Crônicas · Língua Presa · Música

Idiotização

Os idiotas estão dominando o mundo ou eu que estou ficando rabugento cedo demais?

Repetindo os versos de Noel Gallagher, “estou desmoronando ou apenas ficando velho?”

Afinal, por que os homens viram completos idiotas quando se tornam pais? Cada vez mais tenho notado um comportamento…. digamos, imbecil quando esses interagem com seus filhos. Um exemplo bem nítido são as chamadas de vídeo com as crianças que, muitas vezes, nem têm noção do que está acontecendo, e o pai bobalhão fica fazendo voz fina e caras e bocas que até assustam.

Mais cedo no mercado, o segurança do local estava fazendo isso, perguntando ao filho como ele se machucou, se doeu, e depois um pedido que foi a gota d’água e que quase me matou de vergonha: “conta para o papai como foi que você chorou”. Nesse momento, vi que o mundo não tem mais salvação.

Fat Mike estava certo em 2003 e sua razão se concretizou por completo em 2019.

Os idiotas assumiram o controle.

Crônicas · Diversos · Língua Presa · Música

No Limite

Um curto relato.

Aula de Matemática II. Estava usando o kit antissocial na universidade: roupa toda preta, postura desengonçada e fones de ouvido. “Edge of the World”, do Faith No More, tocava no celular.

Presente no clássico The Real Thing (1989), a canção possui uma levada jazzística e a voz de Patton, afiadíssima, proclama os versos que soam como um ritual sedutor entre um homem mais velho e uma jovem e bela mulher.

É daquelas músicas em que não se ouve parado. O corpo, desobediente, balança, a cabeça rodopia, os dedos estalam e os pés tocam um bumbo imaginário. Nesse estado, saí da sala em completo transe musical e fui ao banheiro urinar (deixa eu manter o palavreado moderado).

O resultado da situação, deixo ao leitor que conclua.

Crônicas · Língua Presa

Notas de cotidiano


(Crônica feita para o blog da Immagine e que foi ao ar hoje. Link aqui.)

Há algumas semanas, viajei para São Paulo a trabalho. Fiquei cinco dias lá, em meio a horas de trânsito, vários pedestres com semblantes sérios, bem vestidos, fumantes, clima instável, treinamentos e muito, muito barulho. Uma correria pura. Levei comigo um bloco de anotações vermelho que uso como uma espécie de diário, onde anoto pensamentos variados do cotidiano. Durante a viagem, utilizei o termo “notas” para referir aos detalhes que observava e achava interessante. “Notas de Hotel”, “Notas de Aeroporto”, “Rápidas”, “De Rodoviária”, “Notas da Estrada”, enfim, o que aparecesse eu escrevia.

Escrevi sobre o meu medo de viajar de avião (ainda mais com muita chuva e neblina lá em Barreiras); sobre o tédio no aeroporto após o vôo atrasar e, posteriormente, ser cancelado; sobre a antipatia de certos atendentes; filosofias de estrada como “o céu parece mais escuro quando se está longe de casa”; sobre a saudade da esposa; sobre conexões sem fio (se a conexão é sem fio, desconfio); e a minha preferida, que anotei depois de pagar exatos SETE REAIS por uma garrafa de água mineral: “algumas águas são melhores que outras”.

Alguns dias depois do acidente que minha mãe sofreu, folheei uma agenda que ela possuía, novinha em folha. Na página datada em 27/01, dia em que ela iria embora, ela anotou: “Voltando para casa”. Ela parou antes da metade do caminho. Desafiei-me a fazer o mesmo. No dia de voltar para LEM, escrevi como nota de hotel: “Voltando para casa”. Venci o desafio.

Alexander Supertramp, o rapaz aventureiro de “Na Natureza Selvagem” diz no filme (digo no filme porque não lembro se tal frase aparece no livro): “O espírito da vida humana vem de novas experiências”. Ou algo do tipo. Viajar é uma ótima experiência, mas melhor ainda é chegar em casa. Já a morte, não, mas tiram-se lições valiosas.

