Direto do Forno · Música

Pin Ups – Spinning (Single)

Esse texto vai soar muito puxa-saco, porque eu gosto demais dessa banda há anos e jamais pensei que diria isso algum dia: a Pin Ups está de volta e lançará um novo disco!

Em um breve contexto histórico, o grupo foi um dos mais importantes do underground nacional nos anos noventa, época em que a música subterrânea brasileira fabricou inúmeras bandas barulhentas, criativas e de alto nível. Na internet, é possível encontrar reportagens e entrevistas de personagens que viveram a época e aconselho o leitor a procurar para entender melhor.

Time Will Burn, o primeiro álbum da Pin Ups e lançado em 1990, é um dos maiores clássicos da época e costumo apelidá-lo de “Loveless brasileiro”, mesmo lançado um ano antes do mítico disco do My Bloody Valentine.

O último trabalho da banda, Bruce Lee, saiu em 1999 e parou por aí. Com alguns esporádicos retornos, o conjunto voltou à ativa e prepara Long Time No See, o novo disco que chegará no próximo mês, dia 14, pelo midsummer madness e Fleeting Media.

Ouça abaixo “Spinning”, o primeiro aperitivo desse retorno que comemoro com entusiasmo.

Direto do Forno · Música

O novo do Junodream: Terrible Things That Could Happen EP

Estranho o suspense que se desenhou até o lançamento oficial do EP completo, pois cada canção foi disponibilizada por vez, em um intervalo, digamos, curioso, já que o trabalho é composto por apenas três músicas. Não seria mais prático disponibilizá-lo inteiro de uma vez? Enfim, vamos ao principal.

Curiosamente, a última delas, “Sweet Nothing”, é a mais sem graça. Toda energia nostálgica que se firma na faixa-título, recheada de distorção e lamentos e é mantida na sequência, “Odd Behavior”, é contrastada na derradeira canção de encerramento, com um andamento mais lento e sem tanta sujeira nas guitarras e mais melancólica que o necessário.

Ainda sem um disco cheio em seu catálogo, a Junodream já tem um público base e uma identidade. Agora só falta desenvolver melhor a sua música, que já é capaz de encantar os ouvintes mais atentos.

1. Terrible Things That Could Happen
2. Odd Behaviour
3. Sweet Nothing

Direto do Forno · Música

Courtney Barnett – Everybody Here Hates You/Small Talk (Single)

Courtney Barnett é um dos nomes da música alternativa que mais despontam nos últimos anos, e não é por menos. Seja em carreira solo ou na parceria com Kurt Ville, a australiana entrega um trabalho de primeira: despretensioso, bem feito e o mais importante, divertido.

Para o Record Store Day, ela compilou num único single dois b-sides de seu disco mais recente, Tell Me How You Really Feel, lançado em maio do ano passado.

Nomes como Pavement e Dinosaur Jr. são facilmente detectados em sua música, e com uma presença forte à frente de sua banda, Courtney tem potencial para manter o alto nível por vários anos.

Ouça abaixo o single “Everybody Here Hates You/Small Talk”, um pequeno aperitivo e porta de entrada para acompanhar seus outros lançamentos.

 

 

Direto do Forno · Música

Junodream – Odd Behaviour (Single)

Próximo ao lançamento oficial do EP Terrible Things That Could Happen (leia aqui), cuja tracklist é de três canções somente, conhecemos “Odd Behaviour”, a segunda parte desse trabalho.

Nostalgia é o que mais evoca o som do Junodream, que tira inspiração das bandas tristes que potencializaram o rock alternativo dos anos noventa. As guitarras praticamente choram ao acompanharem os lamentos do vocalista.

Uma ótima banda para ficar de olho nos próximos anos.

Direto do Forno · Música

Jair Naves – Deus Não Compactua (Single)

Após lançar “Veemente” em outubro do ano passado, Jair Naves solta mais um petardo, “Deus Não Compactua”, que entrará em seu terceiro disco solo, ainda sem nome.

Seu novo alvo são os falsos fiéis que tomaram conta do Brasil sil sil, liderados por políticos falastrões que usam o divino para justificar suas idiotices, mas que, de tão cegos, não visualizam a própria hipocrisia. O problema é que o veneno acaba se espalhando pela sociedade, atingindo não somente os seus votantes devotos, como também os opositores e até quem fica em cima do muro.

Assim, Jair segue assertivo em suas novas composições e reforça sua posição como um dos melhores artistas brasileiros da atualidade.

Infelizmente, o nosso país está tão confuso que até a fé, instrumento utilizado por muita gente como suporte para as dificuldades, está sendo manipulada para causar ainda mais confusão.

Direto do Forno · Música

J Mascis – Don’t Do Me Like That (Tom Petty Cover)

Existe uma diferença enorme entre o J Mascis guitar-god do Dinosaur Jr. e o da carreira solo, e admiro o primeiro muito mais (creio que a maioria, né?).

