Direto do Forno · Música

Mais Uma Do Azymuth: Castelo (Version 1) (Demo)

Escrevi aqui sobre a caixa de raridades que o Azymuth lançará no fim deste mês pela Far Out Recordings, e para salivar um pouco mais a boca dos adoradores do conjunto, mais uma pérola foi disponibilizada.

Trata-se da demo de “Castelo”, faixa que terá duas versões na coletânea. A disponível é intitulada “Version 1”. Em cada momento da música um instrumento rouba a cena, mas a melhor delas é o baixo cadenciado, que mais parece um torpedo dançante.

É de um swing marcante que só a música brasileira sabe fazer.

Direto do Forno · Música

The Quiet Temple – The Last Opium Den (On Earth) (Single)

É comum jogar na esfera da “música experimental” qualquer trabalho que tem na sua construção um passeio pelas mais variadas formas e estéticas sonoras, seja para agrupar um seleto conjunto de artistas, para identificar um coletivo ou apenas para tentar explicar aquilo que se ouve. Porém, ao analisar atentamente, questiono: qual música hoje em dia não é feita de experimentos?

O estreante The Quiet Temple, por exemplo, tem a tag jazz como identificador em sua página. E num primeiro momento, sim, jazz caberia bem como um rótulo. No final dos quase oito minutos de “The Last Opium Den (On Earth)”, o primeiro single de seu disco de estreia, o ouvinte sabe que a fronteira vai muito mais além.

O próprio Rich Machin, um dos cabeças do projeto, analisa o disco como um híbrido de jazz, krautrock e Velvet Underground, mas as influências são infinitas. Eu, por exemplo, colocaria também a ambiência do post-rock nesse liquidificador.

Independente disso tudo, o que importa é a qualidade. Palmas para o The Quiet Temple.

O disco completo, homônimo, será lançado pela Wichita Recordings em 05 de julho desse ano.

Direto do Forno · Música

Kyle Craft – Broken Mirror Pose (Single)

Showboat Honey, o próximo disco do Kyle Craft, ganhou mais uma fatia musical/visual para o apreço de seus seguidores. “Broken Mirror Pose” exala anos setenta do início ao fim.

Da canção que mescla a base rock’n’roll com instrumentos de sopro ao visual extravagante, é possível perceber o caminho que o trabalho percorrerá.

O álbum sai em julho, dia 12, pela Sub Pop.

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Garimpo: Chico Science & Nação Zumbi – Lixo do Mangue/Da Lama ao Caos (Ao Vivo no Montreux Jazz Festival, Suíça, 1995)

Em 1995, Chico e a Nação Zumbi atravessaram o oceano rumo ao Festival de Montreux, na Suíça, um dos mais tradicionais e prestigiados de todo o planeta. E na hora de tocar “Da Lama Ao Caos”, o mundo veio abaixo.

Após uma breve introdução com a instrumental “Lixo do Mangue”, percussão e guitarra entraram em uma sintonia pesada, como se um vulcão tivesse anunciando sua erupção. De repente, o grupo tomou conta do palco como poucos, deixando os gringos em transe.

Autenticidade, fator que anda tão escasso na classe artística mainstream brasileira, transbordava em Chico Science.

Se sua música atravessou a lama e chegou à selva de pedra há décadas, hoje, ela bate de frente em um rígido muro invisível que assombra o Brasil: o caos. É só dar atenção às suas letras. Parece que foram feitas ontem.

Direto do Forno · Música

Pin Ups – Spinning (Single)

Esse texto vai soar muito puxa-saco, porque eu gosto demais dessa banda há anos e jamais pensei que diria isso algum dia: a Pin Ups está de volta e lançará um novo disco!

Em um breve contexto histórico, o grupo foi um dos mais importantes do underground nacional nos anos noventa, época em que a música subterrânea brasileira fabricou inúmeras bandas barulhentas, criativas e de alto nível. Na internet, é possível encontrar reportagens e entrevistas de personagens que viveram a época e aconselho o leitor a procurar para entender melhor.

Time Will Burn, o primeiro álbum da Pin Ups e lançado em 1990, é um dos maiores clássicos da época e costumo apelidá-lo de “Loveless brasileiro”, mesmo lançado um ano antes do mítico disco do My Bloody Valentine.

O último trabalho da banda, Bruce Lee, saiu em 1999 e parou por aí. Com alguns esporádicos retornos, o conjunto voltou à ativa e prepara Long Time No See, o novo disco que chegará no próximo mês, dia 14, pelo midsummer madness e Fleeting Media.

Ouça abaixo “Spinning”, o primeiro aperitivo desse retorno que comemoro com entusiasmo.

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Mike Patton & Jean-Claude Vannier – On Top Of The World (Single)

Mike Patton, o homem das mil vozes e dos mil projetos, está com mais uma parceria engatilhada para sair do forno da Ipecac Recordings, sua gravadora, ainda esse ano. Trata-se de Jean-Claude Vannier, colaborador de longa data de Serge Gainsbourg, ícone da música francesa.

Conforme release oficial, a dupla se conheceu em 2011 e a admiração foi instantânea, porém, o trabalho em conjunto só saiu do papel recentemente.

O disco se chamará Corpse Flower e contará com doze músicas. “On Top Of The World” foi a escolhida para anunciar o álbum, que chega por completo dia 13 de setembro.

