Garimpo · Música

Garimpo: All Them Witches (Ao Vivo na KEXP – 01/02/2019)

Via KEXP, tradicional rádio norte-americana, fevereiro deu as caras em 2019 sob uma trilha sonora misteriosa e contagiante. O convidado na data foi o All Them Witches que, agora como um trio, apresentou algumas canções de “ATW”, disco mais recente do grupo, lançado no último ano.

Em plena forma e sem muita enrolação, a apresentação contou com quatro músicas somente, mas o suficiente para prender o ouvinte e deixá-lo atordoado. Um dos aspectos mais interessantes sobre o All Them Witches é misturar o rock’n’roll com texturas mais sombrias, passeando pelo garage rock, o blues e o stoner, mas sem prender-se totalmente a uma dessas vertentes.

Do tracklist, somente a faixa que encerra o programa, “Blood And Sand/Milk And Endless Waters”, não faz parte do disco “ATW”.

Sobre o trabalho mais recente da banda, escrevi sobre ele aqui.

Garimpo · Música

Garimpo: Joelho de Porco no Programa d’Os Trapalhões

Graças à internet, a memória da TV brasileira, palco de pérolas raríssimas, continua viva e acessível aos espectadores. E uma delas vem de 1978, quando a banda Joelho de Porco foi a convidada especial do programa d’Os Trapalhões.

É difícil acreditar, mas Renato Aragão, bem antes de ser o caricato apresentador do Criança Esperança, já foi um humorista muito engraçado. Lá nos longínquos anos setenta e oitenta, era um dos integrantes do conjunto Os Trapalhões, ao lado dos parceiros Dedé, Mussum e Zacarias. E juntos, eram imbatíveis no quesito comédia. Acompanhados dos loucos do Joelho de Porco então, a coisa ficou séria.

Apresentando uma das melhores canções do grupo, “O Rapé”, ao lado da banda formada pelos integrantes do programa, a “Focinho de Porco”, o que se vê em quase cinco minutos de vídeo é pura baderna, confusão e claro, palhaçadas.

Tem Billy Bond se esfregando em Didi (que claramente fica sem graça), o próprio Didi errando a dublagem do playback, as atuações forçadas, beirando o amadorismo, mas que, por serem tão espontâneas, tornam-se muito engraçadas, e o melhor: uma banda tão boa como o Joelho de Porco em horário nobre no canal mais popular do país.

Um registro desse jamais poderá ser perdido.

Direto do Forno · Música

O novo do Lenny Pistol: Pistil Boy EP

Melodias tímidas, agradáveis, baixa fidelidade no som e muita melancolia. Assim é a estreia de Lenny Pistol com seu “Pistil Boy EP”, que chega hoje, primeiro de fevereiro, pelo selo belga Luik Records.

São várias as influências. Do rap lo-fi na faixa-título e inicial, “Pistil Boy” e em “Ashamed”, à inclusão de algumas guitarras (dessas que os indies dos século XXI gostam tanto), até o folk em “Despise”, single que fora comentado antes aqui no blog e que é o ponto alto do EP.

Apesar de curto no quesito tempo, “Pistil Boy EP” é rico em sonoridade, por mostrar a destreza do artista em navegar em vários estilos diferentes, sem soar repetitivo ou cópia de alguém. Não é algo que irá mudar o mundo, mas é um bom cartão de visitas.

1. Pistil Boy
2. Ashamed
3. Cold Walls
4. Despise
5. Liquor Shop
6. Miles Away
7. Heading For Your Mind

Direto do Forno · Música

Vertical Scratchers – Song of Earth (Single)

Tenho uma admiração imensa por power duos. Os exemplos, porém, são escassos, e por esse motivo, sempre que conheço algum novo, o interesse é instantâneo.

O Vertical Scratchers é Christian Beaulieu na bateria e John Schmersal em todo o restante. Ligados à Merge Records, o duo tem somente um único disco lançado até o momento. “Daughter of Everything” chegou em 2014, com quinze canções (curtas, em sua maioria) que mesclam melodias pop com um quê de garage rock. É um som bem gostoso de ouvir, não tão lo-fi como o Guided By Voices, por exemplo, mas também não tão industrializado, digamos assim.

