Garimpo · Música

Tricky + Björk

Foi por um curto período, mas Tricky e Björk tiveram um relacionamento em meados dos anos noventa, e tal junção ocasionou em colaborações em discos de ambas as partes.

Foram quatro músicas em conjunto, mas se tiverem algumas outras que fogem de meu conhecimento, por favor, me avisem. Duas estão no lançamento “não-oficial” do Tricky, Nearly God, de 1996 e a outra metade está em Post, um dos mais aclamados álbuns da artista do gelo, lançado um ano antes.

Em uma entrevista de anos atrás, Tricky disse que não foi uma boa pessoa para Björk. Não quero entrar nesses detalhes, apesar de achar que eles formariam um casal bem interessante, mas ao menos sobre as músicas que saíram do forno dessa união, posso dizer que tinham química.

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Garimpo: New Ghost

O New Ghost é um conjunto britânico que lançou há algumas semanas seu mais novo EP, Future Is Dead, pela sempre primorosa Shore Dive Records.

São três músicas interessantes, uma mescla de guitarras distorcidas com sons eletrônicos e uma bateria muito bem construída, algo que soa moderno e nostálgico ao mesmo tempo.

Para quem é fã de shoegaze e seus derivados, é uma boa pedida.

 

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Garimpo: Inches to Infinity

Tem um canal no Youtube que eu adoro, chamado Worldhaspostrock. É um dos maiores e melhores acervos de post-rock na plataforma, com vários discos e playlists para ouvir, sem falar que o canal ficou tão grande que algumas bandas lançam seus trabalhos em primeira mão direto por ele.

Tento ouvir o máximo que posso, principalmente as novas postagens, mas não tem como, é muito material. Mas teve um em específico que atingiu o meu emocional em cheio, um projeto chamado Inches to Infinity, e a canção de nome “These Bones Have Life”.

Na página deles no Bandcamp, a descrição é perfeita:

“Pintando quadros com música, algumas vezes sem palavras.”

São nove canções ao todo, todas no esquema pague o quanto quiser. E as artes visuais são maravilhosas, um aspecto fundamental que engrandece a experiência de ouvir.

Deixo abaixo aquela que citei acima e que me deu arrepios, “These Bones Have Life”.

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“Saudade”

Chino Moreno é como um Midas no meio artístico: todo projeto que o cara encabeça ou participa é de qualidade (Palms, Team Sleep, Crosses e claro, o Deftones). Por isso seu nome é o principal chamariz do supergrupo Saudade, apesar dele estar mais na produção por trás das cortinas do que no front em si.

O projeto tem cinco músicas lançadas somente: quatro delas reunidas no EP Shadows & Light/Sanctuary Dub e o single avulso Lions. Todas levam um pouco de influência de cada artista que colabora, sendo o metal e o dub as mais nítidas.

Saudade é um coletivo com a presença de grandes nomes além de Chino, que vão se revezando a cada canção. Para mim, quem mais se destaca é Dr. Know, guitarrista do Bad Brains, que faz um ótimo trabalho de guitarra por aqui, mesclando suas influências de reggae/dub com um som mais pesado. E falando em dub, seu deus Lee “Scratch” Perry colabora na canção “Lions”, junto com D. Randall Blythe, vocalista do Lamb of God. Chino Moreno usa sua voz em “Shadows & Light”, parceria com a Chelsea Wolfe. Essa é a mais melancólica até então, marca característica dos trabalhos de Chino.

Outra boa música é “Sanctuary Dub”, um dub metal de primeira com participação do rapper theOGM, da banda Ho99o9. “Crisis” e “MyGoalsBeyond” são instrumentais que, ao meu ver, são apenas para preencher lacunas, apesar de terem, em certo ponto, o seu brilho.

A visão que tenho do Saudade é de uma reunião de artistas dispostos a criar música sem barreiras, cada um trazendo um pouco de suas bagagens e misturando tudo até sair algo concreto. Espero que lancem um álbum completo em breve.

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Car Seat Headrest – There Must Be More Than Blood (Acústico)

Saiu mês passado o novo disco do Will Toledo e seu Car Seat Headrest, Making a Door Less Open, pela Matador. Apesar de ser um bom disco, a canção que mais gostei não está presente nele. Ou melhor, não a versão que me cativou.

