Garimpo · Música

B3

Já faz um bom tempo que o Placebo não lança algo relevante em sua discografia. Da estreia em 1996 até Sleeping With Ghosts (2003), foram quatro ótimos álbuns, incluindo o clássico e insuperável Without You I’m Nothing (1998). Porém, desde então, nada mais relevante saiu do forno do projeto de Brian Molko e Stefan Olsdal (mais algum baterista).

Nesse tempo, foram três discos medianos, dois EP’s, um álbum de covers e registros ao vivo. Considerando apenas esse material instável e bem abaixo da média, retiro um curto trabalho solto em 2012 e que merece uma atenção diferenciada: o EP B3.

São apenas cinco faixas (uma dela é um cover) e que resgatam o brilho tanto instrumental quanto lirista da banda. Molko abre o seu coração e expõe suas angústias como poucos artistas o fazem, vide canções como “The Extra” e a faixa-título, essa última no famoso esquema de versos calmos e refrão mais vibrante.

 

 

Mas o grande destaque do EP é “I Know Where You Live”, que em seu último minuto ganha uma explosão de cordas distorcidas e uma bateria muito forte, em um space rock capaz de levar o ouvinte para fora de si durante a audição.

Não vejo notícias da banda há algum tempo, e mesmo sem a confirmação, parece que os caras estão dando um tempo. Que esse tempo sirva para que Molko coloque as ideias de forma organizada (ou não) e que um novo trabalho saia em breve. Até o Tool já saiu da fila…

 

Garimpo · Música

O Ápice da Humanidade

Desculpem o sensacionalismo do título, mas o acontecimento exige tal descrição.

Em mais uma versão do Rock In Rio, cada vez mais infestado de pseudo-artistas para compor elenco, dinossauros que já não têm mais relevância alguma (sério, quem vai num trem desses para ver Detonautas? Raimundos com CPM 22? Enfim…) e um público mais preocupado em posar para a foto que irá para a rede social do que aproveitar o evento, vimos um momento realmente interessante: o encontro do Tenacious D com o baixista brasileiro Júnior Groovador.

Quem imaginaria ver, em um palco, Jack Black, Kyle Gass e cia + Júnior Groovador tocando Smells Like Teen Spirit em uma versão de FORRÓ? Só vendo para acreditar.

Em tempos, o momento mais divertido e marcante do festival. Depois dessa, a humanidade não tem mais para onde evoluir. Esse foi o seu ápice.

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Garimpo: Mark Kozelek – Mistress (Ao Vivo no Late Night with Jimmy Fallon, 2012)

Há alguns anos em carreira solo sob a alcunha de Sun Kil Moon, Mark Kozelek liderou aquela que considero a banda mais triste que já ouvi: Red House Painters. Desafio o leitor a ouvir “Katy Song” em uma madrugada solitária sem se emocionar e sentir a angústia saindo pela sua pele. É uma obra belíssima e, ao mesmo tempo, devastadora.

“Katy Song” está no segundo disco do conjunto, um álbum auto-intitulado lançado em 1993 (também conhecido por Rollercoaster), mas não é ela o assunto desse post, e sim a sua sequência, “Mistress”.

Também carregada de sentimentos, porém com uma melodia menos depressiva, “Mistress” esteve no repertório da primeira apresentação de Kozelek em uma programa de TV, lá em 2012, no Late Night with Jimmy Fallon.

Acompanhado pelo The Roots, que executa a canção de forma brilhante, Mark Kozelek apresentou um de seus melhores cartões de visita ao grande público.

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Garimpo: The Brian Jonestown Massacre Ao Vivo em Londres (2018, Cardinal Sessions)

Em outubro de 2018, Anton Newcombe e sua gangue fizeram um show espetacular no O2 Kentish Town, em Londres. Para registrar a apresentação, a equipa da Cardinal Sessions acompanhou a banda, gravou, editou e postou por completo no Youtube as duas horas de pura catarse musical que aquele palco presenciou.

Totalmente em preto e branco e captando a essência do trabalho do The Brian Jonestown Massacre, é um registro daqueles que se tornam marcantes com o passar do tempo.

Diversos · Garimpo · Língua Presa · Música

Criança de Domingo

Manguebeat. O termo que revitaliza a música brasileira dos anos noventa. Que leva mundo afora a originalidade tupiniquim, o Chico e sua Nação, Fred 04 e o seu Mundo Livre, passeando do underground ao sucesso.

Da ponte aérea SPxPE, conhecemos Criança de Domingo. Escrita por Cadão Volpato, ex-Fellini e que à época liderava o Funziona Senza Vapore (1992), a canção que faz parte do único disco do projeto chegou aos ouvidos de Chico Science por Stela Campos, uma das integrantes da banda. Chico gostou tanto que a regravou para o segundo disco da Nação Zumbi, Afrociberdelia, de 1996.

A original, que só chegou à luz em 2002 (assim como todo o registro do Funziona Senza Vapore), bebe do pós-punk inglês. Já a regravação, mais lenta e melancólica, é moldada à forma do mangue, através de percussão e a guitarra de Lúcio Maia.

