Direto do Forno · Música

Junodream – Terrible Things That Could Happen (Single)

Por um instante, pensei ter voltado à década de noventa, no auge do rock alternativo triste e introspectivo. Mas não, era apenas o Junodream, mais uma banda que bebe dessa fonte no dias atuais, só que, ao contrário da maioria, ela sabe como usar tal referência em sua própria música.

“Terrible Things That Could Happen” é o single mais recente do quarteto londrino, que ainda não tem um disco cheio em seu catálogo. Apenas alguns singles que servem como amostras para um futuro trabalho.

No Twitter oficial da banda, temos o seguinte: “Canções agridoces para exorcizar demônios. Inspirações incluem artistas do rock do final dos anos noventa e do Trip Hop. Espalhe boas palavras”. Ao meu ver, auto-explicativo. Apenas ouça e deixe-se levar.

Direto do Forno · Música

Orville Peck – Turn To Hate (Single)

Faltando pouco mais de um mês para o lançamento de Pony, disco de estreia de Orville Peck, a Sub Pop disponibiliza mais uma fatia desse que parece ser um trabalho bem diversificado.

Ao contrário dos singles anteriores, “Turn To Hate” tem a cara voltada para o rock alternativo, com as guitarras roubando a cena em acordes mais empolgantes e dançantes. Ainda assim, as características da country music americana são notórias. A letra, mais uma vez sobre amor, ganha muito mais força através da voz barítono do artista, que declama seus versos como um verdadeiro detentor da palavra.

Se “Big Sky” e “Dead of Night” eram marcadas pela melancolia, “Turn To Hate” anima.

Garimpo · Música

Garimpo: No Idea

Procure no Youtube pelo canal “Vinyl Collector” e surpreenda-se. Dois garotos aparentemente na casa dos 15 anos tocando NA ÍNTEGRA discos como “In Utero” (1993) e “Nevermind” (1991), clássicos absolutos dos anos noventa. Em postagens mais recentes, eles até contam com a participação de um baixista, mas quem toca o projeto mesmo são os dois. Seus nomes são Carl Giannelli e Ethan Williams, e a banda chama-se No Idea.

Se falarmos em lançamentos OFICIAIS, até o momento em que vos escrevo, são apenas dois EP’s, mas o suficiente para apresentar a versatilidade deles.

O primeiro é intitulado “Your Peril”, e deu o ar das graças em 8 de julho de 2017. Apresentado pela própria banda como “ideal para fãs do Queens of the Stone Age/Kyuss, Electric Wizard, Sleep…”, é justamente esse tipo de som que você encontrará. Das quatro canções, três são instrumentais, mas todo o EP é recheado de riffs pesados e uma bateria monstruosa. Ambos os integrantes revezam nos instrumentos, ou seja, Carl e Ethan são multi-instrumentistas, o que garante mais um ponto para eles.

Em “Fungus”, o segundo EP lançado seis meses após seu antecessor, o trabalho é melhor resolvido. Carl Giannelli executa as cordas e canta, e Ethan Williams é o responsável pela bateria.

Também com apenas quatro canções, a sonoridade é muito diferente de “Your Peril”. Agora, temos guitarras menos pesadas, porém, com distorções mais sujas, remetendo às bandas da era de ouro do grunge . Além disso, todas as músicas possuem letras, sendo esse o ponto em que eles ainda podem desenvolver melhor. A julgar pelos vídeos do canal deles no Youtube, a influência do Nirvana e do Green Day (lá dos primórdios) é nítida.

Ver uma banda como o No Idea surgindo, tomando forma e aumentando, mesmo que aos poucos, seu reconhecimento é gratificante. Por serem ainda jovens, o talento deles só tende a ser desenvolvido, e espero ouvir um disco cheio em breve. Em resumo, são dois caras se divertindo fazendo música, buscando uma identidade própria e construindo sua base de admiradores.

Direto do Forno · Música

Guided By Voices – The Rally Boys (Single)

Chego a soar repetitivo, mas a fórmula do novo single do Guided By Voices é a mesma. A canção mal começa e as guitarras já estão correndo, com Pollard soltando os seus versos com a voz enérgica, apesar de já mostrar o seu envelhecimento. A duração segue o padrão: menos de dois minutos.

Quando o ouvinte pensa que virá uma segunda parte, uma estrofe a mais ou até um solo, ela é encerrada. Assim, direto ao ponto, é “The Rally Boys”, mais um anúncio de “Zeppelin Over China”, o disco completo que chega no início de fevereiro.

Direto do Forno · Música

+2 do Green River

Considerada por muitos como a primeira banda “grunge” (odeio esse termo) antes mesmo deste tornar-se um “movimento”, o Green River durou pouco, mas o suficiente para garantir o respeito merecido. Além, claro, de ter sido o embrião de duas bandas fundamentas da cena de Seattle: o Pearl Jam e o Mudhoney.

Para janeiro do ano que se aproxima, a Sub Pop preparou um material de considerável agrado tanto para os saudosistas, quanto para quem deseja conhecer melhor o som que se fazia no final dos anos 80/início dos anos 90.

“Dry As A Bone”, o segundo EP lançado pelo grupo em 1987, e “Rehab Doll”, único disco cheio que os caras soltaram em 1988, ganharão versões de luxo com material inédito, resgatando a história desse grupo que deu início ao último grande momento do rock ‘n’ roll na história da música.

A Sub Pop disponibilizou até o momento apenas duas canções (oficialmente falando): as já conhecidas pelos fãs “Forever Means” e “This Town”, que apresentam bem o que pode-se esperar desse material que vai chegar: muita sujeira e muito barulho.

Direto do Forno · Música

The Smashing Pumpkins – Untitled (Vídeo)

O primeiro CD dos Smashing Pumpkins que comprei foi o “Rotten Apples”, de 2001, que nada mais é do que um greatest hits que engloba todas as fases da banda até então.

“Untitled” é a única faixa inédita desse lançamento e foi a última gravada pela banda até o seu primeiro fim, lá no início dos anos 2000. Agora, quase duas décadas depois, a banda (já reformulada) libera um videoclipe para a canção, um epitáfio da fase áurea de Billy Corgan e companhia.

O vídeo nada mais é do que trechos e cortes da banda se apresentando ao vivo, bastidores de viagens e Billy gravando os vocais da faixa. O que pode ser um deleite para os fãs mais antigos são as imagens da antiga baixista, D’arcy Wretzky, que nunca mais retornou à banda.

A poucos dias do lançamento do novo disco, fica a aposta na nostalgia para atrair seus fãs.

Garimpo · Música

Garimpo: Tonystark

Não, não estou falando do Homem-de-Ferro, mas sim de uma das bandas mais obscuras que conheço.

Lá nos anos 90, época em que o rock alternativo estourou e várias bandas decidiram sair de suas garagens, algumas deram certo, outras deram sorte, mas a maioria não chegou ao estrelato. Digo maioria porque, como é explicado no documentário “Hype!”, de 1996, graças ao sucesso do Nirvana, muita gente quis pegar carona e achou que era possível ser um rockstar. Porém, não era assim tão simples, e muitos desses garageiros caíram no limbo da música, até mesmo no underground.

O Tonystark foi uma dessas bandas que não duraram muito tempo e quase não há informações na rede. Graças ao Allmusic, que possui uma curta biografia do grupo, podemos ter uma leve noção de sua formação e por onde ele tocou.

Com um som bem cru, influenciado pelo punk e pelo rock alternativo característico dos anos 90, a banda lançou somente um EP com cinco músicas, chamado “High Tech Low Life”, em 1998.

Vale a pena dar uma conferida.