Direto do Forno · Música · Uncategorized

Routine Death – Stay (Single)

A bateria lá no fundo avisa o contrabaixo: aqui eu tomo conta, mas o resto é com você.

Sim, é a linha grave de cordas que rouba a cena logo no início de “Stay”, single lançado pelo Routine Death através da inglesa Fuzz Club Records. Logo mais adentram os pedaços eletrônicos, sintetizadores, guitarras e vozes e tudo mais que você imaginar, mas nada tira o brilho da contínua linha de baixo que acompanha toda a canção.

“Stay” é o primeiro lançamento do eletro-duo após “Parallel Universes”, disco que está próximo de completar um ano de vida.

Se teremos álbum novo em breve, ainda é um mistério.

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Diálogo

Jasper: Então… você tem a fé aqui e o acaso ali.
Miriam: Como Yin e Yang.
Jasper: Mais ou menos.
Miriam: Ou Shiva e Shakti.
Jasper: Lennon e McCartney.
Kee: Olhem, Julian e Theo (apontando para uma foto).
Jasper: É, eles se encontraram entre 1 milhão de manifestantes por acaso, mas estavam lá pelo que acreditavam. Pela fé. Eles queriam mudar o mundo, e a fé os manteve juntos. Mas, pelo acaso, Dylan nasceu.
Kee: Esse é ele (apontando pra uma foto)?
Jasper: Sim, é ele. Ele teria a sua idade. Criança mágica, lindo. A fé deles colocada em prática.
Miriam: O que aconteceu?
Jasper: O acaso. Ele era o pequeno sonho deles, de mãos, pernas e pés pequeninos… E pulmões. E em 2008, veio a pandemia da gripe. E pelo acaso, ele se foi.
Miriam: Meu deus!
Jasper: Veja, a fé do Theo perdeu para o acaso. Então para que se incomodar, se a vida faz suas próprias escolhas?
(Children of Men, Alfonso Cuarón, 2006)
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Naufrágio

Meu é o coração que tu seguras
Mas que deixas escapar entre os dedos calejados.
Se Jesus morresse bem na minha frente,
Eu poderia dizer que estava sem tempo?
Toque em meus ossos  para que eu me sinta vivo
Ou, enfim, já me conforme com o esquecimento.

Com as portas abertas e os destinos cruzados
Vivemos o mesmo sonho naufragado;
Atirados ao mar do desespero
Sem saber onde está a superfície,
Sem saber nadar,
Sem saber de nada.

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“Minha mãe e meu pai tinham um relacionamento complicado, e acho que por isso ele gostava de beber. Tinham dias em que ela não parava de falar no ouvido dele, sempre reclamando e falando sobre dinheiro. Eu observava tudo de longe.

Ele saía para trabalhar às 08 da manhã, voltava ao meio-dia para o almoço e retornava às 14 horas, chegando em casa depois somente às 18:30. Nessas duas horas de almoço, minha mãe começava a disparar sua metralhadora de palavras. ‘Precisamos de dinheiro, as contas estão vencendo, você conseguiu vender hoje?, já recebeu?, você está mentindo pra mim’. Em alguns dias, era insuportável. Lembro que em uma das vezes ele simplesmente levantou e saiu de casa. Só fui saber bem depois, quando ele me contou. Tinha ido ao estacionamento do DNIT, estacionado embaixo de uma árvore e cochilado. Era só isso que ele queria.

Ele morreu fazem alguns anos já. A mesma substância que o dava prazer, tirou sua vida.

Minha mãe queria dinheiro para não se preocupar. Meu pai só queria paz. Não culpo nenhum dos dois, assim é a vida.”

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(Blackstar)

Criei o ensaio “(Blackstar)”para registrar o tratamento e recuperação da nossa Lua, mas foi interrompido antes do esperado. Ela não resistiu e faleceu no sábado, após dura batalha contra a cinomose. Eu, meu amor Denise e nossa outra cadela Leona estamos de coração partido nesse momento.

Mais abaixo, digo em um texto que a vida é mais fácil quando a morte é compreendida.

Eu ainda não a compreendi.

As outras 3 fotos do ensaio estão disponíveis no meu Instagram, cujo link está la no rodapé. 

Descanse em paz, Lulu.

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Um minuto

A correria do escritório estava me matando naquele dia. Cobrança do gerente, dos colegas, da mulher, sistema travando, muita gente falando ao mesmo tempo… A única hora de paz era quando ia ao banheiro, mas o intestino não ajudava.
Fui colocar o celular para carregar quando, de repente, uma joaninha, em meio a toda aquela confusão, surgiu e pousou na minha mão. Ficou por volta de um minuto e bateu asas. Aquele minuto, para mim, durou anos. Aquele minuto salvou o meu dia. Por um minuto, aquela joaninha foi a minha melhor companhia. A vida está nas coisas simples.

*Escrito no dia 1 de julho de 2017. Fato verídico.