelo Nebula, figura fundamental para o rock do deserto.

“Demos & Outtakes 98-02” é composto por dez canções, sendo cinco inéditas. Uma delas é “Whalefinger”, a primeira canção escrita pelo guitarrista da banda, Eddie Glass, quando ele ainda participava de outro conjunto. À exceção de “To The Center”, faixa com forte influência psicodélica dos anos sessenta/setenta, a maior parte do tracklist é composto de canções rápidas e pesadas, com muito fuzz e distorção.

Algumas já conhecidas, como “Smokin’ Woman” e “Sun Creature” (ambas do EP “Sun Creature”, de 1998), vêm em versão demo, com uma roupagem mais crua e pesada, sendo um deleite para quem gosta de ouvir uma banda em seu estado mais natural possível. “Nervous Breakdown”, cover do Black Flag e que encerra o disco em uma versão ao vivo, é interessante por mostrar algumas das referências que contribuem para a sonoridade da banda.

Esse compilado é ideal não somente para os fãs do conjunto, mas também uma porta de entrada interessante para quem o deseja conhecer melhor. Agradeço a Heavy Psych Sounds Records por esse resgate.

1. Stagnant Pool
2. Whalefinger
3. Humbucker
4. Smokin’ Woman
5. Sun Creature
6. You Got It
7. To The Center 
8. Synthetic Dream
9. How Does It Feel To Feel
10. Nervous Breakdown (Black Flag Cover Ao Vivo)

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O novo do John Garcia: John Garcia and the Band of Gold

Em ordem cronológica, é seu terceiro álbum solo, mas se levarmos em conta a nova banda que o acompanha, “John Garcia and the Band of Gold” é o primeiro disco do deus-mor do rock do deserto com esse grupo. E o seu melhor trabalho desde que se desprendeu do Kyuss.

Ao todo, são onze petardos sonoros que não aliviam em nenhum momento. Quer entender melhor? Pegue os três singles disponibilizados anteriormente (“Chicken Delight“, “Jim’s Whiskers” e “My Everything“) e quadruplique-os. O disco inteiro é recheado de riffs pesados e sujos, com muito fuzz e blues, um baixo marcante e igualmente forte, acrescentados à uma bateria pungente que parece causar uma avalanche de rochas sobre o ouvinte.

Mas o fio-condutor que mantém o álbum bem nivelado do início ao fim é o vocalista e dono do projeto. O tempo fez bem à sua voz e Garcia parece mais vivo do que nunca, enérgico nos versos e agressivo nas horas certas. E é justamente esse equilíbrio entre voz e instrumentos que tornam “John Garcia and the Band of Gold” um trabalho uniforme, mantendo a intensidade desde o início instrumental com “Space Vato” até o desfecho (não se engane pelo nome) com “Softer Side”.

Se o stoner rock/metal tem, ao meu ver, uma das atividades mais produtivas da música underground, ouvir um novo disco daquele que é considerado uma lenda viva do estilo é um incentivo e tanto.


1. Space Vato
2. Jim’s Whiskers
3. Chicken Delight
4. Kentucky II
5. My Everything
6. Lillianna
7. Popcorn (Hit Me When You Can)
8. Apache Junction
9. Don’t Even Think About It
10. Cheyletiella
11. Softer Side