Após quase meia década, a espera por um novo trabalho parece estar terminando. “Song of Earth” é o nome do novo single da dupla, também disponibilizado pela Merge Records. A estética permanece, porém, agora o fator rock de garagem assumiu uma maior parte da canção, com distorções, solos e a bateria bem firme.

Não há informação sobre um novo disco até o momento, mas, mesmo que por nossa parte, a espera é livre.

 

Direto do Forno · Música

Lenny Pistol – Despise (Single)

Quietude é o substantivo que melhor define “Despise”, o mais novo single liberado por Lenny Pistol para o seu trabalho de estreia, o EP intitulado “Pistill Boy”, que ganhará vida em primeiro de fevereiro.

Fiel à estética lo-fi, o garoto é munido somente de um violão e alguns tímidos elementos eletrônicos, que acompanham sua doce e calma voz lentamente, como um pequeno transe acústico. O repeat já foi pressionado por aqui cinco vezes, no mínimo.

O EP chega através da Luik Records, uma interessante gravadora belga focada em projetos dos mais variados estilos. Vale a conferida.

Direto do Forno · Música

O “novo” do Nebula: Demos & Outtakes 98​-​02

A apóstrofe no título tem um motivo: o lançamento é de hoje, cravado em 25/01, mas o material que ele traz não é tão novo assim. São sobras de estúdio e demos que nunca haviam sido lançadas anteriormente pelo Nebula, figura fundamental para o rock do deserto.

“Demos & Outtakes 98-02” é composto por dez canções, sendo cinco inéditas. Uma delas é “Whalefinger”, a primeira canção escrita pelo guitarrista da banda, Eddie Glass, quando ele ainda participava de outro conjunto. À exceção de “To The Center”, faixa com forte influência psicodélica dos anos sessenta/setenta, a maior parte do tracklist é composto de canções rápidas e pesadas, com muito fuzz e distorção.

Algumas já conhecidas, como “Smokin’ Woman” e “Sun Creature” (ambas do EP “Sun Creature”, de 1998), vêm em versão demo, com uma roupagem mais crua e pesada, sendo um deleite para quem gosta de ouvir uma banda em seu estado mais natural possível. “Nervous Breakdown”, cover do Black Flag e que encerra o disco em uma versão ao vivo, é interessante por mostrar algumas das referências que contribuem para a sonoridade da banda.

Esse compilado é ideal não somente para os fãs do conjunto, mas também uma porta de entrada interessante para quem o deseja conhecer melhor. Agradeço a Heavy Psych Sounds Records por esse resgate.

1. Stagnant Pool
2. Whalefinger
3. Humbucker
4. Smokin’ Woman
5. Sun Creature
6. You Got It
7. To The Center 
8. Synthetic Dream
9. How Does It Feel To Feel
10. Nervous Breakdown (Black Flag Cover Ao Vivo)

Direto do Forno · Música

Bloodshot Bill – Take Me For a Ride (Single)

Após anos integrando o catálogo da Norton Records, Bloodshot Bill mudou de ares. Agora ele faz parte da Goner Records, e é por lá que “Come Get Your Love Right Now”, seu disco mais recente, sairá do forno em 15 de fevereiro, com o melhor do rockabilly e do surf rock.

Para o novo trabalho, ele soltou um único single até agora, “Take Me For a Ride”, um rock’n’roll de garagem seco e certeiro, com pouco mais de dois minutos de pura animação.

Se você não o conhece, veja essa apresentação do artista canadense na KEXP há pouco mais de um ano, e cuidado para não viciar.

Direto do Forno · Música

Black Taffy – Geraldine/Lantern Flies In Mist (Singles)

Um álbum começa pela capa. Para mim, ela comunica muito com o ouvinte sobre o que ele pode encontrar ao iniciar a sua audição. Sim, algumas são ridículas, outras não são feitas para serem levadas a sério, mas as julgo como parte importante dessa composição que forma um disco.

