Garimpo · Música

Garimpo: Blind Melon – No Rain (Ripped Away Version)

Shannon Hoon foi mais um talento dos anos noventa cuja morte originou-se da dependência química. Devido a uma overdose de cocaína, faleceu em 21 de outubro de 1995. Até então, Hoon liderava o Blind Melon, banda que atingiu certo sucesso comercial com o single “No Rain”, graças ao famoso videoclipe da garota vestida de abelha.

Após a morte do artista, a banda soltou em 1996 uma coletânea intitulada “Nico”, em homenagem à filha do ex-vocalista, Nico Hoon. Esse compilado reúne algumas gravações feitas por Shannon Hoon e finalizadas pela banda, canções inéditas, versões alternativas de algumas já lançadas e até covers.

Uma dessas músicas chama-se “No Rain (Ripped Away Version)”, uma espécie de demo daquela que tornou a banda conhecida mundialmente. O que chama atenção nessa versão é que a áurea hippie e otimista da original é totalmente deixada de lado por um instrumental mais sombrio e emocional. Até a letra da canção, que é a mesma nas duas versões, pode ser interpretada de outra forma somente pelo fato da melodia estar mais melancólica.

Confira ambas abaixo.

 

 

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Garimpo: Massive Attack – Bela Lugosi’s Dead (Bauhaus Cover)

Mais uma vez com Massive Attack aqui no Numa Sexta em um curto espaço de tempo porque Del Naja, Daddy G e sua gangue resolveram inovar mais uma vez.

Em uma turnê pela Europa para comemorar o vigésimo primeiro aniversário do disco Mezzanine, o grupo surpreendeu os fãs ao apresentar um cover de “Bela Lugosi’s Dead”, clássico do gothic rock/post-punk do Bauhaus. O vocal soturno de Robert Del Naja encaixou bem na canção, enquanto o instrumental manteve-se fiel à original.

Até David J. Haskins, baixista do próprio Bauhaus, ficou encantado com o tributo.

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Garimpo: Massive Attack na MTV

Com mais de trinta anos de carreira e uma criatividade única, o Massive Attack é um dos conjuntos mais interessantes que surgiram na década de noventa. Misturando vários estilos diferentes e criando uma sonoridade inédita para a época, Robert Del Naja, Daddy G, Andrew “Mushroom” (que já saiu do grupo) e suas inúmeras parcerias atraíram atenção de milhares de pessoas ao redor do planeta.

No Youtube, o canal MASSIVETTACK.IE é um prato cheio para os fãs do conjunto britânico. O vasto acervo conta com apresentações ao vivo, entrevistas e vídeos dos mais diversos tipos sobre os pioneiros do estilo conhecido como Trip Hop.

A boa alma por trás desse projeto reuniu em um único vídeo CINCO apresentações do grupo na MTV europeia durante a década de noventa. A performance de “Karmacoma” é datada de 1996, enquanto as outras quatro canções (“Safe From Harm”, “Teardrop”, “Mezzanine” e “Inertia Creeps”) foram tocadas em 1998, época em que o grupo divulgava o disco Mezzanine, do mesmo ano.

Muitos fãs destacam a faixa “Teardrop”, devido à áurea angelical de Elizabeth Fraser. Mas, para mim, é a obscuridade de “Inertia Creeps” o ponto alto dessa coleção.

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Garimpo: All Them Witches (Ao Vivo na KEXP – 01/02/2019)

Via KEXP, tradicional rádio norte-americana, fevereiro deu as caras em 2019 sob uma trilha sonora misteriosa e contagiante. O convidado na data foi o All Them Witches que, agora como um trio, apresentou algumas canções de “ATW”, disco mais recente do grupo, lançado no último ano.

Em plena forma e sem muita enrolação, a apresentação contou com quatro músicas somente, mas o suficiente para prender o ouvinte e deixá-lo atordoado. Um dos aspectos mais interessantes sobre o All Them Witches é misturar o rock’n’roll com texturas mais sombrias, passeando pelo garage rock, o blues e o stoner, mas sem prender-se totalmente a uma dessas vertentes.

Do tracklist, somente a faixa que encerra o programa, “Blood And Sand/Milk And Endless Waters”, não faz parte do disco “ATW”.

