Garimpo · Música

Garimpo: Inches to Infinity

Tem um canal no Youtube que eu adoro, chamado Worldhaspostrock. É um dos maiores e melhores acervos de post-rock na plataforma, com vários discos e playlists para ouvir, sem falar que o canal ficou tão grande que algumas bandas lançam seus trabalhos em primeira mão direto por ele.

Tento ouvir o máximo que posso, principalmente as novas postagens, mas não tem como, é muito material. Mas teve um em específico que atingiu o meu emocional em cheio, um projeto chamado Inches to Infinity, e a canção de nome “These Bones Have Life”.

Na página deles no Bandcamp, a descrição é perfeita:

“Pintando quadros com música, algumas vezes sem palavras.”

São nove canções ao todo, todas no esquema pague o quanto quiser. E as artes visuais são maravilhosas, um aspecto fundamental que engrandece a experiência de ouvir.

Deixo abaixo aquela que citei acima e que me deu arrepios, “These Bones Have Life”.

Direto do Forno · Música

O Novo do Spotlights: We Are All Atomic EP

Seguindo a mesma proposta de misturar elementos das mais variadas escolas e juntá-las em um só núcleo, o Spotlights lançou no final do último mês We Are All Atomic, um EP curto, com pouco mais de vinte e quatro minutos, mas que mantém a criatividade de Love & Decay, o trabalho anterior.

Formado por quatro canções (I, II, III e IV), We Are All Atomic parece dividido ao meio. As duas primeiras peças se complementam, e as duas últimas, idem.

Bebendo do post-rock, “I”, com quase oito minutos, inicia o álbum feito uma trilha sonora pós-apocalíptica, com uma guitarra atmosférica dando um tom sombrio e contínuo que permanecem até a sua metade. A partir daí, a canção muda a chave ganha um aspecto mais violento, com distorções de peso e percussão entrando e conduzindo o restante até “II”, marcada por bateria e baixo cadenciados e guitarras pesadas.

Pode-se dizer o mesmo da outra metade do disco, o que muda apenas é a ordem de duração das músicas. “III” é o pedaço que introduz o ambiente de distopia, cuja repetição é estendida até a última fatia, “IV”, mais pesada e caótica e que, ao final, a guitarra age como uma sirene e, à exaustão, repete-se até o final.

Como em boa parte das bandas do universo shoegaze, as vozes, quase inaudíveis, são apenas um complemento em toda a estrutura, e não a força principal.

Por pegar referências em várias fontes, uni-las e criar uma música não original, mas particular, faz da Spotlights uma das minhas principais recomendações para quem gosta de um som pesado, hipnótico e melancólico.

We Are All Atomic foi lançado oficialmente em 27 de março, dessa vez pela Blues Funeral Recordings.


1. Part I
2. Part II
3. Part III
4. Part IV

Garimpo · Música

Algumas Preciosidades da Shore Dive Records

Instalado em Brighton, na Inglaterra, o selo Shore Dive Records tem sido um dos meus garimpos mais explorados nas últimas semanas. Mais orientado para o noise rock/shoegaze, o catálogo da gravadora é vasto e diverso, capaz de agradar o fã de música barulhenta até aquele que curte um som mais atmosférico.

O novo EP do Last Victorian Death Squad, por exemplo, é um caos sonoro do início ao fim, recheado de feedbacks e emoção.

Já a estreia do Nossiennes, um EP curto com apenas três faixas, traz uma boa fusão entre o Slowdive e o My Bloody Valentine, com as guitarras em eco fazendo um belo trabalho.

Também é daqui que saiu um dos meus discos preferidos de 2019, o EP The Creation, do Superdrone. Até hoje”Freedom” é presença constante em minhas audições diárias.

Caro leitor, não fique apenas nessas indicações e vasculhe-se os mais profundos arredores do universo shoegaze da Shore Dive Records. É uma surpresa melhor que a outra, e claro, um caminho sem volta.