Garimpo · Música

Garimpo: Devilish Dear – Appalish EP

Foram três anos sem nenhum trabalho do Devilish Dear até a chegada do curto EP Appalish, pela midsummer madness, no início de abril.

São três canções ao todo. A inicial, “Glass React”, é a melhor e estará no segundo disco do conjunto brasileiro, ainda sem nome ou data de lançamento.

Para quem gosta de experimentação, com muita guitarra e efeitos eletrônicos, vale a audição. Dá para garantir o EP por apenas UMA LIBRA (pouco mais de 5 reais). Uma pechincha perto da qualidade do disco.

Diversos · Garimpo

Garimpo: Jack Kerouac no Steve Allen Show (1959)

Não é a praia do blog, eu sei, mas Jack Kerouac é o meu escritor favorito e essa pérola que encontrei merece um espaço por aqui.

Em 1959, Jack foi convidado do Steve Allen Show, um talk show da época. É interessante ver o escritor em seu estado natural, tímido, contido, diferente daquele que encantou o mundo em livros como On The Road ou Big Sur, sempre alucinado, empolgante, sob efeito de álcool e afins.

São quase quatro minutos mágicos em que vemos Jack Kerouac proclamando versos do final de sua obra-prima, On The Road, acompanhado pelo apresentador que toca um blues em seu piano, encaixando de forma perfeita com a leitura.

Bom final de semana.

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Garimpo: Mountain – Mississipi Queen (Ao Vivo no Dennis Miller Show, 1992)

Em 1992, faziam seis anos que os membros do Mountain não performavam juntos. Para essa rara apresentação em TV do conjunto, Leslie West (guitarra), Corky Laing (bateria) e Richie Scarlet (baixo) reuniram-se e tocaram “Mississipi Queen”, clássico absoluto da banda e uma das maiores canções da história do rock ‘n’ roll.

Os tios mostraram uma ótima forma e tomaram conta do palco com uma apresentação visceral e bastante enérgica. O único ponto fraco do vídeo são as tentativas frustradas do apresentador em ser engraçado.

É daqueles registros raros para se guardar com carinho.

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Garimpo: Fellini – Só Vive 2 Vezes (Disco)

Já deve fazer uma semana que o segundo álbum do Fellini, Só Vive 2 Vezes, é repetido de forma incessante no meu cotidiano, seja no player do carro ou no celular. A produção de baixa qualidade, as letras sem sentido de Cadão Volpato, as melodias que misturam pós-punk com MPB e sintetizadores e um forte senso de originalidade são os ingredientes que prenderam a minha atenção.

O Fellini foi um conjunto paulistano que durou de 1984 à 1990, tendo como frentes principais o guitarrista Thomas Pappon e o vocalista/letrista Cadão Volpato. Em Só Vive 2 Vezes, apenas a dupla participou da composição e gravação das músicas. Todo o trabalho foi feito na casa de Pappon em um gravador com quatro canais. Segundo Cadão, em uma das músicas é possível ouvir até um vigia passando na rua com um apito, mostrando o quão cru foi o processo desse disco. Crueza essa que, em alguns momentos, dificulta o entendimento de suas palavras, mas que não impedem o ouvinte de apreciar as canções.

A melancolia é companheira em quase todas as canções. Mesmo que algumas melodias sejam mais agradáveis, a sensação ao ouvir “Só Vive 2 Vezes” é de estar em um dia nublado acompanhando a chuva pela janela.

Destaco “Tudo Sobre Você”, “Tabu”, a mais experimental “Mãe dos Gatos”, a lamentosa “Todos Os Dias da Semana” e “Burros e Oceanos”.

 

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Garimpo: Bobkat’65

Vem da região das Astúrias (ou melhor, do Principado das Astúrias), na Espanha, o trio Bobkat’65, um dos queridinhos da Get Hip Recordings. Composto pela guitarrista e vocalista Ana, a baixista e também vocalista Paula e Diego na bateria, o grupo resgata a alma do garage rock dos anos sessenta e do protopunk no início dos anos setenta. O próprio nome da banda é uma homenagem ao modelo de guitarra Bobkat, famoso naquela época.

Sabe aquele tipo de música que o Tarantino gosta de usar em seus filmes? Pois é, o Bobkat’65 cairia bem em uma de suas películas. As canções são rápidas, geralmente o vocal é dividido entre Ana e Paula e o instrumental é seco, demonstrando a crueza na produção dos trabalhos do trio.

O único disco completo que a banda lançou até hoje chama-se This Lonely Road, lançado em 2017. Outros lançamentos oficiais são o single Gwani/Time, de 2016, e um mais recente, Four Times A Fool​/​Pain Everynight, lançado em dezembro do ano passado. Todos são distribuídos pela Get Hip Recordings e já ecoam pela Europa, promovendo a banda em festivais que ultrapassam as fronteiras de seu país natal.

A maior graça do Bobkat’65 é provar que excessos não são necessários para se fazer música boa. Ouvir todos os trabalhos do trio espanhol em sequência garante bons minutos de diversão.

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Garimpo: Blind Melon – No Rain (Ripped Away Version)

Shannon Hoon foi mais um talento dos anos noventa cuja morte originou-se da dependência química. Devido a uma overdose de cocaína, faleceu em 21 de outubro de 1995. Até então, Hoon liderava o Blind Melon, banda que atingiu certo sucesso comercial com o single “No Rain”, graças ao famoso videoclipe da garota vestida de abelha.

