Direto do Forno · Música

Dinosaur Jr. – I Ran Away (Single)

Parece que os “vovôs” J. Mascis, Lou Barlow e Murph, a tríade clássica do Dinosaur Jr., ainda têm muitas ideias para queimar e transformar em música. Vem aí Sweep It Into Space, o décimo-segundo álbum de estúdio da banda, que ganhará forma em 23 de abril desse ano, via Jagjaguwar.

São mais de trinta anos de carreira mantendo a mesma fórmula, e ainda assim o Dinosaur Jr. não fica chato ou enjoativo. O single “I Ran Away” está aí como prova. Uma divertida canção pop, onde os instrumentos estão todos alinhados e sem excessos, e ao final J. Mascis manda um solo um pouco mais barulhento, mas nada explosivo como os anos áureos da banda.

Chega a ser repetitivo, mas como é bom ver bandas assim ainda na ativa, criando músicas novas por amor.

Direto do Forno · Música

Novidades na Heavy Psych Sounds Records

As produções musicais no mundo subterrâneo continuam a todo vapor, principalmente no universo do stoner rock, uma das vertentes mais frutíferas nos últimos anos. No selo Heavy Psych Sounds Records não poderia ser diferente, e é de lá que trago algumas novidades hoje. Ao todo, são três singles de bandas que é aumentar o volume e deixar o caos tomar conta do ambiente.

Começando por “Free The Weed”, canção que entrará em Weedsconsin, o próximo disco do Bongzilla e que chegará DEZESSEIS anos após o último lançamento do conjunto. A previsão é para o dia 20 de abril, e se a expectativa se concretizar, vem algo ideal para fãs de stoner/doom metal. Afinal, “Free The Weed” já começa com a guitarra lá em cima e o vocalista praticamente rasga os seus versos com muita ferocidade.

Outra banda com disco quase saindo do forno é a Cosmic Reaper, com seu debut auto-intitulado previsto para o dia 19 desse mês. Só pela capa eles já me ganharam, parecendo um pôster de filme de terror B. Mas o som deles também é de alto nível, “Wasteland II” surpreende com riffs poderosos, a voz ecoando como se saísse de um megafone e o baixo também se fazendo presente. Ou seja, tudo muito bem afiado e espero que o disco inteiro esteja à altura.

Por último, a que mais gostei: “The Chosen One”, single do próximo álbum do 1782, chamado From The Graveyard. O tipo de som lento e pesado direto da escola Black Sabbath. Sem firulas ou passagens longas, a música é crua e certeira, mantendo a mesma pegada do início ao fim. From The Graveyard também sai esse mês, lá no dia 26.

A Heavy Psych Sounds Records está com vários outros lançamentos, alguns que já saíram e outros para as próximas semanas, mas é pouco tempo na correria do dia-a-dia e muita música para ouvir. Porém, tentarei aproveitar o máximo nos próximos dias, pois sei que o que sai do forno deles é de qualidade.

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O Novo da Anfisa Letyago: Listen EP

Foi ouvindo um episódio do podcast Álvaro, Barcinski, Forata & Paulão que conheci a Anfisa Letyago, DJ russa radicada em Nápoles, Itália. Na ocasião, tive acesso à canção “Pump It”, e essa não foi apenas minha melhor descoberta musical de 2020, como também a música que mais ouvi ano passado.

Anfisa Letyago é amplamente citada como uma das maiores revelações da música eletrônica dos últimos anos, e no início de 2021 ela aumentou sua (ainda) pequena discografia com o EP Listen. Apesar de curto, esse trabalho deixa bem claro o estilo das composições da DJ, que é capaz de criar peças contagiantes e, em contrapartida, outras mais amenas.

A faixa-título dá início ao EP, acompanhada por batidas e graves fortes e por uma voz sussurrada ao fundo, como um transe hipnótico ou até mesmo um sonho. Aliás, essa “voz” é um dos detalhes que mais me agradaram no som da DJ. Em seguida, vem “Orizzonte”. Essa me lembrou os melhores momentos do Prodigy, não pelo peso, mas pelo ritmo, onde vários elementos se fundem e o resultado é uma canção perfeita para um clube noturno.

