Garimpo · Música

I Hope You’re Happy Now

Tenho certeza que se os Beatles da fase iêiêiê entrassem em uma máquina do tempo e ouvissem “I Hope You’re Happy Now”, do Elvis Costello, eles morreriam de inveja.

Lançada em 1986 no ótimo Blood and Chocolate, “I Hope You’re Happy Now” é de uma melodia pop contagiante, daquelas em que o pé acompanha a bateria em todo o seu decorrer, e que se contrapõe com a letra ácida e certeira, como um belo foda-se para quem o narrador se dirige.

Entraria em qualquer disco da trupe de Lennon. E, certamente, se sobressairia.

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Chicos De Nazca

Foi por uma recomendação do André Barcinski em seu espaço no Uol (faz muita falta) que conheci a Chicos De Nazca, banda chilena de Santiago que vive em Berlim desde 2010.

Ouvi uma música aqui e outra ali e achei interessante o som, porém, caiu no limbo das playlists. Hoje isso mudou. Embarquei em uma viagem aos anos 60 com Since You Got It, o álbum mais recente do conjunto (saiu essa semana), e entrei em transe.

São muitas guitarras se entrelaçando e conduzindo o ouvinte a um passeio entre paisagens coloridas, giratórias, flutuantes e cheias de flores. Nem precisa de “ajuda”, se é que me entendem.

Para quem gosta de psicodelia, é um prato cheio.

Garimpo · Música

Ex:Re, Ex Hex e FEELS

Três discos de grupos da atualidade (e liderados por mulheres) para ficar de olho.

O Ex:Re, projeto da Elena Tonra (Daughter) é mais melancólico, enquanto o Ex Hex e o FEELS são mais sujos.

São discos que funcionam em qualquer momento, seja no trajeto para o trabalho ou no conforto do seu sofá. Ou da cama, se preferir.

O repeat é garantido.

Ex:Re – Ex:Re

Ex Hex – It’s Real

FEELS – Post Earth

 

 

Garimpo · Música

Venus In Furs

Em meu gosto particular, a melhor canção do clássico disco da banana do Velvet Underground com a Nico chama-se “Venus In Furs. Cada arranhão que aquele violino solta durante a canção é um pelo que se arrepia em meu corpo.

Por curiosidade, pesquisei no Youtube por alguma versão cover da música (para ver se eu conseguia tirar ela para tocar) e me surpreendi com a quantidade de artistas que a regravaram. Da versão meio club do Dave Navarro (a única que eu conhecia), passando pelo trap e até pelo stoner rock, deixo abaixo algumas para o leitor conferir.

Garimpo · Música

B3

Já faz um bom tempo que o Placebo não lança algo relevante em sua discografia. Da estreia em 1996 até Sleeping With Ghosts (2003), foram quatro ótimos álbuns, incluindo o clássico e insuperável Without You I’m Nothing (1998). Porém, desde então, nada mais relevante saiu do forno do projeto de Brian Molko e Stefan Olsdal (mais algum baterista).

Nesse tempo, foram três discos medianos, dois EP’s, um álbum de covers e registros ao vivo. Considerando apenas esse material instável e bem abaixo da média, retiro um curto trabalho solto em 2012 e que merece uma atenção diferenciada: o EP B3.

São apenas cinco faixas (uma dela é um cover) e que resgatam o brilho tanto instrumental quanto lirista da banda. Molko abre o seu coração e expõe suas angústias como poucos artistas o fazem, vide canções como “The Extra” e a faixa-título, essa última no famoso esquema de versos calmos e refrão mais vibrante.

 

 

Mas o grande destaque do EP é “I Know Where You Live”, que em seu último minuto ganha uma explosão de cordas distorcidas e uma bateria muito forte, em um space rock capaz de levar o ouvinte para fora de si durante a audição.