Se não tivesse lido o título antes, certamente diria que a versão de “Don’t Do Me Like That” que os apresento é do Dinosaur Jr., mas não. Aqui, J Mascis enfim deixa de lado suas bases acústicas e bucólicas para o tradicional rock de guitarras sujas que o tornou uma espécie de referência no mundo alternativo, iniciado lá nos anos oitenta.

A título de curiosidade, a canção foi disponibilizada pela Sub Pop. Compare abaixo a versão original com o tributo.

Direto do Forno · Música

Junodream – Terrible Things That Could Happen (Single)

Por um instante, pensei ter voltado à década de noventa, no auge do rock alternativo triste e introspectivo. Mas não, era apenas o Junodream, mais uma banda que bebe dessa fonte no dias atuais, só que, ao contrário da maioria, ela sabe como usar tal referência em sua própria música.

“Terrible Things That Could Happen” é o single mais recente do quarteto londrino, que ainda não tem um disco cheio em seu catálogo. Apenas alguns singles que servem como amostras para um futuro trabalho.

No Twitter oficial da banda, temos o seguinte: “Canções agridoces para exorcizar demônios. Inspirações incluem artistas do rock do final dos anos noventa e do Trip Hop. Espalhe boas palavras”. Ao meu ver, auto-explicativo. Apenas ouça e deixe-se levar.

Direto do Forno · Música

Orville Peck – Turn To Hate (Single)

Faltando pouco mais de um mês para o lançamento de Pony, disco de estreia de Orville Peck, a Sub Pop disponibiliza mais uma fatia desse que parece ser um trabalho bem diversificado.

Ao contrário dos singles anteriores, “Turn To Hate” tem a cara voltada para o rock alternativo, com as guitarras roubando a cena em acordes mais empolgantes e dançantes. Ainda assim, as características da country music americana são notórias. A letra, mais uma vez sobre amor, ganha muito mais força através da voz barítono do artista, que declama seus versos como um verdadeiro detentor da palavra.

Se “Big Sky” e “Dead of Night” eram marcadas pela melancolia, “Turn To Hate” anima.

Garimpo · Música

Garimpo: No Idea

Procure no Youtube pelo canal “Vinyl Collector” e surpreenda-se. Dois garotos aparentemente na casa dos 15 anos tocando NA ÍNTEGRA discos como “In Utero” (1993) e “Nevermind” (1991), clássicos absolutos dos anos noventa. Em postagens mais recentes, eles até contam com a participação de um baixista, mas quem toca o projeto mesmo são os dois. Seus nomes são Carl Giannelli e Ethan Williams, e a banda chama-se No Idea.

Se falarmos em lançamentos OFICIAIS, até o momento em que vos escrevo, são apenas dois EP’s, mas o suficiente para apresentar a versatilidade deles.

O primeiro é intitulado “Your Peril”, e deu o ar das graças em 8 de julho de 2017. Apresentado pela própria banda como “ideal para fãs do Queens of the Stone Age/Kyuss, Electric Wizard, Sleep…”, é justamente esse tipo de som que você encontrará. Das quatro canções, três são instrumentais, mas todo o EP é recheado de riffs pesados e uma bateria monstruosa. Ambos os integrantes revezam nos instrumentos, ou seja, Carl e Ethan são multi-instrumentistas, o que garante mais um ponto para eles.

Em “Fungus”, o segundo EP lançado seis meses após seu antecessor, o trabalho é melhor resolvido. Carl Giannelli executa as cordas e canta, e Ethan Williams é o responsável pela bateria.

Também com apenas quatro canções, a sonoridade é muito diferente de “Your Peril”. Agora, temos guitarras menos pesadas, porém, com distorções mais sujas, remetendo às bandas da era de ouro do grunge . Além disso, todas as músicas possuem letras, sendo esse o ponto em que eles ainda podem desenvolver melhor. A julgar pelos vídeos do canal deles no Youtube, a influência do Nirvana e do Green Day (lá dos primórdios) é nítida.

Ver uma banda como o No Idea surgindo, tomando forma e aumentando, mesmo que aos poucos, seu reconhecimento é gratificante. Por serem ainda jovens, o talento deles só tende a ser desenvolvido, e espero ouvir um disco cheio em breve. Em resumo, são dois caras se divertindo fazendo música, buscando uma identidade própria e construindo sua base de admiradores.

Direto do Forno · Música

Guided By Voices – The Rally Boys (Single)

Chego a soar repetitivo, mas a fórmula do novo single do Guided By Voices é a mesma. A canção mal começa e as guitarras já estão correndo, com Pollard soltando os seus versos com a voz enérgica, apesar de já mostrar o seu envelhecimento. A duração segue o padrão: menos de dois minutos.

Quando o ouvinte pensa que virá uma segunda parte, uma estrofe a mais ou até um solo, ela é encerrada. Assim, direto ao ponto, é “The Rally Boys”, mais um anúncio de “Zeppelin Over China”, o disco completo que chega no início de fevereiro.