Direto do Forno · Música

Tomahawk – Business Casual (Single)

“Ah, tá de sacanagem!”

Essa foi minha reação quando descobri que o Tomahawk está de volta, já com um single e com a data do novo álbum anunciada. Tonic Immobility chegará em 26 de março pela Ipecac Recordings.

“Business Casual” possui uma linha de baixo maravilhosa, e claro, uma bateria esmagadora, como é de praxe quando se escuta o John Stanier em ação. A voz de Patton então nem precisa de comentários. É incrível como ele só melhora a cada ano que passa.

O Tomahawk é o projeto paralelo do Mike Patton que mais gosto. Mas é injusto chamá-lo de “projeto paralelo”, pois a banda já possui quatro discos de estúdio, sendo que o último, Oddfellows, foi lançado em 2013. Inclusive, tive a honra de vê-los ao vivo nesse mesmo ano, quando vieram no Lollapalooza.

Ano passado foi o Mr. Bungle que voltou às atividades e agora o Tomahawk. Espero que o Fântomas seja o próximo da fila.

Direto do Forno · Música

Cub Scout Bowling Pins – Heaven Beats Iowa (Single)

Duvido que exista alguém tão prolífico em questões artísticas quando Robert Pollard. Não bastasse os vários discos que ele lançou com o Guided By Voices em 2020, o cara também já anunciou mais um projeto paralelo e também soltou o primeiro single dessa empreitada: conheça o Cub Scout Bowling Pins com a canção “Heaven Beats Iowa”, que também levará o nome do primeiro EP do projeto.

Soa como Guided By Voices? Soa. É algo inovador? Não. Mas não importa, é muito bom ver esse camarada na ativa após décadas de carreira e ainda parecendo uma fábrica de canções.

O Cub Scout Bowling Pins lançará seu primeiro EP em 22 de janeiro desse ano.

Direto do Forno · Música

Yungatita – Sigh Guy (Single)

Um ano após lançar Over You, seu EP de estreia, a Yungatita retorna com “Sigh Guy”, single que deve adiantar seu próximo trabalho.

“Sigh Guy” tem um quê anos oitenta meio blasé, com uma guitarrinha funkeada que proporciona uma viagem sonora gostosa. Preguiçosa, mas gostosa. Lembra bastante o CASTLEBEAT.

Aliás, é da Yungatita uma das músicas que mais ouvi no ano passado: “7 Weeks & 3 Days”.

Tá aí mais uma artista que é bom ficar de olho nos próximos anos.

Direto do Forno · Música

O Novo do Our Transient Lives: Daily Loss EP

O nome Daily Loss, título do novo EP do Our Transient Lives, em português seria algo como “perda diária”. Tendo como base um poema visto na biblioteca pública de Indianápolis, Jared Rosdeutscher criou essa peça carregada de melancolia. Todos os dias perdemos alguma coisa, desde objetos banais até pessoas ou a si mesmo.

É um tipo de música que eu indicaria para os fãs de música ambient sem titubear, mas é bom cuidar com a tristeza que a cerca. Vai além da hipnose. Os pianos ao fundo de “First the Hour, Then the Day” explicitam isso. “Small the Daily Loss Appears” é como um sopro interminável e aos poucos cada elemento ao redor vai aparecendo, desde o baixo até ecos de guitarra, mas que vão embora em poucos instantes.

O encerramento com “Yet It Soon Amounts to Years” trouxe à minha mente “Wallace”, a minha música favorita da trilha sonora do Blade Runner 2049. Ouça as duas e perceba a semelhança.

Daily Loss é o primeiro trabalho que ouço desse projeto e gostei da forma como Jared monta suas peças, sabendo encaixar todos os detalhes nos momentos certos. Se ele traz a palavra “perda” em seu título, afirmo que tempo é algo que não foi perdido durante a audição desse EP.

Como é doce (e traiçoeira) a beleza da melancolia.

Esse é o poema citado no início do texto:

“Time by minutes slips away
First the hour, then the day
Small the daily loss appears
Yet it soon amounts to years”
-Ronald Tierney

1.Time By Minutes Slips Away
2. First the Hour, Then the Day
3. Small the Daily Loss Appears

4. Yet It Soon Amounts to Years

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Last Victorian Death Squad – LVDS EP

Na maioria das vezes, discos de shoegaze causam sensações estranhas em mim. Gostosas, mas estranhas. Um mix de nostalgia com melancolia, como se à medida que o som passa pelos ouvidos, toda aquela barulheira pudesse ser vista em forma de memórias.

Mas ouvindo o relançamento do primeiro EP do Last Victorian Death Squad, LVDS, pela ótima e já citada gravadora Shore Dive Records, a sensação foi diferente. Não foi uma ode ao passado, e sim uma vista diferente para os próximos dias. Um ânimo a mais, um despertar súbito à la Jack Kerouac sobre o momento atual da vida e o que posso fazer para melhorá-la.

“Alice” honra as “músicas com nome de pessoas” e é uma bela introdução, com guitarras soando seu feedback em alto e bom som, enquanto o vocalista declama seus versos com uma empolgação muito natural.

O que vem em seguida é “Bad Bones” e dadas as devidas proporções, é como se a imposição daquele Oasis do início dos anos 2000 tivesse baixado no Last Victorian Death Squad. A canção é levada em um ritmo menos acelerado, mas ainda barulhento, como deve ser.

As duas faixas que completam o EP, “Acid” e “Devil”, continuam a soltar uma tempestade de cordas nos ouvidos, e como uma boa banda de shoegaze sabe fazer, a bateria continua ali fazendo seu trabalho, na dela, apenas mantendo a corrente e o vocal, também paciente e calmo (na contramão das cordas), vai dizendo o que é preciso colocar para fora.

