Direto do Forno · Garimpo · Música

Car Seat Headrest – There Must Be More Than Blood (Acústico)

Saiu mês passado o novo disco do Will Toledo e seu Car Seat Headrest, Making a Door Less Open, pela Matador. Apesar de ser um bom disco, a canção que mais gostei não está presente nele. Ou melhor, não a versão que me cativou.

Foi postada somente no Youtube a versão acústica de “There Must Be More Than Blood”, a penúltima e mais longa faixa do álbum, com mais de sete minutos. Sua repaginada acústica vai só até os seis, e é curiosa a vestimenta que Will Toledo usa em seu vídeo. A máscara de estação nuclear deu um efeito à sua voz, meio que abafando-a, o que aumentou mais ainda seu tom melancólico.

Devo ter reproduzido o vídeo mais de cem vezes até o momento, e digo isso sem exagero. Uma pena que “There Must Be More Than Blood” acústica não saiu em outra plataforma.

Pelo que vi, alguns fãs mandaram mensagens no Instagram do cara e no próprio vídeo pedindo para que ele a solte no Bandcamp, pelo menos. Tomara que o faça.

Direto do Forno · Música

O Novo do Stone Temple Pilots: Perdida

É bem capaz que eu já tenha dito isso por aqui em algum momento, mas na dúvida, repito: fui um dos muitos que torceram o nariz para a continuidade do Stone Temple Pilots após a morte do Scott Weiland. Achava-o insubstituível, tanto que até hoje não ouvi as músicas da banda com o carinha do Linkin Park. Com um vocalista totalmente desconhecido por mim então, pior ainda.

Mas também fui um dos muitos que quebraram a cara com o disco auto-intitulado lançado em 2018. O cara novo tinha nome, Jeff Gutt, e cantava muito. Por isso, quando a banda anunciou Perdida, o disco mais recente e com uma proposta nova, afinal, o álbum é inteiro acústico, aguardei com entusiasmo.

Perdida é um disco melancólico e encantador. Desde a capa enevoada aos arranjos, ele funciona como uma exposição de sentimentos, uma ode à saudade e à melancolia. A faixa-título seria a que melhor resume essa composição. Jeff quase nunca eleva sua voz, e em raros momentos o tom de desalento é quebrado. “She’s My Queen”, por exemplo, é de uma melodia um pouco mais suave, e “Sunburst”, faixa que encerra o álbum, se analisarmos a tradução do termo e adicionarmos poesia no contexto, é como o sol aparecendo após um período perdido em meio ao tempo nublado.

Ao contrário do que o nome sugere, o Stone Temple Pilots não está perdido, muito pelo contrário, seus integrantes buscam cada vez mais novas maneiras de incrementar a sua música, e fazem aqui de forma acima do que eu esperava. Com belas composições, Perdida é o melhor disco da banda desde o Nº 4, de 1999.

O disco saiu no dia 7 de fevereiro pela gravadora Rhino.

1. Fare Thee Well
2. Three Wishes
3. Perdida
4. I Didn’t Know the Time
5. Years
6. She’s My Queen
7. Miles Away
8. You Found Yourself While Losing Your Heart
9. I Once Sat at Your Table
10. Sunburst

Direto do Forno · Música

Wilco – Tell Your Friends (Single)

Não é segredo algum dizer que Jeff Tweedy é um dos maiores compositores do mundo da música nos últimos trinta anos, principalmente nos tempos áureos do Wilco (Being There e Yankee Hotel Foxtrot).

“Tell Your Friends” é mais uma prova da habilidade do músico, novamente certeiro ao descrever pequenos detalhes que tornam-se gigantescos agora que estão praticamente em falta: gestos de afeto, como um abraço, aperto de mão, palavras de carinho, etc.

Mesmo com a tecnologia ao favor (e também desfavor, em partes) da humanidade, todos sentimos falta de calor humano. Por isso ele diz:

“Quero segurar sua mão
Quando te ver novamente.”

O single foi disponibilizado para download a preço mínimo e toda a renda será destinada à ONG World Central Kitchen.

Wilco sendo Wilco, apenas. Banda grandiosa não só na música, mas também em suas atitudes.

 

Garimpo · Música

Terrapin

Faixa de abertura de The Madcap Laughs, a obra-prima de Syd Barrett lançada em 1970, “Terrapin” é uma das maiores criações do músico em sua carreira solo. Em tempos de quarentena, Syd tem sido uma de minhas melhores companhias e sua voz ecoa pelas paredes da casa há alguns dias, e tenho ouvido “Terrapin” exaustivamente.

Por ter formato acústico, quis aprender a tocá-la. Não é tão difícil, apesar de possuir algumas sequências de acordes não muito convencionais em alguns trechos. Por isso Syd Barrett está no hall dos grandes artistas da história, por fugir do convencional, experimentar, ousar em suas criações.

Ao pesquisar tutoriais e tablaturas, deparei-me com duas surpresas. A primeira, um cover de David Gilmour presente em seu DVD In Concert, lançado em 2002. A segunda, uma estranha versão dos Smashing Pumpkins, de 1992, cantada por James Iha.

