Garimpo · Música

Garimpo: Ioanna Gika – Out of Focus (Black Taffy Remix)

Ioanna Gika possui uma trajetória ainda curta no mundo da música, mas já colhe alguns frutos importantes. Com um disco lançado em 2019 chamado Thalassa e uma variedade de singles, seu pacote de canções ganhou mais um componente.

Trata-se de um remix da música “Out of Focus” feito por Black Taffy, um cara que vem se destacando na música eletrônica/trip hop nos últimos anos.

A original é de um aspecto melancólico e obscuro, e a repaginada de Taffy a deixou ainda mais soturna.

Direto do Forno · Música

Tombstones In Their Eyes – Sleep Forever (Demo)

Acho válido quando artistas soltam versões demo de suas canções para o público, pois mostra um pouco de seus processos criativos e estados de vulnerabilidade que, em algumas ocasiões, a polidez de um disco de estúdio não deixa às mostras.

O grupo Tombstones In Their Eyes está preparando um material nesse formato, intitulado Demos Vol.1, contendo doze canções do catálogo da banda antes de serem trabalhadas de forma “profissional”.

“Sleep Forever” é o primeiro aperitivo desse trabalho, e recomendo para quem gosta de um bom shoegaze. Confira abaixo as versões demo e a de estúdio.

Direto do Forno · Música

Faten Kanaan – The North Wind (Single)

Como é bom ser guiado por uma tag no Bandcamp e a música ser exatamente aquilo que se buscava. Faten Kanaan é uma compositora estadunidense que mescla elementos eletrônicos com música clássica, ambient e outros derivados, criando um atmosférico através de melodias que se repetem e levam o ouvinte a um pleno estado de contemplação.

Seu single mais recente chama-se “The North Wind”, que além da faixa-título, também traz a canção “Night Tide/Anteros”, que é ainda mais interessante. Ambas a canções estarão no próximo disco da artista, A Mythology of Circles, que sai do forno da Fire Records em 13 de novembro.

Se eu soubesse da existência dessa mulher há algumas semanas atrás, certamente ela estaria na postagem abaixo de dicas ambient.

Agora é esperar a chegada do álbum e torcer para que seja brilhante por completo, assim como essas duas canções.

Música · Quarta Parede

Não Sou Nada

Calma, não é o poema do Fernando Pessoa.

Caindo Na Real, de 1994, é um dos meus filmes favoritos, muito mais pela nostalgia do que pela qualidade técnica, e é, ao lado de Singles – Vida de Solteiro, aquele que melhor representa a essência da Geração X. O vazio existencial, as dúvidas sobre qual carreira seguir, sobre o que ser no futuro, trabalhos, relacionamentos e mais um monte de responsabilidades que a vida adulta, em tese, exige, são os principais questionamentos dos personagens principais desse filme, que é a estreia de Ben Stiller na direção.

Tanto que a canção “I’m Nuthin'”, executada pelo ator Ethan Hawke em uma das cenas, relata justamente esse buraco a ser preenchido naqueles que estão na casa dos vinte e poucos anos. Sem falar que a trilha sonora do filme também tem “Turnip Farm”, um petardo do Dinosaur Jr. em que J. Mascis destrói na guitarra em solos que parecem ser impossíveis de se criar uma tablatura.

Mas minha cena favorita é o breve passeio entre Troy (Ethan Hawke) e Lelaine (Winona Ryder), regado a café, cigarros e uma boa conversa (como ele mesmo diz no famoso diálogo “This is all we need: a couple of smokes, a cup of coffee and a little bit of conversation. You and me and five bucks”), onde ambos divagam sobre o que serão deles dali a alguns anos. Posso estar errado, mas sei lá, parece que naquele tempos as coisas eram mais simples.

Garimpo · Música

Algumas Dicas Ambient

Fazer música é uma árdua tarefa, que exige concentração, dedicação, intuição, conhecimento e bastante criatividade. Trabalhar em cima de algo que irá mexer com emoções de outras pessoas com o uso de melodias e palavras já é difícil, imagina uma composição instrumental.

Assim é a música ambient, repleta de ecos, efeitos, ornamentos vocais, sequências repetitivas e tudo mais o que o artista quiser implementar em sua música, porém, em sua maioria, sem palavras cantadas.

Gosto muito de ouvir discos nesse estilo em momentos de leitura ou reflexão. Ao fumar um cigarro e sentar na área externa da casa, por exemplo, ou durante uma madrugada silenciosa. E por ser uma vertente musical tão rica e repleta de compositores inventivos, tornou-se uma das minhas favoritas.

Abaixo estão três discos ambient que garimpei recentemente e que muito me agradaram. Se o EP Kill, do John Bence, possui uma abordagem mais voltada para o gótico e com um clima mais sombrio, o Apartment Loops Vol. 1 do italiano Bruno Bavota é de uma sensação mais sublime, como se o ouvinte flutuasse nas nuvens.

