Direto do Forno · Música

Julia Holter – So Humble The Afternoon (Single)

Lançada em 2018 como parte de uma coletânea do Adult Swim, “So Umble The Afternoon” sai agora como uma música solta no Bandcap da Julia Holter.

Uma música calma, com uma voz doce e leves sintetizadores ao fundo. Mas um pouco mais adiante, lá pelos três minutos, vira uma peça instrumental em que a artista brinca com sons variados, quase que formando uma névoa sonora que permeia o ambiente do ouvinte.

Mais uma prova de que ideias simples e bem feitas originam canções magníficas.

Garimpo · Música

Garimpo: Nine

Para comemorar o seu aniversário de nove anos, o selo britânico Insight Music lançou uma coletânea interessante: nove singles inéditos, reunindo os artistas mais influentes de seu catálogo.

Como o selo é focado em música eletrônica e suas vertentes, prepare-se para entrar em uma viagem sonora de muita paz e tranquilidade. E o melhor de tudo é a opção de pague quanto puder, o que torna acessível uma obra de tamanha qualidade.

Para os fãs ou curiosos de downtempo, chillout, música ambiente, trip hop e até um pouco de lo-fi hip hop, essa coletânea é uma joia rara.

Direto do Forno · Música

Faten Kanaan – The North Wind (Single)

Como é bom ser guiado por uma tag no Bandcamp e a música ser exatamente aquilo que se buscava. Faten Kanaan é uma compositora estadunidense que mescla elementos eletrônicos com música clássica, ambient e outros derivados, criando um atmosférico através de melodias que se repetem e levam o ouvinte a um pleno estado de contemplação.

Seu single mais recente chama-se “The North Wind”, que além da faixa-título, também traz a canção “Night Tide/Anteros”, que é ainda mais interessante. Ambas a canções estarão no próximo disco da artista, A Mythology of Circles, que sai do forno da Fire Records em 13 de novembro.

Se eu soubesse da existência dessa mulher há algumas semanas atrás, certamente ela estaria na postagem abaixo de dicas ambient.

Agora é esperar a chegada do álbum e torcer para que seja brilhante por completo, assim como essas duas canções.

Garimpo · Música

Algumas Dicas Ambient

Fazer música é uma árdua tarefa, que exige concentração, dedicação, intuição, conhecimento e bastante criatividade. Trabalhar em cima de algo que irá mexer com emoções de outras pessoas com o uso de melodias e palavras já é difícil, imagina uma composição instrumental.

Assim é a música ambient, repleta de ecos, efeitos, ornamentos vocais, sequências repetitivas e tudo mais o que o artista quiser implementar em sua música, porém, em sua maioria, sem palavras cantadas.

Gosto muito de ouvir discos nesse estilo em momentos de leitura ou reflexão. Ao fumar um cigarro e sentar na área externa da casa, por exemplo, ou durante uma madrugada silenciosa. E por ser uma vertente musical tão rica e repleta de compositores inventivos, tornou-se uma das minhas favoritas.

Abaixo estão três discos ambient que garimpei recentemente e que muito me agradaram. Se o EP Kill, do John Bence, possui uma abordagem mais voltada para o gótico e com um clima mais sombrio, o Apartment Loops Vol. 1 do italiano Bruno Bavota é de uma sensação mais sublime, como se o ouvinte flutuasse nas nuvens.

Por fim, trago o disco de estreia do Ghost Lode, chamado Lenten Distance. Esse é o projeto solo de Matt Weed, guitarrista da banda Rosetta. Seu debut é composto por seis belas e melancólicas peças acústicas com um ar de space rock. Creio que se o espaço tivesse som, seria algo do tipo.

Espero que o leitor faça bom proveito.

 

Garimpo · Música

Tricky + Björk

Foi por um curto período, mas Tricky e Björk tiveram um relacionamento em meados dos anos noventa, e tal junção ocasionou em colaborações em discos de ambas as partes.

Foram quatro músicas em conjunto, mas se tiverem algumas outras que fogem de meu conhecimento, por favor, me avisem. Duas estão no lançamento “não-oficial” do Tricky, Nearly God, de 1996 e a outra metade está em Post, um dos mais aclamados álbuns da artista do gelo, lançado um ano antes.

Em uma entrevista de anos atrás, Tricky disse que não foi uma boa pessoa para Björk. Não quero entrar nesses detalhes, apesar de achar que eles formariam um casal bem interessante, mas ao menos sobre as músicas que saíram do forno dessa união, posso dizer que tinham química.

Direto do Forno · Música

O Novo do Spotlights: We Are All Atomic EP

Seguindo a mesma proposta de misturar elementos das mais variadas escolas e juntá-las em um só núcleo, o Spotlights lançou no final do último mês We Are All Atomic, um EP curto, com pouco mais de vinte e quatro minutos, mas que mantém a criatividade de Love & Decay, o trabalho anterior.

