Crônicas · Música

27 anos de “Spiderland”

No dia 27 de março de 1991 era lançado “Spiderland”, segundo e último disco de estúdio do Slint. Fundamental para a construção daquilo que conhecemos atualmente como post-rock (e seus derivados), “Spiderland” foi mais um trabalho que ficou ofuscado com o estrondoso sucesso do “Nevermind”. Porém, com o passar dos anos, sua influência foi se tornando cada vez maior até atingir a mística cult por parte dos fãs e da crítica. Atualmente, não temo em dizer que o álbum já é considerado um clássico moderno.

Com quase 40 minutos de duração e distribuído em 6 faixas, o ouvinte se depara com um ambiente claustrofóbico e que, em partes, torna-se absurdamente barulhento. Os vocais, que alternam entre sussurros, declamações e gritos, são os fatores que mais chamam atenção. Mesmo com um instrumental extremamente preciso, como se todos os acordes e riffs fossem milimetricamente criados, a voz de Brian McMahan não se deixa levar e ali, à deriva, conta a história de cada canção. Nas primeiras audições, confesso que fiquei incomodado com esse detalhe, até conseguir perceber a beleza nesse aspecto proposital e que torna o disco tão marcante.

Não é nenhum exagero dizer que certas explosões sonoras causam sustos e desespero, vide o final épico de “Good Morning, Captain”, canção que encerra o trabalho. Até o momento de mais “tranquilidade” do disco, em “Don, Aman”, é capaz de trazer um desconforto graças a sua atmosfera cinzenta, digna de um filme de terror.

Como já disse antes, “Spiderland” pode trazer doses de desconforto a um ouvinte iniciante, mas não desista na primeira audição. Com o passar do tempo, fica mais fácil compreender e enxergar a beleza melancólica que esse trabalho icônico oferece. Mesmo 27 anos depois de seu lançamento, “Spiderland” permanece tão atual quanto aqueles que ele influenciou.