Direto do Forno · Música

King Buzzo – Science In Modern America (Single)

Parece não ter fim a criatividade do King Buzzo, um dos líderes do Melvins. Porém, agora a proposta é diferente. Ele deixa de lado o tremor de suas guitarras e assume um formato mais acústico em Gift of Sacrifice, seu segundo disco solo. O anterior, This Machine Kills Artists, é de 2014 e segue a mesma proposta. A distribuição de ambos é pela Ipecac Recordings.

Para esse novo trabalho, Buzzo contará com a ajuda de um antigo conhecido da época do Fantômas: Trevor Dunn, que também é integrante do Mr. Bungle.

Um primeiro aperitivo de Gift of Sacrifice já está disponível para audição e chama-se “Science In Modern America”. Apesar do nome “acústico” rodear as informações do disco, a canção soa tão aterrorizante quanto uma pedrada dos Melvins.

O álbum completo sai em maio, no dia 15.

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A estreia do Ryte

Para quem gosta de música pesada, esse álbum é um deleite.

O Ryte é um quarteto norte-americano que bebe direto das profundas fontes do stoner e seus derivados. O disco de estreia leva o nome da banda e é composto por quatro canções somente, chegando perto dos quarenta minutos de duração.

São músicas longas e instrumentais em sua maior parte. Para ser mais exato, são raros os momentos em que os vocais aparecem. Aliando duas guitarras afiadas, um baixo certeiro e uma bateria incansável, o disco flerta com o rock psicodélico, o heavy metal mais clássico e o doom metal, provando que a escola fundada pelo Black Sabbath rende frutos primorosos até os dias atuais.

RYTE foi lançado em 17 de janeiro desse ano pela Heavy Psych Sounds Records.

1. Raging Mammoth
2. Shaking Pyramid
3. Monolith
4. Invaders

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Brant Bjork – Jungle In The Sound (Single)

Pouco mais de um ano após o lançamento de seu último de inéditas, Brant Bjork, uma das figuras máximas do rock do deserto, deixa engatilhado mais um trabalho.

Auto-intitulado, o novo disco ganha luz em 10 de abril desse ano, mais uma vez pelo ótimo selo Heavy Psych Sound Records, uma das casas mais influentes do stoner rock mundial. O primeiro aperitivo é “Jungle In The Sound”, contendo a já conhecida mistura de riffs pesados com o gracejo do funk rock. É como consta no release do disco, só de ouvir a canção, já dá pra saber de quem é, mesmo sem informação alguma a respeito.

Sobre seu último álbum, Mankind Woman, escrevi sobre ele aqui. Uma boa hora para revisitá-lo.

Direto do Forno · Música

Emancipator – Labyrinth (Single)

Contrariando o sentido mais conhecido de um labirinto, a música do Emancipator não deixa o ouvinte perdido e nem tem a intenção de desorientá-lo. Seus versos em forma de batidas orientam, acalmam, trazem respiro a quem os ouve. E emociona.

A sensação é de voar entre os pingos da chuva, ver o mundo inteiro do alto, sem interferência urbana alguma. No labirinto do Emancipator não há buzinas, vozes altas, fumaça, pressa, ansiedade, não há qualquer resquício dessa vida moderna que nos aprisiona.

“Labyrinth” é o primeiro fragmento de Mountains of Memory, o novo disco do artista, que sairá do forno em 20 de abril, pela Loci Records.

Para quem acompanhou seu último trabalho, o EP colaborativo com o 9 Theory (leia sobre aqui), é possível ter uma noção do que virá nesse novo disco.

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Lou Karsh – Against The Flames EP

Admirável e importante a iniciativa do Lou Karsh, artista australiano que vê seu país enfrentar um verdadeiro apocalipse ambiental, com danos enormes e irreparáveis.

Para levantar fundos e ajudar ao combate dos incêndios na Austrália, o rapaz soltou um EP com quatro ótimas músicas intitulado Against The Flames, e destinará toda a renda das vendas para o combate ao desastre.

Inserido na vertente eletrônica, Lou Karsh mescla várias vertentes do estilo em seu trabalho, variando entre trechos dançantes e batidas pesadas com passagens ambient, às vezes em uma mesma canção.

Vale conferir não só pela causa, mas também pela qualidade do som.

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Greg Dulli – Pantomima (Single)

Greg Dulli é uma espécie de Midas da música underground. Seja em seu projeto principal, o Afghan Whigs, cuja discografia é uma das mais brilhantes dos anos noventa, ou com o The Gutter Twins, sua parceria com Mark Lanegan, e até com The Twilight Singers, a presença de Dulli garante ao ouvinte, no mínimo, uma dose de curiosidade.

Até escrevi aqui no blog sobre a discreta participação do cara no mítico álbum de estreia do Foo Fighters, na canção “X-Static”.

Agora, para 2020, Greg Dulli prepara o primeiro disco que leva o seu nome na capa: Random Desire, previsto para sair do forno em fevereiro. Você já pode ouvir “Pantomima”, a primeira canção liberada da obra. Nela, há uma boa concentração de carga emocional, sex appeal e guitarras, muitas guitarras.