Por isso, como nota de hotel, escrevi (em inglês, porque achei que ficaria mais bonito): “there’s no place like home”. Esse texto poderia também servir como nota. O chamaria de Nota do Cotidiano. Ou Filosofia Barata do Dia-a-Dia. Fique à vontade para escolher.

 

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #00: O Futebol Cearense em 2018

Estava esperando o início da temporada 2019 para dar o pontapé inicial na coluna “Não Ao Futebol Moderno” aqui no blog, onde pretendo discorrer sobre o futebol brasileiro na sua mais pura essência, longe da modernização que ele sofreu nos últimos anos.

Porém, faço aqui uma espécie de abertura não-oficial (um protótipo) da coluna para falar sobre os feitos do futebol cearense em 2018 que, creio eu, seja motivo de muito orgulho para o estado e que deixaram-me encantados. Afinal, eles abocanharam nada menos do que DOIS TÍTULOS NACIONAIS nesse ano, um feito gigante para uma terra que possui times de muita tradição, mas que, no campo, o cenário foi muito duro nas últimas temporadas.

O primeiro dos dois títulos foi do Ferroviário, que sagrou-se campeão nacional da Série D, vencendo o Treze-PB na final. O Ferrão, como é conhecido, estava na fila há 23 anos sem um título sequer, e quebrou a sequência incômoda logo com um campeonato a nível nacional. Perdeu em Campina Grande-PB por 1×0 e sapecou 3×0 na volta, em Fortaleza-CE.

Considerado por muitos como a terceira força do estado, o clube agora busca ascender ainda mais em âmbito nacional, já que disputará a terceira divisão no próximo ano. Seria importante também quebrar o jejum de títulos estaduais, já que o último, conforme dito acima, foi vencido há mais de duas décadas.


Fonte: Site oficial do Ferroviário Atlético Clube

Um dos rivais do Ferroviário, o Fortaleza também levantou um caneco nacional esse ano, só que ainda mais expressivo. O time comandado por Rogério Ceni sagrou-se CAMPEÃO BRASILEIRO DA SÉRIE B em pleno centenário, o primeiro título do clube na competição, após ser vice por duas oportunidades. Também marca o debut de títulos de Rogério em sua nova função.

Com uma campanha irretocável, o clube se manteve no topo praticamente por toda o campeonato, e martelou o título ao vencer o Avaí-SC, lá na Ressacada, por 0x1, com um gol no último lance da partida. E essa foi uma das forças do Fortaleza na série B: as partidas fora de casa. O time foi um ótimo visitante, vide a partida contra o Guarani-SP em Campinas, vencida pelos cearenses por 2×3, após estarem perdendo por 2×0.

A expectativa agora, não só dos torcedores, mas também dos jornalistas e das pessoas que acompanham o futebol nacional, é saber se a equipe terá forças o suficiente para uma boa campanha na primeira divisão nacional no ano que vem.


Fonte: O Povo Online

Além dos feitos extraordinários das duas equipes que compõem o tradicional Clássico das Cores, devemos também prestigiar o Ceará, que, aparentemente, tem plenas condições de permanecer na série A do ano que vem. Assim, teremos mais um grande clássico movimentando o Campeonato Brasileiro.

Fica também a torcida para que o CSA-AL consiga o seu acesso no próximo final de semana, quando visita o já rebaixado Juventude-RS lá em Caxias e depende apenas de si para carimbar a sua promoção à Série A de 2019. Convenhamos que, após passar quase o campeonato por completo no G4, ficar de fora seria uma grande tragédia.

Portanto, viva o futebol nordestino e que cada vez mais clubes de outros estados possam arrancar do eixo Rio-São Paulo as frentes do cenário futebolístico brasileiro.

Não ao futebol moderno!