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Criança de Domingo

Manguebeat. O termo que revitaliza a música brasileira dos anos noventa. Que leva mundo afora a originalidade tupiniquim, o Chico e sua Nação, Fred 04 e o seu Mundo Livre, passeando do underground ao sucesso.

Da ponte aérea SPxPE, conhecemos Criança de Domingo. Escrita por Cadão Volpato, ex-Fellini e que à época liderava o Funziona Senza Vapore (1992), a canção que faz parte do único disco do projeto chegou aos ouvidos de Chico Science por Stela Campos, uma das integrantes da banda. Chico gostou tanto que a regravou para o segundo disco da Nação Zumbi, Afrociberdelia, de 1996.

A original, que só chegou à luz em 2002 (assim como todo o registro do Funziona Senza Vapore), bebe do pós-punk inglês. Já a regravação, mais lenta e melancólica, é moldada à forma do mangue, através de percussão e a guitarra de Lúcio Maia.

Da ponte aérea SPxPE, ganhamos a influência Inglaterra x Brasil. América do Sul x Europa. Tudo em um movimento só.

A música é universal.

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Domingo de Páscoa

“Domingo de Páscoa”, do álbum Só Vive Duas Vezes, do Fellini. Já escrevi um breve texto sobre o disco aqui.

Cadão Volpato é ótimo em criar cenários em suas canções, mesmo com letras tão desconexas. E a canção tem tudo a ver com o feriado do final de semana.

O blog retorna após o mesmo, na segunda. E lembre-se: depois do domingo de páscoa, a segunda é o dia. Tudo volta ao normal.

“Depois do Domingo de Páscoa,
Segunda é o dia
Olhar uma por uma todas as quaresmeiras
É só o galo cantar e acordar o seu Pinto
Não é todo dia que se tem a vida inteira
O sol se levanta quando alguém cai da cama
As mulheres correndo que o ônibus vem vindo
Os judeus numa boa e os cachorros latindo”

Garimpo · Música

Garimpo: Fellini – Só Vive 2 Vezes (Disco)

Já deve fazer uma semana que o segundo álbum do Fellini, Só Vive 2 Vezes, é repetido de forma incessante no meu cotidiano, seja no player do carro ou no celular. A produção de baixa qualidade, as letras sem sentido de Cadão Volpato, as melodias que misturam pós-punk com MPB e sintetizadores e um forte senso de originalidade são os ingredientes que prenderam a minha atenção.

O Fellini foi um conjunto paulistano que durou de 1984 à 1990, tendo como frentes principais o guitarrista Thomas Pappon e o vocalista/letrista Cadão Volpato. Em Só Vive 2 Vezes, apenas a dupla participou da composição e gravação das músicas. Todo o trabalho foi feito na casa de Pappon em um gravador com quatro canais. Segundo Cadão, em uma das músicas é possível ouvir até um vigia passando na rua com um apito, mostrando o quão cru foi o processo desse disco. Crueza essa que, em alguns momentos, dificulta o entendimento de suas palavras, mas que não impedem o ouvinte de apreciar as canções.

A melancolia é companheira em quase todas as canções. Mesmo que algumas melodias sejam mais agradáveis, a sensação ao ouvir “Só Vive 2 Vezes” é de estar em um dia nublado acompanhando a chuva pela janela.

Destaco “Tudo Sobre Você”, “Tabu”, a mais experimental “Mãe dos Gatos”, a lamentosa “Todos Os Dias da Semana” e “Burros e Oceanos”.