Direto do Forno · Música

+2x Maya Hawke

Enquanto não chega a data de estreia, de forma mais precisa dia 19 do próximo mês, Maya Hawke vai nos dando aperitivos de como será Blush, seu primeiro disco.

Já postei aqui o single “By Myself”, e desde então a menina da sorveteria de Stranger Things soltou mais duas canções: “So Long” e “Coverage”. Ambas ganharam versões ao vivo em um formato caseiro (seu pai, Ethan Hawke, filmou o vídeo de “Coverage”, que rolou em um celeiro) e cru, sem edições. A filmagem de “So Long”, em formato acústico, aconteceu em um espaço aberto, e dá pra vê-la sentindo calafrios devido à baixa temperatura.

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Protomartyr e o Meme Brasileiro

Assisti Bandidos Na TV recentemente e fiquei de cara com o tanto de plot twist que aconteceu na história toda. Nem o mais refinado roteirista de Hollywood seria capaz de desenrolar algo tão bizarro e impactante.

Não entrarei em detalhes sobre a série documental, mas apenas para que o leitor tenha um norte, ela trata sobre o Caso Wallace, que foi um desenrolar de acontecimentos ocorridos em Manaus que envolveu o político Wallace Souza e vários crimes. Wallace foi apresentador do Canal Livre, programa policial líder de audiência no Amazonas, e graças à fama, entrou para a política. Veja a série, vale muito a pena.

Voltando ao tópico principal, um dos memes mais engraçados da internet brasileira vem justamente do Canal Livre, que foi a briga entre o fantoche Galerito e o Gil da Esfiha, participante assíduo da plateia. Em um belo dia, durante uma apresentação do cantor Nunes Filho, Galerito foi provocar o Gil e o pau quebrou. O vendedor de esfihas não aceitou a brincadeira e partiu pra cima do fantoche, o que causou uma confusão generalizada AO VIVO, deixando muita gente perplexa e gerando muitas risadas… Menos Nunes Filho, que manteve a compostura e continuou sua apresentação como se nada estivesse acontecendo.

Essa foi a situação que inspirou o videoclipe de “Processed By The Boys”, do Protomartyr. A canção foi lançada em 11 de março, como single do próximo álbum do grupo, Ultimate Success Today, com lançamento marcado para julho. É interessante o contraste do vídeo, cujas atuações beiram o lado cômico da situação, mas a música em si é melancólica, pesada e com letras sombrias.

Confira abaixo.

Direto do Forno · Música

Wilco – Tell Your Friends (Single)

Não é segredo algum dizer que Jeff Tweedy é um dos maiores compositores do mundo da música nos últimos trinta anos, principalmente nos tempos áureos do Wilco (Being There e Yankee Hotel Foxtrot).

“Tell Your Friends” é mais uma prova da habilidade do músico, novamente certeiro ao descrever pequenos detalhes que tornam-se gigantescos agora que estão praticamente em falta: gestos de afeto, como um abraço, aperto de mão, palavras de carinho, etc.

Mesmo com a tecnologia ao favor (e também desfavor, em partes) da humanidade, todos sentimos falta de calor humano. Por isso ele diz:

“Quero segurar sua mão
Quando te ver novamente.”

O single foi disponibilizado para download a preço mínimo e toda a renda será destinada à ONG World Central Kitchen.

Wilco sendo Wilco, apenas. Banda grandiosa não só na música, mas também em suas atitudes.

 

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #11: Garrincha no Vox Populi

Considero-me um cara ainda jovem, com vinte e sete anos recém completados. Comecei a acompanhar futebol para valer, com lembranças, torcida e tudo mais, em 2006, ano em que o Atlético Mineiro disputou a Série B. O que era para ser motivo de vergonha para muitos, foi a comprovação de uma lealdade e a firmação daquilo que acredito ser atleticano. E tenho certeza que muitos sentem o mesmo.

De 2006 pra cá, vi times encantadores. Vi o Barcelona de 2009, que ganhou TUDO que disputou, a Espanha bi-campeã européia e campeã mundial, o Galo de 13/14, enfim, são alguns exemplos. Tiveram muitos outros, claro. Sem falar no privilégio em presenciar o auge de dois dos maiores jogadores de todos os tempos, Messi e Cristiano Ronaldo.

Apesar de ser novo, minha alma pertence a épocas passadas. Tenho uma paixão inexplicável pelas décadas que não vivi, principalmente quando o assunto é futebol. Entro em devaneios quando imagino aquele futebol cascudo, truncado, times tão bem falados ainda nos dias atuais, como o Flamengo do Zico, o Atlético de Reinaldo, a Seleção Brasileira de 1970, Santos e Botafogo dos anos sessenta, e por aí vai. E um dos meus personagens favoritos desse tempo é o Garrincha, pelas jogadas inovadoras para a época. Os cortes secos, muitas vezes repetitivos, mas que os marcadores sempre caíam. E claro, sua estrela em duas Copas do Mundo.