Vale conferir pela curiosidade, mas nada substitui a crueza e a beleza da original.

Direto do Forno · Música

King Buzzo – Science In Modern America (Single)

Parece não ter fim a criatividade do King Buzzo, um dos líderes do Melvins. Porém, agora a proposta é diferente. Ele deixa de lado o tremor de suas guitarras e assume um formato mais acústico em Gift of Sacrifice, seu segundo disco solo. O anterior, This Machine Kills Artists, é de 2014 e segue a mesma proposta. A distribuição de ambos é pela Ipecac Recordings.

Para esse novo trabalho, Buzzo contará com a ajuda de um antigo conhecido da época do Fantômas: Trevor Dunn, que também é integrante do Mr. Bungle.

Um primeiro aperitivo de Gift of Sacrifice já está disponível para audição e chama-se “Science In Modern America”. Apesar do nome “acústico” rodear as informações do disco, a canção soa tão aterrorizante quanto uma pedrada dos Melvins.

O álbum completo sai em maio, no dia 15.

Direto do Forno · Música

Stone Temple Pilots – Fare Thee Well (Single)

Grande parte dos fãs do Stone Temple Pilots torceram o nariz quando a banda decidiu se manter na ativa após a morte de Scott Weiland. É inegável que o ex-vocalista era o grande chamariz do quarteto, com uma potência vocal extraordinária, mas a vida continua e seus companheiros ainda tinham muita lenha a queimar.

Tanto que a banda acaba de anunciar Perdida, o seu sétimo disco completo (o segundo com o novo vocalista Jeff Gutt) para fevereiro do próximo ano. E segundo os integrantes, é um trabalho todo acústico.

Ouça abaixo “Fare Thee Well”, o primeiro aperitivo dessa nova faceta do Stone Temple Pilots.

 

Direto do Forno · Música

William DuVall – ‘Til The Light Guides Me Home (Single)

Para minha surpresa, descobri que William DuVall (Alice In Chains) está iniciando uma aventura solo com um disco de estreia, chamado One Alone, com lançamento ainda para 2019.

“‘Til The Light Guides Me Home” é o primeiro single do projeto, com apenas voz e violão. Lembra as apresentações do Eddie Vedder (Pearl Jam) e do Chris Cornell (Soundgarden) fora de suas bandas, quase sempre em formato acústico.

De uma delicadeza tocante.

Direto do Forno · Música

Lenny Pistol – Despise (Single)

Quietude é o substantivo que melhor define “Despise”, o mais novo single liberado por Lenny Pistol para o seu trabalho de estreia, o EP intitulado “Pistill Boy”, que ganhará vida em primeiro de fevereiro.

Fiel à estética lo-fi, o garoto é munido somente de um violão e alguns tímidos elementos eletrônicos, que acompanham sua doce e calma voz lentamente, como um pequeno transe acústico. O repeat já foi pressionado por aqui cinco vezes, no mínimo.

O EP chega através da Luik Records, uma interessante gravadora belga focada em projetos dos mais variados estilos. Vale a conferida.

Garimpo · Música

Garimpo: Brant Bjork – Charlie Gin/Low Desert Punk (Ao Vivo na Klangfarbe)

A Klangfarbe é grande rede de lojas da Áustria, focada na venda de instrumentos musicais, som e aparatos para estúdios. No Youtube, ela mantém um canal com apresentações de diversos artistas em seus estabelecimentos.

Um dos caras que apareceram por lá recentemente foi Brant Bjork, que já falei aqui no Numa Sexta algumas vezes. Inclusive, é dele um dos discos mais legais de 2018.

É uma apresentação curta, pouco mais de sete minutos, e bem natural: apenas voz e violão. Porém, é o suficiente para Bjork mostrar todo o seu talento, seja como instrumentista ou vocalista.

Direto do Forno · Música

O novo do Will Oldham: Songs of Love and Horror

A melancolia é o carro-chefe de “Songs of Love and Horror”, disco em que o cantor e compositor Will Oldham deixa de lado seu alter-ego Bonnie ‘Prince’ Billy e assina como si mesmo as doze belas e delicadas canções.

Conduzido por completo por apenas voz e violão, “Songs of Love and Horror” é uma visita do artista por canções de sua discografia, seja como Bonnie ‘Prince Billy’ ou Palace Music, adotando uma estética mais intimista e caseira. Em alguns momentos, a carga emocional é tão forte que incomoda, no bom sentido, o ouvinte, mostrando o quão pesados são os versos presentes no disco, bem como a voz de Oldham.

Assumir um trabalho assim sem um personagem por trás é um ato de coragem por parte do cantor, e uma forma de expurgar as suas emoções como um vento forte varrendo as impurezas de seu interior.

Ótimo para ouvir com um vinho ao lado.

1. I See a Darkness
2. Ohio River Boat Song
3. So Far and Here We Are
4. The Way
5. Wai
6. The Glory Goes
7. Only Someone Running
8. Big Friday
9. Most People
10. Strange Affair
11. New Partner
12. Party with Marty (Abstract Blues)