Em “Elder Mantis”, a estréia de Black Taffy, a arte gráfica comunica-se diretamente com a sua música. As batidas obscuras dos dois singles já lançados, “Geraldine” e “Lantern Flies In Mist”, são tão melancolicamente belas quanto o enigmático pano negro que faz fundo para colagens foscas de objetos que remetem, mesmo que em partes, à estética noir da primeira metade do século XX.

A obra completa tem sua distribuição pela Leaving Records e chega às lojas em 15 de fevereiro, seja em formato físico ou digital.

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Current Affairs

A sensação é de estar num ambiente tonalizado em preto e branco, gélido e movimentado. A música é tão crua em qualquer aspecto que sentir-se só em meio à multidão não é algo incomum. As batidas secas da bateria contribuem para tal sentimento de solidão. Joan, sem sobrenome, declama seus versos com emoção, trazendo vida àquele lugar.

Música é assim, inexplicável. Certas melodias, estilos, artistas ou batidas transportam-nos a lugares que nunca vimos na vida, nem sequer sabemos se existem ou não. Esse é o exercício que ela traz à nossa imaginação, levando-nos a construir cenários e personagens que fazem sentido nem que seja somente para nós mesmos.

Esse é o caso do Current Affairs, banda escocesa de Glasgow que cria um som post-punk direto da fonte. Não é, por exemplo, o Joy Division do “Unknown Pleasures”, já ciente de como queria ser, mas aquele que ainda polia e lapidava o seu som, como no EP “An Ideal For Living”, um ano antes do seu clássico. A guitarra alterna momentos de peso com outros mais eufóricos, como se ela possuísse um aspecto cortante e elétrico, girando e dançando em volta dos seus irmãos baixo e bateria, que mantém uma linha mais direta e coesa em quase todas as canções.

Vamos aos registros oficiais: um EP de 2017, intitulado “Object”, mais dois singles, ambos datados do final do ano passado: “Cheap Cuts/Let Her” e “Breeding Feeling/Draw The Line”. Não chega a dez o número total de canções lançadas pelo conjunto. Mas a avaliar sua ainda pequena discografia, o Current Affairs possui uma riqueza musical tamanha que, ao meu ver, os torna preparados para um disco cheio e mais encorpado.

Abaixo, em ordem cronológica, o EP e os dois singles para você ouvir à vontade e de graça.

 

Direto do Forno · Música

O novo do John Garcia: John Garcia and the Band of Gold

Em ordem cronológica, é seu terceiro álbum solo, mas se levarmos em conta a nova banda que o acompanha, “John Garcia and the Band of Gold” é o primeiro disco do deus-mor do rock do deserto com esse grupo. E o seu melhor trabalho desde que se desprendeu do Kyuss.

Ao todo, são onze petardos sonoros que não aliviam em nenhum momento. Quer entender melhor? Pegue os três singles disponibilizados anteriormente (“Chicken Delight“, “Jim’s Whiskers” e “My Everything“) e quadruplique-os. O disco inteiro é recheado de riffs pesados e sujos, com muito fuzz e blues, um baixo marcante e igualmente forte, acrescentados à uma bateria pungente que parece causar uma avalanche de rochas sobre o ouvinte.

Mas o fio-condutor que mantém o álbum bem nivelado do início ao fim é o vocalista e dono do projeto. O tempo fez bem à sua voz e Garcia parece mais vivo do que nunca, enérgico nos versos e agressivo nas horas certas. E é justamente esse equilíbrio entre voz e instrumentos que tornam “John Garcia and the Band of Gold” um trabalho uniforme, mantendo a intensidade desde o início instrumental com “Space Vato” até o desfecho (não se engane pelo nome) com “Softer Side”.

Se o stoner rock/metal tem, ao meu ver, uma das atividades mais produtivas da música underground, ouvir um novo disco daquele que é considerado uma lenda viva do estilo é um incentivo e tanto.


1. Space Vato
2. Jim’s Whiskers
3. Chicken Delight
4. Kentucky II
5. My Everything
6. Lillianna
7. Popcorn (Hit Me When You Can)
8. Apache Junction
9. Don’t Even Think About It
10. Cheyletiella
11. Softer Side