Vi há poucos dias uma entrevista do Mané no programa Vox Populi, na TV Cultura, de 1978, salvo engano. A qualidade é de um nível que não se vê em entrevistas de jogadores nos dias atuais. Garrincha responde questionamentos variados, que vão de sua carreira a assuntos mais delicados, como situação financeira, vícios e separações. E o melhor de tudo, com exceção de uma ou outra pergunta que ele rodeia, o cara não nega a chance de resposta.

Pegue qualquer jogador brasileiro de hoje e imagine uma entrevista com ele. Os assuntos provavelmente seriam bens materiais, mulheres, idiotices de rede social e só ladeira abaixo. E as respostas? Bem, se houvesse alguma, todas passariam pelo exame do assessor antes. Uma lástima. Chega a dar tristeza perceber como nosso nível caiu tanto, dentro e fora do campo.

Garimpo · Língua Presa · Música

Redescobrindo o Suede

Meu primeiro contato com o Suede foi numa apresentação dos caras no programa do Jools Holland, em 1994, época do então recém-lançado Dog Man Star. Isso tem muitos anos, como também fazia muitos anos que eu não ouvia a banda de novo. Sem motivo algum, havia criado em minha cabeça uma espécie de bloqueio em relação ao Suede.

Bom, nas últimas semanas, estava navegando internet afora e deparei-me com uma postagem do Scream & Yell sobre a banda. Aquele post despertou uma curiosidade em redescobrir o Suede para, enfim, ter uma opinião bem formada em relação ao grupo. O resultado dessa redescoberta é que já faz umas duas semanas (ou mais) que o disco que inicia meus dias é o Dog Man Star.

Melancólico, o álbum possui doze canções ao todo e NENHUMA É DISPENSÁVEL. A hipnótica “Introducing The Band”, quase um mantra, é o abre-alas para um conjunto de músicas cujas referências abrangem o glam rock feito pelo David Bowie no início dos anos setenta, como “The Power” e “New Generation”, odes à ícones do cinema, como “Heroine” (Marilyn Monroe) e “Daddy’s Speeding” (James Dean), baladas bastante emotivas, vide “The 2 of Us” e “Black Or Blue” e até música clássica, no desfecho em “Still Life”.

“We Are The Pigs” e “The Wild Ones” foram os principais singles do disco e são suas melhores canções, flertando o rock’n’roll com um forte apelo pop. “The Asphalt World” é a mais experimental, com pouco mais de nove minutos de duração. Ela vem em sequência das duas baladas e possui uma longa passagem instrumental, quase que lisérgica, renovando o tom do disco às alturas até a última canção.

A banda em si é muito afiada, as linhas de guitarra são algo que se o ouvinte escutar com atenção, verá que são muito acima da média, mas o que me pegou em cheio foi a voz do Brett Anderson e sua figura elegante, bem vestida, como se ele estivesse acima de tudo o que está acontecendo durante as músicas.

A versão de luxo de Dog Man Star possui algumas demos e canções extras e também vale a pena dar uma conferida.

É um disco para dar play e colocar no repeat, pois a cada audição, detalhes e mais detalhes antes despercebidos começam a ficar claros e só engrandecem ainda mais a produção. Como disse acima, faz semanas que ele abre minhas audições diárias e, sem exageros, ele é capaz de tornar os dias um pouco menos pesados. Afinal, essa é uma das maiores belezas da música, não?

Garimpo · Língua Presa · Música

25 Anos de Wowee Zowee

Um dos meus últimos textos foi sobre o vigésimo-quinto aniversário do Alien Lanes, do Guided By Voices, clássico do rock noventista lançado pela Matador Records. Por coincidência, outro grande disco da época e da mesma gravadora também completou vinte e cinco anos de seu lançamento em abril: Wowee Zowee, o mais experimental álbum do Pavement e o meu favorito.

Sucessor do Crooked Rain, Crooked Rain, trabalho mais aclamado da banda, Wowee Zowee é interessante pela sua não-linearidade, pois com uma tracklist de dezoito canções, o álbum alterna momentos mais bem produzidos (“Grounded”, “Rattled By The Rush”, “Kennel District”) com outras canções que parecem inacabadas, como “Serpentine Pad” e “Brinx Job”. Stephen Malkmus mostra-se um conhecedor de seu instrumento, cria linhas de guitarra ora estranhas, ora redondinhas, e sua voz, mesmo desafinando em vários momentos do disco, é cativante.

Uma canção que sintetiza o álbum, se fosse para selecionar uma, seria “Half A Canyon”. É a mais longa e tem grunhidos de Malkmus, letra non-sense e ela entra em um estado acelerado a partir de sua metade que parece um transe.

