Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Chicos De Nazca

Foi por uma recomendação do André Barcinski em seu espaço no Uol (faz muita falta) que conheci a Chicos De Nazca, banda chilena de Santiago que vive em Berlim desde 2010.

Ouvi uma música aqui e outra ali e achei interessante o som, porém, caiu no limbo das playlists. Hoje isso mudou. Embarquei em uma viagem aos anos 60 com Since You Got It, o álbum mais recente do conjunto (saiu essa semana), e entrei em transe.

São muitas guitarras se entrelaçando e conduzindo o ouvinte a um passeio entre paisagens coloridas, giratórias, flutuantes e cheias de flores. Nem precisa de “ajuda”, se é que me entendem.

Para quem gosta de psicodelia, é um prato cheio.

Direto do Forno · Música

O novo do Tool: Fear Inoculum

“Por milhões de anos, a humanidade viveu como os animais. Então, algo aconteceu e desencadeou o poder de nossa imaginação: nós aprendemos a falar.”
-Stephen Hawking

Comunicação. 

Se me perguntassem como eu definiria o trabalho do Tool, seria essa a palavra. É mais do que sentir ou ouvir as músicas. É uma orientação de pensamento, de colocar-se em um espaço vulnerável para absorver cada palavra e analisar o que está sendo dito. Como uma conversa, onde um lado transmite o que está pensando e o outro escuta para tirar as suas conclusões.

Por isso Fear Inoculum foi tão aguardado por todos os fãs. Porque falta sinceridade na música atual. Faltam artistas que colocam o ouvinte em um estado desconfortável e que o forçam a ouvir o disco duas, três, até dez vezes para captar todos os seus pedaços. E, ainda assim, haveriam surpresas. Um sussurro, uma virada de tempo diferente, uma letra mal-entendida e assim por diante. No caso do Tool, até hoje sou surpreendido com detalhes não percebidos em audições anteriores.

O trabalho é composto por dez faixas (considerando aqui a versão digital), sendo quatro instrumentais que funcionam como uma espécie de vinhetas para que o disco soe como uma única longa canção. Apesar de entender o conceito, achei desnecessária a quantidade (como também são nos outros discos).

Seus dois extremos são os pontos altos: a faixa-título que inicia a jornada e “7empest”, o desfecho, essa sendo a mais longa e a que mais causou-me um transe sonoro. Pesada e psicodélica na medida ideal. Mas isso é uma opinião recente. É impossível digerir um disco do Tool em tão pouco tempo. Fear Inoculum é um lançamento que renderá novos entendimentos a cada audição.

Meu único lamento é a arte da capa e do novo logo da banda. Poderiam ter sido bem melhores.

1. Fear Inoculum
2. Pneuma
3. Litanie contre la peur (instrumental)
4. Invincible
5. Legion Inoculant (instrumental)
6. Descending
7. Culling Voices
8. Chocolate Chip Trip
9. 7empest
10. Mockingbeat (instrumental)

 

 

 

Crônicas · Língua Presa · Música

Nostalgia

Nostalgia.

Ou a velha ilusão de que o passado foi muito melhor do que o presente momento. Aquela sensação que consome o consciente na hora de dormir, com memórias de tempos que jamais serão vividos novamente, e que dão saudade. Mas é de uma ingenuidade tamanha pensar que eles foram perfeitos. Não foram e pode ser que, na época em que aconteceram, foram um desastre, só que, na maior parte das vezes que a nostalgia bate com força, analisamos essas memórias com um carinho acima do normal.

São poucas as lembranças que me causam nostalgia. O álbum de figurinhas do primeiro filme do Homem-Aranha do Sam Raimi é uma delas. Situações que vivi com amigos da escola e da minha rua também. Mas nada supera a trilha sonora da clássica trilogia Donkey Kong Country para o SNES, em uma época que videogames ainda eram sinônimo de diversão, e não de mercado/esporte.

Separei algumas canções do vasto repertório para o leitor. É uma estranha mistura de dor no coração com a satisfação pelos bons momentos vividos.

Direto do Forno · Música

All Them Witches – 1×1 (Single)

Agora como um trio, o All Them Witches já está preparando o sucessor do ótimo ATW, lançado ano passado e que ficou por muitos dias nas minhas playlists diárias.

