Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #03: José Maria Pena

Foi com pesar que li sobre o falecimento do grande José Maria Pena, figura que está na história dos dois alvinegros que torço: o Galo e a Pantera.

Como jogador, foi revelado nas categorias de base do Atlético-MG e jogou na equipe de 1968 a 1973, fazendo parte do time campeão nacional em 1971.

Como técnico, destaco sua passagem pelo Democrata-GV em 2007, naquele que considero o último grande time da Pantera, semifinalista do Campeonato Mineiro e campeão do interior. Como torcedor do “Demo”, é triste lembrar da grande equipe liderada por Vilar, Amilton e Leandro Carrijo e comparar com a atual situação do clube.

Zé Maria também foi o técnico do Democrata em sua melhor campanha até hoje, quando foi vice-campeão de Minas Gerais em 1991, porém, eu ainda não era nascido.

Fica aqui a minha singela homenagem a esse personagem fundamental de momentos gloriosos que, tenho certeza, não serão apagados das mentes dos torcedores.

CAM1971Foto: https://www.futebolinterior.com.br/

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #02: Masoquismo

No final de semana retrasado, assisti um jogaço da Bundesliga: Hertha Berlim 2×3 Borussia Dortmund. Fora de casa, os auri-negros venceram de virada e com um gol nos acréscimos, depois de tanto martelar o adversário. O jogo foi ótimo porque foi movimentado, com duas equipes bem armadas, que sabiam trocar passes e buscavam o gol a todo instante. Venceu a melhor.

Alguns dias antes, no final de fevereiro, assisti cerca de quinze minutos de Boavista x Madureira, transmitido pelo Sportv para TODO O BRASIL, pelo desastroso Campeonato Carioca. Meus olhos chegaram a doer, de tão ruim que foi a experiência. Os times não conseguiam trocar mais do que três passes até darem algum chutão para frente, sem falar na péssima pontaria dos jogadores. Ainda assim, a cada equipe conseguiu fazer um gol cada. Não vi nenhum deles.

Outra partida que acompanhei por alguns minutos foi Atibaia x Portuguesa, pela Série A2 do Paulistão, também com transmissão NACIONAL pelo canal global. Com chuva, esse jogo foi ainda pior. E olha que São Paulo tem, ao meu ver, o melhor futebol do interior. Ficou 1×2 para a Lusa, que consegue se afundar cada vez mais, ano após ano.

Sei que é engraçado admitir isso, mas mesmo com todas as críticas, gosto dos Estaduais. Sinto falta deles quando chega nessa época do nosso calendário futebolístico, onde a maioria dos campeonatos já estão nas fases finais. É divertido ver esses jogos com técnica zero, zagueiros truncados, atacantes que se acham craques e gramados terríveis. Lembra dos jogos que eu ia no Mamudão, em Governador Valadares-MG, acompanhar os jogos do Democrata pelo Campeonato Mineiro. É nessas partidas que temos o tio da pipoca, da batata seca, do torcedor do rádio de pilha e mais um monte desses clássicos personagens que fazem o futebol ser tão apaixonante.

Prefiro pagar vintão num ingresso para assistir Democrata x Ipatinga (clássico do leste mineiro que já vi debaixo de uma forte chuva e que perdemos em casa por 1×4) do que acompanhar um clássico inglês sentado, como se estivesse num teatro.

Gostar dos Estaduais é gostar de sofrer. Só pode ser masoquismo.