Em “Deep Water”, a tal voz parece estar realmente afundada em águas profundas, enquanto o instrumental faz o corpo do ouvinte se tremer não apenas por fora, mas também por dentro. E não fosse o bastante, o encerramento com “Gravity” causa a mesma sensação, mas dessa vez não na água, mas no ar, como se o corpo flutuasse, carregado pelas batidas minimalistas da canção.

Listen resume bem, em quatro faixas, as influências e características da Anfisa Letyago, e para quem acaba de conhecê-la, é uma boa porta de entrada para seu universo eletrônico. Ele foi lançado em 8 de janeiro deste ano e foi o primeiro lançamento em seu próprio selo, o N:S:DA.

1. Listen
2. Orizzonte
3. Deep Water
4. Gravity

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Tomahawk – Business Casual (Single)

“Ah, tá de sacanagem!”

Essa foi minha reação quando descobri que o Tomahawk está de volta, já com um single e com a data do novo álbum anunciada. Tonic Immobility chegará em 26 de março pela Ipecac Recordings.

“Business Casual” possui uma linha de baixo maravilhosa, e claro, uma bateria esmagadora, como é de praxe quando se escuta o John Stanier em ação. A voz de Patton então nem precisa de comentários. É incrível como ele só melhora a cada ano que passa.

O Tomahawk é o projeto paralelo do Mike Patton que mais gosto. Mas é injusto chamá-lo de “projeto paralelo”, pois a banda já possui quatro discos de estúdio, sendo que o último, Oddfellows, foi lançado em 2013. Inclusive, tive a honra de vê-los ao vivo nesse mesmo ano, quando vieram no Lollapalooza.

Ano passado foi o Mr. Bungle que voltou às atividades e agora o Tomahawk. Espero que o Fântomas seja o próximo da fila.

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Cub Scout Bowling Pins – Heaven Beats Iowa (Single)

Duvido que exista alguém tão prolífico em questões artísticas quando Robert Pollard. Não bastasse os vários discos que ele lançou com o Guided By Voices em 2020, o cara também já anunciou mais um projeto paralelo e também soltou o primeiro single dessa empreitada: conheça o Cub Scout Bowling Pins com a canção “Heaven Beats Iowa”, que também levará o nome do primeiro EP do projeto.

Soa como Guided By Voices? Soa. É algo inovador? Não. Mas não importa, é muito bom ver esse camarada na ativa após décadas de carreira e ainda parecendo uma fábrica de canções.

O Cub Scout Bowling Pins lançará seu primeiro EP em 22 de janeiro desse ano.

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Yungatita – Sigh Guy (Single)

Um ano após lançar Over You, seu EP de estreia, a Yungatita retorna com “Sigh Guy”, single que deve adiantar seu próximo trabalho.

“Sigh Guy” tem um quê anos oitenta meio blasé, com uma guitarrinha funkeada que proporciona uma viagem sonora gostosa. Preguiçosa, mas gostosa. Lembra bastante o CASTLEBEAT.

Aliás, é da Yungatita uma das músicas que mais ouvi no ano passado: “7 Weeks & 3 Days”.

Tá aí mais uma artista que é bom ficar de olho nos próximos anos.

Direto do Forno · Música

O Novo do Our Transient Lives: Daily Loss EP

O nome Daily Loss, título do novo EP do Our Transient Lives, em português seria algo como “perda diária”. Tendo como base um poema visto na biblioteca pública de Indianápolis, Jared Rosdeutscher criou essa peça carregada de melancolia. Todos os dias perdemos alguma coisa, desde objetos banais até pessoas ou a si mesmo.

É um tipo de música que eu indicaria para os fãs de música ambient sem titubear, mas é bom cuidar com a tristeza que a cerca. Vai além da hipnose. Os pianos ao fundo de “First the Hour, Then the Day” explicitam isso. “Small the Daily Loss Appears” é como um sopro interminável e aos poucos cada elemento ao redor vai aparecendo, desde o baixo até ecos de guitarra, mas que vão embora em poucos instantes.

O encerramento com “Yet It Soon Amounts to Years” trouxe à minha mente “Wallace”, a minha música favorita da trilha sonora do Blade Runner 2049. Ouça as duas e perceba a semelhança.

Daily Loss é o primeiro trabalho que ouço desse projeto e gostei da forma como Jared monta suas peças, sabendo encaixar todos os detalhes nos momentos certos. Se ele traz a palavra “perda” em seu título, afirmo que tempo é algo que não foi perdido durante a audição desse EP.