Sobre o trabalho mais recente da banda, escrevi sobre ele aqui.

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Garimpo: Joelho de Porco no Programa d’Os Trapalhões

Graças à internet, a memória da TV brasileira, palco de pérolas raríssimas, continua viva e acessível aos espectadores. E uma delas vem de 1978, quando a banda Joelho de Porco foi a convidada especial do programa d’Os Trapalhões.

É difícil acreditar, mas Renato Aragão, bem antes de ser o caricato apresentador do Criança Esperança, já foi um humorista muito engraçado. Lá nos longínquos anos setenta e oitenta, era um dos integrantes do conjunto Os Trapalhões, ao lado dos parceiros Dedé, Mussum e Zacarias. E juntos, eram imbatíveis no quesito comédia. Acompanhados dos loucos do Joelho de Porco então, a coisa ficou séria.

Apresentando uma das melhores canções do grupo, “O Rapé”, ao lado da banda formada pelos integrantes do programa, a “Focinho de Porco”, o que se vê em quase cinco minutos de vídeo é pura baderna, confusão e claro, palhaçadas.

Tem Billy Bond se esfregando em Didi (que claramente fica sem graça), o próprio Didi errando a dublagem do playback, as atuações forçadas, beirando o amadorismo, mas que, por serem tão espontâneas, tornam-se muito engraçadas, e o melhor: uma banda tão boa como o Joelho de Porco em horário nobre no canal mais popular do país.

Um registro desse jamais poderá ser perdido.

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Current Affairs

A sensação é de estar num ambiente tonalizado em preto e branco, gélido e movimentado. A música é tão crua em qualquer aspecto que sentir-se só em meio à multidão não é algo incomum. As batidas secas da bateria contribuem para tal sentimento de solidão. Joan, sem sobrenome, declama seus versos com emoção, trazendo vida àquele lugar.

Música é assim, inexplicável. Certas melodias, estilos, artistas ou batidas transportam-nos a lugares que nunca vimos na vida, nem sequer sabemos se existem ou não. Esse é o exercício que ela traz à nossa imaginação, levando-nos a construir cenários e personagens que fazem sentido nem que seja somente para nós mesmos.

Esse é o caso do Current Affairs, banda escocesa de Glasgow que cria um som post-punk direto da fonte. Não é, por exemplo, o Joy Division do “Unknown Pleasures”, já ciente de como queria ser, mas aquele que ainda polia e lapidava o seu som, como no EP “An Ideal For Living”, um ano antes do seu clássico. A guitarra alterna momentos de peso com outros mais eufóricos, como se ela possuísse um aspecto cortante e elétrico, girando e dançando em volta dos seus irmãos baixo e bateria, que mantém uma linha mais direta e coesa em quase todas as canções.

Vamos aos registros oficiais: um EP de 2017, intitulado “Object”, mais dois singles, ambos datados do final do ano passado: “Cheap Cuts/Let Her” e “Breeding Feeling/Draw The Line”. Não chega a dez o número total de canções lançadas pelo conjunto. Mas a avaliar sua ainda pequena discografia, o Current Affairs possui uma riqueza musical tamanha que, ao meu ver, os torna preparados para um disco cheio e mais encorpado.

Abaixo, em ordem cronológica, o EP e os dois singles para você ouvir à vontade e de graça.

 

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Garimpo: No Idea

Procure no Youtube pelo canal “Vinyl Collector” e surpreenda-se. Dois garotos aparentemente na casa dos 15 anos tocando NA ÍNTEGRA discos como “In Utero” (1993) e “Nevermind” (1991), clássicos absolutos dos anos noventa. Em postagens mais recentes, eles até contam com a participação de um baixista, mas quem toca o projeto mesmo são os dois. Seus nomes são Carl Giannelli e Ethan Williams, e a banda chama-se No Idea.

Se falarmos em lançamentos OFICIAIS, até o momento em que vos escrevo, são apenas dois EP’s, mas o suficiente para apresentar a versatilidade deles.

