Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Last Victorian Death Squad – LVDS EP

Na maioria das vezes, discos de shoegaze causam sensações estranhas em mim. Gostosas, mas estranhas. Um mix de nostalgia com melancolia, como se à medida que o som passa pelos ouvidos, toda aquela barulheira pudesse ser vista em forma de memórias.

Mas ouvindo o relançamento do primeiro EP do Last Victorian Death Squad, LVDS, pela ótima e já citada gravadora Shore Dive Records, a sensação foi diferente. Não foi uma ode ao passado, e sim uma vista diferente para os próximos dias. Um ânimo a mais, um despertar súbito à la Jack Kerouac sobre o momento atual da vida e o que posso fazer para melhorá-la.

“Alice” honra as “músicas com nome de pessoas” e é uma bela introdução, com guitarras soando seu feedback em alto e bom som, enquanto o vocalista declama seus versos com uma empolgação muito natural.

O que vem em seguida é “Bad Bones” e dadas as devidas proporções, é como se a imposição daquele Oasis do início dos anos 2000 tivesse baixado no Last Victorian Death Squad. A canção é levada em um ritmo menos acelerado, mas ainda barulhento, como deve ser.

As duas faixas que completam o EP, “Acid” e “Devil”, continuam a soltar uma tempestade de cordas nos ouvidos, e como uma boa banda de shoegaze sabe fazer, a bateria continua ali fazendo seu trabalho, na dela, apenas mantendo a corrente e o vocal, também paciente e calmo (na contramão das cordas), vai dizendo o que é preciso colocar para fora.

Aqui eu repito o mesmo comentário que mandei para o pessoal da Shore Dive pelo Instagram: “pelo amor de deus, isso é uma das melhores coisas que ouvi nos últimos meses.

E como gosto de deixar bem claro, digo isso sem exageros.

Garimpo · Música

Tricky + Mallu Magalhães

Mallu Magalhães teve um início promissor lá no meio dos anos 2000, mas depois que caiu no estigma de “nova MPB”, seus trabalhos ficaram cada vez mais chatos.

Porém, isso não impediu de que o Tricky a convidasse para gravar uma música juntos, em 2015, quando ele veio fazer alguns shows no Brasil. O resultado dessa parceria foi uma nova versão para “Something In The Way”, música do Tricky que compõe seu disco Adrian Thaws, lançado em 2014.

Mesmo não gostando das músicas atuais da Mallu, acho a voz dela linda, e sua versão de “Something In The Way” superou e muito a original. Deixarei as duas abaixo.

Tricky tem um bom dedo para escolher suas parceiras musicais. Já escrevi aqui e aqui sobre algumas delas. Sobre o disco mais novo dele, lançado há poucos meses, você poder ler aqui.

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Garimpo: Algel Olsen (Ao Vivo na NPR Music)

As árvores balançam ao fundo e dá até para ouvir o vento passando por entre os galhos. O sol brilha tímido e é quase possível sentir o cheiro de ar fresco.

É com esse visual ao fundo que a Angel Olsen gravou sua participação no Tiny Desk Concert, uma série de apresentações que acontecem no canal da NPR Music.

Há poucos dias escrevi aqui sobre o Whole New Mess, disco mais recente dela, e um pouco da sensação que esse trabalho causa. Só que ao vivo, suas músicas soam ainda mais aconchegantes.

O setlist é curto. São três músicas desse disco: a faixa-título, “What It Is (What It Is)” e “Waving, Smiling”. Ela também toca “Iota”, canção do álbum de 2014, Burn Your Fire for No Witness.

Curioso é que essa curta apresentação combina com a atual situação climática de onde moro: dia nublado, sol cabisbaixo e temperatura agradável.

Crônicas · Garimpo · Língua Presa · Música

Uma Noite Calma na Suécia

 

Imagine a situação:

É 18 de novembro de 2003, uma noite calma em Estocolmo, Suécia.

Pessoas se divertem no Debaser Hornstulls Strand, uma casa noturna famosa da cidade.

Mesas cheias de amigos que conversam, bebem, fumam, paqueram com pessoas de outras mesas, abrem seu corações, confidenciam segredos, discutem negócios, esportes e tudo mais que uma noite de distrações pode proporcionar.

Ao fundo, Andy Bell, um banquinho e um violão são os responsáveis pela trilha sonora do ambiente. Uma apresentação acústica com músicas do Ride, Oasis, entre outros.

Sua voz é calma, meio preguiçosa e tímida, capaz de chamar atenção e também de passar batida. Em “Thank You For The Good Times”, canção do Oasis que ele escreveu, seus versos são claros:

“Seria tão bom ouvi-lo dizer ‘obrigado pelos bons tempos’, antes que os bons tempos vão embora.”

Não tenho dúvida de que ao ouvirem os áudios dessa apresentação, as pessoas que lá estiveram e que tiveram bons momentos, pensam: 18 de novembro de 2003 foi uma noite calma na Suécia.