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Stone Temple Pilots – Fare Thee Well (Single)

Grande parte dos fãs do Stone Temple Pilots torceram o nariz quando a banda decidiu se manter na ativa após a morte de Scott Weiland. É inegável que o ex-vocalista era o grande chamariz do quarteto, com uma potência vocal extraordinária, mas a vida continua e seus companheiros ainda tinham muita lenha a queimar.

Tanto que a banda acaba de anunciar Perdida, o seu sétimo disco completo (o segundo com o novo vocalista Jeff Gutt) para fevereiro do próximo ano. E segundo os integrantes, é um trabalho todo acústico.

Ouça abaixo “Fare Thee Well”, o primeiro aperitivo dessa nova faceta do Stone Temple Pilots.

 

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O Primeiro Disco do FLOWERS: Doom City

É triste admitir, mas a atividade ouvir música no atual mundo tecnológico mudou. As plataformas de streaming facilitaram o acesso, mas a forma como essas empresas enxergam a quarta arte é desanimadora. Ouvintes agora são consumidores, e a ideia de discos/álbuns, conceituais ou não, parece esvair-se lentamente.

Afinal, as playlists estão aí para isso. Na dúvida do que ouvir (para não dizer preguiça), é mais fácil selecionar o aleatório e pronto, o próprio serviço escolhe o que você vai ouvir. Ganha-se tempo, mas perde-se inovação, ideia, e o melhor: o prazer em selecionar o que escutar.

Doom City, o primeiro disco do FLOWERS, vai na contramão dessa realidade. Criado em cima de um conceito, é um trabalho para ser ouvido por completo, em sequência, sem interrupções. Aqui, som, imagem e ideia se entrelaçam em um único projeto, levando o ouvinte a passear por um mundo distópico, arrasado e, provavelmente, sem esperança alguma, não muito diferente do que a nossa realidade.

São sete faixas regadas com muitos riffs de guitarra e uma bateria que mais parece um esmagar de ossos de tão pesada. Por se tratar de uma dupla, tal feito torna-se ainda mais instigante.

Se em dado momento de “Chemical Burn”, por exemplo, o ouvinte se distrair, em poucos segundos a canção o trás de volta ao seu universo, pois a troca de tempos é uma constante. Em um instante, predomina a referência ao doom metal, com um andamento mais denso, consistente. Na mesma canção, porém, as colegas resolvem quebrar a barreira e acelerar o ritmo, intensificando a sensação de angústia em distorções características do rock desértico à la Kyuss e a bateria, claro, ainda mais ameaçadora.

Essas mudanças no tempo das músicas, tal qual as mudanças climáticas que o nosso planeta sofre de forma tão drástica nos últimos anos, faz com que as canções mais longas como “Doom City Prologue”, “Flammable High” e a já citada acima sejam as melhores do álbum.

Doom City saiu no dia 10 de setembro desse ano, pela Luik Records. Mais um ponto positivo para o selo belga.

1. Doom City Prologue
2. Flat Tired Chuck
3. Hot Dog Cigarette
4. Chemical Burn
5. Cedar’s Theme
6. Flammable High
7. Island View

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O novo do Iggy Pop: Free

A parceria com Josh Homme parece ter feito bem para a mente de Iggy Pop. Passados três anos desde Post Pop Depression, eis que chega ao mundo Free, seu décimo oitavo disco em carreira solo, com uma banda renovada e um estilo diferente.

As guitarras foram deixadas de lado e metais tornaram-se os fios condutores do álbum, uma semelhança com Blackstar, do David Bowie, que o ouvinte mais atento notará com facilidade. Além disso, o ar melancólico e meio noir traz uma faceta de Iggy que contrasta com sua figura selvagem e raivosa.

Após a abertura com a faixa-título, onde o artista escancara seu desejo de liberdade com um instrumental quase ambient, a trinca dançante happy-sad “Loves Missing”, “Sonali” e “James Bond” vem logo em seguida como o ponto mais alto do disco, sendo a última, talvez, uma das melhores canções de toda sua carreira.

Na segunda metade, o disco entra em uma espiral depressiva. A exagerada “Dirty Sanchez” não é tão atrativa, mas “Glow In The Dark” compensa em sequência. Para os fãs de poesia, “We Are The People”, com letra do Lou Reed, “Do Not Go Gentle Into That Good Night” (um poema de Dylan Thomas) e “The Dawn” são três peças de spoken word que finalizam o álbum de forma primorosa.

Com uma carreira de cinco décadas, Iggy Pop não precisa mais da aprovação de ninguém e pode fazer o que bem entender com sua música. Ele é livre, e tal liberdade nos brindou com um disco de alto nível. Como eu disse há alguns meses, que esse não seja o seu epitáfio, como Blackstar foi para seu amigo Bowie.

1. Free
2. Loves Missing
3. Sonali
4. James Bond
5. Dirty Sanchez
6. Glow in the Dark
7. Page
8. We Are the People
9. Do Not Go Gentle Into That Good Night
10. The Dawn