Por fim, trago o disco de estreia do Ghost Lode, chamado Lenten Distance. Esse é o projeto solo de Matt Weed, guitarrista da banda Rosetta. Seu debut é composto por seis belas e melancólicas peças acústicas com um ar de space rock. Creio que se o espaço tivesse som, seria algo do tipo.

Espero que o leitor faça bom proveito.

 

Direto do Forno · Música

CASTLEBEAT – TI​-​83 (Single)

CASTLEBEAT é o pseudônimo usado por Josh Hwang para distribuir suas músicas internet afora, e além disso, o cara também gerencia o selo Spirit Goth, voltado para a produção de canções lo-fi com as mais variadas influências.

A mais recente obra de sua discografia é a canção “TI-83”, disponibilizada como single no início desse mês. Misturando elementos do lo-fi hip hop, chillout e até o shoegaze, com a voz calma e quase sussurrada envolta em texturas sonoras e batidas repetitivas, é daquelas canções que caem muito bem numa madrugada solitária e melancólica.

Outra música do projeto que recomendo sempre que posso é “80’s High School”, lançada em janeiro desse ano e que aparece bastante em minhas audições diárias. Você a encontra na página do Bandcamp do CASTLEBEAT ou no Youtube.

Direto do Forno · Música

Mr. Bungle – Raping Your Mind (Single)

Foram mais de duas décadas sem lançar nenhum material inédito, mas o Mr. Bungle ressuscitou em pleno 2020 e esse panorama começou a mudar. Em junho saiu “U.S.A.”, um single avulso lançado com o objetivo de arrecadar fundos para uma campanha contra a covid-19. E em outubro, mais uma novidade chegará.

Não é algo tão novo assim, pois trata-se de uma regravação da demo The Raging Wrath Of The Easter Bunny, lançada pela primeira vez lá em 1986. Agora repaginada, com a entrada de Dave Lombardo e Scott Ian, duas lendas do heavy metal mundial, a banda fará uma nova versão dessa demo e também gravará algumas canções criadas naquele tempo, porém nunca antes trabalhadas.

O primeiro pedaço desse tão aguardado presente é “Raping Your Mind”, uma pedrada nos tímpanos do ouvinte que o deixa até atordoado. E como é bom ver Mike Patton cinquentão em plena forma.

No dia 30 de outubro, aniversário do meu tio Rogério, o disco chega por completo pela Ipecac.

Garimpo · Música

Garimpo: Shaylee – Alphabet Town (Elliott Smith Cover)

Shaylee é o projeto da Elle Archer, cantora e multi-instrumentista de Portland, uma das terras mais frutíferas da música alternativa estadunidense, e que está presente no catálogo do selo Kill Rock Stars, assim como o material do Elliott Smith, o deus sad-folk que nos deixou no início dos anos 2000.

Para homenagear o cara, que por coincidência ou não, completaria 51 anos na última semana, Shaylee coverizou “Alphabet Town”, canção do disco homônimo de 1995.

A versão atualizada ganhou um tom mais visceral e rock’n’roll, algo que deixaria o homenageado satisfeito e lisonjeado.

Língua Presa · Música

30 Anos do “Bossanova”

Mais um grande disco dos anos noventa completa um aniversário expressivo nesse ano. Bossanova pode não ser o mais aclamado pela imprensa, mas no meu particular, é o melhor álbum dos Pixies, daquele que não se pula uma única faixa.

Grande parte das minhas músicas favoritas da banda estão nele, como “Velouria”, “All Over The World” e a deliciosa peça final, “Havalina”. Porém, a minha preferida de toda a discografia é “The Happening”, onde Frank Black narra de uma forma brilhante como seria se ele avistasse um OVNI pairando em sua frente.

De Bossanova em diante a tensão entre Black e Kim Deal ganharam proporções impactantes para a trajetória da banda, tanto que na atual formação, Deal não faz mais parte.

E infelizmente, esse foi o último grande disco deles.

Língua Presa · Música · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #12: Bring It On Down

Futebol e música andam de mãos dadas tem um bom tempo. Canções de torcida, hinos, músicas na cultura pop (tem aquela do Skank, tem a do Fio Maravilha, etc.), enfim, o que não faltam são exemplos de como essas duas paixões se unem.

Tem um caso que gosto bastante, que é o fanatismo dos irmãos Gallagher pelo Manchester City. Pode-se dizer que ali são torcedores raiz mesmo, daqueles que apoiam o clube em qualquer momento e que odeiam com todas as forças o maior rival.

Tava assistindo hoje Manchester City x Real Madrid pela Champions League e como os jogos estão ocorrendo de portões fechados, dá pra ouvir quase tudo que se fala em campo. Durante o intervalo da partida, deu pra ouvir que nos alto-falantes do Etihad Stadium tava tocando “Bring It On Down”, uma das músicas mais rock’n’roll do Oasis, presente no Definitely Maybe, de 1994.

Não dá pra afirmar que isso afetou em algo, mas o City venceu por 2×1 e avançou de fase. E para mim, é um dos candidatos mais fortes ao título, apesar de não gostar nem um pouco dele e da outra modinha chamada PSG, também um forte candidato.