Crônicas · Língua Presa · Música

Hoje Dancei Ouvindo Ride

Something Else, do The Brian Jonestown Massacre, foi um dos vários álbuns que ouvi hoje durante o dia. E no Spotify é o seguinte: quando um disco acaba, começa a tocar aquilo que o programa chama de rádio, que é um compilado aleatório de músicas que se parecem com o que acabou de ser reproduzido. É uma ferramenta interessante para descobrir bandas e artistas novos.

A rádio do Something Else tinha, em sua maioria, artistas de música psicodélica, como o Spiritualized e o Oh Sees. Só que teve uma em específico que quando começou a tocar, não acreditei. Meus braços arrepiaram-se por inteiro e pensei que havia entrado em uma máquina do tempo. “Dreams Burn Down”, do Ride.

Quando o shoegaze entrou na minha vida, eu estava naqueles momentos de personalidade vulnerável, ainda sendo moldado sob as próprias influências. Nowhere, do Ride, foi um dos grandes discos que abriram as portas para que eu adentrasse nesse universo de guitarras dissonantes, etéreas e barulhentas.

Voltando ao tempo presente, era final de tarde e estava encerrando o expediente (home office) quando “Dreams Burn Down” começou a tocar. Peguei um cigarro, acendi e coloquei o volume da caixa de som quase no máximo, fazendo com que a bateria SENSACIONAL do início da música quase trincasse a janela da sala. No quintal, meus dois cachorros ouviram o barulho da porta sendo aberta e vieram ver o que eu estava fazendo. A música, que eu não ouvia há uns bons anos, levou-me a dançar com eles durante todo o seu decorrer. Para minha surpresa, até a letra eu ainda sabia cantar.

Quase chorei em certo momento. Foi como se ela tivesse se transformado em correntes de ar e entrado em meu organismo, tomando conta de minhas emoções.

Foi como expurgar parte de demônios que ainda vivem dentro de mim.

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No Limite

Um curto relato.

Aula de Matemática II. Estava usando o kit antissocial na universidade: roupa toda preta, postura desengonçada e fones de ouvido. “Edge of the World”, do Faith No More, tocava no celular.

Presente no clássico The Real Thing (1989), a canção possui uma levada jazzística e a voz de Patton, afiadíssima, proclama os versos que soam como um ritual sedutor entre um homem mais velho e uma jovem e bela mulher.

É daquelas músicas em que não se ouve parado. O corpo, desobediente, balança, a cabeça rodopia, os dedos estalam e os pés tocam um bumbo imaginário. Nesse estado, saí da sala em completo transe musical e fui ao banheiro urinar (deixa eu manter o palavreado moderado).

O resultado da situação, deixo ao leitor que conclua.

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Domingo de Páscoa

“Domingo de Páscoa”, do álbum Só Vive Duas Vezes, do Fellini. Já escrevi um breve texto sobre o disco aqui.

Cadão Volpato é ótimo em criar cenários em suas canções, mesmo com letras tão desconexas. E a canção tem tudo a ver com o feriado do final de semana.

O blog retorna após o mesmo, na segunda. E lembre-se: depois do domingo de páscoa, a segunda é o dia. Tudo volta ao normal.

“Depois do Domingo de Páscoa,
Segunda é o dia
Olhar uma por uma todas as quaresmeiras
É só o galo cantar e acordar o seu Pinto
Não é todo dia que se tem a vida inteira
O sol se levanta quando alguém cai da cama
As mulheres correndo que o ônibus vem vindo
Os judeus numa boa e os cachorros latindo”