Garimpo · Música

Garimpo: David Bowie – Low (Ao Vivo no Montreux Jazz Festival, Suiça, 2002)

Podem ser considerados verdadeiros sortudos os presentes no Auditório Stravinski no dia 18 de julho de 2002, durante o Festival de Montreux. Naquele dia, David Bowie subiu ao palco com uma banda impecável para tocar o Low, seu magnífico disco de 1977, na íntegra.

Com um semblante jovem e bastante sorridente, Bowie demonstra muita boa vontade no palco, e além de dominá-lo, também dá espaço para que sua banda tenha seus momentos de brilho. Apesar das faixas ambient estarem desordenadas, as canções cantadas seguem a mesma sequência do álbum.

A abertura com “Warszawa”, a minha preferida do Low, é de uma emoção indescritível.

O único lamento é a ausência de “Weeping Walls”, uma das instrumentais mais intrigantes do disco.

Tracklist:
1. Warszawa
2. Speed of Life
3. Breaking Glass
4. What In The World
5. Sound And Vision
6. Art Decade
7. Always Crashing in the Same Car
8. Be My Wife
9. A New Career in a New Town
10. Subterraneans

Diversos · Língua Presa · Música

H.

“Então, alguém aí já assistiu aqueles desenhos da Warner Bros? Tem aqueles onde o personagem está tendo dificuldade para tomar uma decisão. Ele tem um anjo em um dos ombros e um demônio no outro. Parece bem óbvio, né? Geralmente, o anjo é o que tenta dar um bom conselho, enquanto o demônio o tenta convencer a fazer algo de mal. Não é sempre assim tão simples. Na maioria das vezes, não são realmente anjos ou demônios. São apenas amigos dando conselho, zelando pelo seu interesse, mas nem sempre entendendo o que pode ser o melhor para você. Então, sobra para você mesmo. Você tem que tomar a decisão por si próprio… Essa canção de chama H.”

“H.” é um dos singles de Ænima, disco do Tool lançado em 1996. Assim como a maioria das canções da banda, é alvo de muitas interpretações. O texto acima foi uma possível explanação que Maynard J. Keenan, vocalista do grupo, deu antes de tocá-la em um show.

Parafraseando o que ele disse acima, “você  tem que tomar a decisão por si próprio”. Tire você mesmo sua conclusão.

Diversos · Língua Presa · Música

Cadeira de Balanço

Minha mãe adorava “Rockin’ Chair”, do Oasis, mesmo entendendo apenas o all my life de uma das estrofes.

Presente na coletânea The Masterplan, de 1998, é uma canção enérgica, empolgante e que transmite um prazer em estar vivo que dispensa qualquer entendimento de inglês para se sentir bem. Parte dessa beleza vem da voz de Liam Gallagher, que atingiu seu auge no final da década de noventa.

Ouvi-la hoje em dia é como sentir a presença dela no mesmo ambiente.

Alguns anos mais tarde, Rod Stewart incluiu uma versão cover em sua coletânea The Rod Stewart Sessions 1971–1998, de 2009. Incrivelmente, ficou muito boa.

Direto do Forno · Música

Mais Uma Do Azymuth: Castelo (Version 1) (Demo)

Escrevi aqui sobre a caixa de raridades que o Azymuth lançará no fim deste mês pela Far Out Recordings, e para salivar um pouco mais a boca dos adoradores do conjunto, mais uma pérola foi disponibilizada.

Trata-se da demo de “Castelo”, faixa que terá duas versões na coletânea. A disponível é intitulada “Version 1”. Em cada momento da música um instrumento rouba a cena, mas a melhor delas é o baixo cadenciado, que mais parece um torpedo dançante.

É de um swing marcante que só a música brasileira sabe fazer.

Direto do Forno · Música

The Quiet Temple – The Last Opium Den (On Earth) (Single)

É comum jogar na esfera da “música experimental” qualquer trabalho que tem na sua construção um passeio pelas mais variadas formas e estéticas sonoras, seja para agrupar um seleto conjunto de artistas, para identificar um coletivo ou apenas para tentar explicar aquilo que se ouve. Porém, ao analisar atentamente, questiono: qual música hoje em dia não é feita de experimentos?

O estreante The Quiet Temple, por exemplo, tem a tag jazz como identificador em sua página. E num primeiro momento, sim, jazz caberia bem como um rótulo. No final dos quase oito minutos de “The Last Opium Den (On Earth)”, o primeiro single de seu disco de estreia, o ouvinte sabe que a fronteira vai muito mais além.

O próprio Rich Machin, um dos cabeças do projeto, analisa o disco como um híbrido de jazz, krautrock e Velvet Underground, mas as influências são infinitas. Eu, por exemplo, colocaria também a ambiência do post-rock nesse liquidificador.