O primeiro é intitulado “Your Peril”, e deu o ar das graças em 8 de julho de 2017. Apresentado pela própria banda como “ideal para fãs do Queens of the Stone Age/Kyuss, Electric Wizard, Sleep…”, é justamente esse tipo de som que você encontrará. Das quatro canções, três são instrumentais, mas todo o EP é recheado de riffs pesados e uma bateria monstruosa. Ambos os integrantes revezam nos instrumentos, ou seja, Carl e Ethan são multi-instrumentistas, o que garante mais um ponto para eles.

Em “Fungus”, o segundo EP lançado seis meses após seu antecessor, o trabalho é melhor resolvido. Carl Giannelli executa as cordas e canta, e Ethan Williams é o responsável pela bateria.

Também com apenas quatro canções, a sonoridade é muito diferente de “Your Peril”. Agora, temos guitarras menos pesadas, porém, com distorções mais sujas, remetendo às bandas da era de ouro do grunge . Além disso, todas as músicas possuem letras, sendo esse o ponto em que eles ainda podem desenvolver melhor. A julgar pelos vídeos do canal deles no Youtube, a influência do Nirvana e do Green Day (lá dos primórdios) é nítida.

Ver uma banda como o No Idea surgindo, tomando forma e aumentando, mesmo que aos poucos, seu reconhecimento é gratificante. Por serem ainda jovens, o talento deles só tende a ser desenvolvido, e espero ouvir um disco cheio em breve. Em resumo, são dois caras se divertindo fazendo música, buscando uma identidade própria e construindo sua base de admiradores.

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Garimpo: Trent Reznor & Peter Murphy Ao Vivo 23/06/2006

Em 2006, Trent Reznor, Peter Murphy, Atticus Ross e Twiggy Ramirez juntaram-se para um turnê de apresentações em rádios do EUA. Selecionado a dedo, o repertório continha canções tanto de Trent/Nine Inch Nails quanto de Murphy/Bauhaus, bem como algumas músicas aleatórias que faziam parte do gosto musical dos participantes.

Uma dessa apresentações aconteceu em Boston, no dia 23 de junho daquele ano, com quatro canções. A apresentação está completa no Youtube, no canal oficial do Nine Inch Nails.

A performance é recheada de sons eletrônicos e Twiggy Ramirez explora muito bem a sua guitarra. Somente “A Strange Kind of Love”, de Peter Murphy, é tocada em formato acústico.

Tracklist:

1. Warm Leatherette (Grace Jones)
2. A Strange Kind of Love (Peter Murphy)
3. Reptile (Nine Inch Nails)
4. Nightclubbing (Iggy Pop)

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Garimpo: Stone Temple Pilots – Dancing Days (Led Zeppelin Cover, Ao Vivo no Howard Stern Show 1996)

Em 1995, vários artistas foram reunidos em uma compilação-tributo ao Led Zeppelin, intitulada “Encomium”. Nessa leva, uma das homenagens acabou sobressaindo-se, fazendo certo sucesso nas rádios e alcançando boas posições nas paradas: “Dancing Days”.

Lançada de forma original no clássico “Houses of the Holy”, de 1973, a canção ganhou nova cara pelo talento do Stone Temple Pilots, que acrescentou um quê de apatia à canção, porém, de forma criativa e elegante.

Devido ao seu sucesso, a banda participou do Howard Stern Show em 1996, com uma apresentação acústica da mesma, em um ritmo um pouco mais lento. Em plena forma, destaco aqui o vocal de Scott Weiland. Um deleite para os fãs.

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Garimpo: Brant Bjork – Charlie Gin/Low Desert Punk (Ao Vivo na Klangfarbe)

A Klangfarbe é grande rede de lojas da Áustria, focada na venda de instrumentos musicais, som e aparatos para estúdios. No Youtube, ela mantém um canal com apresentações de diversos artistas em seus estabelecimentos.

Um dos caras que apareceram por lá recentemente foi Brant Bjork, que já falei aqui no Numa Sexta algumas vezes. Inclusive, é dele um dos discos mais legais de 2018.

É uma apresentação curta, pouco mais de sete minutos, e bem natural: apenas voz e violão. Porém, é o suficiente para Bjork mostrar todo o seu talento, seja como instrumentista ou vocalista.