Não vejo notícias da banda há algum tempo, e mesmo sem a confirmação, parece que os caras estão dando um tempo. Que esse tempo sirva para que Molko coloque as ideias de forma organizada (ou não) e que um novo trabalho saia em breve. Até o Tool já saiu da fila…

 

Garimpo · Música

O Ápice da Humanidade

Desculpem o sensacionalismo do título, mas o acontecimento exige tal descrição.

Em mais uma versão do Rock In Rio, cada vez mais infestado de pseudo-artistas para compor elenco, dinossauros que já não têm mais relevância alguma (sério, quem vai num trem desses para ver Detonautas? Raimundos com CPM 22? Enfim…) e um público mais preocupado em posar para a foto que irá para a rede social do que aproveitar o evento, vimos um momento realmente interessante: o encontro do Tenacious D com o baixista brasileiro Júnior Groovador.

Quem imaginaria ver, em um palco, Jack Black, Kyle Gass e cia + Júnior Groovador tocando Smells Like Teen Spirit em uma versão de FORRÓ? Só vendo para acreditar.

Em tempos, o momento mais divertido e marcante do festival. Depois dessa, a humanidade não tem mais para onde evoluir. Esse foi o seu ápice.

Garimpo · Música

Garimpo: Mark Kozelek – Mistress (Ao Vivo no Late Night with Jimmy Fallon, 2012)

Há alguns anos em carreira solo sob a alcunha de Sun Kil Moon, Mark Kozelek liderou aquela que considero a banda mais triste que já ouvi: Red House Painters. Desafio o leitor a ouvir “Katy Song” em uma madrugada solitária sem se emocionar e sentir a angústia saindo pela sua pele. É uma obra belíssima e, ao mesmo tempo, devastadora.

“Katy Song” está no segundo disco do conjunto, um álbum auto-intitulado lançado em 1993 (também conhecido por Rollercoaster), mas não é ela o assunto desse post, e sim a sua sequência, “Mistress”.

Também carregada de sentimentos, porém com uma melodia menos depressiva, “Mistress” esteve no repertório da primeira apresentação de Kozelek em uma programa de TV, lá em 2012, no Late Night with Jimmy Fallon.

Acompanhado pelo The Roots, que executa a canção de forma brilhante, Mark Kozelek apresentou um de seus melhores cartões de visita ao grande público.

Garimpo · Música

Garimpo: The Brian Jonestown Massacre Ao Vivo em Londres (2018, Cardinal Sessions)

Em outubro de 2018, Anton Newcombe e sua gangue fizeram um show espetacular no O2 Kentish Town, em Londres. Para registrar a apresentação, a equipa da Cardinal Sessions acompanhou a banda, gravou, editou e postou por completo no Youtube as duas horas de pura catarse musical que aquele palco presenciou.

Totalmente em preto e branco e captando a essência do trabalho do The Brian Jonestown Massacre, é um registro daqueles que se tornam marcantes com o passar do tempo.

Diversos · Garimpo · Língua Presa · Música

Criança de Domingo

Manguebeat. O termo que revitaliza a música brasileira dos anos noventa. Que leva mundo afora a originalidade tupiniquim, o Chico e sua Nação, Fred 04 e o seu Mundo Livre, passeando do underground ao sucesso.

Da ponte aérea SPxPE, conhecemos Criança de Domingo. Escrita por Cadão Volpato, ex-Fellini e que à época liderava o Funziona Senza Vapore (1992), a canção que faz parte do único disco do projeto chegou aos ouvidos de Chico Science por Stela Campos, uma das integrantes da banda. Chico gostou tanto que a regravou para o segundo disco da Nação Zumbi, Afrociberdelia, de 1996.

A original, que só chegou à luz em 2002 (assim como todo o registro do Funziona Senza Vapore), bebe do pós-punk inglês. Já a regravação, mais lenta e melancólica, é moldada à forma do mangue, através de percussão e a guitarra de Lúcio Maia.

Da ponte aérea SPxPE, ganhamos a influência Inglaterra x Brasil. América do Sul x Europa. Tudo em um movimento só.

A música é universal.