Como é doce (e traiçoeira) a beleza da melancolia.

Esse é o poema citado no início do texto:

“Time by minutes slips away
First the hour, then the day
Small the daily loss appears
Yet it soon amounts to years”
-Ronald Tierney

1.Time By Minutes Slips Away
2. First the Hour, Then the Day
3. Small the Daily Loss Appears

4. Yet It Soon Amounts to Years

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Last Victorian Death Squad – LVDS EP

Na maioria das vezes, discos de shoegaze causam sensações estranhas em mim. Gostosas, mas estranhas. Um mix de nostalgia com melancolia, como se à medida que o som passa pelos ouvidos, toda aquela barulheira pudesse ser vista em forma de memórias.

Mas ouvindo o relançamento do primeiro EP do Last Victorian Death Squad, LVDS, pela ótima e já citada gravadora Shore Dive Records, a sensação foi diferente. Não foi uma ode ao passado, e sim uma vista diferente para os próximos dias. Um ânimo a mais, um despertar súbito à la Jack Kerouac sobre o momento atual da vida e o que posso fazer para melhorá-la.

“Alice” honra as “músicas com nome de pessoas” e é uma bela introdução, com guitarras soando seu feedback em alto e bom som, enquanto o vocalista declama seus versos com uma empolgação muito natural.

O que vem em seguida é “Bad Bones” e dadas as devidas proporções, é como se a imposição daquele Oasis do início dos anos 2000 tivesse baixado no Last Victorian Death Squad. A canção é levada em um ritmo menos acelerado, mas ainda barulhento, como deve ser.

As duas faixas que completam o EP, “Acid” e “Devil”, continuam a soltar uma tempestade de cordas nos ouvidos, e como uma boa banda de shoegaze sabe fazer, a bateria continua ali fazendo seu trabalho, na dela, apenas mantendo a corrente e o vocal, também paciente e calmo (na contramão das cordas), vai dizendo o que é preciso colocar para fora.

Aqui eu repito o mesmo comentário que mandei para o pessoal da Shore Dive pelo Instagram: “pelo amor de deus, isso é uma das melhores coisas que ouvi nos últimos meses.

E como gosto de deixar bem claro, digo isso sem exageros.

Crônicas · Língua Presa · Música

Até Que Enfim Ouvi A Guitarra do Jimi Hendrix Falar

Lembro que meu pai costumava colocar o Electric Ladyland em CD para tocar em algumas tardes (tenho o CD até hoje), e toda vez que “All Along The Watchtower” começava a tocar, ele falava:

-Esse cara é o maior de todos os tempos. O único que conseguiu fazer uma guitarra falar.

O solo dessa música é fantástico mesmo, mas admito que o lance da “guitarra” falar” não entrava em minha cabeça. Não parecia com algo sendo falado, apenas mais um som maravilhoso que aquele cara sabia fazer com os seus dedos.

Mas a teoria do meu pai se cumpriu no dia 14 de dezembro de 2020, enquanto eu limpava a casa. Foi com uma versão rara de “Spanish Castle Magic” que encontrei no Youtube, já que a original de estúdio não está lá. Em certo momento da música, Hendrix estava tratando tão bem as cordas de sua guitarra, que o som mais parecia uma voz falando do que qualquer outra coisa.

Agora sim posso dizer: até que enfim ouvi a guitarra do Jimi Hendrix falar!

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Shaylee – Audrey/Walking at the Ball (Singles)

Meu primeiro contato com o trabalho da Shaylee foi nesse cover de “Alphabet Town”, do Elliott Smith, que foi lançado em comemoração do aniversário póstumo do cara.

Ao final do mês passado, a artista lançou mais um compacto pela Kill Rock Stars com dois singles, “Audrey” e “Walking at the Ball”, ambas canções sobre pessoas trans que já deixaram esse planeta. É bom dizer que o compacto saiu justo na data de comemoração do Dia Internacional da Memória Transgênera.

As duas canções possuem uma forte carga emocional, mas “Audrey” é de um nível muito acima da média. Já perdi as contas de quantas vezes essa música tocou aqui nos últimos dias.

Informações mais detalhadas sobre as histórias por trás das duas músicas estão no Bandcamp dela.