Direto do Forno · Música

The Silence – Tsumi To Warai (Single)

Rock psicodélico direto do Japão, com pitadas de sax e flautas ao fundo. Esse é o The Silence, conjunto da Drag City Records que lança em novembro seu quinto disco pelo selo.

O primeiro single, “Tsumi To Warai”, me pegou desprevenido. O instrumental lembrou um pouco o hard rock dos anos setenta, e o vocalista tem uma voz rouca daquelas que fica difícil não admirar.

Pelo pouco que conheço da Drag City, o The Silence foge do padrão, e isso é ótimo.

Crônicas · Língua Presa · Música

Um Corvo Fora da Curva

Para iniciar, o contexto: surpreendendo a todos, Chris e Rich Robinson fizeram as pazes e anunciaram o retorno do The Black Crowes, após cinco anos de hiato, voltando a figurar nos principais portais do meio artístico.

Agora, o principal.

Eu possuía um rascunho intitulado “Um Corvo Fora da Curva”, na qual havia alguns escritos sobre o quão intrigante foi a trajetória dos Crowes lá nos anos noventa, onde a música pop e o rock alternativo/independente dominavam o cenário musical, e a gangue dos irmãos Robinson, influenciada pelos movimentos setentistas, voavam na contramão e ainda assim conseguiam se destacar.

Porém, todavia, entretanto, esse que vos escreve tomou a sábia atitude de apagar tal rascunho, com a desculpa de que não seria interessante finalizá-lo, por dificuldade em desenvolver o raciocínio. Hoje, com a notícia do retorno do conjunto, seria o timing ideal para terminar tal texto, mas a besteira cometida por mim levou a nuvenzinha chamada ideia para bem longe e sem retorno, causando-me um enorme remorso.

Para entrar na onda e arrancar (mesmo que em partes) o peso na consciência, deixo algumas das minhas canções favoritas da banda para o leitor ouvir, e uma lição muito importante: jamais apague uma ideia por completo, mesmo que ela não pareça promissora no momento. Em alguma oportunidade, ela fará sentido.

Direto do Forno · Música

Kyle Craft – 2 Ugly 4 NY (Single)

No primeiro riff de “2 Ugly 4 NY” nota-se a referência. A Nova York setentista que foi palco de um dos maiores movimentos musicais ganha uma nova cara com Kyle Craft, acompanhado de uma guitarra crua que percorre a canção junto com seu vocal, que passeia entre o agudo e o rasgado.

O single ganhou um videoclipe onde o artista passeia por vários lugares fantasiado de morte, ou seja, até o visual tem influência de artistas que balançaram a cidade por um tempo, como o New York Dolls e Lou Reed.

Seu disco está marcado para julho deste ano, mais precisamente no dia 12, pela Sub Pop, e será chamado Showboat Honey.

Não se preocupe, Kyle Craft, os Dolls também eram considerados “feios para NY” perante os conservadores, mas, se não fosse eles, talvez você nem tocaria essa música hoje.

Direto do Forno · Música

O novo do Brant Bjork: Mankind Woman

Se John Garcia, um dos pilares do stoner/desert rock, anunciou um novo disco para 2019 (confira aqui), e Josh Homme atingiu uma popularidade enorme com o Queens of  the Stone Age, outra figura marcante do estilo deu as caras esse ano com um álbum repleto de influências e viagens sonoras.

Falo de Brant Bjork, ex-baterista do Kyuss e responsável por uma prolífica e elogiada carreira solo. “Mankind Woman” é o nome de seu trabalho mais recente, que chegou à Terra pela Heavy Psych Sounds Records no dia 14 de setembro. O nome da gravadora tem tudo a ver com o som produzido no disco: uma pesada e psicodélica viagem sonora.

Ao contrário dos seus ex-companheiros (e da maioria das bandas da cena), Bjork adota uma sonoridade mais influenciada pelo hard rock dos início dos anos 70 e do funk, mesclando riffs pesados com um groove à la Funkadelic. Dessa forma, ele atinge não só os admiradores que curtem um som mais “porrada”, mas também aqueles que curtem canções mais lisérgicas.

A faixa que abre o disco, “Chocolatize”, segue bem nessa linha de peso com psicodelia, ainda mais com um videoclipe bastante viajado.

Essa mistura também rende outras canções muito boas, como “Pisces”, a minha preferida, “Swagger & Sway” e a faixa-título. A maior parte das linhas de guitarra do disco são conduzidas pelo wah-wah, garantindo um funk de primeira, como a instrumental “Somebody”, talvez a mais viajada de todo o álbum.

No release do disco, presente no site oficial do artista, o termo “D-Funk”, algo como desert funk, é usado como uma das possíveis classificações de “Mankind Woman”. Ao ouvi-lo algumas vezes, afirmo que essa definição é certeira. Pegue um power trio furioso setentista e acrescente uma guitarra extra do Michael Hampton. É dessa fonte que surge o novo trabalho de Brant Bjork.

1. Chocolatize
2. Lazy Wizards
3. Pisces
4. Charlie Gin
5. Mankind Woman
6. Swagger And Sway
7. Somebody
8. Pretty Hairy
9. Brand New Old Times
10. 1968
11. Nation Of Indica