Direto do Forno · Música

Wax Chattels – No Ties (Single)

A Wax Chattels é uma banda da Nova Zelândia que prepara o lançamento de seu segundo disco de estúdio, Clot, para o final de setembro desse ano, através do selo Captured Tracks.

A banda faz um post-punk agitado e raivoso, bem resumido em “No Ties”, o primeiro single desse novo trabalho. São dois minutos de porrada, o tipo de música que não rodeia e vai direto ao ponto, na mira certa onde quer chegar.

Por ser um trio, o charme vai um pouco além, pois para fazer um petardo desse com apenas uma guitarra, baixo e bateria, é porque seus integrantes são competentes.

 

Direto do Forno · Música

Guided By Voices – Haircut Sphinx (Single)

Já vi texto de gente virando a cara, já vi gente que se empolga às alturas (faço parte desse grupo), mas fato é que a cada novo lançamento do Guided By Voices, o universo da música direciona sua atenção à gangue de Robert Pollard, ainda mais agora que os caras estão prestes a lançar o seu TRIGÉSIMO disco.

Mirrored Aztec chega no final de agosto, no dia 25, e já conta com um single disponível: “Haircut Sphinx”, um rockzinho dançante com pouco mais de dois minutos que você encontra aos montes no catálogo do grupo. Além disso, a capa do disco é uma das mais bonitas que a banda já teve.

Confira abaixo.

Direto do Forno · Música

Thurston Moore – Cantaloupe (Single)

A primeira coisa que veio à minha mente quando ouvi os primeiros segundos de “Cantaloupe”, do Thurston Moore, foi a lembrança de alguns hits noventistas do Sonic Youth, principalmente “Sugar Kane”.

“Ah, mas é óbvio, Moore era um dos integrantes da banda”, você pode pensar, mas mesmo assim, foi inevitável.

Fato é que a guitarra desse camarada é irresistível e “Cantaloupe” é uma canção potente, agressiva e cool na medida certa. Ela é mais um single de By The Fire, o próximo disco solo do Thurston Moore, que sai no dia 25 de setembro desse ano.

Direto do Forno · Música

O Novo do Brant Bjork: Brant Bjork

Lobão falou uma coisa interessante em sua entrevista mais recente no Roda Viva, da TV Cultura: disse que o rock está em seu melhor momento, e vertentes como o stoner e o post-rock estão a todo vapor. Se for parar para analisar, faz todo o sentido, principalmente se levarmos em conta somente o stoner rock. Quase toda semana um disco é lançado, seja de uma banda iniciante ou alguma já na estrada há tempos. E por incrível e exagerado que possa parecer, a maior parte desses novos trabalhos é de qualidade.

Se tem um cara que contribui e muito para manter essa cena ativa, é Brant Bjork, considerado um dos padrinhos do estilo e um dos artistas mais prolíficos que conheço. Bjork não descansa, tá sempre produzindo e lançando álbuns, e pouco mais de um ano após seu último lançamento, Jacoozzi, ele tira da cartola mais um disco, que dessa vez, leva seu nome.

Toda vez que paro para pensar sobre o termo stoner rock, vem à mente uma infinidade de riffs pesados e lentos, que parecem anunciar um desastre natural, mas com Brant Bjork a coisa é diferente. Ele eleva o termo para algo mais sutil, ritmado e dançante, ou seja, ele transforma aquilo que ajudou a criar em algo novo, como uma busca constante em se renovar.

Com um recheio de rock do deserto mesclado com o funk à la Funkadelic e algumas boas pitadas de jazz, Brant Bjork possui oito faixas ao todo, sendo a última um achado acústico que fecha o disco da mesma forma que começou: com tranquilidade. Em nenhum instante o álbum acelera ou aumenta de tom e a experiência em ouvi-lo é melhor se for feita em um momento de silêncio.

1. Jungle In The Sound
2. Mary (You’re Such A Lady)
3. Jesus Was A Bluesman
4. Cleaning Out The Ashtray
5. Duke Of Dynamite
6. Shitkickin’ Now
7. Stardust & Diamond Eyes
8. Been So Long

Crônicas · Língua Presa · Música

Hoje Dancei Ouvindo Ride

Something Else, do The Brian Jonestown Massacre, foi um dos vários álbuns que ouvi hoje durante o dia. E no Spotify é o seguinte: quando um disco acaba, começa a tocar aquilo que o programa chama de rádio, que é um compilado aleatório de músicas que se parecem com o que acabou de ser reproduzido. É uma ferramenta interessante para descobrir bandas e artistas novos.

A rádio do Something Else tinha, em sua maioria, artistas de música psicodélica, como o Spiritualized e o Oh Sees. Só que teve uma em específico que quando começou a tocar, não acreditei. Meus braços arrepiaram-se por inteiro e pensei que havia entrado em uma máquina do tempo. “Dreams Burn Down”, do Ride.

Quando o shoegaze entrou na minha vida, eu estava naqueles momentos de personalidade vulnerável, ainda sendo moldado sob as próprias influências. Nowhere, do Ride, foi um dos grandes discos que abriram as portas para que eu adentrasse nesse universo de guitarras dissonantes, etéreas e barulhentas.

Voltando ao tempo presente, era final de tarde e estava encerrando o expediente (home office) quando “Dreams Burn Down” começou a tocar. Peguei um cigarro, acendi e coloquei o volume da caixa de som quase no máximo, fazendo com que a bateria SENSACIONAL do início da música quase trincasse a janela da sala. No quintal, meus dois cachorros ouviram o barulho da porta sendo aberta e vieram ver o que eu estava fazendo. A música, que eu não ouvia há uns bons anos, levou-me a dançar com eles durante todo o seu decorrer. Para minha surpresa, até a letra eu ainda sabia cantar.

