Diversos · Língua Presa

Meus Vinte e Seis Anos

“O meu pai sempre dizia: quero ver você doutor. Minha irmã sempre a escutar: quero ver você casar[…] Eu, sem caminho ou qualquer profissão.”

A realidade não é tão dura quanto na música. Os vinte e seis anos chegaram, disso não tem como escapar, mas meu pai nunca exigiu que eu fosse algo que não quisesse.

O caminho existe, apesar de vê-lo, por enquanto, apenas à distância. Falta ainda a direção. Falta sair da região chamada “conforto” e mudar para um país distante, chamado “criatividade”.

Eu, agora aos vinte e seis anos, gostaria de ter tido minha mentalidade atual há dez anos. Gostaria que pessoas que fizeram parte da minha adolescência me conhecessem hoje, que pessoas da família me vissem como sou hoje, que meu pai tivesse a chance de ver onde estou. Com muito caminho a ser desvendado.

 

Garimpo · Música

Garimpo: Mais um aniversário

“Passeando” pelo Instagram, vi um post do Mr. Tom Morello sobre o aniversário de lançamento de “Out of Exile”, segundo disco de estúdio do Audioslave. Trabalho esse que possui canções icônicas da banda, como ‘Be Yourself” e a minha favorita de todas, “Doesn’t Remind Me”.

Particularmente, depois da super estréia com o disco auto-intitulado, em 2002, eles jamais alcançaram o mesmo nível de criatividade. Porém, é importante ressaltar como essa junção de 4 artistas de peso resultou em uma das bandas mais interessantes deste século.

De lá para cá, muita coisa mudou. Tom Morello agora é membro da banda Prophets of Rage, junto com Tim Commerford e Brad Wilk, respectivamente, baixista e baterista do Audioslave. E Chris Cornell… Bem, todos sabemos que fim trágico o cantor levou.

Porém, não é hora para lamentações. Não mais. Hoje é dia apenas de celebrar o aniversário desse bom trabalho.

Crônicas · Música

Aniversário

10 de maio. Dia da prisão de Tiradentes no Rio de Janeiro. Dia do encerramento das atividades da Rede Manchete. Dia em que Luis XVI tornou-se Rei da França. Dia em que Churchill foi nomeado primeiro-ministro britânico. Dia da primeira publicação do Hulk pela Marvel Comics. Dia de São Damião de Veuster e São João de Ávila. Dia em que, dependendo do ano, é Dia das Mães. Também é dia do nascimento de Diego Tardelli, um dos ícones da atual fase vencedora do Atlético Mineiro, nosso Galão da Massa, e que nos trouxe a tão sonhada Taça da Libertadores, bem como de Jair Bala, ídolo do nosso rival América Mineiro. Também nasceram nesse dia: Bono Vox, Dennis Bergkamp, Sid Vicious, Vanderlei Luxemburgo… E eu.

Meus aniversários quase nunca passaram em branco. Nos primeiros anos de vida, foram as festinhas na escola. Na infância, em casa mesmo, só com os amigos da rua. Na adolescência em diante, fui perdendo o ânimo para comemorar. Não que eu tenha me tornado o “chato que nunca comemora nada”, mas perdi a graça. Mesmo assim, era lembrado. A reunião passou a ser mais reclusa: eu, minha mãe e meu pai. Um bolo, alguns salgadinhos e bebidas. Depois de um tempo, só eu e minha mãe.

Quando mudei para LEM, era sempre na casa da minha tia. Mais recentemente, depois que conheci Denise, sempre teve algo diferente. Tive minha primeira festa surpresa, depois tive mais uma. Por último, ganhei um bolo do LULA que, incrivelmente, estava delicioso. O próximo, agora, será o primeiro sem minha mãe.

Por esse motivo, me identifico bastante com a noção de “aniversário” que Damon Albarn retrata na canção “Birthday”, presente no disco de estréia do Blur, o “Leisure”, lançado em 1991. Uma espécie de desânimo total em relação à data que, conforme a letra, nada mais é do que um “dia patético”. Pode até ser que seja, mas a tradição de tornar marcante o dia em que nascemos nos faz, mesmo que inconscientemente, esperar algo de diferente, que não aconteceria em um dia comum.

Porém, eu, que não seria nada sem meus infindáveis questionamentos, pergunto: por que não tornar os dias comuns tão interessantes quanto os nossos aniversários? Isso me remete à fantasia dos tempos de fim de ano, carnaval e outras datas, em que fazemos de tudo para aproveitar melhor o dia, as pessoas, mas que, quando acaba, tudo volta ao marasmo da nossa rotina. Pergunto isso porque, assim como muitas pessoas, também só fico no questionamento. Sem ação.

Mas por acaso ou por esforço nosso, alguns dias comuns se parecem com um aniversário, e tem alguns aniversários que mais parecem um dia comum. Mas também tem aqueles aniversários que REALMENTE se parecem com um aniversário, e dias comuns que nada mais são do que dias comuns. Tudo depende… Da gente.

Para hoje, dia 10, meu aniversário, considerando somente trechos da canção citada, a que mais se assemelha com o que sinto agora seria: “I-think-of-you Day” (Dia de pensar em você).

“It’s my birthday.
No one here day.
Very strange day.
I-think-of-you day.

Go outside day.
Sit in park day.
Watch the sky day.
What a pathetic day.

I don’t like this day,
It makes me feel too small.

I don’t like these days,
They make me feel too small.”