Crônicas · Diversos · Língua Presa · Música

No Limite

Um curto relato.

Aula de Matemática II. Estava usando o kit antissocial na universidade: roupa toda preta, postura desengonçada e fones de ouvido. “Edge of the World”, do Faith No More, tocava no celular.

Presente no clássico The Real Thing (1989), a canção possui uma levada jazzística e a voz de Patton, afiadíssima, proclama os versos que soam como um ritual sedutor entre um homem mais velho e uma jovem e bela mulher.

É daquelas músicas em que não se ouve parado. O corpo, desobediente, balança, a cabeça rodopia, os dedos estalam e os pés tocam um bumbo imaginário. Nesse estado, saí da sala em completo transe musical e fui ao banheiro urinar (deixa eu manter o palavreado moderado).

O resultado da situação, deixo ao leitor que conclua.

Diversos · Música

A Volta do Mr. Bungle

É apenas para o ano que vem, mas já podemos considerar que o MR. BUNGLE ESTÁ DE VOLTA!

Uma das bandas mais inventivas e loucas que já pisaram nesse planeta, o Mr. Bungle foi o principal projeto do Mike Patton por anos, até assumir a frente do Faith No More (e uma infinidade de grupos posteriores).

Anunciado de forma oficial através de uma conta no Instagram, a banda performará, até agora, em seis datas de fevereiro de 2020. Além dos membros da formação original Patton, Trevor Dunn e  Trey Spruance, dois ilustres convidados participarão das apresentações: Dave Lombardo (Slayer, Suicidal Tendencies, Fântomas) e Scott Ian (Anthrax).

Por enquanto, o principal set das apresentações será a demo The Raging Wrath of The Easter Bunny, lançada em 1986 e que é puro death/thrash metal. Uma maravilha!

Direto do Forno · Música

Dub Trio – Fought The Line (feat. Troy Sanders)

Troy Sanders, baixista e vocalista do Mastodon, é mais um artista de peso que estará em The Shape of Dub, novo disco do Dub Trio (leia mais aqui).

Em “Fought The Line”, o segundo single do novo trabalho, ele empresta sua voz em uma canção cujo videoclipe possui ares assombrosos. Gravado inteiro em preto e branco, os cenários alternam entre a banda executando a faixa e Troy soltando os versos em uma floresta macabra, que ainda conta com a presença de uma garotinha e um capiroto bem assustador.

O som é pesado e lento, assimilando-se ao clima do vídeo.

Direto do Forno · Música

Stoned Jesus – Occult (Single)

Uma pancada de dez minutos foi a escolhida como single de “First Communion”, novo EP do Stoned Jesus que será lançado poucos meses após “Pilgrims”, o LP mais recente do grupo.

O sludge metal e o stoner são as fontes de onde o trio ucraniano tirou “Occult”, a primeira das quatro faixas que farão parte do novo trabalho. Alternando entre momentos lentos e densos com uma breve e pesada agilidade, é como se o Stoned Jesus tivesse lapidado uma faixa do Melvins e tornado-a ainda mais barulhenta.

Uma produção de primeira que adianta mais um petardo sonoro que sairá pela Napalm Records, no comecinho do próximo ano: 4 de janeiro.

Direto do Forno · Música

John Garcia And The Band Of Gold – Chicken Delight (Single)

John Garcia é uma lenda da cena stoner rock mundial. Responsável pela voz do Kyuss, banda que praticamente definiu e disseminou o movimento (e apresentou Josh Homme ao mundo), Garcia agora embarca em mais um projeto na sua extensa carreira.

Após o fim do seu principal projeto, ele continuou na ativa em bandas como Slo Burn, Unida, Hermano e Vista Chino, além de embarcar em uma carreira solo nos últimos anos. Agora ele apresenta seu novo conjunto, John Garcia and the Band of Gold, e já marca a data de lançamento do seu disco de estreia: 4 de janeiro de 2019, pela Napalm Records, e leva o mesmo nome da banda.

Uma canção do disco já está liberada para a audição, “Chicken Delight”. Garcia mostra que está em pleno vigor e com sua banda afiada, cheio de riffs bluezados e distorcidos, do jeito que todo amante de stoner gosta.

Direto do Forno · Música

O novo do Alice in Chains: Rainier Fog

Seria constatar o óbvio afirmar que a sonoridade da banda pode ser divida entre “Antes de Layne Staley” e “Depois de Layne Staley”. A chegada de William DuVall não trouxe somente um exímio vocalista para assumir tal posto, mas também um ótimo guitarrista, que junto a Jerry Cantrell, agregou um peso extra para o som já característico da banda.

“Rainier Fog” é um trabalho homogêneo: se mantém bastante pesado durante todo o seu decorrer. Até mesmo nas canções com um teor mais melancólico, como “Fly” e “Maybe”, os riffs poderosos de Cantrell marcam presença. Aqui, o trabalho vocal entre DuVall e Cantrell está perfeito, como se, enfim, tivesse atingido o ápice do entrosamento.

O ponto forte fica na tríade inicial com “The One You Know”, “Rainier Fog” e “Red Giant”, que abrem os disco de forma primorosa e garantem que o ouvinte não se satisfaça enquanto não terminar de ouvir todo o restante. E no final, a bela “All I Am”, com pouco mais de sete minutos, dá os últimos tons do álbum de forma bem comovente.

É como se “Rainier Fog” trafegasse quase por completo sob uma tempestade furiosa, e terminasse debaixo de uma garoa tranquilizante.

Quando “Black Gives Way To Blue” (2009) foi anunciado, muita gente (ou a maioria?) torceu o nariz. Era inimaginável ver o Alice in Chains sem a presença de Layne. Mas Jerry Cantrell e sua trupe seguiram em frente, deram mais um passo com “The Devil Put Dinosaurs Here” (2013), e agora, com “Rainier Fog” (2018), cravaram de vez a nova formação como uma banda autêntica, com uma identidade própria e que tem muita lenha ainda a queimar.