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Garimpo: Angel Olsen – Whole New Mess

Gravado no final de 2018 no corredor de uma capela, para que a voz ganhasse efeitos mais naturais, Whole New Mess é o quinto disco da Angel Olsen, lançado pela Jagjaguwar no dia 28 de agosto. Ele é traz as canções do disco anterior, o elogiado All Mirrors, de 2019, mas em um formato mais intimista.

As músicas foram escritas em um período difícil para a artista, onde ela passava por um término de relacionamento. Por isso a roupagem delicada e melancólica, mas sem parecer meloso.

Em certos momentos, Whole New Mess lembrou o Nebraska (1982), do Bruce Springsteen, devido à abordagem simples e crua das canções.

É um disco que tenho ouvido do início ao fim por várias vezes durante o dia e sem enjoar.

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Garimpo: Nine

Para comemorar o seu aniversário de nove anos, o selo britânico Insight Music lançou uma coletânea interessante: nove singles inéditos, reunindo os artistas mais influentes de seu catálogo.

Como o selo é focado em música eletrônica e suas vertentes, prepare-se para entrar em uma viagem sonora de muita paz e tranquilidade. E o melhor de tudo é a opção de pague quanto puder, o que torna acessível uma obra de tamanha qualidade.

Para os fãs ou curiosos de downtempo, chillout, música ambiente, trip hop e até um pouco de lo-fi hip hop, essa coletânea é uma joia rara.

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Garimpo: Ioanna Gika – Out of Focus (Black Taffy Remix)

Ioanna Gika possui uma trajetória ainda curta no mundo da música, mas já colhe alguns frutos importantes. Com um disco lançado em 2019 chamado Thalassa e uma variedade de singles, seu pacote de canções ganhou mais um componente.

Trata-se de um remix da música “Out of Focus” feito por Black Taffy, um cara que vem se destacando na música eletrônica/trip hop nos últimos anos.

A original é de um aspecto melancólico e obscuro, e a repaginada de Taffy a deixou ainda mais soturna.

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Algumas Dicas Ambient

Fazer música é uma árdua tarefa, que exige concentração, dedicação, intuição, conhecimento e bastante criatividade. Trabalhar em cima de algo que irá mexer com emoções de outras pessoas com o uso de melodias e palavras já é difícil, imagina uma composição instrumental.

Assim é a música ambient, repleta de ecos, efeitos, ornamentos vocais, sequências repetitivas e tudo mais o que o artista quiser implementar em sua música, porém, em sua maioria, sem palavras cantadas.

Gosto muito de ouvir discos nesse estilo em momentos de leitura ou reflexão. Ao fumar um cigarro e sentar na área externa da casa, por exemplo, ou durante uma madrugada silenciosa. E por ser uma vertente musical tão rica e repleta de compositores inventivos, tornou-se uma das minhas favoritas.

Abaixo estão três discos ambient que garimpei recentemente e que muito me agradaram. Se o EP Kill, do John Bence, possui uma abordagem mais voltada para o gótico e com um clima mais sombrio, o Apartment Loops Vol. 1 do italiano Bruno Bavota é de uma sensação mais sublime, como se o ouvinte flutuasse nas nuvens.

Por fim, trago o disco de estreia do Ghost Lode, chamado Lenten Distance. Esse é o projeto solo de Matt Weed, guitarrista da banda Rosetta. Seu debut é composto por seis belas e melancólicas peças acústicas com um ar de space rock. Creio que se o espaço tivesse som, seria algo do tipo.

Espero que o leitor faça bom proveito.

 

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Garimpo: Shaylee – Alphabet Town (Elliott Smith Cover)

Shaylee é o projeto da Elle Archer, cantora e multi-instrumentista de Portland, uma das terras mais frutíferas da música alternativa estadunidense, e que está presente no catálogo do selo Kill Rock Stars, assim como o material do Elliott Smith, o deus sad-folk que nos deixou no início dos anos 2000.

Para homenagear o cara, que por coincidência ou não, completaria 51 anos na última semana, Shaylee coverizou “Alphabet Town”, canção do disco homônimo de 1995.

A versão atualizada ganhou um tom mais visceral e rock’n’roll, algo que deixaria o homenageado satisfeito e lisonjeado.

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Tricky + Björk

Foi por um curto período, mas Tricky e Björk tiveram um relacionamento em meados dos anos noventa, e tal junção ocasionou em colaborações em discos de ambas as partes.

Foram quatro músicas em conjunto, mas se tiverem algumas outras que fogem de meu conhecimento, por favor, me avisem. Duas estão no lançamento “não-oficial” do Tricky, Nearly God, de 1996 e a outra metade está em Post, um dos mais aclamados álbuns da artista do gelo, lançado um ano antes.

Em uma entrevista de anos atrás, Tricky disse que não foi uma boa pessoa para Björk. Não quero entrar nesses detalhes, apesar de achar que eles formariam um casal bem interessante, mas ao menos sobre as músicas que saíram do forno dessa união, posso dizer que tinham química.