Direto do Forno · Música

A estreia do Ryte

Para quem gosta de música pesada, esse álbum é um deleite.

O Ryte é um quarteto norte-americano que bebe direto das profundas fontes do stoner e seus derivados. O disco de estreia leva o nome da banda e é composto por quatro canções somente, chegando perto dos quarenta minutos de duração.

São músicas longas e instrumentais em sua maior parte. Para ser mais exato, são raros os momentos em que os vocais aparecem. Aliando duas guitarras afiadas, um baixo certeiro e uma bateria incansável, o disco flerta com o rock psicodélico, o heavy metal mais clássico e o doom metal, provando que a escola fundada pelo Black Sabbath rende frutos primorosos até os dias atuais.

RYTE foi lançado em 17 de janeiro desse ano pela Heavy Psych Sounds Records.

1. Raging Mammoth
2. Shaking Pyramid
3. Monolith
4. Invaders

Direto do Forno · Música

Brant Bjork – Jungle In The Sound (Single)

Pouco mais de um ano após o lançamento de seu último de inéditas, Brant Bjork, uma das figuras máximas do rock do deserto, deixa engatilhado mais um trabalho.

Auto-intitulado, o novo disco ganha luz em 10 de abril desse ano, mais uma vez pelo ótimo selo Heavy Psych Sound Records, uma das casas mais influentes do stoner rock mundial. O primeiro aperitivo é “Jungle In The Sound”, contendo a já conhecida mistura de riffs pesados com o gracejo do funk rock. É como consta no release do disco, só de ouvir a canção, já dá pra saber de quem é, mesmo sem informação alguma a respeito.

Sobre seu último álbum, Mankind Woman, escrevi sobre ele aqui. Uma boa hora para revisitá-lo.

Direto do Forno · Música

O Primeiro Disco do FLOWERS: Doom City

É triste admitir, mas a atividade ouvir música no atual mundo tecnológico mudou. As plataformas de streaming facilitaram o acesso, mas a forma como essas empresas enxergam a quarta arte é desanimadora. Ouvintes agora são consumidores, e a ideia de discos/álbuns, conceituais ou não, parece esvair-se lentamente.

Afinal, as playlists estão aí para isso. Na dúvida do que ouvir (para não dizer preguiça), é mais fácil selecionar o aleatório e pronto, o próprio serviço escolhe o que você vai ouvir. Ganha-se tempo, mas perde-se inovação, ideia, e o melhor: o prazer em selecionar o que escutar.

Doom City, o primeiro disco do FLOWERS, vai na contramão dessa realidade. Criado em cima de um conceito, é um trabalho para ser ouvido por completo, em sequência, sem interrupções. Aqui, som, imagem e ideia se entrelaçam em um único projeto, levando o ouvinte a passear por um mundo distópico, arrasado e, provavelmente, sem esperança alguma, não muito diferente do que a nossa realidade.

São sete faixas regadas com muitos riffs de guitarra e uma bateria que mais parece um esmagar de ossos de tão pesada. Por se tratar de uma dupla, tal feito torna-se ainda mais instigante.

Se em dado momento de “Chemical Burn”, por exemplo, o ouvinte se distrair, em poucos segundos a canção o trás de volta ao seu universo, pois a troca de tempos é uma constante. Em um instante, predomina a referência ao doom metal, com um andamento mais denso, consistente. Na mesma canção, porém, as colegas resolvem quebrar a barreira e acelerar o ritmo, intensificando a sensação de angústia em distorções características do rock desértico à la Kyuss e a bateria, claro, ainda mais ameaçadora.

Essas mudanças no tempo das músicas, tal qual as mudanças climáticas que o nosso planeta sofre de forma tão drástica nos últimos anos, faz com que as canções mais longas como “Doom City Prologue”, “Flammable High” e a já citada acima sejam as melhores do álbum.

Doom City saiu no dia 10 de setembro desse ano, pela Luik Records. Mais um ponto positivo para o selo belga.

1. Doom City Prologue
2. Flat Tired Chuck
3. Hot Dog Cigarette
4. Chemical Burn
5. Cedar’s Theme
6. Flammable High
7. Island View

Direto do Forno · Música

All Them Witches – 1×1 (Single)

Agora como um trio, o All Them Witches já está preparando o sucessor do ótimo ATW, lançado ano passado e que ficou por muitos dias nas minhas playlists diárias.