Aqui eu repito o mesmo comentário que mandei para o pessoal da Shore Dive pelo Instagram: “pelo amor de deus, isso é uma das melhores coisas que ouvi nos últimos meses.

E como gosto de deixar bem claro, digo isso sem exageros.

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Shaylee – Audrey/Walking at the Ball (Singles)

Meu primeiro contato com o trabalho da Shaylee foi nesse cover de “Alphabet Town”, do Elliott Smith, que foi lançado em comemoração do aniversário póstumo do cara.

Ao final do mês passado, a artista lançou mais um compacto pela Kill Rock Stars com dois singles, “Audrey” e “Walking at the Ball”, ambas canções sobre pessoas trans que já deixaram esse planeta. É bom dizer que o compacto saiu justo na data de comemoração do Dia Internacional da Memória Transgênera.

As duas canções possuem uma forte carga emocional, mas “Audrey” é de um nível muito acima da média. Já perdi as contas de quantas vezes essa música tocou aqui nos últimos dias.

Informações mais detalhadas sobre as histórias por trás das duas músicas estão no Bandcamp dela.

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shame – Alphabet/Water In The Well (Singles)

O shame faz um punk rock dos bons, enérgico e agressivo na medida certa. Ou ao menos é o indicativo de seu próximo álbum, que já conta com dois singles.

Se “Alphabet” é aquela que vai direto ao ponto, com pouco menos de três minutos ininterruptos de barulho, “Water In The Well” é mais gostosa de ouvir, já que as guitarras são compostas por levadas mais dançantes, mas sem perderem o peso.

Drunk Tank Pink sairá pela Dead Oceans em 15 de janeiro do próximo ano.

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The Melancholic Youth Of Jesus – Complete (Single)

São tão escassas as informações sobre o The Melancholic Youth Of Jesus, que me empolgo um pouco além da conta quando vejo que Carlos Santos soltou algo novo em sua página do Bandcamp.

“Complete” é o padrão da banda de fazer música, com muitas guitarras, efeitos e uma bateria que não se cansa. Porém, fiquei com a impressão de que essa possui um quê mais pop do que o usual. Cairia muito bem em uma rádio, por exemplo, se tivéssemos rádios com coragem para sair da mesmice (ao menos aqui no oeste baiano).

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Julia Holter – So Humble The Afternoon (Single)

Lançada em 2018 como parte de uma coletânea do Adult Swim, “So Umble The Afternoon” sai agora como uma música solta no Bandcap da Julia Holter.

Uma música calma, com uma voz doce e leves sintetizadores ao fundo. Mas um pouco mais adiante, lá pelos três minutos, vira uma peça instrumental em que a artista brinca com sons variados, quase que formando uma névoa sonora que permeia o ambiente do ouvinte.

Mais uma prova de que ideias simples e bem feitas originam canções magníficas.

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O Novo do Tricky: Fall To Pieces

Desde a criação de seu selo próprio, o False Idols (2013), Fall To Pieces é o melhor lançamento do Tricky. E vou além: é o melhor trabalho do cara desde o Blowback, lá de 2001.

Atormentado pela morte de sua filha Mazy Topley-Bird, Tricky descarrega suas dores e esperanças em letras que em alguns momentos soam confusas, mas que possuem versos muito claros para quem está passando por um processo de luto.

Ainda há vestígios do seu recente flerte com a club music, como a abertura do álbum, “Thinking Of”, “Chills Me To The Bone” e “Fall Please”, uma das minhas preferidas. Porém, Fall To Pieces lembra mais os trabalhos de sua era de ouro, como o Pre-Millenium Tension (1996) e o Angels With Dirty Faces (1998), cuja abordagem era mais obscura.

A diferença é que aqui em Fall To Pieces o mais importante não é a batida que encabeça cada uma das canções, mas o que Tricky diz, seja através de sua própria voz ou das duas cantoras que, maravilhosamente, o apoiam no disco: Oh Land e Marta.

Em “Hate This Pain”, ele é bem claro: “what a fuckin’ game, I hate this fuckin’ pain” (que jogo de merda, eu odeio essa droga de dor). Mas em alguns minutos antes, ele mostra que não quer perder essa batalha, quando entoa “don’t let it get you down” (não deixe que isso te derrube) em “Close Now”.

Talvez a que mais explicite o motivo de sua dor, mesmo que não de forma tão direta, seja “I’m In The Doorway”, disparada a que mais gostei. É como se os versos fossem ditados pela sua própria filha em outro plano:

“Ended in the bayou. Would you think to free me?
I can only sense things into something sort of…
(…)
I’ll bring you greetings and hidden meanings.
Can you hear me breathing? Can you feel me leaving into something sort of?”

(“Terminou no bayou. Você pensaria em me libertar?
Posso apenas sentir coisas em algo como…
(…)
Trarei comprimentos e sentidos escondidos.
Você me ouve respirar? Você pode ver eu me transformando em algo como…?”)

Há tempos não me empolgava tanto com um disco do Tricky. Uma pena que seja em um momento tão delicado de sua vida. Mas é isso que grandes artistas fazem: em seus momentos de maior vulnerabilidade, transformam toda essa turbulência em obras primorosas.

1. Thinking Of
2. Close Now

3. Running Off
4. I’m in the Doorway
5. Hate this Pain

6. Chills Me to the Bone
7. Fall Please
8. Take Me Shopping
9. Like a Stone

10. Throws Me Around
11. Vietnam