Com uma atmosfera que lembra bastante o clássico Histoire de Melody Nelson (1971) de Serge Gainsbourg, a canção é sombria e sensual.

 

Direto do Forno · Música

Bruce Springsteen – There Goes My Miracle (Single)

Sentir-se tocado por uma obra artística é uma atividade individual, ou seja, cada pessoa capta as sensações à sua percepção. Os caminhos também são infinitos: seja pela escolha das palavras, a métrica, a voz emocionada ou o visual, apenas para exemplificar.

O que torna “There Goes My Miracle” tão potente é a junção de várias percepções que transformam a canção quase como um hino. Sim, é perigoso afirmar isso antes do disco ser lançado e tratando-se do Bruce Springsteen, cuja trajetória é recheada de canções grandiosas, mas pelos dois aperitivos disponibilizados até então, Western Stars o apresenta em plena forma e ainda capaz de emocionar. Isso é o mais importante.

Individual, lembra?

Se “Hello Sunshine” é para um aconchego, “There Goes My Miracle” vem para refletir. Onde está o seu milagre? O que você anda fazendo com sua vida?

Direto do Forno · Música

O novo do Messer Chups: Twin Peaks EP

Mais um divertidíssimo trabalho dos russos surfistas acaba de sair do forno. O novo álbum é curto, um EP com apenas quatro músicas e tem como referência Twin Peaks, o famoso seriado que foi ao ar pela primeira vez na década de noventa.

A faixa-título inicia o EP de forma lenta e preguiçosa, recheada de reverbs e wah-wahs, em um típico clima praiano. A partir da metade, a velocidade aumenta e é mantida até “Horrifica”, que começa e termina acelerada. É possível ouvir até um sopro fazendo parte da loucura ao fundo. “Humanica” quebra o ritmo numa pausa para o ouvinte descansar, e “Siberiade” finaliza o disco na mesma intensidade das anteriores.

Em Twin Peaks, guitarras, baixo e bateria se comunicam em plena sintonia, sem lugar para ego. Não há espaço para destaques individuais, sendo a música em seu todo o pico de admiração.

O EP foi lançado de forma oficial ontem, 08 de maio, pela MuSick Recordings, selo russo que vale a pena dar uma conferida mais atenta.

1. Twin Peaks Twist
2. Agent Horrifica
3. Humanica
4. Siberiade

Direto do Forno · Música

Kyle Craft – 2 Ugly 4 NY (Single)

No primeiro riff de “2 Ugly 4 NY” nota-se a referência. A Nova York setentista que foi palco de um dos maiores movimentos musicais ganha uma nova cara com Kyle Craft, acompanhado de uma guitarra crua que percorre a canção junto com seu vocal, que passeia entre o agudo e o rasgado.

O single ganhou um videoclipe onde o artista passeia por vários lugares fantasiado de morte, ou seja, até o visual tem influência de artistas que balançaram a cidade por um tempo, como o New York Dolls e Lou Reed.

Seu disco está marcado para julho deste ano, mais precisamente no dia 12, pela Sub Pop, e será chamado Showboat Honey.

Não se preocupe, Kyle Craft, os Dolls também eram considerados “feios para NY” perante os conservadores, mas, se não fosse eles, talvez você nem tocaria essa música hoje.

Garimpo · Música

Garimpo: Talk Show (1997)

Em 1997, chegou ao mundo o primeiro e único lançamento do Talk Show, banda que foi uma espécie de projeto paralelo para os instrumentistas do Stone Temple Pilots, já que Scott Weiland havia deixado o grupo para tratar seu problema com drogas e gravar um álbum solo (12 Bar Blues, lançado em 1998). Em seu lugar, Dave Coutts, ex-vocalista do Ten Inch Men, foi contratado para assumir os vocais e ajudar na composição das músicas.

Capa do álbum. Fonte: Wikipedia

Talk Show, o disco, é composto por doze canções que vão do hard rock distorcido à baladas mais suaves e emotivas. “Wash Me Down”, por exemplo, levada por uma bateria gostosa de ouvir e acordes de violão, acalma, enquanto “So Long”, que desde o início soa garageira (a sensação é de que o disco está arranhado), é um petardo sonoro. Outras canções que destaco são: “Ring Twice”, “Peeling An Orange” e “Hide”. Ao todo, o álbum mescla bem os momentos de maior intensidade com outros em que a poeira parece dar uma baixada, portanto, recomendo ouvi-lo em sequência, apreciando cada uma das faixas.

O projeto não durou muito (foi encerrado no ano seguinte), já que as vendas decepcionaram e o trabalho não foi bem divulgado. Logo, Weiland retornaria ao seu posto oficial de vocalista do Stone Temple Pilots e seguiria com a banda por mais algum tempo.

O disco homônimo do Talk Show é, ao meu ver, um trabalho do STP com um novo vocalista. Simples assim. Tanto que após a morte de Weiland e de Chester Bennington, pensei que seria muito mais interessante uma possível volta do Talk Show do que o STP continuar suas atividades com um terceiro vocalista que, apesar de muito competente, não chega aos pés do líder original da banda.

Devido à sua curta duração, o Talk Show ainda é um projeto que passa despercebido pela maior parte dos ouvintes, mas não se engane: é digno de atenção. Infelizmente, ele está no fosso da cultura pop dos anos noventa, sendo necessário escavar um pouco mais afundo até encontrá-lo.