Independente disso tudo, o que importa é a qualidade. Palmas para o The Quiet Temple.

O disco completo, homônimo, será lançado pela Wichita Recordings em 05 de julho desse ano.

Direto do Forno · Música

Kyle Craft – Broken Mirror Pose (Single)

Showboat Honey, o próximo disco do Kyle Craft, ganhou mais uma fatia musical/visual para o apreço de seus seguidores. “Broken Mirror Pose” exala anos setenta do início ao fim.

Da canção que mescla a base rock’n’roll com instrumentos de sopro ao visual extravagante, é possível perceber o caminho que o trabalho percorrerá.

O álbum sai em julho, dia 12, pela Sub Pop.

Garimpo · Música

Garimpo: Chico Science & Nação Zumbi – Lixo do Mangue/Da Lama ao Caos (Ao Vivo no Montreux Jazz Festival, Suíça, 1995)

Em 1995, Chico e a Nação Zumbi atravessaram o oceano rumo ao Festival de Montreux, na Suíça, um dos mais tradicionais e prestigiados de todo o planeta. E na hora de tocar “Da Lama Ao Caos”, o mundo veio abaixo.

Após uma breve introdução com a instrumental “Lixo do Mangue”, percussão e guitarra entraram em uma sintonia pesada, como se um vulcão tivesse anunciando sua erupção. De repente, o grupo tomou conta do palco como poucos, deixando os gringos em transe.

Autenticidade, fator que anda tão escasso na classe artística mainstream brasileira, transbordava em Chico Science.

Se sua música atravessou a lama e chegou à selva de pedra há décadas, hoje, ela bate de frente em um rígido muro invisível que assombra o Brasil: o caos. É só dar atenção às suas letras. Parece que foram feitas ontem.

Direto do Forno · Música

Pin Ups – Spinning (Single)

Esse texto vai soar muito puxa-saco, porque eu gosto demais dessa banda há anos e jamais pensei que diria isso algum dia: a Pin Ups está de volta e lançará um novo disco!

Em um breve contexto histórico, o grupo foi um dos mais importantes do underground nacional nos anos noventa, época em que a música subterrânea brasileira fabricou inúmeras bandas barulhentas, criativas e de alto nível. Na internet, é possível encontrar reportagens e entrevistas de personagens que viveram a época e aconselho o leitor a procurar para entender melhor.

Time Will Burn, o primeiro álbum da Pin Ups e lançado em 1990, é um dos maiores clássicos da época e costumo apelidá-lo de “Loveless brasileiro”, mesmo lançado um ano antes do mítico disco do My Bloody Valentine.

O último trabalho da banda, Bruce Lee, saiu em 1999 e parou por aí. Com alguns esporádicos retornos, o conjunto voltou à ativa e prepara Long Time No See, o novo disco que chegará no próximo mês, dia 14, pelo midsummer madness e Fleeting Media.

Ouça abaixo “Spinning”, o primeiro aperitivo desse retorno que comemoro com entusiasmo.

Direto do Forno · Música

Mike Patton & Jean-Claude Vannier – On Top Of The World (Single)

Mike Patton, o homem das mil vozes e dos mil projetos, está com mais uma parceria engatilhada para sair do forno da Ipecac Recordings, sua gravadora, ainda esse ano. Trata-se de Jean-Claude Vannier, colaborador de longa data de Serge Gainsbourg, ícone da música francesa.

Conforme release oficial, a dupla se conheceu em 2011 e a admiração foi instantânea, porém, o trabalho em conjunto só saiu do papel recentemente.

O disco se chamará Corpse Flower e contará com doze músicas. “On Top Of The World” foi a escolhida para anunciar o álbum, que chega por completo dia 13 de setembro.

Com uma atmosfera que lembra bastante o clássico Histoire de Melody Nelson (1971) de Serge Gainsbourg, a canção é sombria e sensual.

 

Direto do Forno · Música

Bruce Springsteen – There Goes My Miracle (Single)

Sentir-se tocado por uma obra artística é uma atividade individual, ou seja, cada pessoa capta as sensações à sua percepção. Os caminhos também são infinitos: seja pela escolha das palavras, a métrica, a voz emocionada ou o visual, apenas para exemplificar.

O que torna “There Goes My Miracle” tão potente é a junção de várias percepções que transformam a canção quase como um hino. Sim, é perigoso afirmar isso antes do disco ser lançado e tratando-se do Bruce Springsteen, cuja trajetória é recheada de canções grandiosas, mas pelos dois aperitivos disponibilizados até então, Western Stars o apresenta em plena forma e ainda capaz de emocionar. Isso é o mais importante.

Individual, lembra?

Se “Hello Sunshine” é para um aconchego, “There Goes My Miracle” vem para refletir. Onde está o seu milagre? O que você anda fazendo com sua vida?