Direto do Forno · Música

O novo do John Garcia: John Garcia and the Band of Gold

Em ordem cronológica, é seu terceiro álbum solo, mas se levarmos em conta a nova banda que o acompanha, “John Garcia and the Band of Gold” é o primeiro disco do deus-mor do rock do deserto com esse grupo. E o seu melhor trabalho desde que se desprendeu do Kyuss.

Ao todo, são onze petardos sonoros que não aliviam em nenhum momento. Quer entender melhor? Pegue os três singles disponibilizados anteriormente (“Chicken Delight“, “Jim’s Whiskers” e “My Everything“) e quadruplique-os. O disco inteiro é recheado de riffs pesados e sujos, com muito fuzz e blues, um baixo marcante e igualmente forte, acrescentados à uma bateria pungente que parece causar uma avalanche de rochas sobre o ouvinte.

Mas o fio-condutor que mantém o álbum bem nivelado do início ao fim é o vocalista e dono do projeto. O tempo fez bem à sua voz e Garcia parece mais vivo do que nunca, enérgico nos versos e agressivo nas horas certas. E é justamente esse equilíbrio entre voz e instrumentos que tornam “John Garcia and the Band of Gold” um trabalho uniforme, mantendo a intensidade desde o início instrumental com “Space Vato” até o desfecho (não se engane pelo nome) com “Softer Side”.

Se o stoner rock/metal tem, ao meu ver, uma das atividades mais produtivas da música underground, ouvir um novo disco daquele que é considerado uma lenda viva do estilo é um incentivo e tanto.


1. Space Vato
2. Jim’s Whiskers
3. Chicken Delight
4. Kentucky II
5. My Everything
6. Lillianna
7. Popcorn (Hit Me When You Can)
8. Apache Junction
9. Don’t Even Think About It
10. Cheyletiella
11. Softer Side

Garimpo · Música

Garimpo: Brant Bjork – Charlie Gin/Low Desert Punk (Ao Vivo na Klangfarbe)

A Klangfarbe é grande rede de lojas da Áustria, focada na venda de instrumentos musicais, som e aparatos para estúdios. No Youtube, ela mantém um canal com apresentações de diversos artistas em seus estabelecimentos.

Um dos caras que apareceram por lá recentemente foi Brant Bjork, que já falei aqui no Numa Sexta algumas vezes. Inclusive, é dele um dos discos mais legais de 2018.

É uma apresentação curta, pouco mais de sete minutos, e bem natural: apenas voz e violão. Porém, é o suficiente para Bjork mostrar todo o seu talento, seja como instrumentista ou vocalista.

Direto do Forno · Música

Brant Bjork – Too Many Chiefs (Vídeo)

A história da canção “Too Many Chiefs” é interessante. Originalmente, foi escrita para o primeiro disco solo de Brant Bjork, “Jalamanta” (1999), um dos clássicos do desert rock, intitulada “Too Many Chiefs… Not Enough Indians”. Em 2007, a mesma ganhou uma releitura no disco “Tres Dias”, apenas como “Too Many Chiefs”, dessa vez em formato acústico.

O selo Heavy Psych Sounds Records, que adquiriu boa parte da discografia de Bjork, disparou em seu canal no Youtube um vídeo oficial para a canção, que apresenta o artista munido somente de um violão, executando-a em um cenário bem calmo. Esse vídeo tem o intuito de divulgar o disco “Tres Dias”, que agora está disponível em versões exclusivas e limitadas de vinil colorido na loja do próprio selo.

Sobre a música em si, Brant Bjork explana:

“‘Chiefs’, como eu a abrevio, é uma das primeiras músicas que escrevi para aquele que seria meu primeiro disco solo, Jalamanta. Ela viaja comigo por quase 20 anos e agora é como um velho amigo. É uma canção bem pessoal sobre crescer no deserto e ter aquelas experiências diárias de viver em uma cidade pequena, desesperadamente tentando achar alguém para se relacionar. Tentando achar algo autêntico, algo real. Os sentimentos de ser um excluído e usar a sua frustração para abastecer os seus sonhos por algo mais espiritual do que material. O título “Muitos chefes… Poucos Índios” (tradução do título da música) é sobre a obsessão da América por “vencedores”, autoridade e falsos profetas. Sem os índios, os chefes não existiriam.”

Recentemente, Brant Bjork lançou um novo disco, “Mankind Woman”. Escrevi sobre ele aqui.

Direto do Forno · Música

O novo do Brant Bjork: Mankind Woman

Se John Garcia, um dos pilares do stoner/desert rock, anunciou um novo disco para 2019 (confira aqui), e Josh Homme atingiu uma popularidade enorme com o Queens of  the Stone Age, outra figura marcante do estilo deu as caras esse ano com um álbum repleto de influências e viagens sonoras.

Falo de Brant Bjork, ex-baterista do Kyuss e responsável por uma prolífica e elogiada carreira solo. “Mankind Woman” é o nome de seu trabalho mais recente, que chegou à Terra pela Heavy Psych Sounds Records no dia 14 de setembro. O nome da gravadora tem tudo a ver com o som produzido no disco: uma pesada e psicodélica viagem sonora.