Não há nada confirmado de forma oficial, mas podemos esperar algo em breve, pois no último dia de outubro a banda soltou um single de repente, intitulado “1×1”, via New West Records.

Um rock do deserto feito sob medida, com altos riffs de guitarra, toques psicodélicos e uma bateria arrasadora. Confira abaixo.

 

Direto do Forno · Música

Nebula – Witching Hour (Single)

Um dos maiores nomes do rock do deserto está de volta com um novo trabalho em 2019. Estou falando do Nebula.

Com o apoio da Heavy Psych Sounds Records, a banda prepara o sucessor de Heavy Psych, seu último disco lançado (na verdade, um EP), há uma década. Falei no início do ano sobre Demos & Outtakes 98-02, mas como o próprio título diz, é um compilado de gravações e sobras de estúdio (leia aqui).

O futuro álbum, tão aguardado pelo fãs do estilo, será chamado de Holy Shit, com data marcada para sete de junho de 2019. Ouça abaixo “Witching Hour”, primeira canção liberada para audição e tenha um gostinho do que está por vir.

Peso e distorção não faltarão.

Direto do Forno · Música

Brant Bjork – Guerrilla Funk (Single)

Durou quase uma década o intervalo entre a gravação e o lançamento de “Jacoozzi”, disco que Brant Bjork gravou e deixou engavetado todo esse tempo, até ser resgatado da poeira para o ouvido de seus apreciadores.

Conforme o release do selo que lançará o disco, o Heavy Psych Sounds Records, em 2010 Bjork adentrou num estúdio na região de Joshua Tree, Califórnia, e durante quatro dias gravou algumas jams sessions por conta própria. Desse improviso, saíram oito canções que o artista empacotou e as batizou como “Jacoozzi”, deixando-as numa prateleira, sem a intenção de lançá-las oficialmente.

Sentindo-se livre de qualquer tipo de pressão, Bjork afirma que tal experiência o relembrou dos tempos de “Jalamanta” seu álbum solo de estreia que chegou às lojas em 1999. “Guerrilla Funk”, o primeiro pedaço desse misterioso disco que nos é apresentado, tem sim suas semelhanças com o debut do músico.

A peça de sete minutos e meio é puro improviso funk, um experimento que peca um pouco, ao meu ver, pelo excesso. Mas pelo fato de ser uma criação com total liberdade artística por parte de Brant Bjork, executando o que ele sentia ali na hora de seus improvisos, sem se prender a estéticas ou regras, torna o resultado o tanto quanto favorável.

“Jacoozzi” chega por completo no dia 05 de abril deste ano. No final de 2018, o padrinho do stoner rock lançou “Mankind Woman”, seu mais recente disco de estúdio, e escrevi sobre o mesmo aqui.

Direto do Forno · Música

O “novo” do Nebula: Demos & Outtakes 98​-​02

A apóstrofe no título tem um motivo: o lançamento é de hoje, cravado em 25/01, mas o material que ele traz não é tão novo assim. São sobras de estúdio e demos que nunca haviam sido lançadas anteriormente pelo Nebula, figura fundamental para o rock do deserto.

“Demos & Outtakes 98-02” é composto por dez canções, sendo cinco inéditas. Uma delas é “Whalefinger”, a primeira canção escrita pelo guitarrista da banda, Eddie Glass, quando ele ainda participava de outro conjunto. À exceção de “To The Center”, faixa com forte influência psicodélica dos anos sessenta/setenta, a maior parte do tracklist é composto de canções rápidas e pesadas, com muito fuzz e distorção.

Algumas já conhecidas, como “Smokin’ Woman” e “Sun Creature” (ambas do EP “Sun Creature”, de 1998), vêm em versão demo, com uma roupagem mais crua e pesada, sendo um deleite para quem gosta de ouvir uma banda em seu estado mais natural possível. “Nervous Breakdown”, cover do Black Flag e que encerra o disco em uma versão ao vivo, é interessante por mostrar algumas das referências que contribuem para a sonoridade da banda.

Esse compilado é ideal não somente para os fãs do conjunto, mas também uma porta de entrada interessante para quem o deseja conhecer melhor. Agradeço a Heavy Psych Sounds Records por esse resgate.

