Direto do Forno · Música

O Novo do Black Banshee: Metamorphosis

O céu escuro, noite, com uma chuva interminável. A ruas da metrópole mais parecem um formigueiro, cheias de pessoas, ciborgues, robôs, carros espaciais. Do apressado ao trabalho até o traficante da esquina. Do bad boy de jaqueta de couro à garota de programa na calçada.

Lembrou de algum filme? Na minha mente vieram dois: Blade Runner e A.I. – Inteligência Artificial. É justamente nesse cenário futurista que o novo disco do Black Banshee, Metamorphosis, entra, pois ele seria a trilha sonora ideal para uma película do tipo.

São quinze faixas e somente DUAS ultrapassam os dois minutos de duração, onde cada uma complementa a outra, transformando tudo em uma só peça. Com uma variedade de elementos e sons que vão de ruídos, cortes ambientes, sintetizadores até repetições incansáveis, Metamorphosis é um curto aperitivo para quem gosta de música eletrônica.

Pode soar exagerado, eu sei e gosto disso, mas Aphex Twin, lá na caverna onde vive, deve estar orgulhoso da escola que fundou.

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FLOWERS – Flat Tired Chuck (Single)

Após apresentar artistas como Lenny Pistol, Jeremy Walch e o Endless Dive, trago mais uma novidade do selo belga Luik Records, um dos meus favoritos da atualidade. Trata-se do FLOWERS.

O projeto é idealizado por duas mulheres: Roos Pollmann (Juanita), que comanda as canções com um vocal rasgado e raivoso e guitarras de peso que passeiam pelos riffs sujos do stoner aos viajantes do space rock , e Judith van Oostrum (Juju), cuja bateria se destaca pela precisão e peso na medida certa.

Pouco mais de um ano após soltarem um interessante EP de estreia, o duo se prepara para lançar seu primeiro disco cheio, intitulado DOOM CITY. Segundo release oficial,

“Doom City é um álbum conceitual sobre um decadente, abandonado e isolado local industrial em um deserto vazio e sem recursos. Cada canção é sobre um aspecto dessa cidade; um líder político cantando para os habitantes, uma briga em uma fábrica, a visão geral da cidade, a vista da ilha (e o narrador) pensando sobre a cidade, etc. A cidade é uma metáfora para o patriarcado e o sistema de gênero binário – é insustentável, é desafiador sobreviver, é preciso se decompor para dar lugar a um novo modo de vida.”

Ouça abaixo “Flat Tired Chuck”, primeiro single do disco, programado para ser lançado no dia 10 de setembro desse ano.

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Current Affairs – Buckle Up/Worlds In Crisis (Single)

No início do ano, escrevi sobre o Current Affairs (aqui), um conjunto escocês de post-punk que impressiona pela curta e rica discografia.

Eles continuam sem lançar um disco completo, mas acaba de chegar mais um single, “Buckle Up/Worlds In Crisis”, gravado em abril do ano passado e só agora disponibilizado de forma oficial.

Se você gostar dos outros singles, também curtirá esse. Sem tirar nem por, a mesma essência.

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Dois EP’s do The Melancholic Youth of Jesus

Julgo importante colocar aqui que descobri o The Melancholic Youth of Jesus por uma entrevista do Carlos Sérgio, idealizador do projeto, concedida ao Floga-Se, talvez o site musical que mais acompanho há anos.

Pense no Jesus and Mary Chain (fase Psychocandy) saindo de Portugal. Só que muito, muito mais obscuro.

Recentemente, a extensa discografia do conjunto ganhou alguns integrantes: dois EP’s com três canções cada, cujo lançamento de um foi ontem, 10/06, e outro hoje.

Social Suicide é mais sombrio e hermético, como um espaço vazio e escuro. Gloominati, em contraste, soa etéreo. É como se ambos se completassem.

A dualidade e capacidade de renovação em um espaço de tempo curto são encantadoras.

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O Novo do Spotlights: Love & Decay

Junte a arte visual com o som da banda e a sensação é de navegar entre uma chuva de meteoros em pleno espaço sideral. Assim é Love & Decay, novo trabalho do Spotlights que chegou à Terra em 26 de abril desse ano pela Ipecac Recordings, gravadora do Mr. Mike Patton.

Mesmo que seja possível perceber as mais diversas influências no disco, como o shoegaze, o post-rock, o space rock, o stoner metal e até o doom metal, a predominância característica e que fica marcada é o peso. Em resumo, é um disco muito pesado, e devido às variedades que o compõem, torna-se, também, um trabalho emotivo.

Boa parte das canções tem a mesma proposta, iniciando com muita força e, em seguida, deixando a experimentação tomar conta, transformando a carga cheia em um espaço de flutuação.