Quase chorei em certo momento. Foi como se ela tivesse se transformado em correntes de ar e entrado em meu organismo, tomando conta de minhas emoções.

Foi como expurgar parte de demônios que ainda vivem dentro de mim.

Direto do Forno · Música

Lenny Pistol – (Still Losing) The Control (Single)

O vídeo de “(Still Losing) The Control)”, single mais recente do Lenny Pistol, é uma viagem. O filtro de VHS somado à colagens e cores púrpuras são ótimos complementos à música, levada por uma guitarrinha psicodélica e a voz preguiçosa e charmosa de Lenny. A letra parece narrar um sonho ou, melhor ainda, um passeio lisérgico.

Lenny Pistol é um dos artistas que mais gostei de conhecer nos últimos anos. Original, ele usa suas referências para passear entre o pop e o indie, sem parecer “comercial” (não gosto desse termo, mas ok) demais, e nem tão underground assim. Escrevi sobre o EP de estreia dele aqui.

Se vem um disco novo em breve, ainda não foi anunciado. Mas “(Still Losing) The Control)” seria o anúncio ideal para isso.

Direto do Forno · Música

All Them Witches – Saturnine & Iron Jaw (Single)

É intrigante como o All Them Witches passeia por várias vertentes musicas em uma só canção. Em um disco então, é uma salada completa, e das boas. É só ouvir o último lançamento do grupo, ATW, cujas impressões pessoais registrei aqui.

Agora vem o seu sucessor, Nothing As The Ideal, com lançamento previsto para o início de setembro via New West Records.

A canção que inicia esse novo trabalho já está disponível para o público, e é sobre ela o que disse no início desse texto. Com quase sete minutos e com um riff poderoso, ela navega entre o rock psicodélico e o stoner, e tem uma característica interessante e presente em várias outras músicas da banda: ela dá uma quebrada no tempo, de repente, até que volta subindo o tom até explodir de novo.

Se o trio mantiver a regularidade, acho que vem mais pedrada por aí.

Direto do Forno · Música

Tricky – Fall Please (Single)

Vem aí mais um disco de Adrian Thaws, mais conhecido como Tricky, há três décadas sendo um dos mais caras mais inovadores, misteriosos e autênticos do mundo da música.

Fall To Pieces chegará em 4 de setembro desse ano pela False Idols, sua própria gravadora, apenas alguns meses após o EP 20,20. Fazendo um trocadilho com o nome do disco, Tricky usou um de seus pedaços para anunciá-lo: o single “Fall Please”, em colaboração com a cantora Marta, que por sinal, estará presente em quase todo o álbum.

Sobre a canção, é a mescla de batidas meio club music com vocais minimalistas, algo característico em toda a trajetória do cara. É um bom aperitivo para se degustar até a chegada do álbum completo.

Direto do Forno · Música

O Novo do Korto: EP

Se me falassem que o trio francês Korto viesse direto dos anos noventa, eu acreditaria fácil, fácil. A guitarra frenética e psicodélica remete a bandas como Truly (que também era um trio) e o Hazel, com o vocal distante, como se ecoasse de algum lugar além da música, e a bateria que permanece ativa à exaustão, como se não cansasse.

EP, simples assim, é o nome do disquinho com quatro canções somente, todas psicodélicas, bebendo do krautrock, space rock e do indie noventista, cujas guitarras dão o poder que as músicas merecem e o baixo pulsa como um coração desgovernado, tudum tudum tudum tudum, sem medo de que infarte a qualquer momento. Enquanto a cozinha dá o andamento agitado das músicas, a guitarra faz seu trabalho à parte, indo e voltando em arpejos, solos e passagens atmosféricas.

Por ser um trio, meu apreço fica ainda maior, são três cabeças apenas fazendo um barulho que muita banda pena para fazer, e com mais integrantes.

O trabalho saiu pelo selo Six Tonnes De Chair Records, também francês. Se o leitor me perguntasse qual música ouvir, eu diria: todas.


1. Mob
2. No Shit
3. Dottt
4. Tempor 

Garimpo · Música

“Saudade”

Chino Moreno é como um Midas no meio artístico: todo projeto que o cara encabeça ou participa é de qualidade (Palms, Team Sleep, Crosses e claro, o Deftones). Por isso seu nome é o principal chamariz do supergrupo Saudade, apesar dele estar mais na produção por trás das cortinas do que no front em si.

O projeto tem cinco músicas lançadas somente: quatro delas reunidas no EP Shadows & Light/Sanctuary Dub e o single avulso Lions. Todas levam um pouco de influência de cada artista que colabora, sendo o metal e o dub as mais nítidas.

Saudade é um coletivo com a presença de grandes nomes além de Chino, que vão se revezando a cada canção. Para mim, quem mais se destaca é Dr. Know, guitarrista do Bad Brains, que faz um ótimo trabalho de guitarra por aqui, mesclando suas influências de reggae/dub com um som mais pesado. E falando em dub, seu deus Lee “Scratch” Perry colabora na canção “Lions”, junto com D. Randall Blythe, vocalista do Lamb of God. Chino Moreno usa sua voz em “Shadows & Light”, parceria com a Chelsea Wolfe. Essa é a mais melancólica até então, marca característica dos trabalhos de Chino.

Outra boa música é “Sanctuary Dub”, um dub metal de primeira com participação do rapper theOGM, da banda Ho99o9. “Crisis” e “MyGoalsBeyond” são instrumentais que, ao meu ver, são apenas para preencher lacunas, apesar de terem, em certo ponto, o seu brilho.

A visão que tenho do Saudade é de uma reunião de artistas dispostos a criar música sem barreiras, cada um trazendo um pouco de suas bagagens e misturando tudo até sair algo concreto. Espero que lancem um álbum completo em breve.