Foi postada somente no Youtube a versão acústica de “There Must Be More Than Blood”, a penúltima e mais longa faixa do álbum, com mais de sete minutos. Sua repaginada acústica vai só até os seis, e é curiosa a vestimenta que Will Toledo usa em seu vídeo. A máscara de estação nuclear deu um efeito à sua voz, meio que abafando-a, o que aumentou mais ainda seu tom melancólico.

Devo ter reproduzido o vídeo mais de cem vezes até o momento, e digo isso sem exagero. Uma pena que “There Must Be More Than Blood” acústica não saiu em outra plataforma.

Pelo que vi, alguns fãs mandaram mensagens no Instagram do cara e no próprio vídeo pedindo para que ele a solte no Bandcamp, pelo menos. Tomara que o faça.

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Garimpo: Protomartyr e o Meme Brasileiro

Assisti Bandidos Na TV recentemente e fiquei de cara com o tanto de plot twist que aconteceu na história toda. Nem o mais refinado roteirista de Hollywood seria capaz de desenrolar algo tão bizarro e impactante.

Não entrarei em detalhes sobre a série documental, mas apenas para que o leitor tenha um norte, ela trata sobre o Caso Wallace, que foi um desenrolar de acontecimentos ocorridos em Manaus que envolveu o político Wallace Souza e vários crimes. Wallace foi apresentador do Canal Livre, programa policial líder de audiência no Amazonas, e graças à fama, entrou para a política. Veja a série, vale muito a pena.

Voltando ao tópico principal, um dos memes mais engraçados da internet brasileira vem justamente do Canal Livre, que foi a briga entre o fantoche Galerito e o Gil da Esfiha, participante assíduo da plateia. Em um belo dia, durante uma apresentação do cantor Nunes Filho, Galerito foi provocar o Gil e o pau quebrou. O vendedor de esfihas não aceitou a brincadeira e partiu pra cima do fantoche, o que causou uma confusão generalizada AO VIVO, deixando muita gente perplexa e gerando muitas risadas… Menos Nunes Filho, que manteve a compostura e continuou sua apresentação como se nada estivesse acontecendo.

Essa foi a situação que inspirou o videoclipe de “Processed By The Boys”, do Protomartyr. A canção foi lançada em 11 de março, como single do próximo álbum do grupo, Ultimate Success Today, com lançamento marcado para julho. É interessante o contraste do vídeo, cujas atuações beiram o lado cômico da situação, mas a música em si é melancólica, pesada e com letras sombrias.

Confira abaixo.

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Redescobrindo o Suede

Meu primeiro contato com o Suede foi numa apresentação dos caras no programa do Jools Holland, em 1994, época do então recém-lançado Dog Man Star. Isso tem muitos anos, como também fazia muitos anos que eu não ouvia a banda de novo. Sem motivo algum, havia criado em minha cabeça uma espécie de bloqueio em relação ao Suede.

Bom, nas últimas semanas, estava navegando internet afora e deparei-me com uma postagem do Scream & Yell sobre a banda. Aquele post despertou uma curiosidade em redescobrir o Suede para, enfim, ter uma opinião bem formada em relação ao grupo. O resultado dessa redescoberta é que já faz umas duas semanas (ou mais) que o disco que inicia meus dias é o Dog Man Star.

Melancólico, o álbum possui doze canções ao todo e NENHUMA É DISPENSÁVEL. A hipnótica “Introducing The Band”, quase um mantra, é o abre-alas para um conjunto de músicas cujas referências abrangem o glam rock feito pelo David Bowie no início dos anos setenta, como “The Power” e “New Generation”, odes à ícones do cinema, como “Heroine” (Marilyn Monroe) e “Daddy’s Speeding” (James Dean), baladas bastante emotivas, vide “The 2 of Us” e “Black Or Blue” e até música clássica, no desfecho em “Still Life”.

“We Are The Pigs” e “The Wild Ones” foram os principais singles do disco e são suas melhores canções, flertando o rock’n’roll com um forte apelo pop. “The Asphalt World” é a mais experimental, com pouco mais de nove minutos de duração. Ela vem em sequência das duas baladas e possui uma longa passagem instrumental, quase que lisérgica, renovando o tom do disco às alturas até a última canção.