Pode-se dizer que Wowee Zowee é capaz de influenciar aqueles que pensam em montar um projeto musical, e mais além, prova que é possível obter êxito com sua criatividade e honestidade. E para quem é apenas amante da música, o disco envelheceu bem e rende as mesmas boas sensações de anos atrás, quando o conheci. Lembro que paguei vinte reais na saudosa Goval Discos pelo CD e o guardo com carinho até hoje.

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Black Taffy – Sad Day

Em meio a uma variedade de lives um tanto quanto questionáveis, alguns artistas seguem outra direção para continuar apresentando ao público o seu trabalho, principalmente no meio independente.

Escrevi sobre o Spotlights e o plano para lançar covers semanalmente e o Malcontent disponibilizando o áudio de uma apresentação ao vivo. Agora é a vez do Black Taffy e seu Sad Day.

Também oriundo de uma performance ao vivo, o disco é divido em dois lados, cada qual com seu setlist. A música do Black Taffy surfa na onda do trip hop, com um ar melancólico, relaxante e assombroso, o que a torna encantadora.

Para uma madrugada chuvosa, o que é o caso aqui no oeste baiano, é a indicação ideal.

Detalhe: os lançamentos citados são todos no formato pague o quanto quiser. Se não quiser pagar, é só fazer o download de forma gratuita.

Lado A:
1. nothing can come between us
2. turn my back on you
3. lovers rock
4. flow
5. siempre hay esperanza
6. haunt me

Lado B:
1. mermaid
2. king of sorrow
3. by your side
4. war of the hearts
5. hang on to your love

Direto do Forno · Garimpo · Música

Spotlights – All I Need (Radiohead Cover)

Poucos dias após lançar o ótimo EP We Are All Atomic (falei sobre ele aqui), o Spotlights soltou em sua conta no Bandcamp uma versão de “All I Need”, uma das canções mais arrasadoras do Radiohead.

Segundo os integrantes da banda, esse é o primeiro de vários covers que serão lançados nas próximas semanas com a proposta de pague o quanto puder.

Vale a pena conferir, pois essa versão do Spotlights ficou interessante. Aguardemos os próximos.

Direto do Forno · Música

O Novo do Spotlights: We Are All Atomic EP

Seguindo a mesma proposta de misturar elementos das mais variadas escolas e juntá-las em um só núcleo, o Spotlights lançou no final do último mês We Are All Atomic, um EP curto, com pouco mais de vinte e quatro minutos, mas que mantém a criatividade de Love & Decay, o trabalho anterior.

Formado por quatro canções (I, II, III e IV), We Are All Atomic parece dividido ao meio. As duas primeiras peças se complementam, e as duas últimas, idem.

Bebendo do post-rock, “I”, com quase oito minutos, inicia o álbum feito uma trilha sonora pós-apocalíptica, com uma guitarra atmosférica dando um tom sombrio e contínuo que permanecem até a sua metade. A partir daí, a canção muda a chave ganha um aspecto mais violento, com distorções de peso e percussão entrando e conduzindo o restante até “II”, marcada por bateria e baixo cadenciados e guitarras pesadas.

Pode-se dizer o mesmo da outra metade do disco, o que muda apenas é a ordem de duração das músicas. “III” é o pedaço que introduz o ambiente de distopia, cuja repetição é estendida até a última fatia, “IV”, mais pesada e caótica e que, ao final, a guitarra age como uma sirene e, à exaustão, repete-se até o final.

Como em boa parte das bandas do universo shoegaze, as vozes, quase inaudíveis, são apenas um complemento em toda a estrutura, e não a força principal.

Por pegar referências em várias fontes, uni-las e criar uma música não original, mas particular, faz da Spotlights uma das minhas principais recomendações para quem gosta de um som pesado, hipnótico e melancólico.

We Are All Atomic foi lançado oficialmente em 27 de março, dessa vez pela Blues Funeral Recordings.


1. Part I
2. Part II
3. Part III
4. Part IV

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Malcontet – Rest In Noise

Para deixar nossos dias de distanciamento social injetados com boa música, esse garimpo é daqueles que merecem ser ouvidos com o volume alto. O Malcontent faz um noise rock de qualidade, colocando muito do shoegaze e do pós-punk num liquidificador e criando um som moderno, pesado e barulhento, no bom sentido.

Rest In Noise é um álbum ao vivo lançado há quatro dias em sua página no Bandcamp, referente a um show realizado na cidade de Porto, em Portugal, em dezembro de 2018.

O áudio está impecável, limpo e bem editado, mostrando toda a força da banda quando sobe em um palco.

À efeito de créditos, o Malcontent foi a segunda banda portuguesa de noise rock que conheci no Floga-se. A outra é o The Melancholic Youth of Jesus, que já escrevi sobre aqui algumas vezes.

Começar o dia com Rest In Noise ecoando pela casa é como recompor o gás para o restante da rotina. Caiu por aqui em um momento essencial.