Da ponte aérea SPxPE, ganhamos a influência Inglaterra x Brasil. América do Sul x Europa. Tudo em um movimento só.

A música é universal.

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Garimpo: Soda Stereo – Dynamo (Ao Vivo no Fax En Concierto, 1992)

Há quem diga que nenhuma banda supera o Soda Stereo no gosto popular argentino. Nem mesmo os Beatles. Para nossos vizinhos, o trio liderado por Gustavo Cerati é uma espécie de deus musical.

Admito que conheço bem pouco do trabalho completo da banda, mas tem um disco que guardo com muito carinho nas minhas audições. Dynamo, de 1992, é, sem dúvidas, completamente à frente de seu tempo. Brincando com os ecos do shoegaze que borbulhavam na Europa naquela época + efeitos eletrônicos + muita dissonância nos acordes, é como se o disco tivesse sido lançado na última década. Ou ano passado. Sem exagero. Costumo chamá-lo de “Loveless latino”.

Um dos shows da turnê de lançamento do Dynamo foi em um programa de TV, uma espécie de talk show local chamado Fax En Concierto, onde nove das doze músicas foram executadas ao vivo. O áudio é ótimo e a banda, meus amigos, impecável, assim como a platéia. Sem celulares, tablets ou eletrônicos, apenas pessoas se divertindo e aproveitando o momento.

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Porno For Pyros – Pets (Ao Vivo no Howard Stern Show, 1997)

Porno For Pyros foi um projeto fundado por Perry Farrel após o fim de sua banda principal, Jane’s Addiction.

Em 1997, o grupo foi convidado para participar do programa do lendário radialista Howard Stern e apresentou a faixa “Pets” em um formato acústico muito interessante.

Porém, melhor do que a apresentação foi o bate-papo que rolou antes, sobre o dom de Perry em ver e se comunicar com alienígenas, tudo de uma forma bem racional e que reflete também no significado da canção executada.

Já postei aqui no blog outros vídeos do Howard Stern Show e vale a pena o leitor dar uma cavucada para encontrá-los.

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Estático

Toda uma áurea ronda o auto-intitulado disco de estreia do Foo Fighters, lançado em 1995. Considerado por muita gente como o melhor trabalho de Dave Grohl pós-Nirvana, tem como principal chamariz o fato de Dave ter gravado quase todos os instrumentos em apenas uma semana.

Imagina: são doze canções em que o rapaz gravou todas as linhas de guitarra, baixo e bateria, além dos vocais. É um feito que impressiona qualquer um e que resultou em um disco cru, potente, raivoso e que serviu como porta de entrada para uma carreira muito bem sucedida.

Destaquei a palavra quase ali em cima porque é muito comum ler por aí que Dave Grohl gravou 100% do álbum, o que não é verdade. Ele teve uma ajuda, mesmo que pequena, de uma figura chamada Greg Dulli, líder de outra banda que adoro, a The Afghan Whigs.

Durante as gravações do Foo Fighters (disco), Greg estava no estúdio de bobeira, quando foi chamado por Dave para participar do processo. Sua parte foi tocar uma das linhas de guitarra de X-Static, que por coincidência, é uma das melhores do álbum.

Confira abaixo.

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Garimpo: Beastie Boys – Sabotage (Ao Vivo no Late Show with David Letterman, 1994)

Em 1994, os Beastie Boys lançaram Ill Communication, um de seus discos mais aclamados pelos fãs e pela crítica (não que essa tenha importância). Desse álbum, arrisco que “Sabotage” seja a canção mais expressiva, ainda mais com o divertido e famoso videoclipe que ela ganhou, que parodia filmes policiais.

No mesmo ano, o trio foi ao “Late Show with David Letterman”, um dos programas da TV americana de maior sucesso nas últimas décadas. Uma de suas atrações mais interessantes eram as apresentações musicais, e foi em uma delas que o Beastie Boys fez um verdadeiro estrago.

Arrisco dizer que é uma das melhores performances que o palco do programa recebeu.

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Garimpo: David Bowie – Low (Ao Vivo no Montreux Jazz Festival, Suiça, 2002)

Podem ser considerados verdadeiros sortudos os presentes no Auditório Stravinski no dia 18 de julho de 2002, durante o Festival de Montreux. Naquele dia, David Bowie subiu ao palco com uma banda impecável para tocar o Low, seu magnífico disco de 1977, na íntegra.

Com um semblante jovem e bastante sorridente, Bowie demonstra muita boa vontade no palco, e além de dominá-lo, também dá espaço para que sua banda tenha seus momentos de brilho. Apesar das faixas ambient estarem desordenadas, as canções cantadas seguem a mesma sequência do álbum.

A abertura com “Warszawa”, a minha preferida do Low, é de uma emoção indescritível.

O único lamento é a ausência de “Weeping Walls”, uma das instrumentais mais intrigantes do disco.

Tracklist:
1. Warszawa
2. Speed of Life
3. Breaking Glass
4. What In The World
5. Sound And Vision
6. Art Decade
7. Always Crashing in the Same Car
8. Be My Wife
9. A New Career in a New Town
10. Subterraneans