A banda em si é muito afiada, as linhas de guitarra são algo que se o ouvinte escutar com atenção, verá que são muito acima da média, mas o que me pegou em cheio foi a voz do Brett Anderson e sua figura elegante, bem vestida, como se ele estivesse acima de tudo o que está acontecendo durante as músicas.

A versão de luxo de Dog Man Star possui algumas demos e canções extras e também vale a pena dar uma conferida.

É um disco para dar play e colocar no repeat, pois a cada audição, detalhes e mais detalhes antes despercebidos começam a ficar claros e só engrandecem ainda mais a produção. Como disse acima, faz semanas que ele abre minhas audições diárias e, sem exageros, ele é capaz de tornar os dias um pouco menos pesados. Afinal, essa é uma das maiores belezas da música, não?

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25 Anos de Wowee Zowee

Um dos meus últimos textos foi sobre o vigésimo-quinto aniversário do Alien Lanes, do Guided By Voices, clássico do rock noventista lançado pela Matador Records. Por coincidência, outro grande disco da época e da mesma gravadora também completou vinte e cinco anos de seu lançamento em abril: Wowee Zowee, o mais experimental álbum do Pavement e o meu favorito.

Sucessor do Crooked Rain, Crooked Rain, trabalho mais aclamado da banda, Wowee Zowee é interessante pela sua não-linearidade, pois com uma tracklist de dezoito canções, o álbum alterna momentos mais bem produzidos (“Grounded”, “Rattled By The Rush”, “Kennel District”) com outras canções que parecem inacabadas, como “Serpentine Pad” e “Brinx Job”. Stephen Malkmus mostra-se um conhecedor de seu instrumento, cria linhas de guitarra ora estranhas, ora redondinhas, e sua voz, mesmo desafinando em vários momentos do disco, é cativante.

Uma canção que sintetiza o álbum, se fosse para selecionar uma, seria “Half A Canyon”. É a mais longa e tem grunhidos de Malkmus, letra non-sense e ela entra em um estado acelerado a partir de sua metade que parece um transe.

Pode-se dizer que Wowee Zowee é capaz de influenciar aqueles que pensam em montar um projeto musical, e mais além, prova que é possível obter êxito com sua criatividade e honestidade. E para quem é apenas amante da música, o disco envelheceu bem e rende as mesmas boas sensações de anos atrás, quando o conheci. Lembro que paguei vinte reais na saudosa Goval Discos pelo CD e o guardo com carinho até hoje.

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Garimpo: Black Taffy – Sad Day

Em meio a uma variedade de lives um tanto quanto questionáveis, alguns artistas seguem outra direção para continuar apresentando ao público o seu trabalho, principalmente no meio independente.

Escrevi sobre o Spotlights e o plano para lançar covers semanalmente e o Malcontent disponibilizando o áudio de uma apresentação ao vivo. Agora é a vez do Black Taffy e seu Sad Day.

Também oriundo de uma performance ao vivo, o disco é divido em dois lados, cada qual com seu setlist. A música do Black Taffy surfa na onda do trip hop, com um ar melancólico, relaxante e assombroso, o que a torna encantadora.

Para uma madrugada chuvosa, o que é o caso aqui no oeste baiano, é a indicação ideal.

Detalhe: os lançamentos citados são todos no formato pague o quanto quiser. Se não quiser pagar, é só fazer o download de forma gratuita.

Lado A:
1. nothing can come between us
2. turn my back on you
3. lovers rock
4. flow
5. siempre hay esperanza
6. haunt me

Lado B:
1. mermaid
2. king of sorrow
3. by your side
4. war of the hearts
5. hang on to your love

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Spotlights – All I Need (Radiohead Cover)

Poucos dias após lançar o ótimo EP We Are All Atomic (falei sobre ele aqui), o Spotlights soltou em sua conta no Bandcamp uma versão de “All I Need”, uma das canções mais arrasadoras do Radiohead.

Segundo os integrantes da banda, esse é o primeiro de vários covers que serão lançados nas próximas semanas com a proposta de pague o quanto puder.

Vale a pena conferir, pois essa versão do Spotlights ficou interessante. Aguardemos os próximos.