1. Stagnant Pool
2. Whalefinger
3. Humbucker
4. Smokin’ Woman
5. Sun Creature
6. You Got It
7. To The Center 
8. Synthetic Dream
9. How Does It Feel To Feel
10. Nervous Breakdown (Black Flag Cover Ao Vivo)

Direto do Forno · Música

O novo do John Garcia: John Garcia and the Band of Gold

Em ordem cronológica, é seu terceiro álbum solo, mas se levarmos em conta a nova banda que o acompanha, “John Garcia and the Band of Gold” é o primeiro disco do deus-mor do rock do deserto com esse grupo. E o seu melhor trabalho desde que se desprendeu do Kyuss.

Ao todo, são onze petardos sonoros que não aliviam em nenhum momento. Quer entender melhor? Pegue os três singles disponibilizados anteriormente (“Chicken Delight“, “Jim’s Whiskers” e “My Everything“) e quadruplique-os. O disco inteiro é recheado de riffs pesados e sujos, com muito fuzz e blues, um baixo marcante e igualmente forte, acrescentados à uma bateria pungente que parece causar uma avalanche de rochas sobre o ouvinte.

Mas o fio-condutor que mantém o álbum bem nivelado do início ao fim é o vocalista e dono do projeto. O tempo fez bem à sua voz e Garcia parece mais vivo do que nunca, enérgico nos versos e agressivo nas horas certas. E é justamente esse equilíbrio entre voz e instrumentos que tornam “John Garcia and the Band of Gold” um trabalho uniforme, mantendo a intensidade desde o início instrumental com “Space Vato” até o desfecho (não se engane pelo nome) com “Softer Side”.

Se o stoner rock/metal tem, ao meu ver, uma das atividades mais produtivas da música underground, ouvir um novo disco daquele que é considerado uma lenda viva do estilo é um incentivo e tanto.


1. Space Vato
2. Jim’s Whiskers
3. Chicken Delight
4. Kentucky II
5. My Everything
6. Lillianna
7. Popcorn (Hit Me When You Can)
8. Apache Junction
9. Don’t Even Think About It
10. Cheyletiella
11. Softer Side

Garimpo · Música

Garimpo: Brant Bjork – Charlie Gin/Low Desert Punk (Ao Vivo na Klangfarbe)

A Klangfarbe é grande rede de lojas da Áustria, focada na venda de instrumentos musicais, som e aparatos para estúdios. No Youtube, ela mantém um canal com apresentações de diversos artistas em seus estabelecimentos.

Um dos caras que apareceram por lá recentemente foi Brant Bjork, que já falei aqui no Numa Sexta algumas vezes. Inclusive, é dele um dos discos mais legais de 2018.

É uma apresentação curta, pouco mais de sete minutos, e bem natural: apenas voz e violão. Porém, é o suficiente para Bjork mostrar todo o seu talento, seja como instrumentista ou vocalista.

Direto do Forno · Música

Brant Bjork – Too Many Chiefs (Vídeo)

A história da canção “Too Many Chiefs” é interessante. Originalmente, foi escrita para o primeiro disco solo de Brant Bjork, “Jalamanta” (1999), um dos clássicos do desert rock, intitulada “Too Many Chiefs… Not Enough Indians”. Em 2007, a mesma ganhou uma releitura no disco “Tres Dias”, apenas como “Too Many Chiefs”, dessa vez em formato acústico.

O selo Heavy Psych Sounds Records, que adquiriu boa parte da discografia de Bjork, disparou em seu canal no Youtube um vídeo oficial para a canção, que apresenta o artista munido somente de um violão, executando-a em um cenário bem calmo. Esse vídeo tem o intuito de divulgar o disco “Tres Dias”, que agora está disponível em versões exclusivas e limitadas de vinil colorido na loja do próprio selo.

Sobre a música em si, Brant Bjork explana:

“‘Chiefs’, como eu a abrevio, é uma das primeiras músicas que escrevi para aquele que seria meu primeiro disco solo, Jalamanta. Ela viaja comigo por quase 20 anos e agora é como um velho amigo. É uma canção bem pessoal sobre crescer no deserto e ter aquelas experiências diárias de viver em uma cidade pequena, desesperadamente tentando achar alguém para se relacionar. Tentando achar algo autêntico, algo real. Os sentimentos de ser um excluído e usar a sua frustração para abastecer os seus sonhos por algo mais espiritual do que material. O título “Muitos chefes… Poucos Índios” (tradução do título da música) é sobre a obsessão da América por “vencedores”, autoridade e falsos profetas. Sem os índios, os chefes não existiriam.”

Recentemente, Brant Bjork lançou um novo disco, “Mankind Woman”. Escrevi sobre ele aqui.