Não há nada confirmado de forma oficial, mas podemos esperar algo em breve, pois no último dia de outubro a banda soltou um single de repente, intitulado “1×1”, via New West Records.

Um rock do deserto feito sob medida, com altos riffs de guitarra, toques psicodélicos e uma bateria arrasadora. Confira abaixo.

 

Garimpo · Música

Ex:Re, Ex Hex e FEELS

Três discos de grupos da atualidade (e liderados por mulheres) para ficar de olho.

O Ex:Re, projeto da Elena Tonra (Daughter) é mais melancólico, enquanto o Ex Hex e o FEELS são mais sujos.

São discos que funcionam em qualquer momento, seja no trajeto para o trabalho ou no conforto do seu sofá. Ou da cama, se preferir.

O repeat é garantido.

Ex:Re – Ex:Re

Ex Hex – It’s Real

FEELS – Post Earth

 

 

Crônicas · Língua Presa · Música

Idiotização

Os idiotas estão dominando o mundo ou eu que estou ficando rabugento cedo demais?

Repetindo os versos de Noel Gallagher, “estou desmoronando ou apenas ficando velho?”

Afinal, por que os homens viram completos idiotas quando se tornam pais? Cada vez mais tenho notado um comportamento…. digamos, imbecil quando esses interagem com seus filhos. Um exemplo bem nítido são as chamadas de vídeo com as crianças que, muitas vezes, nem têm noção do que está acontecendo, e o pai bobalhão fica fazendo voz fina e caras e bocas que até assustam.

Mais cedo no mercado, o segurança do local estava fazendo isso, perguntando ao filho como ele se machucou, se doeu, e depois um pedido que foi a gota d’água e que quase me matou de vergonha: “conta para o papai como foi que você chorou”. Nesse momento, vi que o mundo não tem mais salvação.

Fat Mike estava certo em 2003 e sua razão se concretizou por completo em 2019.

Os idiotas assumiram o controle.

Direto do Forno · Música

+2 do Swans

Na sexta-feira da próxima semana chega ao mundo leaving meaning, o décimo-quinto álbum de estúdio do Swans, uma das bandas mais devastadoras (emocionalmente falando) que descobri esse ano.

Até o exato momento, conhecemos somente dois pedaços do disco: “It’s Coming It’s Real” e “The Hanging Man”, ambas com um ar fantasmagórico e angustiante. Destaco o jogo percussivo da segunda, bem interessante mesmo.

Michael Gira segue certeiro em sua trajetória.

Música · Quarta Parede

Believe The Hype

Já faz um bom tempo que carrego comigo o lema don’t believe the hype quando deparo-me com noticiários exaustivos a respeito de algum artista, filme, jogo ou qualquer outro produto/obra de arte.

Porém, em outubro de 2019, terei que discordar do Public Enemy ao afirmar: acredite SIM no hype que rodeia o “filme do Coringa”.

Joker é tudo isso e mais um pouco. É um daqueles filmes que o espectador não digere em poucos dias. Ele vai, aos poucos, sendo absorvido, e cada nova análise, cada novo texto lido, cada vídeo assistido sobre e qualquer material que disserte sobre a película rende um ponto de vista diferente em relação à anterior. É uma obra muito ampla e que ultrapassa a linha de lateralidade que assola o nosso país.

Sobre a atuação de Phoenix, é chover no molhado dizer que é a melhor de sua carreira, e até mesmo a melhor da década. Vencer um Oscar ainda seria pouco para glorificá-lo.

Garimpo · Música

Venus In Furs

Em meu gosto particular, a melhor canção do clássico disco da banana do Velvet Underground com a Nico chama-se “Venus In Furs. Cada arranhão que aquele violino solta durante a canção é um pelo que se arrepia em meu corpo.

Por curiosidade, pesquisei no Youtube por alguma versão cover da música (para ver se eu conseguia tirar ela para tocar) e me surpreendi com a quantidade de artistas que a regravaram. Da versão meio club do Dave Navarro (a única que eu conhecia), passando pelo trap e até pelo stoner rock, deixo abaixo algumas para o leitor conferir.