Formado por quatro canções (I, II, III e IV), We Are All Atomic parece dividido ao meio. As duas primeiras peças se complementam, e as duas últimas, idem.

Bebendo do post-rock, “I”, com quase oito minutos, inicia o álbum feito uma trilha sonora pós-apocalíptica, com uma guitarra atmosférica dando um tom sombrio e contínuo que permanecem até a sua metade. A partir daí, a canção muda a chave ganha um aspecto mais violento, com distorções de peso e percussão entrando e conduzindo o restante até “II”, marcada por bateria e baixo cadenciados e guitarras pesadas.

Pode-se dizer o mesmo da outra metade do disco, o que muda apenas é a ordem de duração das músicas. “III” é o pedaço que introduz o ambiente de distopia, cuja repetição é estendida até a última fatia, “IV”, mais pesada e caótica e que, ao final, a guitarra age como uma sirene e, à exaustão, repete-se até o final.

Como em boa parte das bandas do universo shoegaze, as vozes, quase inaudíveis, são apenas um complemento em toda a estrutura, e não a força principal.

Por pegar referências em várias fontes, uni-las e criar uma música não original, mas particular, faz da Spotlights uma das minhas principais recomendações para quem gosta de um som pesado, hipnótico e melancólico.

We Are All Atomic foi lançado oficialmente em 27 de março, dessa vez pela Blues Funeral Recordings.


1. Part I
2. Part II
3. Part III
4. Part IV

Garimpo · Música

Algumas Preciosidades da Shore Dive Records

Instalado em Brighton, na Inglaterra, o selo Shore Dive Records tem sido um dos meus garimpos mais explorados nas últimas semanas. Mais orientado para o noise rock/shoegaze, o catálogo da gravadora é vasto e diverso, capaz de agradar o fã de música barulhenta até aquele que curte um som mais atmosférico.

O novo EP do Last Victorian Death Squad, por exemplo, é um caos sonoro do início ao fim, recheado de feedbacks e emoção.

Já a estreia do Nossiennes, um EP curto com apenas três faixas, traz uma boa fusão entre o Slowdive e o My Bloody Valentine, com as guitarras em eco fazendo um belo trabalho.

Também é daqui que saiu um dos meus discos preferidos de 2019, o EP The Creation, do Superdrone. Até hoje”Freedom” é presença constante em minhas audições diárias.

Caro leitor, não fique apenas nessas indicações e vasculhe-se os mais profundos arredores do universo shoegaze da Shore Dive Records. É uma surpresa melhor que a outra, e claro, um caminho sem volta.

Direto do Forno · Música

Emancipator – Labyrinth (Single)

Contrariando o sentido mais conhecido de um labirinto, a música do Emancipator não deixa o ouvinte perdido e nem tem a intenção de desorientá-lo. Seus versos em forma de batidas orientam, acalmam, trazem respiro a quem os ouve. E emociona.

A sensação é de voar entre os pingos da chuva, ver o mundo inteiro do alto, sem interferência urbana alguma. No labirinto do Emancipator não há buzinas, vozes altas, fumaça, pressa, ansiedade, não há qualquer resquício dessa vida moderna que nos aprisiona.

“Labyrinth” é o primeiro fragmento de Mountains of Memory, o novo disco do artista, que sairá do forno em 20 de abril, pela Loci Records.

Para quem acompanhou seu último trabalho, o EP colaborativo com o 9 Theory (leia sobre aqui), é possível ter uma noção do que virá nesse novo disco.

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Lou Karsh – Against The Flames EP

Admirável e importante a iniciativa do Lou Karsh, artista australiano que vê seu país enfrentar um verdadeiro apocalipse ambiental, com danos enormes e irreparáveis.

Para levantar fundos e ajudar ao combate dos incêndios na Austrália, o rapaz soltou um EP com quatro ótimas músicas intitulado Against The Flames, e destinará toda a renda das vendas para o combate ao desastre.

Inserido na vertente eletrônica, Lou Karsh mescla várias vertentes do estilo em seu trabalho, variando entre trechos dançantes e batidas pesadas com passagens ambient, às vezes em uma mesma canção.

Vale conferir não só pela causa, mas também pela qualidade do som.

Garimpo · Música · Quarta Parede

E esse Watchmen, hein?

Se tem um seriado que me surpreendeu e que estou acompanhando com fervor é Watchmen, da HBO. Mesmo considerada por muitos como desnecessária, a continuação da HQ está muito interessante: trama misteriosa, clima sombrio, muita violência e claro, uma trilha sonora sensacional.

Sério, não é exagero nenhum dizer que praticamente tudo que o Trent Reznor e o Atticus Ross criam é acima da média, e não foi diferente nessa trilha sonora. Experimental na medida certa, misturando elementos de eletrônica, música ambient e industrial, e que resultou até em um cover de “Life On Mars?”, do David Bowie.

Vou deixar um aperitivo aqui embaixo.