Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #06: Exorcismo

Tá exorcizado! Expurgado! Excomungado! Expulso!

Não importa o verbo, a sensação de ALÍVIO que o torcedor atleticano está sentindo hoje é imensurável. Eliminamos o Botafogo na Sul-Americana com DUAS VITÓRIAS!

O contexto para explicar tamanha alegria:

Há 25 anos um terror chamado Botafogo assombra as nossas cabeças em competições de mata-mata. Seja na Copa do Brasil, Sul-Americana ou qualquer outro torneio, sempre o time carioca passava com autoridade. Algumas vezes, de forma até humilhante, como aquele desastroso 2×5 em pleno Mineirão na temporada de 2008. Tenho pesadelos com aquele jogo até hoje.

Porém, isso é passado. Ontem espantamos essa nhaca do nosso caminho com uma vitória por 2×0 no Independência, gols de Fábio Santos e Vinícius. O próximo adversário será o La Equidad, da Colômbia.

Um adendo: não se enganem, Galos Doidos. O time tá jogando muito mal, com dificuldades para marcar gols e alguns jogadores passando por uma fase terrível. Vamos torcer para que o técnico Rodrigo Santana acerte ainda mais a equipe e que, ao final do ano, possamos levantar essa taça para salvar a temporada.

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #05: A Perna Esquerda de São Victor

Era noite de 30 de maio de 2013, uma quinta-feira, mais precisamente aos 48′ do segundo tempo de uma partida de quartas-de-final da Copa Libertadores da América, quando Victor eternizou a sua passagem pelo Atlético-MG. Riascos foi despretensioso e parou na perna esquerda do arqueiro atleticano. Daquele momento em diante, o Galo só sossegou ao erguer a taça no Mineirão. Daquela quinta em diante, Victor virou santo.

Hoje, quase seis anos depois, o panorama pode até ser diferente, mas a situação é parecida. O dia é 28 de maio, também à noite, numa terça-feira. A competição é de “segundo escalão”, segundo o preside(a)nte(a) do clube, mas não para o torcedor. É um troféu que ainda não consta na galeria. A Sul-Americana. Cairia como uma luva para salvar esse ano desastroso do time

Com uma exibição fraquíssima da equipe, o garoto Alerrandro entra para evitar a vergonha de ser eliminado em casa durante os noventa minutos pelo modesto Unión La Calera, do Chile. Com 1×1 no agregado, tudo será decidido nos pênaltis. E disso, São Victor entende muito bem. E fez valer a sua alcunha santificada.

O goleiro alvinegro pegou todos os três pênaltis do time chileno. O segundo, por incrível semelhança, foi cobrado no meio do gol e São Victor defendeu com a perna esquerda. Na última vez que ele fez algo do tipo em uma competição continental, a taça veio para a Cidade do Galo, como disse no primeiro parágrafo.

Espero que tal fato vá além de uma mera coincidência, e que São Victor tenha o prazer de levantar mais um troféu com essa camisa tão gloriosa.