Ao contrário dos seus ex-companheiros (e da maioria das bandas da cena), Bjork adota uma sonoridade mais influenciada pelo hard rock dos início dos anos 70 e do funk, mesclando riffs pesados com um groove à la Funkadelic. Dessa forma, ele atinge não só os admiradores que curtem um som mais “porrada”, mas também aqueles que curtem canções mais lisérgicas.

A faixa que abre o disco, “Chocolatize”, segue bem nessa linha de peso com psicodelia, ainda mais com um videoclipe bastante viajado.

Essa mistura também rende outras canções muito boas, como “Pisces”, a minha preferida, “Swagger & Sway” e a faixa-título. A maior parte das linhas de guitarra do disco são conduzidas pelo wah-wah, garantindo um funk de primeira, como a instrumental “Somebody”, talvez a mais viajada de todo o álbum.

No release do disco, presente no site oficial do artista, o termo “D-Funk”, algo como desert funk, é usado como uma das possíveis classificações de “Mankind Woman”. Ao ouvi-lo algumas vezes, afirmo que essa definição é certeira. Pegue um power trio furioso setentista e acrescente uma guitarra extra do Michael Hampton. É dessa fonte que surge o novo trabalho de Brant Bjork.

1. Chocolatize
2. Lazy Wizards
3. Pisces
4. Charlie Gin
5. Mankind Woman
6. Swagger And Sway
7. Somebody
8. Pretty Hairy
9. Brand New Old Times
10. 1968
11. Nation Of Indica

Direto do Forno · Música

Lançamentos de Peso

Conforme prometido no texto de ontem, aqui estão alguns lançamentos recentes e futuros que separei para os leitores conhecerem. Talvez com exceção do Joe Strummer, são bandas que não costumam figurar nas grandes mídias, mas que fazem um som digno de se apreciar com o volume bem alto.

1 – Red Fang – Listen To The Sirens (Tubeway Army Cover)

A banda estadunidense de heavy metal/stoner rock disponibilizou no final de agosto um cover de “Listen To The Sirens”, originalmente lançada pelo Tubeway Army, grupo punk/new wave liderado por Gary Numan. As versões até se assemelham, com diferença apenas na sonoridade mais pesada que o Red Fang adotou, trocando os sintetizadores por riffs mais agressivos. Ouça e compare ao seu gosto.

2 – Melvins & Al Cisneros – Sabbath Bloody Sabbath (Black Sabbath Cover)

O Melvins é um dos nomes mais fortes quando o assunto é música pesada e, ao meu ver, o grupo ideal para executar uma canção do Black Sabbath à sua maneira, sem perder a pegada da original. Para esse trabalho, eles tiveram a companhia de Al Cisneros, baixista e vocalista do Sleep, outra banda porrada, e gravaram uma versão de “Sabbath Bloody Sabbath”, canção essa que, para mim, é uma das melhores da banda na fase Ozzy.

Aqui, eles desaceleram e aumentam o grave dos riffs, tornando o som ainda mais denso e pesado do que o habitual.

Não há informações (até o momento) de que esse cover fará parte de algum disco da banda e/ou coletânea.

3 – Stoned Jesus – Pilgrims

“Pilgrims” é o nome do novo disco do Stoned Jesus, trio ucraniano de stoner metal e que foi lançado no dia da nossa independência. Canções longas e pesadas com muita psicodelia, típico do chamado desert rock.

É bem difícil encontrar informações sobre a banda em português, mas dá para ouvir o som dos caras tanto no Youtube quanto na página deles no BandCamp. Vale muito a pena.

4 – All Them Witches – ATW

O novo do trabalho do All Them Witches será intitulado “ATW” e sai no dia 28 de setembro. Também como um trio, a banda faz um som pesado de primeira linha. Até o momento, duas faixas estão disponíveis para audição: “Fishbelly 86 Onions” e “Diamond”, ambas passando dos seis minutos de duração e com muita pitada de blues e stoner, uma verdadeira viagem sonora.

*Atualização:

A banda lançou um videoclipe bem sombrio para “Diamond”, canção que fará parte do próximo disco intitulado “ATW”. Nesse trabalho, música e vídeo se completam em um tom macabro onde, ao que parece, o personagem está possuído por alguma força das trevas.

5 – Joe Strummer – Joe Strummer 001

Tenho escutado bastante o trabalho do Joe Strummer pós-The Clash, e me surpreendi com a notícia de que um disco póstumo chamado “Joe Strummer 001” está para sair também no dia 28 (mesmo dia do lançamento de ATW). Será repleto de materiais raros e inéditos da carreira do artista, atravessando toda a sua carreira, até mesmo antes do The Clash.

“London Is Burning”, até o momento, é a única faixa liberada para o público e mostra todo o talento de Strummer como compositor e visionário, já que a canção soa bem atual em relação aos acontecimentos recentes não só na Inglaterra, mas em todo o planeta.