Após a morte do artista, a banda soltou em 1996 uma coletânea intitulada “Nico”, em homenagem à filha do ex-vocalista, Nico Hoon. Esse compilado reúne algumas gravações feitas por Shannon Hoon e finalizadas pela banda, canções inéditas, versões alternativas de algumas já lançadas e até covers.

Uma dessas músicas chama-se “No Rain (Ripped Away Version)”, uma espécie de demo daquela que tornou a banda conhecida mundialmente. O que chama atenção nessa versão é que a áurea hippie e otimista da original é totalmente deixada de lado por um instrumental mais sombrio e emocional. Até a letra da canção, que é a mesma nas duas versões, pode ser interpretada de outra forma somente pelo fato da melodia estar mais melancólica.

Confira ambas abaixo.

 

 

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Garimpo: Massive Attack – Bela Lugosi’s Dead (Bauhaus Cover)

Mais uma vez com Massive Attack aqui no Numa Sexta em um curto espaço de tempo porque Del Naja, Daddy G e sua gangue resolveram inovar mais uma vez.

Em uma turnê pela Europa para comemorar o vigésimo primeiro aniversário do disco Mezzanine, o grupo surpreendeu os fãs ao apresentar um cover de “Bela Lugosi’s Dead”, clássico do gothic rock/post-punk do Bauhaus. O vocal soturno de Robert Del Naja encaixou bem na canção, enquanto o instrumental manteve-se fiel à original.

Até David J. Haskins, baixista do próprio Bauhaus, ficou encantado com o tributo.

davis j haskins.massiveattack

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Garimpo: Massive Attack na MTV

Com mais de trinta anos de carreira e uma criatividade única, o Massive Attack é um dos conjuntos mais interessantes que surgiram na década de noventa. Misturando vários estilos diferentes e criando uma sonoridade inédita para a época, Robert Del Naja, Daddy G, Andrew “Mushroom” (que já saiu do grupo) e suas inúmeras parcerias atraíram atenção de milhares de pessoas ao redor do planeta.

No Youtube, o canal MASSIVETTACK.IE é um prato cheio para os fãs do conjunto britânico. O vasto acervo conta com apresentações ao vivo, entrevistas e vídeos dos mais diversos tipos sobre os pioneiros do estilo conhecido como Trip Hop.

A boa alma por trás desse projeto reuniu em um único vídeo CINCO apresentações do grupo na MTV europeia durante a década de noventa. A performance de “Karmacoma” é datada de 1996, enquanto as outras quatro canções (“Safe From Harm”, “Teardrop”, “Mezzanine” e “Inertia Creeps”) foram tocadas em 1998, época em que o grupo divulgava o disco Mezzanine, do mesmo ano.

Muitos fãs destacam a faixa “Teardrop”, devido à áurea angelical de Elizabeth Fraser. Mas, para mim, é a obscuridade de “Inertia Creeps” o ponto alto dessa coleção.

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Garimpo: All Them Witches (Ao Vivo na KEXP – 01/02/2019)

Via KEXP, tradicional rádio norte-americana, fevereiro deu as caras em 2019 sob uma trilha sonora misteriosa e contagiante. O convidado na data foi o All Them Witches que, agora como um trio, apresentou algumas canções de “ATW”, disco mais recente do grupo, lançado no último ano.

Em plena forma e sem muita enrolação, a apresentação contou com quatro músicas somente, mas o suficiente para prender o ouvinte e deixá-lo atordoado. Um dos aspectos mais interessantes sobre o All Them Witches é misturar o rock’n’roll com texturas mais sombrias, passeando pelo garage rock, o blues e o stoner, mas sem prender-se totalmente a uma dessas vertentes.

Do tracklist, somente a faixa que encerra o programa, “Blood And Sand/Milk And Endless Waters”, não faz parte do disco “ATW”.

Sobre o trabalho mais recente da banda, escrevi sobre ele aqui.

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Garimpo: Joelho de Porco no Programa d’Os Trapalhões

Graças à internet, a memória da TV brasileira, palco de pérolas raríssimas, continua viva e acessível aos espectadores. E uma delas vem de 1978, quando a banda Joelho de Porco foi a convidada especial do programa d’Os Trapalhões.

É difícil acreditar, mas Renato Aragão, bem antes de ser o caricato apresentador do Criança Esperança, já foi um humorista muito engraçado. Lá nos longínquos anos setenta e oitenta, era um dos integrantes do conjunto Os Trapalhões, ao lado dos parceiros Dedé, Mussum e Zacarias. E juntos, eram imbatíveis no quesito comédia. Acompanhados dos loucos do Joelho de Porco então, a coisa ficou séria.

Apresentando uma das melhores canções do grupo, “O Rapé”, ao lado da banda formada pelos integrantes do programa, a “Focinho de Porco”, o que se vê em quase cinco minutos de vídeo é pura baderna, confusão e claro, palhaçadas.

Tem Billy Bond se esfregando em Didi (que claramente fica sem graça), o próprio Didi errando a dublagem do playback, as atuações forçadas, beirando o amadorismo, mas que, por serem tão espontâneas, tornam-se muito engraçadas, e o melhor: uma banda tão boa como o Joelho de Porco em horário nobre no canal mais popular do país.

Um registro desse jamais poderá ser perdido.