“Far From Falling”, com mais de sete minutos, engata uma viagem espacial a partir de sua metade, com riffs repetitivos, guitarras solando ao fundo e a bateria constante que parece explodir a qualquer momento. E explode, quando a distorção engrandece e eleva ainda mais o estado psicodélico-espacial da canção.

Outros pontos altos do disco são os dois singles lançados anteriormente, “The Particle Noise” e “The Age of Decay”, que mesclam momentos sutis e hipnóticos com agressividade.  “Xerox”, a mais curta do álbum e cujo videoclipe você confere abaixo, destoa um pouco das demais, pois mantém a intensidade do começo ao fim. “The Beauty of Forgetting”, com quase onze minutos, finaliza com maestria e causa certa perplexidade, daquelas em que a pessoa fica estática, olhando para o nada, absorvendo tudo o que ouviu.

As edições em CD e vinil ainda contam com uma faixa extra, chamada “Sleepwalker”.

Tendo em vista tamanha riqueza de influências e detalhes de Love & Decay, saber que tudo isso é feito por um power trio catapulta ainda mais seu brilhantismo. Nada é feito com preenchimentos chatos ou megalomaníacos. A mistura entre o peso e a emoção podem atingir até ouvintes não-habituados com o estilo, apesar de que, à primeira audição, pode causar estranhamento.

Para fãs desse tipo de som, como eu, é um prato cheio.

1. Continue The Capsize
2. The Particle Noise
3. Far From Falling
4. Until The Bleeding Stops
5. Xerox
6. The Age of Decay
7. Mountains Are Forever
8. The Beauty of Forgetting

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Slift – 2016: Spacetrip For Everyone (EP)

Um compilado muito interessante saiu pelo selo francês Six Tonnes de Chair Records no final de maio. Para quem gosta de música viajante, é um prato cheio.

O Slift é um conjunto de Toulouse, na França, que produz um som space-psych-garage altamente recomendado. Enquanto a bateria e o baixo dão andamento às canções, as guitarras tratam de elevar o ouvinte a outra dimensão com muitos efeitos, repetições e barulhos que parecem ecoar direto de um planeta distante.

2016: Spacetrip For Everyone é um EP com três demos gravadas em 2016 e que nunca foram lançadas antes. Com todas passando dos cinco minutos de duração e como o próprio nome diz, é uma viagem intergalática.

É colocar para tocar e decolar.

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Mais Uma do Bruce Springsteen: Tucson Train (Single)

À espera de Western Stars, o novo álbum de estúdio que Bruce Springsteen lançará esse mês, mais um aperitivo chega às plataformas digitais para o apreço de quem gosta do trabalho desse ícone da música.

“Tucson Train”, assim como suas antecessoras, emana paz. Em um mundo cada vez mais veloz e intranquilo, é bom tomarmos uma dose de serenidade através de boas palavras e uma melodia cativante.

Há poucos dias do lançamento oficial do disco, temos uma noção de caminho que Springsteen adotou para esse trabalho: um lugar onde a vida ainda existe fora desse tumulto que se tornou o mundo.

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Mais Uma Do Azymuth: Castelo (Version 1) (Demo)

Escrevi aqui sobre a caixa de raridades que o Azymuth lançará no fim deste mês pela Far Out Recordings, e para salivar um pouco mais a boca dos adoradores do conjunto, mais uma pérola foi disponibilizada.

Trata-se da demo de “Castelo”, faixa que terá duas versões na coletânea. A disponível é intitulada “Version 1”. Em cada momento da música um instrumento rouba a cena, mas a melhor delas é o baixo cadenciado, que mais parece um torpedo dançante.

É de um swing marcante que só a música brasileira sabe fazer.

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The Quiet Temple – The Last Opium Den (On Earth) (Single)

É comum jogar na esfera da “música experimental” qualquer trabalho que tem na sua construção um passeio pelas mais variadas formas e estéticas sonoras, seja para agrupar um seleto conjunto de artistas, para identificar um coletivo ou apenas para tentar explicar aquilo que se ouve. Porém, ao analisar atentamente, questiono: qual música hoje em dia não é feita de experimentos?

O estreante The Quiet Temple, por exemplo, tem a tag jazz como identificador em sua página. E num primeiro momento, sim, jazz caberia bem como um rótulo. No final dos quase oito minutos de “The Last Opium Den (On Earth)”, o primeiro single de seu disco de estreia, o ouvinte sabe que a fronteira vai muito mais além.

O próprio Rich Machin, um dos cabeças do projeto, analisa o disco como um híbrido de jazz, krautrock e Velvet Underground, mas as influências são infinitas. Eu, por exemplo, colocaria também a ambiência do post-rock nesse liquidificador.

Independente disso tudo, o que importa é a qualidade. Palmas para o The Quiet Temple.

O disco completo, homônimo, será lançado pela Wichita Recordings em 05 de julho desse ano.